Shakespeare: o bode racistório da vez

William Shakespeare, o dramaturgo que nos deu Hamlet, Otelo e o Destino de Miguel, agora está na berlinda, sendo acusado de ser um símbolo de supremacia branca. Sim, pois é. O Bardo que escreveu sobre a complexidade da condição humana, traições, amores proibidos e dilemas morais, agora é alvo do jovem maldito que exige uma “revisão inclusiva”, buscando “descolonizá-lo”.

O fato de Bill Shakespeare ter batido as meiotas em 1616, dez anos depois da primeira colônia permanente é secundário. Continuar lendo “Shakespeare: o bode racistório da vez”

A história fascinante contada por Mithras

Uma das mais importantes contribuições arqueológicas para o estudo da História Romana no Reino Unido acaba de ser doada ao Museu de Londres. Trata-se de uma coleção impressionante com mais de 14.000 artefatos romanos, revelados durante as escavações realizadas entre 2012 e 2014 na construção da sede europeia da Bloomberg. Esse local abrigava anteriormente um templo do século III E.C., dedicado ao deus Mithras, uma divindade de um culto misterioso praticado amplamente por soldados romanos.

A coleção é especialmente notável por incluir a maior concentração de tábuas de escrita romanas já encontradas na Grã-Bretanha. Uma dessas tábuas contém a primeira menção escrita de Londinium, como Londres era conhecida na época romana, oferecendo um vislumbre fascinante das interações sociais, comerciais e administrativas da cidade. Continuar lendo “A história fascinante contada por Mithras”

O Panteão de Roma: não precisa mais nada no título

Eu tenho um problema. Aliás, não. Muitos milhares: jovens. Motivo? Eles existem. Ainda hoje uma criatura de 20 anos que estuda computação teve a pachorra de me dizer que hoje arquitetos não fazem um panteão, mas fizeram a casa do Gustavo Lima (vai com um T, mesmo. Foda-se) que é a mesma coisa.

Malditos jovens! Continuar lendo “O Panteão de Roma: não precisa mais nada no título”

A origem cósmica do carnaval [REPOST]

E começou o Carnaval (infelizmente… ou felizmente, because feriado!). Em 2007, eu postei um artigo do Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (1935 — 2014), um dos mais famosos astrônomos brasileiros, fundador do Museu de Astronomia e Ciências Afins e pesquisador do Observatório Nacional. Ele escreveu sobre o carnaval e deu uma aula sobre Astronomia, História e Linguística. Assim, eu resolvi repostar o texto, de forma que não fique mais perdido do que já está

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A Primeira Última Morada de Tutmés II

A descoberta da tumba de Tutancâmon em 1922 foi um choque na comunidade acadêmica e na vida das pessoas. Finalmente pudemos ter um vislumbre do poder, glória e opulência de um rei egípcio, ainda que fosse irrelevante – sim, pois é. A importância de Tut foi ter sua tumba encontrada intacta, com toda a sua riqueza. Agora, o papo é outro, pois outro rei foi descoberto (já falei inúmeras vezes para pararem de chamar reis egípcios de “faraós”). A New Kingdom Research Foundation descobriu a localização da tumba original de Tutmés II.

Original? Sim, leia o texto para entender! Continuar lendo “A Primeira Última Morada de Tutmés II”

X tem sido usado para representar amor e beijos por séculos. Mas como isso começou?

Por Katie Barclay
ARC Future Fellow e Professor,
Universidade Macquarie

“1.000 cartas e 15.000 beijos”, gritava a manchete de uma edição de 1898 do jornal inglês Halifax Evening Courier. Harriet Ann McLean, uma lavadeira de 32 anos, meteu o quitandeiro (é um hortifruti do tempo do seus avós) Francis Charles Matthews por renegar a promessa de casamento. O argumento dela foi que eles passaram uma década namorando… por carta. Harriet recebeu 1.030 cartas contendo 15.000 cruzes de seu “amoroso, precioso e futuro marido Frank”.

Em 1898, usar um X como beijo era comum entre os escritores de cartas britânicos — principalmente os da variedade mais “comum”: os criados, comerciantes e trabalhadores de lojas cada vez mais alfabetizados, cujos bilhetes de amor arrancavam risadas quando seus relacionamentos em decadência os levavam ao tribunal. Continuar lendo “X tem sido usado para representar amor e beijos por séculos. Mas como isso começou?”

A história de um motim no exército romano

Os guerreiros estão fugindo. A dor das feridas ainda cicatrizando é a mola mestra de sua fuga. Eles não querem mais castigos, não querem mais sofrimento, mas será sofrimento que eles irão enfrentar. Soldados estão atrás deles e o que se seguirá se forem pegos será muito pior que a morte, embora ela virá de qualquer forma, mas não sem antes receberem tratamento especial. Nas terras gélidas na fronteira norte da Britânia romana, uma história de desespero e sobrevivência estava prestes a se desenrolar. O cenário era uma campanha militar, cujo general que sonhava com os olhos abertos – o pior tipo de homem, segundo T.E. Lawrence. Entre suas tropas, um grupo de auxiliares carregava não apenas suas armas, mas também o peso de um destino que nenhum deles poderia prever.

Esta é uma história de violência, de luta pela liberdade e até mesmo de canibalismo. Continuar lendo “A história de um motim no exército romano”

O prédio que é uma máquina do tempo

É difícil ter um vislumbre do passado. Mais difícil ainda é ver como esse passado foi sendo alterado com o passar dos anos. Seria legal se pudéssemos viajar pelo tempo e vermos a evolução da arquitetura, por exemplo. Bem… acontece que você pode. No coração de Istambul, Turquia, um na bucólica rua Alaykoskü, no distrito de Cagaloglu, temos um instantâneo palpável da História. Tendo 1.800 anos, um prédio nos ensina um pouco sobre como nossos ancestrais (diferentes deles) construíam. Continuar lendo “O prédio que é uma máquina do tempo”

O caso dos memes e dos fantasmas romanos

Histórias misteriosas envolvendo o Sobrenatural de Almeida são algo que sempre apareceram na história da Humanidade, desde que começou a História, ou mesmo antes dela. No caso de Roma, sua cultura e religião estavam tão misturadas que muitos relatos acabam com influência de maldições, milagres, ações de deuses, fantasmas e outros seres do além, do aquém e adonde que véve os mortos. Um exemplo disso é uma carta de Plínio, o Jovem, que escreveu ao seu amigo sobre uma casa mal-assombrada e um cético que resolveu enfrentar os fantasmas que lá habitavam. Continuar lendo “O caso dos memes e dos fantasmas romanos”

No mundo greco-romano também havia pais de pets

O escritor romano Cláudio Eliano (séculos II e III E.C.) nos conta uma história curiosa sobre um menino e uma cobra de estimação:

Um menino comprou uma pequena cobra e a criou com muito cuidado. Quando ela cresceu, ele falava com ela como se ela pudesse ouvir, brincava com ela e a deixou ficar em sua cama enquanto ele dormia. Quando ela ficou muito grande, a cidade a mandou para um lugar desabitado. Mais tarde, quando a criança, agora um jovem, voltou de uma diversão, ele e seus companheiros foram atacados por bandidos. Houve uma comoção, e a cobra apareceu. Ela dispersou alguns dos atacantes e matou outros, salvando o jovem.

O menino teve sorte. Sua cobra de estimação lembrou-se de sua gentileza anterior e veio salvá-lo em seu momento de necessidade, se pudermos acreditar na história.

Este é um dos muitos contos do mundo greco-romano sobre pessoas e seus animais de estimação. Assim como hoje, as pessoas naquela época amavam e gostavam da companhia de animais em suas casas. Então, que tipos de animais de estimação eles tinham e o que sabemos sobre eles? Continuar lendo “No mundo greco-romano também havia pais de pets”