O bebum, a rainha e o vinho vagabundo

Tem coisas que só o álcool faz por você; que o diga o Zé Ruela que resolveu dar um rolê pelo Palácio de Buckingham, a residência oficial da monarquia britânica. Em teoria, invadir o Palácio de Buckingham deveria exigir algo próximo de uma operação do Ethan Hunt, já que, em tese, aquela residência humilde e simplória é a residência de um chefe de Estado, palco de recepções governamentais e símbolo arquitetônico do Império Cujo Sol Nunca Se Põe e uma coleção de tapetes que provavelmente tem mais pedigree histórico do que a maioria das famílias europeias. Junte-se a isso aqueles guardas imóveis com chapéus de pele de urso, patrulhas armadas, polícia especializada, alarmes, câmeras e uma burocracia de segurança que supostamente impede até um pombo mal-intencionado de entrar sem autorização.

Mas nem sempre foi assim. Em 1982 um pintor desempregado, meio bêbado e completamente sem a menor ideia do que estava fazendo conseguiu entrar ali dentro. Duas vezes. Na segunda, acabou frente a frente com a rainha. Continuar lendo “O bebum, a rainha e o vinho vagabundo” →

Como o clima que derrubou a Dinastia Tang

Existe uma certa idiossincrasia arrogante das pessoas em achar que tudo tem a ver literalmente com elas, insistindo em acreditar que a crise climática é um problema moderno, um capricho do século XXI que surgiu junto com o plástico e as redes sociais; parece que e só hoje que uma simples mudança no clima vai nos fazer voltar pra Idade da pedra, onde passaríamos a ser caçadores coletores, comer carne crua e termos a sorte de não termos jovens enchendo o saco porque poderíamos atirá-los aos tigres dente-de-sabre. Só nos resta torcer para isso chegar.

De qualquer forma, a história, como de costume, discorda dessa visão idiota; e quando a história discorda, ela costuma trazer documentação. No caso mais recente, a documentação vem de anéis de árvores milenares, registros militares da China do século IX e um estudo internacional publicado em 2025 que, sem cerimônia, conecta secas, enchentes e o colapso de um dos impérios mais fascinantes que o mundo já produziu. Continuar lendo “Como o clima que derrubou a Dinastia Tang” →

Artigos da Semana 295

Tá tendo arranca-rabo no Oriente Médio de novo. Estou com preguiça de tecer maiores considerações. Vejam o que eu postei durante a semana.

Continuar lendo “Artigos da Semana 295” →

A beleza da liberdade persa

Hoje é um dia diferente no Irã. Acostumados a criarem problemas com todo mundo, desde ocidentais, israelenses e árabes, choveu democracia lá enquanto o regime do Aiatolá estava arrumando problemas com os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kwait, Israel e até Arábia Saudita. Em operação conjunta dos EUA e Israel, Aiatolá Khamenei is no more, e a população está comemorando direto, para infelicidade de pessoal levógiro. Continuar lendo “A beleza da liberdade persa” →

As dez vezes que o mundo quase acabou

Existe uma pergunta que nenhum livro de história costuma fazer com a seriedade que merece: quantas vezes a civilização humana sobreviveu não por competência, estratégia ou sabedoria diplomática, mas por pura e simples sorte? A resposta, se você tiver estômago, é: pelo menos dez vezes documentadas, só na segunda metade do século XX. Provavelmente mais, porque boa parte dos arquivos ainda está registrada como “SECRETO” e somente pros olhos de alguém bem importante. O que se sabe já é suficiente para tirar o sono de qualquer pessoa com menos de três drinques no corpo.

Bombas nucleares caindo sobre o território americano. Submarinos prontos para lançar torpedos atômicos porque a água estava quente demais. Exércitos soviéticos em alerta máximo porque a OTAN decidiu fazer um joguinho de guerra realista demais. Um bando de cisnes voando sobre a Turquia. Um urso, sem filiação política conhecida, quase iniciando a Terceira Guerra Mundial. Continuar lendo “As dez vezes que o mundo quase acabou” →

Artigos da Semana 294

Acabou-se o carnaval PLUFT! Não se tem muito o que fazer sobre isso, além de reclamar de outra coisa: do calor infernal que tá, enquanto eu fiquei sem luz váris horas sem poder ligar um ar-condicionado ou ventilador. Me senti coo os químicos sumérios que inventaram o asfalto. Sim, eu contei esta e outras histórias durante a semana.

Continuar lendo “Artigos da Semana 294” →

O falecimento da Internet

Uma das maiores invenções do século XX foi a computação pessoal. Saímos dos grilhões que dependíamos de terminais burros acessando mainframes. Cada um podia ter seu próprio computador, fazer seus próprios programas ser senhor do seu pequeno mundo virtual. O problema é que você tinha que saber muito de eletrônica, tinha que saber muito de programação e ter o seu próprio computador mas para simples satisfação pessoal, o que não ajudava muito. Então, surgiu o Altair: sabendo programação, você podia usar as chavinhas para programá-lo. Veio Steve Wozniak e fez algo amigável. Veio os diferentes tipos de computadores (Commodore, Z-Spectrum, Amiga etc). Cada máquina com seu Sistema Operacional próprio. E então, o IBM-PC e o mundo foi outro. Você podia instalar o DOS e ter uma imensa variedade de programas, com a grande virada do Windows, que transformou tudo em muito mais amigável.

Ah, sim, veio o MacOS que jura que foi kibado pelo Windows, mas sabemos muito bem que tio Bill Gates pagou uma grana gostosa para a Xerox para ter a interface gráfica, enquanto a Apple praticamente roubou na cara dura com anuência dos executivos da fábrica de copiadoras, no que resultou em pedido de demissão em massa do PARC da Xerox. Continuar lendo “O falecimento da Internet” →

O homem que acreditava ser o rei da França

Era uma vez um homem que acordou numa bela manhã de setembro de 1354, como sempre acordara nos seus 38 anos de vida: um próspero comerciante de Siena, ocupado com os negócios de sempre, preocupado com lucros, prejuízos e as pequenas intrigas da tosca República de Toscana. O mundo dá voltas mas de vez em quando ele capota, e quando a noite caiu sobre aquele mesmo dia, ele já se acreditava o legítimo rei da França. Não houve febre, não houve delírio, não houve nenhum cogumelo mágico medieval que justificasse a transformação. Houve apenas uma convocação, uma conversa e uma revelação tão absurda que parecia ter saído diretamente de uma novela.

Esta é uma SEXTA INSANA MEDIEVAL! Continuar lendo “O homem que acreditava ser o rei da França” →

O guardião contra o Apocalipse Digital e o bot que sabia demais

Existe um momento na vida adulta em que você percebe que vivemos, sim, na Matrix, e a simulação não é a nada próximo de uma civilização avançada, mas numa grande experiência social mal supervisionada por máquinas contaminadas por vírus. Esse momento chega quando você descobre que o chefe da cibersegurança dos EUA, o Zé Ruela cujo trabalho é basicamente impedir que segredos vazem como cano velho, decidiu subir documentos sensíveis para o…

ChatGPT! E nem é o pago, mas o gratuitão, mesmo! Continuar lendo “O guardião contra o Apocalipse Digital e o bot que sabia demais” →

Dois Ivãs entraram numa fria por malocar baseado do comandante

Você tá esperando aquele lance “War, War never changes”. Às vezes “chenja”. Enquanto  você ainda acha que guerra é feita de estratégia, mapas bem desenhados e generais com cara séria apontando para setas vermelhas, sinto informar: você está atrasado alguns séculos. A guerra real, essa que acontece longe das coletivas de imprensa e perto demais da estupidez humana. Nossos amigos Ivãs que o digam.

Dois soldados russos foram amarrados nus a árvores, no meio do frio brutal, porque, segundo os próprios colegas, roubaram… Comida? Armas? Passaram a mão na bunda do oficial? Não! Eles roubaram a maconha do comandante. Não, não é metáfora. Não é sátira. É só a realidade, nua e pendurada num tronco congelado. Continuar lendo “Dois Ivãs entraram numa fria por malocar baseado do comandante” →