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Livro dos Porquês

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Grandes Mentiras Religiosas

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Caderno dos Professores

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A falta de evidência Histórica para Jesus

sjoao.jpgA resposta Cristã habitual para os que questionam a historicidade de Jesus é manusear vários documentos como “evidência histórica” para a existência de Jesus. Eles normalmente começam com os evangelhos canônicos, ou seja, O Evangelho segundo S. Mateus, O Evangelho segundo S. Marcos, O Evangelho segundo S. Lucas e O Evangelho segundo S. João. A afirmação habitual é a de que estes são “registros de testemunhas oculares sobre a vida de Jesus feitas pelos seus discípulos”. A resposta a este argumento pode ser resumido numa palavra – pseudepigráfico. Este termo refere-se a trabalhos de escrita cujos autores ocultam as suas verdadeiras identidades atrás de nomes de personagens lendárias do passado. A escrita pseudepigráfica era particularmente popular entre os Judeus durante os períodos Asmoneu e Romano, e este estilo de escrita foi adotado pelos primeiros Cristãos.

Os evangelhos canônicos não são os únicos evangelhos. Por exemplo, há também evangelhos de Maria, Pedro, Tomé e Filipe. Estes quatro evangelhos são reconhecidos como sendo pseudepigráficos tanto por escolares Cristãos como não Cristãos. Eles providenciam uma informação histórica ilegítima dado que foram baseados em rumores e crenças. A existência destes óbvios evangelhos pseudepigráficos faz com que seja bastante racional suspeitar que os evangelhos canônicos poderão também ser pseudepigráficos. O fato de que os primeiros Cristãos escreviam evangelhos pseudepigráficos sugere que isto era de fato a norma. Deste modo, é quando os missionários afirmam que os evangelhos canônicos não são pseudepigráficos que requer provas.

O Evangelho segundo S. Marcos é escrito no nome de S. Marcos, o discípulo do mítico S. Pedro (S. Pedro é majoritariamente baseado no deus pagão Petra, que era o porteiro do céu e da vida depois da morte na religião egípcia.) Até na mitologia Cristã S. Marcos não era discípulo de Jesus, mas um amigo de S. Paulo e S. Lucas. O Evangelho segundo S. Marcos foi escrito antes do Evangelho segundo S. Mateus e do Evangelho segundo S. Lucas (c. de 100 D.E.C.), mas depois da destruição do Templo em 70 D.E.C., que menciona. Muitos Cristãos acreditam que foi escrito em c. 75 D.E.C. Esta data não é baseada em História, mas na crença de que um histórico S. Marcos escreveu o evangelho na sua velhice. Isto não é possível, dado que o estilo de linguagem usada em S. Marcos mostra que foi escrita (provavelmente em Roma) por um Romano convertido ao Cristianismo, cuja primeira língua era Latim e não Grego, Hebreu ou Aramaico.

De fato, como todos os outros evangelhos são escritos em nome de personagens lendárias do passado, o Evangelho segundo S. Marcos foi provavelmente escrito muito depois de algum Marcos histórico (se houve um) ter morrido. O conteúdo do Evangelho segundo S. Marcos é uma coleção de mitos e lendas que foram juntos de forma a formar uma narrativa contínua. Não há provas de que tenha sido baseado em qualquer fonte histórica de confiança. O Evangelho segundo S. Marcos foi alterado e editado muitas vezes, e a versão moderna provavelmente data de cerca de 150 D.E.C. Clemente de Alexandria (c. de 150 D.E.C. – c. de 215 D.E.C.) queixou-se acerca das versões alternativas deste evangelho, que ainda circulavam no seu tempo (os Carpocratianos, uma primeira facção Cristã, considerava a pederastia como sendo uma virtude, e Clemente queixou-se da sua versão do Evangelho segundo S. Marcos, que contava as explorações homossexuais de Jesus com rapazes novos!).

O Evangelho segundo S. Mateus certamente não foi escrito pelo apóstolo S. Mateus. A personagem de S. Mateus é baseada na personagem histórica chamada Mattai, que era um discípulo de Yeishu ben Pandeira (Yeishu, que viveu nos tempos Asmoneus, foi uma das várias pessoas históricas em quem a personagem de Jesus foi baseada.)

O Evangelho segundo S. Mateus foi originalmente anônimo e só foi lhe foi imputado o nome de S. Mateus depois, durante a primeira metade do segundo século D.E.C. A forma primitiva foi provavelmente escrita mais ou menos ao mesmo tempo do Evangelho de S. Lucas (c. de 100 D.E.C.), pois nenhum dos dois parece saber do outro. Foi alterado e editado até cerca de 150 D.E.C. Os primeiros dois capítulos, que tratam da virgem dando a luz, não estavam na versão original, e os Cristãos de Israel com descendência Judaica preferiram esta primeira versão. Para suas fontes, usou o Evangelho segundo S. Marcos e uma coleção de ensinamentos referidos como a Segunda Fonte (ou o Documento Q.)

A Segunda Fonte não sobreviveu como um documento isolado, mas todos os seus conteúdos são encontrados no Evangelho segundo S. Marcos e no Evangelho segundo S. Lucas. Todos os ensinamentos aí contidos podem ser encontrados no Judaísmo. Os ensinamentos mais razoáveis podem ser encontrados no Judaísmo ortodoxo, enquanto que os menos razoáveis podem ser encontrados no Judaísmo sectário. Não há nada nele que requeira a nossa suposição da existência de um Jesus histórico real. Apesar do Evangelho segundo S. Mateus e do Evangelho segundo S. Lucas atribuírem os ensinamentos neles contidos a Jesus, a Epístola de S. Tiago atribui-os a S. Tiago. Como foi visto, o Evangelho segundo S. Mateus não providencia nenhuma evidência histórica para Jesus.

O Evangelho de S. Lucas e o livro dos Atos dos Apóstolos (que eram duas partes de um mesmo trabalho) foram escritos em nome da personagem mitológica Cristã de S. Lucas, o médico (que provavelmente não foi uma personagem histórica mas uma adaptação Cristã do deus Grego da cura Lycos.) Até na mitologia Cristã S. Lucas não foi um discípulo de Jesus, mas um amigo de S. Paulo. O Evangelho segundo S. Lucas e os Atos dos Apóstolos usam o livro de Flávio Josefo, “Antiguidades Judaicas”, como referência, e assim não podiam ter sido escritos antes de 93 D.E.C. Nesta altura, qualquer amigo de S. Paulo estaria ou morto ou bem senil.

De fato, tanto estudiosos Cristãos como não Cristãos estão de acordo de que as primeiras versões dos dois livros foram escritas por um Cristão anônimo em c. 100 D.E.C., e foram alterados e editados até c. 150 – 175 D.E.C. Além do livro de Flávio Josefo, o Evangelho segundo S. Lucas e os Atos dos Apóstolos também usam o Evangelho de S. Marcos e a Segunda Fonte como referências. Apesar de Flávio Josefo ser considerado mais ou menos de confiança, o autor anônimo muitas vezes lê ou entende mal Flávio Josefo, e além disso nenhuma das informações acerca de Jesus no Evangelho segundo S. Lucas e nos Atos dos Apóstolos vem de Flávio Josefo. Como se vê, o Evangelho segundo S. Lucas e os Atos dos Apóstolos não têm valor histórico.

O Evangelho segundo S. João foi escrito em nome do apóstolo S. João, o irmão de S. Tiago, filho de Zebedeu. O autor do Evangelho segundo S. Lucas usou tantas fontes quantas pode obter, mas ele não tinha conhecimento do Evangelho segundo S. João. Assim, o Evangelho segundo S. João não podia ter sido escrito antes do Evangelho segundo S. Lucas (c. 100 D.E.C.) Conseqüentemente, o Evangelho segundo S. João não podia ter sido escrito pela semi-mítica personagem de S. João, o apóstolo, que era suposto ter sido morto por Herodes Agripa pouco antes da sua própria morte em 44 D.E.C. (S. João, o apóstolo, é aparentemente baseado num histórico discípulo do falso Messias, Theudas, que foi crucificado pelos Romanos em 44 D.E.C., e cujos discípulos foram assassinados.)

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