O scanner que ressuscitou os mortos (do ponto de vista arqueológico, claro)

Então você, meu amigo, minha amiga, bate as botas no Egito romano, e seus parentes te enfaixam em linho com esmero, colocam uma máscara dourada no seu rosto para garantir que você consiga ver e falar no além, e te enterram com toda a pompa possível.

Agora imagine que, 2000 anos depois, alguém saqueia sua tumba, vende pedaços de você para antiquários ou mesmo para virar aditivo e tônico (sim, teve isso) e o que sobra da sua máscara funerária vai parar espalhado entre o deserto egípcio e um museu em Copenhague. Isso não é roteiro de filme de terror, mas a biografia arqueológica de uma quantidade assustadora de artefatos que habitam coleções ao redor do mundo sem que ninguém saiba de onde vieram. A boa notícia é que a ciência encontrou uma forma de reconectar esses fragmentos às suas histórias. Continuar lendo “O scanner que ressuscitou os mortos (do ponto de vista arqueológico, claro)”

Químicos sumérios já faziam o melhor que químicos fazem: inventaram o futuro

Uma das maiores inovações tecnológicas trazidas pela indústria do petróleo foi o asfalto. O asfalto é tão onipresente que virou sinônimo de modernidade urbana, de progresso industrial, de engenharia do século XX. Algo bem recente na História da Civilização, certo? Bem, não é bem assim. Os sumérios da Mesopotâmia já dominavam a lógica por trás dele há mais de quatro mil anos. Sem laboratório moderno, sem espectrômetro e, presumivelmente, sem nenhum PowerPoint de apresentação para a diretoria. Só observação, repetição e um conhecimento acumulado que atravessou gerações de artesãos em algum canto quente e úmido do que hoje é o sul do Iraque.

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Lançados livros de História como você nunca leu. Quem escreveu? Eu, André

Este é um ano que começou com novidades em termos de projetos. Um projeto que eu já vinha conduzindo há um tempo e com cuidado. Algo que finalmente deslanchei (ainda que não totalmente). Então, depois de revisões e tal, começou a saírem eles: meus livros! Continuar lendo “Lançados livros de História como você nunca leu. Quem escreveu? Eu, André”

Os antigos segredos metalúrgicos do Cazaquistão

Todo mundo sabe que o Cazaquistão é a melhor nação do mundo, e os governantes dos outros países são apenas garotinhas. O que você não sabe é que a região de Semiyarka era uma espécie de proto-Manhattan da Idade do Bronze que estava ali, esperando pacientemente há 3.600 anos, a 180 km de Pavlodar, no nordeste do Cazaquistão. Continuar lendo “Os antigos segredos metalúrgicos do Cazaquistão”

Quando a Grã-Bretanha da Idade do Bronze comercializava com o Mediterrâneo

O estanho era o mineral essencial do mundo antigo. Era essencial fundi-lo com o cobre para produzir o bronze, que por muitos séculos foi o metal preferido para ferramentas e armas. No entanto, as fontes de estanho são muito escassas – especialmente para as cidades e estados da Idade do Bronze, em rápido crescimento, ao redor do Mediterrâneo Oriental.

Embora grandes depósitos de estanho sejam encontrados na Europa Ocidental e Central e na Ásia Central, os minérios de estanho mais ricos e acessíveis encontram-se, de longe, na Cornualha e em Devon, no sudoeste da Grã-Bretanha. No entanto, tem sido difícil comprovar que esses depósitos britânicos tenham sido usados ​​como fonte para os povos do Mediterrâneo Oriental. Assim, por mais de dois séculos, os arqueólogos têm debatido sobre onde as sociedades da Idade do Bronze obtinham seu estanho. Continuar lendo “Quando a Grã-Bretanha da Idade do Bronze comercializava com o Mediterrâneo”

Quando persas atacaram egípcios com feras demoníacas

Os exércitos estão prontos! Os sons dos tambores de guerra ressoam pelo campo de batalha TUM! TUM! TUM! TUM! TUM! Os clarins cortam como um machado o ar abrasador, inflamado pelo inclemente Sol e a temperatura daqueles que estão lá para aniquilar uns aos outros. TUÓÓÓ-RÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ. Soldados batem com as lanças nos escudos. PÁ! PÁ! PÁ! PÁ! Imprecações são gritadas e elas tomam conta do vale que verá o rubro sangue daqueles que se enfrentarão dali a instantes, e a peleja será de uma violência sem limites tendo como fundo sons de poder. Reis prontos, os arqueiros esticam as cordas e as infantarias flexionam os joelhos, prontos para correr com lanças em punho, enquanto aqueles que conduzem as bigas de guerra irão se chocar numa batalha brutal.

Quando os generais de um dos exércitos vai dar a ordem de ataque, o adversário toma a frente e faz o primeiro movimento, libertando feras selvagens, monstruosas e aterrorizantes. O outro lado fica horrorizado e foge em disparada aterrorizada com a visão horrível e dantesca.

As feras eram… gatos. Continuar lendo “Quando persas atacaram egípcios com feras demoníacas”

Aromas do Tempo: cientistas dão aquele cheirinho nos Faraós-oh-oh-oh

Qual é o cheiro de uma múmia de 3.000 anos? Não é uma questão que a maioria de nós já tenha ponderado, mas cientistas descobriram agora que cada múmia egípcia antiga tem sua própria impressão digital aromática distinta – variando de amadeirada e picante a floral e empoeirada.

Em um aromatizado e envolvente estudo Museu Egípcio, no Cairo, pesquisadores fizeram algo sem precedentes: eles capturaram e analisaram os aromas que emanavam de nove múmias diferentes. E não, ninguém cheirou nenhum suvaco de múmia (acho).

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Mortes Insólitas de Imperadores Romanos

O Império Romano, famoso por seus gladiadores, campanhas militares e guerras civis, também produziu algumas das mortes mais absurdas da história – especialmente entre seus imperadores. Estes governantes, que comandavam um dos maiores impérios do mundo, frequentemente sucumbiam não apenas às intrigas políticas, mas também às suas próprias escolhas (e, em alguns casos, a puro azar). Vamos explorar essas tragédias épicas com um toque de humor, porque, convenhamos, alguns desses finais são dignos de roteiro de comédia sombria. Continuar lendo “Mortes Insólitas de Imperadores Romanos”

No mundo greco-romano também havia pais de pets

O escritor romano Cláudio Eliano (séculos II e III E.C.) nos conta uma história curiosa sobre um menino e uma cobra de estimação:

Um menino comprou uma pequena cobra e a criou com muito cuidado. Quando ela cresceu, ele falava com ela como se ela pudesse ouvir, brincava com ela e a deixou ficar em sua cama enquanto ele dormia. Quando ela ficou muito grande, a cidade a mandou para um lugar desabitado. Mais tarde, quando a criança, agora um jovem, voltou de uma diversão, ele e seus companheiros foram atacados por bandidos. Houve uma comoção, e a cobra apareceu. Ela dispersou alguns dos atacantes e matou outros, salvando o jovem.

O menino teve sorte. Sua cobra de estimação lembrou-se de sua gentileza anterior e veio salvá-lo em seu momento de necessidade, se pudermos acreditar na história.

Este é um dos muitos contos do mundo greco-romano sobre pessoas e seus animais de estimação. Assim como hoje, as pessoas naquela época amavam e gostavam da companhia de animais em suas casas. Então, que tipos de animais de estimação eles tinham e o que sabemos sobre eles? Continuar lendo “No mundo greco-romano também havia pais de pets”

Éfeso: a Cultura transformada em Jóia transformada em História

Sejais bem-vindo, ó ilustre viajante; a vós abro a minha magnífica cidade de Éfeso! É uma honra inestimável receber-vos neste lugar onde o passado e o presente se entrelaçam em uma dança eterna de história e esplendor. Permiti-me ser o vosso guia nesta jornada inesquecível por um dos mais grandiosos tesouros da Antiguidade. Continuar lendo “Éfeso: a Cultura transformada em Jóia transformada em História”