A teologia de Jesus e o Super-Homem
Muito representativo, não? Ainda mais se levarmos em conta as expressões iconográficas, como as imagens que retratam o aparecimento de ambos, bem como suas mortes. A bem da verdade, ainda tem muito mais similaridades do que essas. Foram apontadas apenas as principais, e só estas já nos chamam a atenção para as personagens.
Tudo bem que o Super-Homem não nasceu de uma virgem, ele veio em estado embrionário de seu planeta natal e aterrissou aqui já como bebê. Isso é fácil de explicar por causa da Relatividade de Einstein. Quanto mais rápido um corpo viaja, mais lentamente o tempo passa para este corpo. Assim, o jovem Kal-El viajou por milhares de anos, mas para ele foi só um aninho (ou meses, as HQ’s não disseram claramente e nem isso é importante de fato).
Não obstante, num mundo que não sabia o que era inseminação artificial e muito menos DNA, tal desenvolvimento embrionário fora de um corpo vivo era totalmente estranho à época. Miraculoso, até. Algo semelhante a uma “imaculada concepção”, já que não houve ato sexual e, portanto, livrando o jovem kryptoniano de um possível caso de “pecado original”.
De qualquer forma, os Evangelhos não esclarecem (e nem poderiam) a natureza genética de Jesus. Ele foi gerado no ventre de Maria, isso está bem claro. Mas, não informa se o Espírito Santo a fecundou com alguma espécie de “Espermatozóide Santo” ou se Deus implantou o embrião já formado no ventre dela, criando a primeira barriga de aluguel da história.
Trocando em miúdos, os Evangelhos não conseguem informar se Jesus tinha características genéticas de Maria ou exclusivamente do “Espermatozóide Santo”.
Isso pode até parecer que não tem importância, mas tem; e muita!
O Monofisismo era uma doutrina do século V, elaborada por Eutiques e admitia que Jesus possuía uma só natureza: a divina. Esta doutrina foi considerada herética pelo Concílio de Calcedônia em 451 E.C. (Era Comum) e isso gera um sério problema que mistura Ciência, História e Teologia.
Se Jesus tinha a carga genética de Maria, então era meio humano e meio divino. Só que ela (Maria) não é vista como “santa” fora do círculo católico. A própria “Ascensão de Maria” só passou a figurar como dogma católico em meados do século XX. Assim, esta metade humana de Jesus não pode ser levada em conta.
Entretanto, se Jesus fosse gerado apenas (e somente apenas) por um Santo DNA, ele seria unicamente divino, como os Monofisistas afirmavam. Só que tal proposição é rechaçada pela maioria das vertentes cristãs atualmente, e algumas nem sabem informar ao certo.
Os mitos de hoje são melhor elaborados que os de antigamente…
Saindo do âmbito genético e indo para a filologia, o nome de ambos são, de certa forma, similares.
Kal-El, segundo seus criadores, seria um nome que, em kryptoniano, teria o significado de “filho das estrelas”, já que ele veio na forma embrionária conforme foi dito. No entanto, o mais curioso é que em hebraico o nome Kal El tem o significado “amigo de Deus”.
Religiosos costumam relacionar Isaías e Mateus para demonstrar que Jesus receberia o nome de Emanuel.
Isaías 7:14 – Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. (versão João Ferreira de Almeida)
Isaiah 7:14 – Therefore the Lord himself shall give you a sign; Behold, a virgin shall conceive, and bear a son, and shall call his name Immanuel. (versão King James)
Mateus cap. 1
20. Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo.
21. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados.
22. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta:
23. Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, que significa: Deus conosco.
É claro que isso não é mais aventado e só se pode sugerir que foi uma forçada de barra pelo redator de Mateus. Ainda sim, é curioso ver que um dado amigo de Deus teria, em tese, Deus próximo a si. Logo, que estivesse com o amigo de Deus, também estaria perto deste. Em suma, Deus estaria com quem permanecesse próximo ao amigo de Deus.
As próprias representações gráficas do Super-Homem e de Jesus mostram incríveis similaridades. Desde a representação do nascimento de ambos, até suas mortes, conforme visto acima na tabela. É famoso o gesto do Super-Homem de abrir repentinamente a camisa, mostrando o grande S que é seu símbolo; da mesma forma, Jesus é muitas vezes retratado apontando para o próprio peito, mostrando o “Sagrado Coração”.

Examinando diversos heróis legendários, isso não surpreende muito. A maioria deles carrega um amuleto, símbolo, desenho ou algo similar sobre o peito, de forma que possa ser bem reconhecido. Desde a armadura dourada de Alexandre Magno, passando pelos romanos, a armadura de Perseu, o escudo em formato de concha de Aquiles, os amuletos celtas etc. Todos os heróis, seja em termos de ficção, como os reais (no caso, os brasões de cavaleiros, ordens militares etc.) são ostentados logo no peito, para estarem bem evidentes e mostrar ao opositor “com quem eles estão falando”.
A representação iconográfica de Jesus não foge a esta norma, já que fica patente que ele “deseja” que você olhe bem de onde vem o “poder” dele.
Na próxima página, estudaremos os contextos políticos durante a criação dos mitos Jesus e Super-Homem.
