Vampiros, bactérias e histeria popular

No final do século XIX, os habitantes de Rhode Island enfrentavam um inimigo peculiar: uma força misteriosa que os consumia lentamente, sugando-lhes a vida com a voracidade de um parasita invisível. Não se tratava, naturalmente, de vampiros no sentido romântico que hoje conhecemos: aqueles galãs góticos de capa esvoaçante e dentição impecável (hoje em dia estão preferindo retratar como ativista de faculdade de Humanas, mas prefiro os vampiros aristocratas).

O antagonista desta história era também elusivo, misterioso, um quê de místico e algo de sobrenatural: a Mycobacterium tuberculosis, a bactéria causadora da tuberculose.

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Arranca-rabo entre vereadores por causa de papel e LSD

Se tem uma coisa que o Brasil domina com maestria é transformar discussões sérias em novelas mexicanas de quinta categoria, com direito a vilã, mocinha, tapas retóricos e, claro, pedidos de cassação com trilha sonora dramática. Desta vez, o palco foi a sempre serena (só que não) Câmara Municipal de Curitiba, onde uma audiência pública sobre segurança, saúde e políticas de drogas terminou em gritaria parlamentar (se teve dedo no cu, não informaram) e acusações de todo tipo para todos os lugares, e isso por causa de um folder, ao que muitos só faltaram perguntar se queriam folder com avida dos que estavam lá.

Acompanhando rinha de parasitas curitibenses, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Arranca-rabo entre vereadores por causa de papel e LSD”

Analisando séries e filmes de super-heróis XXXV

Super-Krypto contra Baixo Astral

Paulo Autran, célebre ator, disse numa entrevista certa vez que é muito difícil contracenar com animais e crianças, porque fatalmente eles irão roubar a atenção. Foi mais uma vez provado que ele tinha razão, e quem roubou a atenção no filme do Super-Homem (foda-se que querem que chamem de Superman. É SUPER-HOMEM!) foi um cachorro que a rigor não existe, já que o Krypto é feito em CGI, mas o filme é muito mais que aquele cachorro burro feito uma porta, mas que roubou corações.

Eu não quis postar este artigo cedo demais, por isso só fui ver o filme no último sábado. Se eu tivesse visto o filme antes, teria vindo correndo contar tudo, mas é isso. O maravilhoso filme do Super-Homem, que é tudo o que um filme do Super-Homem deve ser. Prepara que lá vem spoiler. UMA TONELADA DELES! Continuar lendo “Analisando séries e filmes de super-heróis XXXV”

Marinheiros, amuletos e o medo do oceano

Enquanto os livros de história celebram os heróis de pólvora seca, os conquistadores dos sete mares e os impérios que dominavam os oceanos com bandeiras flutuando ao vento, quem realmente enfrentava o capeta líquido dia após dia eram os marinheiros. Esses sim merecem um capítulo à parte; não por bravura, mas por desenvolverem uma verdadeira mitologia flutuante pra lidar com um ambiente que cuspia tormentas com a frequência de um adolescente em crise. Continuar lendo “Marinheiros, amuletos e o medo do oceano”

Ragebait: o ódio como fonte de receita

Eu ainda poderia ter dado o título: Como Descobrimos que Ser Detestável Rende Mais que Ser Adorável que ainda assim estaria bem de acordo. Eu ainda poderia fazer um resumo do resumo e dizer: quem mais te odeia é quem mais te divulga. Continuar lendo “Ragebait: o ódio como fonte de receita”

Planeta dos Macacos versão elétrica

Eu não sei se as pessoas costumam fazer elucubrações sobre como será seu último dia, mas creio que na lista de maneiras improváveis de se morrer a opção “ser eletrocutado por um fio rompido por um macaco em cima de um templo lotado durante uma oferenda sagrada às 2h da manhã” não parece ser algo sequer cogitado. Mas, como sempre, a realidade na Índia decidiu ultrapassar todos os roteiros do Shyamalan com um toque de National Geographic e um final trágico. Continuar lendo “Planeta dos Macacos versão elétrica”

Artigos da Semana 265

E eu aqui, vendo as maluquices de GPS doido, idiotas implicando com gostosas num genes, digo, num jeans, morango do amor, besteiras em geral. Sempre uma doideira sem noção. Pelo menos, ainda tenho mais uma semana de recesso! Loucura por loucura, vejam as que foram publicadas durante a semana.

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Sexo, monges, influencers e video-tape

Sabe aquele negócio de castidade, pobreza e devoção que vendem nos templos budistas? Esquece. Isso é só o menu kids espiritual. O combo premium da iluminação tailandesa agora vem com carro importado, cartão black, programa de milhagens e vídeos caseiros com mais ação que muito filme pornô com selo europeu.

O caso de hoje é na Tailândia (finja surpresa), lar dos monges sagrados, cuja nova prática meditativa envolve uma influenceira que usou um talento peculiar para o flerte, uma câmera na mão e o Pix na cabeça para transformar a alta cúpula do budismo em figurante de pornô amador de chantagem, provavelmente podendo parcelar em até 12 vezes no cartão, e com cashback!

Safadeando num monastério para penetrar no túnel escuro da iluminação, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Sexo, monges, influencers e video-tape”

Japinha fake da Shopee engana um monte de otários

O mundo  das mudernidades digitais nos trouxe muita coisa, como comprar online, mandar PIX, ver peladas na Internet (estou falando de jogos de futebol, seu pervertido) e ter seu dinheiro torrado pela flor que você ama que na verdade é um espinho. É tipo um grande cassino, em que cada clique é uma aposta e cada like pode te levar da carência ao constrangimento em tempo recorde.

E direto das profundezas do Weibo, temos a história digna de roteiro dos Irmãos Coen, com pitadas de comédia pastelão e um toque de tragédia social: o caso da “Irmã Vermelha”. Um nome poético para uma avalanche de vergonha alheia e más decisões hormonais. Continuar lendo “Japinha fake da Shopee engana um monte de otários”

Sacanagem Sueca: app fofoqueiro de corrida entrega agenda de primeiro-ministro

Existem muitas formas de sabotar a segurança de um chefe de Estado. Infiltrações, vazamentos, espiões, hackers russos, paparazzi com zoom de telescópio da NASA; mas nada, nada é mais eficiente que alguém metido a ficar em forma, e nisso a Suécia resolveu inovar.

O maior inimigo da Segurança Nacional não é a CIA, KGB, FBI, SSD ou HDTV, mas o Strava, aquele app de corrida que o seu vizinho usa pra fingir que faz 5km, quando no máximo anda 50 e para na barraca de açaí. Continuar lendo “Sacanagem Sueca: app fofoqueiro de corrida entrega agenda de primeiro-ministro”