Informação e Conhecimento

Comentários sobre o artigo de Carl Sagan

O que o brilhante cientista, já falecido, nos disse é muito interessante. A divulgação da Ciência é algo digno de uma piada (pena que não tenha graça nenhuma). O livro de onde o trecho foi extraído foi escrito em 1989, mas pouca coisa mudou. A maioria das pessoas continuam tendo a visão de que cientistas são criaturas lunáticas, prontas para efetuar algum ato tresloucado como criar uma bomba, veneno ou um monstro horroroso. E pior: Também não fazem questão de saber se o que acham tem algum fundamento. Simplesmente compartilham deste senso comum e pronto! Cala-te boca. E se você se interessa pela Ciência, então também é algum desequilibrado (sim, porque ninguém em sã consciência vai se interessar por isso, não é mesmo?).

Na TV só se fala em cientistas quando acontece algo desagradável, como o caso de algum acidente . Aí descem o pau: “Tá vendo o que estes cientistas ensandecidos aprontaram? Quase mataram todo mundo com essas loucuras”. Se perguntarmos a essas pessoas o que é uma bactéria, não saberão dizer. E nem vão se interessar em saber que sem bactérias não haveria degradação de lixos, fermentação etc. É um pequenino ser diabólico e fim! O que a televisão explica a sobre Ciência? Muito pouco. Só se interessa pelo sensacionalismo, afinal desgraça “dá IBOPE”. Ótimo, não precisa tocar-se mais no assunto. Enquanto isso, nas eliminatórias da Copa… E mais informações deixam de ser divulgadas, e mais e mais o povo mergulha na ignorância. É lógico que perde o interesse. E se tiver, não encontrará nenhuma fonte de informação nos meios de comunicação.

A maioria só vê o que há de mal na Ciência. Uma vez ou outra dizem que foi descoberto uma nova técnica cirúrgica. E mais nada. Duas linhas a serem lidas e só. Enquanto que quando houve a explosão em Alcântara (que algumas pessoas me perguntaram se era a que fica perto de Niterói, estado do Rio) foi dias e mais dias de entrevistas, repetição das fitas do sistema de vídeo das instalações e tudo mais. Isso é concorrência desleal. Horóscopos e colunas sociais ocupam páginas inteiras.

Nosso bravo cientista, que tanto nos abrilhantou com a minissérie Cosmos (disponível em DVD ou nos eMules da vida), relatou o resultado dos testes realizados com estudantes de vários países, em que os estudantes americanos tiraram os últimos lugares. Pobre Carl. Se ele soubesse que mais de 10 anos depois de sua morte, o Brasil conseguiu um resultado ainda pior, não teria ficado tão chateado.

Da mesma maneira que lá, há muito a profissão de professor deixou de ter o seu brilho. Oh, é uma profissão linda. Muito nobre. Mas, quando um aluno diz que quer ser professor a família cai logo em cima. “Professor? Mas ganha muito pouco!”. Sejamos realistas, a maioria dos pais ainda tem a ilusão que uma profissão “chique” é ser médico, engenheiro ou advogado. Quem quer na família um meteorologista? Físico? É aquele que trabalha como personal trainner (ai, Deus! Perdoe-me pelo anglicismo) em academia? É isso? Particularmente, eu nunca ouvi ninguém dizer que queria que a filha fosse fonoaudióloga para ajudar às pessoas com distúrbios da fala entre outras coisas. Não! Prefere que seja DÔ-TO-RA! O nível intelectual da família influi neste preconceito. Às vezes sim, às vezes não. Normalmente, um pai que é advogado não ficará muito satisfeito de ver um filho formado em Estatística.

Bem, mas preconceito não se atrela à cultura, não é mesmo? Isso gera pressão sobre os jovens que, além de tudo, não têm a menor noção da diferença entre seguir uma profissão ou outra. Um dos alunos me perguntou certa vez se ser químico era para fazer xampu, creme para cabelo ou (ah, eles sempre tocam neste assunto) bombas. Acham que meteorologista só serve para dizer se amanhã vai dar praia. Se fizermos uma enquete sobre o significado de uma profissão ou outra junto a alunos de Ensino Médio, garanto que teremos muitas surpresas. E muitas delas desagradáveis.

Mestre Carl Sagan apontou que os alunos gastam cerca de 3,5 horas semanais com lições de casa. Por aqui não é diferente. Mas, isso é culpa do sistema ou dos pais que não exigem maior empenho dos filhos. Não é um erro dizer “Desligue a televisão e vai estudar, que amanhã tem prova”? Não seria melhor dizer todos os dias “Desligue a televisão e vai estudar”? Oh, eu sei que há casos em que o pai e a mãe trabalham fora e não ficam em casa para verificar o estudo. Alguns são filhos de pais separados. Mas, os pais dormem na rua? Não voltam para casa? E quando voltam, por que não inquirem pelo estudo do filho. Lembro que meu pai fazia isso. Apesar de minha mãe estar em casa comigo e meu irmão. Nem por isso, deixou a responsabilidade somente nas mãos dela. Alguns chegam no quarto do pimpolho e o vêem no computador. Bem, depois que inventaram os sistemas multitarefa, basta ter duas janelas e quando papai chegar perto, maximizo a janela com o dever. Fácil, fácil. Ele não vai tomar a lição mesmo. hehehe

O idioma? Céus, um desastre! O tipo de desastre que podemos acompanhar em muitos comentários postados aqui ou em qualquer blog. Só sabem falar “tipo assim” e “paradinha”. Quando insisti a uma aluna para que me fizesse a pergunta que a atormentava, mas sem dizer “paradinha” ou “tipo assim”, ela ficou me olhando de modo estranho, pois não sabia como se expressar. E nem vou entrar no mérito do hediondo “miguxês”, onde adolescentes aprendem a escrever como retardados, só porque é “fofinhux”. Bleargh! Tentam me convencer que é a modernidade e que isso é apenas para a internet, mas cansei de pegar provas e trabalhos onde mal se entendia o que estava escrito, pois este pseudoidioma derivado de mentes acéfalas reinava em absoluto.

Tudo bem, eu sou um dinossauro e não acompanho a “realidade” deles. Mas, os pais não vêem isso? A primeira coisa que se perde com a faculdade de se expressar, é a capacidade de entendimento. Por isso, muitos alunos têm dificuldade de entender um simples roteiro de uma aula prática. Mesmo que se diga que basta seguir o que está escrito, não conseguem. E essa dificuldade é levada junto ao entrar numa faculdade. Daí, sai as aberrações que volta e meia os jornais publicam. Os mesmos jornais que não fazem nada para ajudar. Uma vez por semana (no JB, O Globo e O Dia) há uma coluna onde professores de português deslindam dúvidas. Por que não todos os dias, como Mestre Sagan sugeriu? Nas primeiras edições da Super Interessante (que eram melhores que as de hoje em dia) havia uma coluna do prof. Luiz Barco chamada “2 + 2”, onde ele comentava certas curiosidades envolvendo a matemática e criticava a péssima formação dos profissionais da educação que não conseguiam desmistificar a matemática.

Infelizmente (não sei por quê), a coluna não existe mais. Mas, mostram “reportagens”ridículas, por meio de assuntos ridículos, postado por pseudo jornalistas ridículos. A pseudociência lá impera. Mas, não é difícil de compreender. A dita revista é uma publicação com fins lucrativos, logo será veiculado o que o povo gosta e matérias que dão retorno financeiro, por meio de coisas mais que esquisitas e informações errôneas.

Deixando isso de lado, podemos imaginar situações como falar para um aluno que há cerca de 2000 anos Eratóstenes foi capaz de determinar a circunferência da Terra (com um erro considerado ridículo), utilizando… 2 estacas de madeira! A primeira atitude do aluno será cair na gargalhada, como aconteceu quando eu disse que helicópteros não possuem hélices, mas conjunto de asas chamadas “rotores”. Mais uma agora: os alunos simplesmente não acreditam nos professores, já que são bombardeados com informações errôneas por toda a parte. Mas com paciência e didática podemos trazê-los à luz do conhecimento (Nossa! Essa saiu bonita). Mas, e daí? Como Carl disse, o mercado diz que isso não vai te dar um carro esporte, mas se você tomar a cerveja X, a Luana Piovanni vai se interessar por você. Em uma palavra? Patético!

Mas, assim é o mundo. Cabe a nós mudarmos isso. Triste sina a do professor. E é nisso que nosso Blog insiste: tentar mostrar o que existe de real e imaginário. Diferenciar Ciência de pseudociências.

Dados do SINE (Sistema Nacional de Empregos) diz que muitas das vagas não são preenchidas devido à falta de especialização do trabalhador brasileiro. O significado? Que muitas pessoas deixam de entrar no mercado de trabalho por não saber fazer uma conta de dividir ou multiplicar. Atendimento? Ora, boa parte dos jovens não sabem nem pedir licença ao entrar numa sala, quanto mais atender em um balcão. Imagine só pedir um emprego mais, digamos, elevado.

Como disse Carl Sagan, os cientistas também devem se fazer inteligíveis. Mas, não. Por aqui o pensamento é “Ora, estudei muito e não tenho motivo para simplificar. Senão, vão saber tanto quanto eu”. Hipócritas! Não são donos de nenhuma verdade. Mestrado e doutorado no Brasil virou piada. O número de mestres e doutores produzidos no ano passado quase superou o de graduados (guardadas as proporções, é claro). O ensino nas faculdades, universidades, centros universitários melhorou? Não! Os alunos saíram com melhor preparação? Não! As pesquisas científicas no Brasil sofreram algum salto? Não! Tem gente séria que defendeu teses importantes? Sim! Onde estão essas pessoas? Dando aula, por que não há mercado de trabalho. Fora as piadas que apresentam como tese, como a de um doutorando que defendeu uma tese sobre a espessura da casca da batata!

Quando um membro da banca perguntou para que serviria aquela tese, ele disse “Não sei. De repente alguém cria uma tese explicando uma utilidade…”. E, pasmem, a tese foi aceita. Mais um incompetente científico que não desenvolverá nada, não melhorará o país em nada e vai para uma sala de aula falar sobre casca de batata (sim, pois há muito perdeu o contato com a ciência em termos gerais), e o Brasil formará mais especialistas em casca de batata.

Basicamente, muitas pessoas estão fazendo uma faculdade para depois tentar um concurso. Devo lembrar que um fiscal de renda (com qualquer curso superior) ganha mais do que um pesquisador da FIOCRUZ. Isso sem contar os “por fora”.

Voltando ao tema do Tio Carl (desculpem a liberdade, mas o meu primeiro contato com a ciência foi com ele), a mídia não faz nada para tornar palatável a ciência. Aliás, não faz nada mais palatável. As seções econômicas, para mim, são mais complicadas do que hieróglifos. As revistas de informática são para iniciados. Para um pobre mortal, que quer usa um processador de texto, acessar a Internet (que na minha opinião é 99,9999% lixo) etc., ter que enfrentar siglas como CKO, CEO, CIO, CRM, ERP entre outras é uma dor atroz, mesmo por que não informam o que é essa sopa de letrinhas. Ora, afinal, como posso fazer para que o processador de texto faça isso, o sistema operacional deixe de dar respostas enigmáticas e a planilha ajude a organizar meus parcos recursos financeiros? Raramente dizem, mas informam que não-sei-quem, passou da empresa A para a empresa B, por que produzia um software que custa US$250.000,00. Dizem que Bill Gates é o homem que fez a maior doação do mundo ou que construiu uma mansão de zilhões de dólares. Muito legal, mas e daí? O preço do cartucho de tinta vai abaixar por isso? Enquanto isso, os jornais além de notícias inúteis, como dizer que o ator tal teve uma briga com a namorada ou que beltrana apareceu na festa de alguém outro. Ah, e não percam nossa seção de simpatias (pelas quais eu tenho verdadeira antipatia).

Criaram o Futura – O Canal do Conhecimento . Certo, muito bem. Por que ele não está na TV aberta? Pode as pessoas da camada mais baixa assinar uma TV por assinatura ou comprar uma antena parabólica? Só podem estar brincando! Os documentários que passam são sempre os mesmos e eu já cansei de ver o tucunaré em quase todas as reportagens do Globo Repórter. Troca-se de canal e vê-se o maravilhoso e instrutivo Programa da Luciana Gimenez. Socorro!

Mestre Sagan (que não teve a infelicidade de ver a TV brasileira) mostrou-se em dúvida com o que acontecia com as crianças. De início a curiosidade era o ponto principal delas e, com o tempo, verifica-se que o interesse pela ciência vai caindo a zero; bom, isso até eu notei. Parece, como o próprio cientista disse, uma questão de aceitação. Quem quer um colega CDF (recuso-me a dizer nerd), salvo nos dias de prova? Entre um indivíduo meio calado, de óculos e que se sai bem nos deveres e um verdadeiro atleta, com cara de ator de novela, às vezes desleixado com os estudos, mas que freqüenta essa ou aquela academia, qual será a preferência das meninas? Isso reflete nas aulas, já que ninguém quer ser a atração fazendo perguntas ao professor. De repente, se eu não falar nada a aula acaba mais rapidamente e eu posso ir pra casa para jogar no micro. São todos assim? Não, não são.

Sabemos que o homem é fruto do meio e aos poucos pode-se ir convencendo as pessoas do que o grupo realmente espera delas. E os pais não fazem por onde os filhos se interessarem. Lembro que certa vez, quando eu trabalhava numa livraria, vi a seguinte cena: duas mães estavam com as filhas conversando na porta da livraria. Uma das meninas (que devia ter uns 12 anos) entrou e começou a folhear alguns livros. A mãe chamou uma vez e a menina pediu um instante porque estava vendo algo interessante. Realmente, notei que a menina estava em estado de graça com o livro na mão (infelizmente, não lembro qual era). À segunda chamada, a mãe disse para “largar isso, para ela ver um arco-íris lá fora, que era mais importante”. A menina suspirou e foi-se. Pensamento meu: Mais uma criança ensinada que livros e a leitura em geral não são importantes. Obrigado, mamãe. A verdade é que muitos pais têm medo que os filhos façam perguntas que eles não saberão responder. Afinal, como alguns pais, se acham repositórios de todas as verdades universais (se é que isso existe), nenhum deles quererão se rebaixar frente a crianças. Então, ao invés de dizer “Não sei, vamos pesquisar juntos”, dizem “Deixe isso para lá. Venha ver o arco-íris”. E o que essas crianças farão quando tiverem os próprios filhos? Talvez o mesmo, e com mais ênfase, o que fizeram seus pais. E assim vai.

A informática que, dizem, veio para auxiliar a desenvolver a humanidade está fazendo o contrário. Boa parte não sabe mais escrever à mão, por usar demais o teclado. Contas feitas de cabeça? Piorou! Como disse, com o mal-fadado Miguxês, por causa de salas de chat, criou-se aberrações como “entaum, naum, blz (beleza) etc”. E, por vício, escrevem assim em provas, redações etc. E quando vão prestar um concurso ou vestibular… A história ensina que a primeira coisa que um povo faz quando domina o outro é impedir que o dominado continue usando o seu idioma. Um exemplo? A Inglaterra teve a brilhante idéia de fazer um processo de anglicização na Irlanda, impedindo principalmente o uso do gaélico. Bem, ela não conseguiu e a cultura do povo celta (do qual eu tenho orgulho de ser descendente) não se perdeu de todo. Se um povo destrói a língua de outro e impõe a sua, pode impor a sua cultura também, fazendo com que os dias anteriores à invasão sejam esquecidos com o tempo.

Está havendo isso conosco e não estamos percebendo. A começar pelos New York City Center da vida até a comemoração de… Halloween! Desde quando o Brasil foi colonizado por tribos celtas? Daqui a pouco vamos substituir a proclamação da república pelo dia de ação de graças, com direito a peru com tortas de abóbora.

Há um certo tempo, ouvi a seguinte pérola: “enquanto outros navegam em caravelas, nós navegamos na Internet”. Boa colocação. Pena que às vezes a própria Internet não tem caminhos a seguir ou quando tem, falta-nos uma bússola a nos orientar. Sou contra a tecnologia? Não, só sou contra o mau uso dela e sua veneração, como se o “Deus Computador” fosse o oráculo que guiará os passos da humanidade. Computadores são ferramentas e deverão ser encarados como tais. Um artigo na Info Exame certa vez disse uma coisa interessante: Que entre o computador e o ábaco, só se dá bem que usa os dois. Uma verdade que é provada pelos japoneses com o seu soroban – um ábaco esquisito, que até hoje não entendi como se usa, mas tudo bem. Se uníssemos o velho e novo, a origem e o fim, o alfa e o ômega, não estaremos realmente criando uma sociedade nova e melhor?

Mas, deve-se dar esta consciência aos jovens desde o iniciozinho de suas vidas. Dar-lhes a curiosidade e estimulá-la cada vez mais. Pais e professores. Se todos se enganjarem nisso, ao invés de termos seres humanos dominando o planeta, talvez tenhamos seres com humanidade que saibam dominar a si mesmos.

Aquele que domina os outros é forte. Aquele que domina a si mesmo é poderoso.

do Tao Te King (Lao-Tsé)

3 comentários em “Informação e Conhecimento

  1. Texto espetacular!
    E comentário melhor ainda!
    Tenho 17 anos e, quando disse que queria fazer Geografia ou História – ou os dois – para lecionar, a minha família e todos os meus conhecidos disseram que eu estava doida! Afinal, quem quer ganhar pouco?
    Eu sempre fui a CDF – de óculos – da sala, e por isso nunca fui muito popular. Quer dizer, em dia de avaliação, eu era a mais querida da sala.
    O texto e o comentário me incentivaram – como cada texto que li deste site – a estudar, muito, bastante, e ser mais do que uma cidadã comum que assiste Big Brother.
    E eu vou ser.
    Vou estudar muito.
    E não vou deixar que os outros pensem por mim. Afinal, eu tenho um cérebro!
    Abs :grin:

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  2. Texto espetacular!
    E comentário melhor ainda![2]

    Hoje tenho 20 anos, e não vou mentir: Comecei a me dar por gente aos 18.
    Sempre fui observador com tudo. Desde criança frequentava celebrações e outras coisas religiosas e não entendia bulhufas do porquê aquilo. Eu apenas participava e observava. Me sentia como seu algo me impedisse de mergulhar a fundo naquilo e esquecesse de questiona-lá. Como muitos (eu acho) passei a me interessar em saber a mais sobre tudo e ignorar por completo coisas religiosas, exatamente pelas/pelos motivos (tosqueiras) que a própria religião impõe.
    Hoje percebo o quanto eu fui idiota em ter perdido tanto tempo me abstendo dos fatos e apenas deixando rolar. E hoje graças ao tio andré (desculpem a liberdade, mas o meu primeiro contato com a ciência foi com ele), percebo que não importa que, o que façamos seja pouco, o que importa são nossas atitudes inicias em fazer a diferença. Pra quem acredita que a vida se faz agora e, não em uma vida outrora, devemos fazer a diferença, mesmo que pareça ser insignificante agora, mas daqui alguns anos – talvez decadas – essa diferença evolua, e com o tempo se torne uma peça pivotal na vida das pessoas. Milhares de vidas futuras agradeceram a atitude inicial de poucos – como nós agradecemos agora aos poucos do passado – e viverão uma vida mais justa e, devidamente mais intelectual.
    Precisamos compartilhar informoção e, não a reter como um covarde e egoísta que só pensa na própria bunda – como 99% da população faz.

    Chega a ser um desrrespeito uma pessoa ter um computador em casa e não saber como usá-lo de forma devidamente cabível. Muitas pessoas desconhecem as capacidades que um computador com internet possui, deixando-o apenas para as fábricas de ignorantes: Orkut; msn… (embora tenham um pequeno valor aproveitável).
    Muitos ciêntistas se empenharam em mostrar a verdade e trazer conforto e estabilidade à vida da humanidade, e não serei ingrato à isso. Devemos dar continuidade ao esforço dessas pessoas que dedicaram o seu tempo de vida – não só para a propria vida – como também primeiramente, para a vida dos outros.

    Aquele que domina os outros é forte. Aquele que domina a si mesmo é poderoso.

    Doravante, jamais esquecerei essas palavras

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  3. Reverências, André. Eu adoro quando o professor deixa alguma remissividade, para que eu possa acessar um complemento sobre o assunto tratado em aula. Tenho um professor, o Dr Brunoro, membro da rede capixaba de metrologia, que é exemplo de remissor. Mas, professores assim, tive poucos na vida. Tenho outra professora, da qua não quero citar o nome, cujos slides-base das aulas eu sempre tenho que editar. Ela usa miguxês; pasme. Errou até o nome Nernst, várias vezes. Até a monitora dela sabia escrever, mas ela nem pronunciava direito.
    Tal você já disse, em tempos, que, emprego público como professor, atrai muitos mercenários que só pensam em emprego vitalício. Você disse isso no artigo da professora inglesa que fora demitida por insurgência. Fato é que o professor, muitas vezes, tem uma jornada que o seduz a secundarizar o suporte ao aluno.
    Infelizmente, este país não tem nem infra nem superestrutura para sustentar o desenvolvimento de tecnologia avançada. Não que seja traumático – pelo menos para quem tem mentalidade apreciável – tornar-se professor por falta de emprego em desenvolvimento/pesquisa; estou apenas citando outro fato.
    Conquanto nossa realidade seja hostil, fico muito feliz em ver atitudes feito a sua, com sua excelente página eletrônica de ceticismo. Após ler isto, não decidi tornar-me professor, mas quero ser um reacionário fomentador da Ciência, mesmo que precise migrar para o exterior para ser pesquisador.

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