Picatrix: O Manual de Instruções do Feiticeiro Malvado

Se você já se perguntou como um vilão medieval se tornava vilão de verdade (e não apenas aquele rei chato que cobrava impostos absurdos), a resposta está condensada em um único livro. Um livro que, por sinal, andava circulando pelas melhores bibliotecas da Europa durante séculos, com a mesma normalidade que livros de auto-ajuda tipo “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, que foi febre lá pelo início dos anos 2000. Esse livro se chama Picatrix, e ele é, sem exagero, um dos documentos mais estranhos, mais mórbidos e mais fascinantes que a Idade Média nos legou.

Continuar lendo “Picatrix: O Manual de Instruções do Feiticeiro Malvado” →

A treponema que atravessou milênios

Existe algo profundamente perturbador em descobrir que uma doença que achávamos conhecer tão bem guarda segredos de 5.500 anos. É como abrir o armário de casa e encontrar um esqueleto (literalmente, no caso) que muda tudo o que você pensava saber sobre a família. E foi exatamente isso que aconteceu quando cientistas resolveram dar uma olhada mais atenta nos restos mortais de alguém que viveu na região de Bogotá, na Colômbia, numa época em que a roda ainda era uma ideia revolucionária e a escrita nem existia.

O que eles encontraram foi nada menos que o genoma mais antigo já recuperado da bactéria Treponema pallidum, aquela espiroqueta simpática responsável por doenças como sífilis, bouba e bejel. E aqui começa a ficar interessante: essa cepa ancestral não se encaixa em nenhuma das categorias modernas que conhecemos. Continuar lendo “A treponema que atravessou milênios” →

Artigos da Semana 290

Tá chovendo a semana toda. Eu estou aqui, com uma caneca de chocolate quente, entre minhas cobertas, feliz da vida ainda de férias. Lancei esta semana dois livros em que eu conto histórias, e lançarei mais livros separando os volumes por eras e assuntos. Tem até um artigo que eu só falo disso, além de outras coisas que eu postei durante a semana. Bóra ler?

E comprem meus livros. Custa só R$24,90 cada um.

Continuar lendo “Artigos da Semana 290” →

Dois Ivãs entraram numa fria por malocar baseado do comandante

Você tá esperando aquele lance “War, War never changes”. Às vezes “chenja”. Enquanto  você ainda acha que guerra é feita de estratégia, mapas bem desenhados e generais com cara séria apontando para setas vermelhas, sinto informar: você está atrasado alguns séculos. A guerra real, essa que acontece longe das coletivas de imprensa e perto demais da estupidez humana. Nossos amigos Ivãs que o digam.

Dois soldados russos foram amarrados nus a árvores, no meio do frio brutal, porque, segundo os próprios colegas, roubaram… Comida? Armas? Passaram a mão na bunda do oficial? Não! Eles roubaram a maconha do comandante. Não, não é metáfora. Não é sátira. É só a realidade, nua e pendurada num tronco congelado. Continuar lendo “Dois Ivãs entraram numa fria por malocar baseado do comandante” →

Lançados livros de História como você nunca leu. Quem escreveu? Eu, André

Este é um ano que começou com novidades em termos de projetos. Um projeto que eu já vinha conduzindo há um tempo e com cuidado. Algo que finalmente deslanchei (ainda que não totalmente). Então, depois de revisões e tal, começou a saírem eles: meus livros! Continuar lendo “Lançados livros de História como você nunca leu. Quem escreveu? Eu, André” →

A insana Bomba de Morcegos

Planeta Terra, cidade Tóquio. Como todas as grandes metrópoles em sua época, Tóquio tinha um grande problema: a Segunda Guerra Mundial. No amanhecer de 1943, o rugido de um avião irrompe o ar frio da manhã, cruza o céu e larga um container que parece uma bomba comum. Só que não é. A uns 300 metros de altitude, o troço se abre e liberta milhares de morcegos. Silenciosos, rápidos, quase invisíveis, eles se espalham pela cidade procurando um cantinho escuro para descansar. Infiltram-se sob telhados, em casas e prédios, sem critério especial. Mas esses não são morcegos comuns.

Cada um carrega uma pequena bomba incendiária amarrada ao corpo. Quando o sol nasce, o temporizador dispara. Milhares de ignições simultâneas incendeiam as construções de madeira do Japão. Em minutos, a cidade inteira está em chamas. Continuar lendo “A insana Bomba de Morcegos” →

Quando Nova York quis se divorciar dos EUA

Acho que, na psique das pessoas, quando você fala “Estados Unidos”, todo mundo pensa na Estátua da Liberdade e na própria Nova York, um ícone de civilização ocidental. Eu posso assegurar que ninguém pensa em Pascagoula, Mississippi, quando se fala na Murica. O que as pessoas não sabem é que, em 1860 o prefeito de Nova York andava de ovo virado e resolveu transformar a maior metrópole americana num paraíso comercial sem compromisso com ninguém além do próprio lucro. E olha, quase deu certo. Continuar lendo “Quando Nova York quis se divorciar dos EUA” →

Artigos da Semana 289

Voltei de viagem, felizmente. Digo felizmente, porque o bom mesmo é estar em casa e detesto ter que ser arrastado para fora do meu castelo. O bom é que eu continuo de férias, mas em casa, sem trabalhar. Deixei vários artigos agendados para vocês mas agora, tudo será nos moldes de sempre. Entyão, começo o ano agora, aqui, já, neste instante, com o que foi postado durante a semana, e já tenho o que postar amanhã.

Continuar lendo “Artigos da Semana 289” →

A Batalha de Legos em Caen

O caos ensurdecedor caiu sobre as praias da Normandia no Dia D, 6 de junho de 1944! Os Aliados, liderados pelos britânicos e canadenses, desembarcaram com um plano audacioso: capturar a cidade estratégica de Caen, um hub vital de comunicações e estradas na França ocupada pelos nazistas, para abrir caminho para a liberação da Europa. O problema é que os krauts com suas divisões Panzer não estavam a fim de facilitar a vida de ninguém. Continuar lendo “A Batalha de Legos em Caen” →

Beijing: a dança do Tempo Eterno

Beijing. Um nome que ecoa como ventos ancestrais sussurrando através de muralhas eternas. Um nome carregado de impérios caídos, revoluções flamejantes e silêncios profundos como o mar. No Ocidente, chamamos de Pequim, um reflexo distante de línguas esquecidas, rotas perdidas e eras que se entrelaçam. Dois nomes para uma só cidade, como se um único não bastasse para abarcar sua essência infinita. Continuar lendo “Beijing: a dança do Tempo Eterno” →