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Madre Teresa: a freira boazinha from Hell

Quando eu vi a notícia que Madre Teresa de Calcutá foi canonizada não me impressionou em absoluto. Conhecendo bem o histórico da Igreja Católica Apostólica Romana, ICAR for short, fica fácil entender como ela foi canonizada tão rapidinho, ainda mais se conhecermos além da imagem de missionária devotada, mas nos apegarmos a fatos. Quem era Madre Teresa, e por que ela ganhou status tão rápido?

A resposta curta é que ela não passava de uma psicopata, uma maníaca sádica que se regozijava com o sofrimento alheio, sem se preocupar minimamente com as pessoas. Seu “hospital” na verdade era um matadouro. Quando Christopher Hitchens, seu maior crítico, disse que ela não era amiga dos pobres, mas da pobreza, estava absolutamente certo. Só faltou complementar: da pobreza do povo, não dos seus amiguinhos ditadores.

Hitchens disse que a ICAR correu para a “beatificação” de Madre Teresa numa rendição abjeta para as forças do showbiz, superstição e populismo. O ícone Madre Teresa se tornou mais que uma freira maluca nos confins da Índia. Ela virou garota-propaganda de um sistema que não é lá muito ético desde que Constantino resolveu adotar o Cristianismo em todo o Império Romano, já em decadência. Mas de onde veio este ícone?

Madre Teresa de Calcutá nasceu com o nome de Anjezë Gonxhe Bojaxhiu em Skopje, Albânia, em 26 de agosto de 1910 e uma aura santa gira em torno dela. De onde veio esta “aura”? Literalmente e metaforicamente graças a um camarada chamado  Malcolm Muggeridge, que fez um documentário sobre ela em 1969, cujo filme revelou vários “milagres” como auras em torno dessa pessoa. Técnicos afirmaram que isso era devido ao filme utilizado, mas Muggeridge, outro fanático, como pode-se notar, recusou-se a aceitar a explicação técnica. Ele vestiu aquela freira com um manto de ternura, bondade e devoção, ignorando a realidade que as imagens mostravam. As imagens era um monte de gente em estado deplorável, sofrendo horrores, mas sádicos como Madre Teresa e Malcolm Muggeridge veem santidade nisso. Mas perguntem se Muggeridge ia ajudar algum mendigo na rua? Não, claro que não. Ele ficava feliz que OUTROS estivessem fazendo isso, pouco importando se realmente estivessem fazendo algo. A imagem é o que conta, a realidade é só um detalhe.

Se olharmos os números, veremos que os que caíam nas mãos de Madre Teresa iam direto para os braços de nosso senhor Jesus, mas não sem muita dor e sofrimento. Ela recusava que aplicassem analgésicos, pois ela achava que a dor era libertadora. Obviamente, quando ELA ficava doente, corria para os melhores hospitais do mundo, e todos a abraçavam efusivamente, mas por um motivo além de reconhecer o altruísmo.

Vejamos o caso quando a fábrica da Union Carbide explodiu na madrugada de 3 de dezembro de 1984 em Bhopal, matando milhares de pessoas. O número certo, não se sabe; o que se sabe é que 40 toneladas de material tóxico vazaram da fábrica de pesticidas da empresa referida empresa, sendo considerado um dos piores (senão “O” pior) desastre industrial ocorrido até hoje. É certo que cerca de 500 mil pessoas foram expostas aos gases. A figura santa de Madre Teresa em prol dos pobres poderia ter exigido das autoridades competentes que fizessem pressão para que a U. Carbide indenizasse as famílias e fizesse por onde nada disso acontecer de novo, certo? Não, ela conclamou que todos perdoassem a empresa. Acharam lindo, como só os hipócritas poderiam fazer, porque quem morreu não pôde protestar. Os parentes organizaram um movimento, uma campanha internacional pedindo por Justiça. Você soube disso? Não, mas as palavras de Madre Teresa ecoam até hoje: “perdoem, perdoem, perdoem”.

Voluntários que chegavam naquele matadouro que ela comandava com mão-de-ferro ficavam estarrecidos com a higiene praticamente nula. Coisa que Ignaz Semmelweis alertara antes. Remédios eram aplicados de qualquer jeito, seringas eram reaproveitadas um sem-número de vezes. No máximo eram lavadas… com água fria. Casos graves eram terminantemente proibidos de deixar o local e ir para um hospital com médicos de verdade, para receber tratamento de verdade. Aquela psicopata precisava ter aquelas pessoas sofrendo horrorosamente. Sem isso, ela não recebia os milhões de dólares em doações. Dinheiro esse que nunca souberam para onde ia, mas com certeza não era para alimentar pobres ou comprar medicamentos e muito menos melhorar as condições sanitárias daquela pocilga. Mas que sua ordem missionária se espalhou pelo mundo todo, é fato. Será que tem algo a ver?

O Inferno realmente existia, e estava sob a tutela de Madre Teresa.

Vivendo num país com a miséria batendo às portas do povão, ela era ferrenhamente contra qualquer tipo de método contraceptivo e pior ainda se se falasse em aborto. Aquela maníaca fundamentalista achava que o mundo tinha que estar repleto de gente em adoração ao Deus Todo-Poderoso que ama a todos, mas pouco se importa com quem sofre. O deus que se existisse, deveria ser odiado. Para ela, a AIDS era puro castigo divino, e não deveria ser combatida, pois era uma forma que o bom, justo e misericordioso deus Jeová ia livrar o mundo das pragas que não estavam de acordo com o que a ICAR queria.

As pessoas são tão burras e alienadas, comprando imagens que lhes são vendidas, sem sequer prestar atenção nos detalhes, que não conseguem perceber coisas como este trecho aqui:

O principal destruidor da paz é o aborto […].Muitas pessoas se preocupam muitíssimo com as crianças da índia, com as crianças da África, onde um grande número morre, talvez de desnutrição, de fome e assim por diante, mas milhões estão morrendo, deliberadamente, pela vontade de suas mães. E é esse o maior destruidor da paz hoje em dia. Pois, se uma mãe é capaz de matar o próprio filho, o que impede que eu mate você e você me mate? Não há nenhum impedimento.

Um discurso que relaciona uma mãe fazer um aborto, por não ter tido acesso a contraceptivos, com assassínios em massa pode parecer a mais louca das falácias, mas foi o discurso de Madre Tersa ao receber o prêmio Nobel da Paz. Como alguém recebe um prêmio desses professando tamanha intransigência e falta de sensibilidade com as pessoas? Simples, a imagem fala mais alto. A imagem que foi criada por algum escritor como Homero.

Você pode achar que é horrível o aborto ser criminalizado no Brasil. Não discutirei sobre essa questão, só direi que até que estamos em vantagens, já que a lei prevê o direito a abortar em caso de violência sexual, má-formação do feto ou risco de morte para a mãe. E isso com uma ajudinha do Eduardo Cunha, está mais difícil, já que seu projeto-de-lei prevê que para se fazer um aborto no caso de estupro, será necessário comprovação por meio de exame de corpo de delito e um comunicado à autoridade policial. Você achou isso insano? Pois, você está com sorte por não estar em El Salvador.

Mediante o código penal salvadorenho, aborto é crime. Sem exceção, sem atenuante. Problema seu! Não importa se a mulher estar com risco de morrer, o bebê tem má formação ou se ela sofreu violência sexual. Se ela der entrada num hospital com útero perfurado, a polícia é acionada, essa paciente será algemada na cama e a perícia é chamada. Essa mulher deixou de ser uma pessoa, é uma cena de crime, e se comprovado que o aborto foi intencional, pode pegar até 12 anos de cadeia. Ao que se sabe, Madre Teresa nunca se importou, mesmo porque, era amiga do ditador Manuel Noriega.

Mas não era só do general Noriega que Madre Teresa era amiga, e a quem ela enaltecia. Ela também defendia um certo sujeito chamado François Duvalier, que apesar de nome de vinho, foi um dos ditadores mais sanguinários do século XX, governando o Haiti como um filme de terror. Ele era mais conhecido como Papa Doc, que assim como Enver Hoxha, na Albânia, não tinha problema nenhum de dar belas quantias de dinheiro, enquanto Madre Teresa defendia a ambos e instava que a população os adorasse. O mais curioso é que Hoxha era ateu e defendia um país livre de qualquer influência religiosa. Outro muito bem quisto por ela era o Caudilho de Espanha, Chefe do Estado e Generalíssimo das Forças Armadas Francisco Franco, que liderou uma contra-revolta na Espanha, iniciando uma guerra civil, assumiu o poder em 1938, com auxílio de Hitler e Mussolini, e de lá saiu em 1973. Mas qualquer líder político quer aparecer bem na fita e posar com Madre Teresa do lado garantia isso, e ela bem fazia uso dessa propaganda em proveito próprio. O dinheiro que ela ganhou? Sumiu como por encanto. Mas a ICAR fez vista grossa para esses detalhes, argumentando que aquela tristeza que Madre Teresa dirigia jamais teve a intenção de curar pessoas. Em outras palavras, a Igreja Católica Apostólica Romana admitiu que aquela pocilga era um depósito de gente, e não deu a menor bola pro que acontecia lá. O importante era a imensa propaganda que aquilo gerava (junto com os dólares que arrecadava sem nenhum destino conhecido).

Mais curioso ainda é que os EUA nunca questionaram essa posição de Madre Teresa. Pelo contrário! No governo Reagan ela até ganhou a Medalha Presidencial da Liberdade das mãos do Presidente Ronald Reagan. Talvez porque ela fez vista grossa pelas incursões dos EUA na Nicarágua e pela venda de armas aos iranianos, o que acabou no escândalo Irã-Contras. Maquiavel, nas profundezas do Inferno, deve ter dado umas cutucadas em Satã, dizendo “era disso que eu estava falando!”. Mesmo sendo virulenta em condenar o divórcio, ela clamou que aceitassem o divórcio da Princesa Diana. Para a pobre coitada na Índia… bem, se ela sofria de violência doméstica, era porque Deus quis. Como tudo no mundo das religiões, um peso, duas medidas, e a melhores medidas eram para os mais poderosos e mais abastados.

Claro, um oportunista atrai outro, como foi o caso com Robert Maxwell. Ele era tcheco de nascimento, mas radicou-se na Inglaterra, saindo da pobreza para ser um magnata do ramo da mídia. Depois da sua morte, em 1992, foi descoberto que ele se apropriara de modo escuso do Mirror Group. Ele convenceu Madre Teresa a acompanhá-lo em várias fotos publicitárias, a título de arrecadar fundos para as obras de caridade de Madre Teresa (não riam!). Como ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão, Maxwell garantiu seu século de absolvição dando uma volta em Madre Teresa e ficou com todo o dinheiro. Claro, questionou-se na época como ela não sabia disso, e se sabia, por que não fizera nada. O Campo de Distorção de Realidade de Madre Teresa fez sumir as suspeitas. Ela deixava Steve Jobs no chinelo.

Menor sorte teve o ilustre Charles Keating, dono do Lincoln Savings and Loan, da Califórnia. Ele roubou várias pessoas, passando a mão em vários fundos de pensão, poupanças e empréstimos. Era fiel contribuidor (não com seu dinheiro, claro) de Madre Teresa. Quando ele foi preso, ela redigiu uma comovente carta pedindo a libertação dele. Talvez por causa dos 250 mil dólares que ele “doou”, vindos dos 17.000 fundos de aposentadoria usurpados, cedendo até o uso de seu jato particular. Madre Teresa ainda permitiu que Keating fizesse uso de seu prestígio em várias ocasiões importantes e deu-lhe um crucifixo personalizado que ele levava para todo canto, como prova da “benção” que ela lhe deu, o que garantia a abertura de muitas portas.  Infelizmente, o poder Sith de Madre Teresa não estava forte nessa época. Preso o cara estava, preso ficou e ela não tocou mais no assunto.

O promotor Paul W. Turley respondeu-lhe explicando que o dinheiro que ela tinha recebido era produto de roubo e deveria ser devolvido, já que representava as economias de toda a vida de milhares de pessoas humildes. E perguntava a ela o que Jesus faria se recebesse um dinheiro como aquele. Não teve resposta, mas não devolveu o dinheiro roubado e o destino do jatinho não foi conhecido.

Desde Muggeridge, que publicou o livro “Something Beautiful for God” enaltecendo esta serva do bom, justo e misericordioso Papa – que tinha instado a Stephen Hawking que parasse de pesquisar sobre a origem do Universo, pois isso era questionar o trabalho de Deus – até todos os grandes líderes (bonzinhos e/ou malvadinhos), vários hipócritas viram a enorme força propagandística que era se apoiar numa louca que por mais que recebesse milhões e milhões de doações, obrigava suas freiras a mendigar tudo (comida, roupa, remédios etc.). Se não recebiam o suficiente, não se preocupavam em racionar. Se recebiam a mais, não se preocupavam com o desperdício. Mesmo porque, se usassem o dinheiro, não precisariam implorar mais dinheiro e, pior ainda, resolveria o problema das pessoas, que nunca foi o objetivo, e sim deixá-las naquele matadouro.

Aliás, matadouros são melhores. Tratamos vacas com mais respeito do que ela tratava as pessoas doentes. Deve ser porque as vacas lá são animais sagrados. Não sei ao certo.

Ainda de acordo com Hitchens:

Tenho em mente que a receita global da Madre Teresa é mais do que suficiente para equipar várias clínicas de primeira classe em Bengala. A decisão de não fazê-lo […] é deliberada. A questão não é o alívio do sofrimento honesto, mas a promulgação de um culto baseado na morte e sofrimento e subjugação.

Devemos levar em conta que a distinta Madre Teresa era da religião cuja primeira Cruzada levou seus exércitos, em 1098, para fazer o sítio de Ma’arrat al-Numan, no qual mulheres, crianças e velhos foram aniquilados, não importando se eram muçulmanos, judeus, católicos ortodoxos, católicos romanos etc.. As ruas viraram rios de sangue, cabeças eram catapultadas e chegaram até mesmo a apelar para o canibalismo! Vocês acham que o que o ISIS faz é terror? Bem, de qualquer forma, atrocidade semelhante, talvez, foi a 4ª Cruzada, em que o exército ao invés de ir para Jerusalém, preferiu dar uma passadinha na católica Constantinopla, não poupando nenhum ser vivente, saqueando e destruindo a cidade.

Madre Teresa faleceu calma e tranquila de insuficiência cardíaca em Calcutá em 5 de setembro de 1997. Não naquela tristeza que ela dirigia, mas num bom hospital, com excelentes médicos em volta e o melhor que a medicina da época tinha a oferecer. Entretanto, os conventos de sua ordem já estavam em 150 países. Nenhuma vida foi salva, pois nenhum hospital foi construído, apenas mais locais que serviam de depósito para pessoas doentes, retirando-as da rua e escondendo-as da sociedade. O mundo é lindo!

Hoje, em 2015, Madre Teresa será canonizada. A alegação é que um engenheiro em Santos estava com oito abscessos no cérebro, hidrocefalia e, PLIM!, foi curado depois que rezou para Madre Teresa. Curiosamente, pessoas morrem todos os dias e parece que Madre Teresa, os santos e o próprio Jesus Cristo não se importam. Não devem ter fé suficiente. Mas Jesus disse que não era preciso pedir nada a Deus; pois Ele, o SENHOR!, já sabia de suas necessidades. Se você sofreu, é por culpa exclusivamente sua. Ninguém questiona. Fé não se questiona, se segue como cordeiros, como gado. E o destino do gado é ser tosquiado, explorado e morto.

Sim, Madre Teresa é uma santa. Canonizada e ocupando um lugar ao lado de outros iguais a ela: Constantino, Cirilo, Patrício, Ignácio de Loyola etc. Loucos fundamentalistas, psicopatas alucinados, maníacos, sádicos que não tiveram medida em matar criminosamente qualquer um, dizendo-se seguidores do Príncipe da Paz. A sorte de todos esses e muitos mais é que Jesus não existiu, ou ele voltaria com um chicote e baixaria a porrada em todos.

Eu o ajudaria.


Fontes:

Livros

  • Carta a Uma Nação Cristã – Sam Harris
  • “The Missionary Position: Mother Teresa in Theory and Practice”  – Christopher Hitchens

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας