As dez vezes que o mundo quase acabou

Existe uma pergunta que nenhum livro de história costuma fazer com a seriedade que merece: quantas vezes a civilização humana sobreviveu não por competência, estratégia ou sabedoria diplomática, mas por pura e simples sorte? A resposta, se você tiver estômago, é: pelo menos dez vezes documentadas, só na segunda metade do século XX. Provavelmente mais, porque boa parte dos arquivos ainda está registrada como “SECRETO” e somente pros olhos de alguém bem importante. O que se sabe já é suficiente para tirar o sono de qualquer pessoa com menos de três drinques no corpo.

Bombas nucleares caindo sobre o território americano. Submarinos prontos para lançar torpedos atômicos porque a água estava quente demais. Exércitos soviéticos em alerta máximo porque a OTAN decidiu fazer um joguinho de guerra realista demais. Um bando de cisnes voando sobre a Turquia. Um urso, sem filiação política conhecida, quase iniciando a Terceira Guerra Mundial. Continuar lendo “As dez vezes que o mundo quase acabou” →

Caverna na Romênia guarda um pesadelo pré-histórico

Nas profundezas de um lugar esquecido da Romênia, o mal aguarda. A alguns metros abaixo do solo, ela está lá, insaciável, faminta, implacável… e presa no gelo. A monstruosidade que tem cinco mil anos de idade, quando a Idade do Bronze ainda estava engatinhando, os egípcios construíam pirâmides, e nessa caverna já estava dormindo, confortavelmente congelada, uma bactéria com um currículo perturbador: resistência a mais de dez classes de antibióticos modernos, incluindo os remédios que usamos hoje para tratar tuberculose, infecções urinárias e colite.

Ela não estava tentando nos matar, estava só esperando. E agora os cientistas a encontraram, e a notícia é daquelas que você lê e fica olhando pro teto durante alguns minutos. Continuar lendo “Caverna na Romênia guarda um pesadelo pré-histórico” →

Artigos da Semana 294

Acabou-se o carnaval PLUFT! Não se tem muito o que fazer sobre isso, além de reclamar de outra coisa: do calor infernal que tá, enquanto eu fiquei sem luz váris horas sem poder ligar um ar-condicionado ou ventilador. Me senti coo os químicos sumérios que inventaram o asfalto. Sim, eu contei esta e outras histórias durante a semana.

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O scanner que ressuscitou os mortos (do ponto de vista arqueológico, claro)

Então você, meu amigo, minha amiga, bate as botas no Egito romano, e seus parentes te enfaixam em linho com esmero, colocam uma máscara dourada no seu rosto para garantir que você consiga ver e falar no além, e te enterram com toda a pompa possível.

Agora imagine que, 2000 anos depois, alguém saqueia sua tumba, vende pedaços de você para antiquários ou mesmo para virar aditivo e tônico (sim, teve isso) e o que sobra da sua máscara funerária vai parar espalhado entre o deserto egípcio e um museu em Copenhague. Isso não é roteiro de filme de terror, mas a biografia arqueológica de uma quantidade assustadora de artefatos que habitam coleções ao redor do mundo sem que ninguém saiba de onde vieram. A boa notícia é que a ciência encontrou uma forma de reconectar esses fragmentos às suas histórias. Continuar lendo “O scanner que ressuscitou os mortos (do ponto de vista arqueológico, claro)” →

Químicos sumérios já faziam o melhor que químicos fazem: inventaram o futuro

Uma das maiores inovações tecnológicas trazidas pela indústria do petróleo foi o asfalto. O asfalto é tão onipresente que virou sinônimo de modernidade urbana, de progresso industrial, de engenharia do século XX. Algo bem recente na História da Civilização, certo? Bem, não é bem assim. Os sumérios da Mesopotâmia já dominavam a lógica por trás dele há mais de quatro mil anos. Sem laboratório moderno, sem espectrômetro e, presumivelmente, sem nenhum PowerPoint de apresentação para a diretoria. Só observação, repetição e um conhecimento acumulado que atravessou gerações de artesãos em algum canto quente e úmido do que hoje é o sul do Iraque.

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O falecimento da Internet

Uma das maiores invenções do século XX foi a computação pessoal. Saímos dos grilhões que dependíamos de terminais burros acessando mainframes. Cada um podia ter seu próprio computador, fazer seus próprios programas ser senhor do seu pequeno mundo virtual. O problema é que você tinha que saber muito de eletrônica, tinha que saber muito de programação e ter o seu próprio computador mas para simples satisfação pessoal, o que não ajudava muito. Então, surgiu o Altair: sabendo programação, você podia usar as chavinhas para programá-lo. Veio Steve Wozniak e fez algo amigável. Veio os diferentes tipos de computadores (Commodore, Z-Spectrum, Amiga etc). Cada máquina com seu Sistema Operacional próprio. E então, o IBM-PC e o mundo foi outro. Você podia instalar o DOS e ter uma imensa variedade de programas, com a grande virada do Windows, que transformou tudo em muito mais amigável.

Ah, sim, veio o MacOS que jura que foi kibado pelo Windows, mas sabemos muito bem que tio Bill Gates pagou uma grana gostosa para a Xerox para ter a interface gráfica, enquanto a Apple praticamente roubou na cara dura com anuência dos executivos da fábrica de copiadoras, no que resultou em pedido de demissão em massa do PARC da Xerox. Continuar lendo “O falecimento da Internet” →

A pele sintética que roubou os truques do polvo

Os polvos são mestres do disfarce. Numa fração de segundo, essas criaturas marinhas podem transformar a aparência de sua pele para se camuflar perfeitamente em recifes de coral, rochas ou até no fundo arenoso do oceano. É como se tivessem um Photoshop biológico embutido, capaz de alterar cor, textura e até padrões tridimensionais da superfície corporal através de um sistema complexo de músculos e nervos. Agora, pesquisadores decidiram copiar essa proeza evolutiva, mas em versão sintética.

Eles criaram uma pele inteligente feita de hidrogel que pode mudar de aparência, textura e forma sob comando, esconder informações como um agente secreto e ainda fazer origami sozinha. Ah, e de bônus, conseguiram esconder a Mona Lisa dentro dela. Porque ciência também precisa de drama, aparentemente. Continuar lendo “A pele sintética que roubou os truques do polvo” →

Artigos da Semana 293

Estamos no carnaval, e com ele muita folia, muita animação, muita dança, muito sono, dormindo até tarde e aproveitando o feriado. Você aí que está lendo isso aqui, é sinal que não está na folia, então, aproveite e veja o que foi postado na semana.

EVOÉ, MOMO!

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Ronronar como carteira de identidade (miau é puro teatro)

Se você já conviveu com gatos, provavelmente acredita conhecê-los bem. Sabe quando querem comida (sempre), quando desejam atenção (no momento mais inconveniente possível) e quando estão prestes a derrubar aquele copo precioso da mesa (segundos antes de fazê-lo, com aquele olhar calculista). Mas uma nova pesquisa acaba de revelar algo que vai virar seu entendimento felino de ponta-cabeça: o ronronar do seu gato diz muito mais sobre quem ele realmente é do que qualquer miado dramático que ele produza.

Enquanto o ronrom funciona como uma impressão digital sonora, estável e confiável, o miau é puro teatro adaptativo, uma ferramenta de manipulação refinada por milhares de anos de convivência com humanos crédulos como nós. Continuar lendo “Ronronar como carteira de identidade (miau é puro teatro)” →

O homem que acreditava ser o rei da França

Era uma vez um homem que acordou numa bela manhã de setembro de 1354, como sempre acordara nos seus 38 anos de vida: um próspero comerciante de Siena, ocupado com os negócios de sempre, preocupado com lucros, prejuízos e as pequenas intrigas da tosca República de Toscana. O mundo dá voltas mas de vez em quando ele capota, e quando a noite caiu sobre aquele mesmo dia, ele já se acreditava o legítimo rei da França. Não houve febre, não houve delírio, não houve nenhum cogumelo mágico medieval que justificasse a transformação. Houve apenas uma convocação, uma conversa e uma revelação tão absurda que parecia ter saído diretamente de uma novela.

Esta é uma SEXTA INSANA MEDIEVAL! Continuar lendo “O homem que acreditava ser o rei da França” →