
O entrevero lá no Oriente Médio já é notícia de ontem e ninguém mais liga. Entra aiatolá, se atola o aiatolá, bomba daqui, bm da dali, tudo a mesma coisa. Só tem uma coisa que não é a mesma coisa: meus artigos, que sempre é algo novo e diferente.

O entrevero lá no Oriente Médio já é notícia de ontem e ninguém mais liga. Entra aiatolá, se atola o aiatolá, bomba daqui, bm da dali, tudo a mesma coisa. Só tem uma coisa que não é a mesma coisa: meus artigos, que sempre é algo novo e diferente.

Existe uma categoria especial de erro humano que vai além do simples engano. É aquele tipo de equívoco tão monumental, tão fantástico, tão confiante em si mesmo, tão documentado e celebrado por pessoas inteligentes que acaba se tornando, séculos depois, uma espécie de obra de arte às avessas. O Unicórnio de Magdeburgo pertence a essa categoria. É um incrível exemplo de um fabuloso somatório de “deve ser assim, então é assim” Continuar lendo “O maravilhoso (pelos motivos errados) Unicórnio de Madgeburgo”

Quando se fala em predador assassino você pensa em leões, tigres, onças e seres humanos. Não é que você esteja errado, só não sabe de tudo, e acaba esbarrando em algo profundamente desconcertante ao descobrir que um ser do tamanho de um brigadeiro caça com mais eficiência do que um leão. O responsável por essa pequena humilhação zoológica atende pelo nome científico de Trachops cirrhosus, o morcego-de-lábios-franjados, habitante das florestas úmidas do Panamá. Durante décadas, os cientistas sabiam que ele caçava sapos, mas nunca tinham conseguido observar a caçada de verdade, no escuro, na floresta, sem interferir no comportamento do animal.
Até agora. Continuar lendo “O morceguinho nanico que humilhou os maiores predadores”

Tá tendo arranca-rabo no Oriente Médio de novo. Estou com preguiça de tecer maiores considerações. Vejam o que eu postei durante a semana.

Nas profundezas de um lugar esquecido da Romênia, o mal aguarda. A alguns metros abaixo do solo, ela está lá, insaciável, faminta, implacável… e presa no gelo. A monstruosidade que tem cinco mil anos de idade, quando a Idade do Bronze ainda estava engatinhando, os egípcios construíam pirâmides, e nessa caverna já estava dormindo, confortavelmente congelada, uma bactéria com um currículo perturbador: resistência a mais de dez classes de antibióticos modernos, incluindo os remédios que usamos hoje para tratar tuberculose, infecções urinárias e colite.
Ela não estava tentando nos matar, estava só esperando. E agora os cientistas a encontraram, e a notícia é daquelas que você lê e fica olhando pro teto durante alguns minutos. Continuar lendo “Caverna na Romênia guarda um pesadelo pré-histórico”

Há muitos milhares de anos, os seres humanos aprenderam uma coisa: levantar os olhos para a noite e esperar que o universo se revelasse. Entre madrugadas silenciosas, frio cortante e nuvens imprevisíveis, a Via Láctea surgia como um rio de luz atravessando a escuridão. O que começou como curiosidade tornou-se ritual. A cada ano, a galáxia voltava ao céu, nunca igual, nunca exatamente no mesmo lugar, e esse retorno constante transformou observação em contemplação. Continuar lendo “Uma década com a Espinha Dorsal da Noite”

A chuva tá desabando lá fora enquanto passei o domingo trabalhando. E-hey! Amo a vida de professor. Daí algum animal vem falar de escala 6×1. Só se isso for para dar mais tempo para as pessoas lerem o que foi postado no meu blog. Simbora!

Se você acha que guardar mechas de cabelo de família em álbuns antigos é apenas coisa de gente sentimental, pense duas vezes. Essas relíquias foliculares são, na verdade, arquivos químicos ambulantes, capazes de contar uma história muito mais sinistra do que qualquer foto sépia: a saga da contaminação por chumbo nos EUA ao longo do último século. E spoiler, não é uma história bonita, embora tenha um final surpreendentemente otimista para quem ainda acredita que regulamentação ambiental serve para alguma coisa. Continuar lendo “A história da poluição gravada em fios de cabelo”

Existe algo profundamente perturbador em descobrir que uma doença que achávamos conhecer tão bem guarda segredos de 5.500 anos. É como abrir o armário de casa e encontrar um esqueleto (literalmente, no caso) que muda tudo o que você pensava saber sobre a família. E foi exatamente isso que aconteceu quando cientistas resolveram dar uma olhada mais atenta nos restos mortais de alguém que viveu na região de Bogotá, na Colômbia, numa época em que a roda ainda era uma ideia revolucionária e a escrita nem existia.
O que eles encontraram foi nada menos que o genoma mais antigo já recuperado da bactéria Treponema pallidum, aquela espiroqueta simpática responsável por doenças como sífilis, bouba e bejel. E aqui começa a ficar interessante: essa cepa ancestral não se encaixa em nenhuma das categorias modernas que conhecemos. Continuar lendo “A treponema que atravessou milênios”

Este e um pequeno vislumbre de onde estou. Sem trabalho, sem dor de cabeças, só descanso. Sim, eu sei que vocês não me invejam porque adoram trabalhar e ajudam a criar um país mais democrático e mais justo, melhorando a sociedade e movimentando a economia, fazendo o Brasil crescer. Eu sim, sou um vagabundo e ninguém me inveja. Bem, continuem não me invejando enquanto leem o que andei postando nas duas últimas semanas.