Quando o Sol está de mau-humor e dá um lembrete quem manda por aqui

Maio de 2024. Uma parte do Sol simplesmente explodiu. Não foi uma explosão qualquer, daquelas que você vê em filme B de ficção científica. Por alguns dias, bolhas magnéticas carregadas com bilhões de toneladas de plasma viajaram pelo espaço a velocidades 6.000 vezes maiores que um jato comercial, até colidirem com o campo magnético da Terra. O resultado? Auroras espetaculares visíveis em lugares onde auroras não deveriam existir, alguns satélites perdidos, agricultores americanos lamentando US$ 500 milhões em prejuízos e, claro, milhões de fotos no Instagram.

Mas aqui está o detalhe que deveria nos tirar o sono: essa tempestade solar foi uma das mais intensas em 20 anos, e ainda assim foi fichinha perto do que o Sol já nos aprontou antes. E perto do que pode aprontar de novo. Continuar lendo “Quando o Sol está de mau-humor e dá um lembrete quem manda por aqui”

Beijou no TikTok, Allah fica putinho

Então, meu amigo, minha amiga. Você tá de boaça em casa, rolando o feed do TikTok, postou um vídeo inocente dando um beijo no seu crush, e de repente – surpresa! – NO ONE EXPECTS THE SHARIA INQUISITION!

Bem-vindo a Kano, Nigéria, onde a polícia islâmica Hisbah patrulha as ruas aplicando a lei Sharia, e onde a internet do século XXI colide frontalmente com códigos morais que fariam um cavaleiro das Cruzadas sentir-se em casa. Continuar lendo “Beijou no TikTok, Allah fica putinho”

Artigos da Semana 278

Estão curtindo o fim-de-semana? Depois de ter trabalhado sábado o dia inteiro, estou com o domingão meu, todo meu! Tão meu que esta postagem é automática e tirei para aproveitar o domingão de Sol. Espero que vocês estejam curtindo também. Aproveitem aí nas suas piscinas, sendo servidos pelo copeiro particular (vocês têm um, não têm?) lendo oque foi postado na semana.

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Quando o pulmão não funciona, apele pro bumbum

Existe um momento na carreira de todo cientista em que ele precisa se perguntar: “Será que isso é genialidade ou loucura?”. Bem, na certa vocês me perguntariam até que ponto a pesquisa iria. “Simples”, responderia eu. Um pesquisador da Universidade de Osaka teve a epifania quando decidiu investigar se humanos poderiam, em caso de emergência, respirar pelo traseiro. Não, isso não é trama de filme trash de ficção científica dos anos 80, embora devesse ser. Continuar lendo “Quando o pulmão não funciona, apele pro bumbum”

Da Transilvânia para sua mesa: o Paprika Hendl de Drácula

Quando Bram Stoker escreveu Drácula em 1897, ele não apenas criou um dos personagens mais icônicos da literatura de terror, mas também registrou sabores e aromas de uma Europa Central que poucos conheciam, deitando sobre as páginas de seu romance gótico um pouco dessa cultura gastronômica.

Entre as brumas dos Cárpatos e os corredores sombrios do castelo do Conde, há um detalhe que muitos leitores deixam passar: a comida. E é justamente em uma dessas passagens que encontramos o Paprika Hendl (ou Paprikás Csirke, em húngaro), um prato que revela muito sobre o contexto histórico da obra. Continuar lendo “Da Transilvânia para sua mesa: o Paprika Hendl de Drácula”

Pastor dá esporro em fiel que doou “apenas” 1200 dólares

Em Mateus 19:21, Jesus fala para um jovem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu”. Notem bem: Jesus manda dar aos pobres. Não manda dar para construir santuários de doze milhões de dólares. Não manda dar especificamente dois mil dólares organizados em filas por incremento. E, crucialmente, não manda corrigir publicamente quem deu menos do que ele acharia que é o certo. (aliás, em Mateus capítulo 6, o próprio Jesus fala que quem reza em igrejas é hipócrita).

O bispo Marvin Winans, um pastor que, aparentemente, leu uma versão alternativa das Escrituras. Aquela em que Jesus vira um gerente de projetos obcecado por metas financeiras e divide a congregação em categorias de doadores como se estivesse organizando um programa de milhagem aérea. E assim, em um domingo qualquer, ele transformou um “Day of Giving” (Dia da Doação) no tipo de situação constrangedora que faria até um consultor de comunicação corporativa ter um colapso nervoso.

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Meganhas de Shiva catam Breaking Bad versão xarope

Sabe aquela cena clássica de filme policial em que os traficantes escondem drogas dentro de produtos inocentes e você pensa “HAHAHA, roteirista idiota. Ninguém inventaria tamanha idiotice”? Pois bem, no sábado passado, dia 18 de outubro, uma operação conjunta entre a polícia e o departamento de impostos especiais (Haddad: Hein? Impostos? Impostos! Queremos!) interceptou dois caminhões-contêiner com um carregamento inusitado: alguns caminhões estavam, supostamente, transportando batatas fritas e salgadinhos. O que encontraram? Ele, o Plot Twist: Eram garrafas de xarope.

MAS CALMA! Porque entra em cena o Plot Twist Triplo Carpado: eram xaropes que passarinho não usa para acalmar a tosse, já que eram proibidos por excesso de codeína.

Ahá! Eu não disse até agora onde era: O meu lugar favorito: Uttar Pradesh! Continuar lendo “Meganhas de Shiva catam Breaking Bad versão xarope”

A ópera-bufa do roubo ao Louvre

O homem audacioso passou muito tempo planejando. Aquele era o momento e ele está de pé, ali, de frente para o local de seu crime. A fachada do palácio se estende imponente sob o céu cinzento, suas alas simétricas de calcário já manchadas por séculos de chuva parisiense. Colunas coríntias subiam em fileiras solenes, frontões barrocos coroavam pavilhões como coroas esquecidas de reis mortos, e estátuas de deuses greco-romanos observavam o pátio vazio de paralelepípedos irregulares com olhos de mármore indiferente. Eram deuses, por que iriam se importar com as paixões humanas? Os telhados de ardósia negra desenham silhuetas dramáticas contra as nuvens, enquanto janelas altíssimas refletiam o céu como espelhos cegos. Nada quebrava a geometria clássica, nenhuma multidão de turistas profanava o silêncio; apenas o palácio e sua arrogância secular, guardião de tesouros que acreditava invulneráveis, enquanto a cidade acordava lenta e desatenta do outro lado dos portões.

O Louvre aguarda o homem cujas mãos pecaminosas irão despojar o magnífico museu de seus tesouros. O homem é audacioso, já falei, e ele irá colocar sua audácia e sua ousadia sob teste e ele conseguiu, de fato, seu intento ao realizar o roubo mais espetacular de sua época.

Ele roubou a Mona Lisa. Continuar lendo “A ópera-bufa do roubo ao Louvre”

Artigos da Semana 277

O dia hoje amanheceu chuvoso, pelo que agradeço. Além de não estar muito calor, tenho bons motivos para não sair de casa (se bem que o melhor motivo é que além de não ter nada de interessante fora de casa, ainda é cheio de… gente). Então, enquanto me deleito com um chocolate quente, sem sair da cama, vejamos o que foi publicado ao longo desta semana.

E não estou nem ai se rimou ou não.

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Gengibre, exorcismo e uma deidade viajante no seu corpo: o kit médico do Japão Medieval

Quando você vai ao médico hoje, existe um acordo tácito sobre o que esperar: exames de sangue, talvez uma receita de antibióticos, no máximo uma recomendação para cortar o glúten. O que definitivamente não está no cardápio é um exorcismo, uma consulta astrológica ou a informação de que você precisa adiar o tratamento porque uma deidade está passeando pela sua coxa esquerda neste dia; mas nem sempre foi assim. E para entender o quão diferente as coisas já foram, precisamos voltar mil anos no tempo e atravessar o planeta até chegar ao Japão do período Heian. Continuar lendo “Gengibre, exorcismo e uma deidade viajante no seu corpo: o kit médico do Japão Medieval”