Cidade do México: um destino, mil histórias

No coração pulsante das Américas, onde o tempo dança entre o passado e o presente, ergue-se uma metrópole como nenhuma outra: a Cidade do México. Densa, vibrante e cheia de vida, esta capital em altitudes celestiais é mais que um destino: é uma experiência que atravessa séculos. Neste lugar onde os deuses astecas sussurram entre as ruínas e os ecos coloniais ainda ressoam entre as pedras, cada esquina conta uma história, cada sombra guarda um segredo.

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A história do homem que comeu plutônio

O cientista olha com curiosidade para a peça. É um tubo, na verdade, e em seu interior está uma substância raríssima, cara e em pequeníssima quantidade. Quantos milhares ou milhões de dólares aquilo valeria? ele não sabia dizer, mas barata, com certeza, ela não era. O homem sabia do poder das reações químicas, mas ele não sabia o que se sucedia dentro do tubo. O tempo corria e o homem leva o pequeno tubo perto do rosto, o que qualquer químico consciente jamais faria, mas a curiosidade venceu o cuidado e o pior que poderia acontecer com o tubo aconteceu: ele estourou, e com isso o homem sente o horrível sabor da morte sob a forma de uma substância que seria considerada letal.

O homem era Donald Mastick, e ele acabara de engolir uma amostra de plutônio. Continuar lendo “A história do homem que comeu plutônio”

Vampiros, bactérias e histeria popular

No final do século XIX, os habitantes de Rhode Island enfrentavam um inimigo peculiar: uma força misteriosa que os consumia lentamente, sugando-lhes a vida com a voracidade de um parasita invisível. Não se tratava, naturalmente, de vampiros no sentido romântico que hoje conhecemos: aqueles galãs góticos de capa esvoaçante e dentição impecável (hoje em dia estão preferindo retratar como ativista de faculdade de Humanas, mas prefiro os vampiros aristocratas).

O antagonista desta história era também elusivo, misterioso, um quê de místico e algo de sobrenatural: a Mycobacterium tuberculosis, a bactéria causadora da tuberculose.

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Romênia em Movimento parte 2

Na Romênia, tudo vibra com uma aura de lenda. Castelos surgem como visões; entre a bruma, entre as árvores, entre as páginas não escritas de algum conto que ainda vive no imaginário coletivo. São estruturas que não foram erguidas apenas com pedra e argamassa, mas com medo e fascínio, com amor e sangue, com a matéria mesma dos mitos. E quando a luz toca essas muralhas com sua delicadeza dourada, é como se o tempo curvasse a cabeça em respeito.

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Analisando séries e filmes de super-heróis XXXV

Super-Krypto contra Baixo Astral

Paulo Autran, célebre ator, disse numa entrevista certa vez que é muito difícil contracenar com animais e crianças, porque fatalmente eles irão roubar a atenção. Foi mais uma vez provado que ele tinha razão, e quem roubou a atenção no filme do Super-Homem (foda-se que querem que chamem de Superman. É SUPER-HOMEM!) foi um cachorro que a rigor não existe, já que o Krypto é feito em CGI, mas o filme é muito mais que aquele cachorro burro feito uma porta, mas que roubou corações.

Eu não quis postar este artigo cedo demais, por isso só fui ver o filme no último sábado. Se eu tivesse visto o filme antes, teria vindo correndo contar tudo, mas é isso. O maravilhoso filme do Super-Homem, que é tudo o que um filme do Super-Homem deve ser. Prepara que lá vem spoiler. UMA TONELADA DELES! Continuar lendo “Analisando séries e filmes de super-heróis XXXV”

Romênia em Movimento: Um Timelapse da Alma

Existem territórios que não se explicam em mapas. Lugares onde o tempo não corre, ele ecoa. Lugares nos quais as paisagens não apenas encantam, mas sussurram segredos antigos aos que sabem escutar. A Romênia é um desses lugares. Ela não se atravessa, se absorve. Não se observa, se sente.

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A Epidemia da Aldgate Pump

Imagine uma cidade onde as pessoas bebem, cozinham e tomam banho com o mesmo líquido que carrega os resíduos de… outras pessoas. Sim, eu sei que você tá bem pensando no Brasil (e nem o critico por isso, já que não está muito longe da verdade), mas o caso de hoje é um pouquinho… diferente, ainda mais porque adicionamos o fator “cemitério” na equação. Junta tudo isso e uma bomba d’água bem localizada em via pública e pronto, taí o problemão!

Esta é uma história que se passa na Londres Vitoriana, lugar nobre, cosmopolita e perfeito exemplo de civilização (segundo eles, claro). Nesse tempo, a água da Aldgate Pump era considerada fresca, borbulhante, magnífica, mas com uns detalhezinhos ruins, como estar cheia de ossos humanos dissolvidos. Continuar lendo “A Epidemia da Aldgate Pump”

Nördlingen: quando o Cosmos resolve fazer piada com a história

Existe uma pequena cidade na Alemanha que conseguiu o feito raro de ser simultaneamente a coisa mais fantástica e mais absurda do mundo. Nördlingen não é apenas uma cidade medieval perfeitamente preservada, pois, isso seria banal demais até para os padrões alemães. Não, ela teve que ir além e se instalar no meio de uma motherfucking cratera de meteoro de 15 milhões de anos, construir suas casas com pedras cravejadas de diamantes microscópicos e ainda por cima servir de campo de treinamento para astronautas da NASA. É como se alguém tivesse decidido misturar Game of Thrones com Armageddon e jogado um pouco de 2001: Uma Odisseia no Espaço só para dar aquele toque de sofisticação científica. Continuar lendo “Nördlingen: quando o Cosmos resolve fazer piada com a história”

Quando um fazendeiro Norueguês tropeçou na Netflix da Era Viking

Imagine a cena: é agosto de 1904, você é um fazendeiro norueguês cavoucando o próprio quintal porque… sei lá. Parece que isso é comum por lá. Cartas para a Redação. Bem, o cara lá fuçando o quintal bate a enxada em algo que claramente não era raiz teimosa, nem pedra, nem papel ou tesoura. Era madeira! Madeira muito, muito antiga. Knut Rom, nosso protagonista involuntário desta história, provavelmente teve o mesmo sentimento de quem encontra uma pasta perdida no computador e descobre que ela contém todos os memes raros dos últimos dez anos. Só que, no caso dele, a pasta continha mil anos de história viking condensados em 22 metros de carvalho esculpido que faria qualquer cenógrafo de Game of Thrones ter um ataque de inveja.

Rom havia acabado de descobrir o navio de Oseberg. Continuar lendo “Quando um fazendeiro Norueguês tropeçou na Netflix da Era Viking”

A Batalha das Batatas

Se a guerra é o lugar da tragédia, às vezes ela também é o palco de comédia involuntária. Ou melhor: improvisada, desesperada e, por que não, nutritiva. O episódio que vamos narrar aqui tem tudo o que um bom roteiro de Hollywood evitaria por parecer inverossímil demais; mas aconteceu. Na madrugada de 5 de abril de 1943, nas águas inquietas das Ilhas Salomão, um contratorpedeiro americano encontrou um submarino japonês e, sem saber o que fazer, fez o impensável: atacou com o que tinha à mão, e este foi o dia em que o USS O’Bannon derrotou um submarino japonês com… tubérculos. Continuar lendo “A Batalha das Batatas”