Evolução vs Criacionismo

Aos poucos ou tudo de uma vez?

Com isso, vimos que através de mudanças graduais e ação do meio-ambiente, através da Seleção Natural, durante um longo espaço de tempo, as espécies modificam-se. Considerando espaços de tempo muito longos, estas diferenças irão tornar-se tão amplas que os seres vivos se separarão, formando novas ordens, classes, espécies etc. Isto é, quanto maiuor o tempo, maior a separação, onde certas classes darão lugar a outras classes; deixando óbvio que uma planta não gerará um primata da noite pro dia. Assim, todo o conceito de Darwin estaria explicado, só que os estudos da biologia evolutiva não pararam aí.

Através de muitas observações de fósseis, os paleontólogos Stephen Jay Gould e Niles Eldredge chegaram ao conceito de Equilíbrio Pontuado. Para eles, a evolução das espécies não se dá forma constante e gradual, mas alternando longos períodos de poucas mudanças com rápidos saltos transformativos; isso significa dizer que na história da vida na Terra, novas espécies freqüentemente aparecem de repente, segundo Gould, e então persistem com poucas mudanças até se extinguirem, para cujo autor havia um padrão real.

Mas, há alguma controvérsia nisso tudo, pois alguns cientistas afirmam que tal postulado não é tão real assim. Gould usava como exemplo os trilobitas, que viveram durante milhões de anos e de repente se extinguiram, dando espaço pra outro tipo de trilobita. Nós chamamos isso de espécie porque precisamos estudar e utilizamos a nomenclatura pra facilitar as coisas.

Entretanto, o registro fóssil, como sempre, tem que ser visto com cuidado, pois não se pode afirmar com certeza que ambos trilobitas são iguais ou diferentes; afinal, não é porque a carapaça de um bicho é igual à de outro que ambos serão a mesma espécie de animal. De início, até poderia se tratar de uma mesma espécie, mas uma simples carapaça não é fator identificador em termos absolutos. Mesmo que seja uma mesma espécie, ainda há as várias subdivisões dentro das espécies, como no caso de dobermanns e poodles (ambos pertencem à espécie canina, mas de raças diferentes).

Também, Gould e Eldredge não mencionam nenhuma evidência genética para o que propuseram, basicamente porque eles não são geneticistas (no caso, Gould não era, posto que já faleceu). Seria fundamental, ao propor uma idéia tão abrangente como essa, encontrar um respaldo genético, e esse respaldo não foi encontrado (pelo menos não ainda).

Como foi dito, o meio-ambiente influi muito drasticamente na direção evolutiva. As condições macroclimáticas na Terra se mantém razoavelmente constantes, com mudanças repentinas (ao menos, em termos geológicos) que levam a condições diferentes, que também se mantém por longos períodos. Durante um período constante, diversas espécies dominam a paisagem e outras espécies, incapazes de competir com as dominantes, sobrevivem em nichos marginais – populações pequenas, em locais muito específicos.

Após uma modificação grande (pode ser regional, não global, como no caso da junção de 2 continentes). As espécies dominantes até então já não estarão em sua condição ótima. Por outro lado, algumas das espécies marginais podem encontrar condições mais amigáveis para elas, então. Essas invadirão e substituirão as antigas dominantes, que se tornarão então marginais ou se extinguirão.

Dessa forma, teremos um grande período com fósseis abundantes da espécie dominante, e raros ou nenhum fóssil das marginais – uma mudança rápida – e fósseis abundantes de algumas das antigas marginais (agora dominantes) e raros ou nenhum fóssil das antigas dominantes (agora marginais ou extintas). No registro fóssil isso pode parecer um salto, mas não foi. As antigas espécies marginais passaram muito tempo sobrevivendo, à medida que suas adaptações ao meio em questao permitiam, mas só aparecem no registro quando essas condições deixam de ser marginais – aparentando ser repentinamente adaptadas às novas condições.

Voltando ao caso da famosa “explosão cambriana”, onde muitos filos parecem surgir abruptamente no registro fóssil, na realidade, teria-se essa impressão de “surgimento do nada” pelo fato de que a maioria dos filos da que aparece na explosão cambriana era de animais que teriam estruturas mais fáceis de fossilizar, como conchas e carapaças. O “vazio” anterior a isso poderia estar relacionado ao fato de que a maioria dos animais, então presentes, possuía de corpo mole, portanto com poucas chances de fossilização.

As demais “explosões” posteriores ao Cambriano poderiam ser explicadas por extinções em massa em curto prazo (“curto” em termos geológicos, é claro), deixando vários nichos abertos para os organismos sobreviventes ocuparem por irradiação adaptativa.

Algumas pessoas tendem a achar que a explosão cambriana foi uma espécie de evento “mágico”, onde ficaria provado a interferência sobrenatural para o aparecimento de tais seres, mas não há evidências que havia um “vácuo” da vida na Terra, mesmo porque existem outros fósseis de plantas, mais fáceis de se fossilizar e guardar registros da época.

Um crítico dessa teoria é o biólogo Richard Dawkins, que costuma ver o Pontuacionismo como uma mera “nota de rodapé” ao Neodarwinismo. O Neodarwinismo baseia-se na teoria proposta por Darwin e reconhece como principais fatores evolutivos a mutação, a recombinação gênica e a Seleção Natural. Na verdade, o Neodarwinismo é uma complementação da teoria de Darwin em relação às fontes de variabilidade das populações, possibilitando a partir de 1910 com o desenvolvimento da Genética e o conhecimento do material hereditário. O Neodarwinismo não é o que se pode chamar de um nome “científico”. O mais correto é chamá-lo de Teoria Sintética da Evolução.

De acordo com a moderna teoria sintética, os processos básicos da Evolução são quatro: Mutação, Recombinação Ggenética, Seleção Natural e Isolamento Reprodutivo. Os três primeiros constituem as fontes da variabilidade genética, sem a qual não pode ocorrer modificação. A Seleção Natural e o isolamento reprodutivo orientam as variações em canais adaptativos.

Clinton Richard Dawkins nasceu em 26 de março de 1941 na capital do Quênia, Nairóbi, e é um dos maiores defensores contemporâneos da Teoria da Evolução, tendo também contribuído para com a ciência, mediante a ênfase da Seleção Natural ao nível genético, sugerindo que a Evolução seria como se, de um certo modo, ocorresse uma luta dos próprios genes para se perpetuar, utilizando os organismos como veículos.

Foi durante os seus estudos em Oxford que Dawkins desenvolveu as principais linhas de trabalho que norteiam seu ponto de vista científico. Ele é freqüentemente citado pela expressão “máquina de sobrevivência”, uma combinação de outras duas expressões de Tinbergen, “máquina de comportamento” e “equipamento para sobrevivência”, que sempre lhe vinham à cabeça quando lecionava em Oxford.

Dawkins deparou-se com o conceito de genes como unidades de seleção, por influência de W. D. Hamilton. Como dissemos, a Seleção Natural é processo que seleciona os indivíduos mais adaptados (e não mais fortes); a visão centrada nos genes vai mais profundamente e entende isso como uma seleção indireta dos genes que determinam esse fenótipo mais adaptado nesses indivíduos. Dessa forma, a competição pelos recursos ambientais na Seleção Natural não se daria apenas entre indivíduos, entre diferentes genes possuídos por esses diferentes organismos. Esta idéia foi divulgada por Dawkins no seu livro de divulgação científica, “O Gene Egoísta”, que acabou trazendo para muitos a imagem de Dawkins como autor dessa visão que seria mais propriamente creditada a W. D. Hamilton.

O estudo sobre a Evolução não acaba aqui. Nós apenas esboçamos as bases da Teoria da Evolução e a Teoria Sintética da Evolução. Agora, passaremos a analisar, na próxima parte, aquilo que alegam ser a “opção” que explica como os seres vivos apareceram: o Criacionismo.

2 comentários em “Evolução vs Criacionismo

  1. Olá, espero que esteja bem. Achei sua explicação útil e interessante, contudo, permita-me sugerir a prescindibilidade de desrespeitar opiniões e crenças dissemelhantes das suas..

    Ademais, seria possível elaborar um texto que trate da rápida taxa de decaimento do polônio no mineral zircão?

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