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A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

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Caderno dos Professores

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Parte 06 – Teoria da Evolução

EVO-01: O homem veio do macaco

Alegação:

”se o ser humano veio do macaco como dizem. porque não continua vindo??era pra continuar vcs nao acham???”

Resposta:

A Teoria da Evolução jamais ensinou que o homem veio do macaco. Charles Darwin jamais disse tal coisa, e nenhum cientista que se preze também diria isso.

Esse é um dos mais típicos erros criacionistas: querer criticar algo que sequer conhece direito.

O ser humano não descende dos macacos. O que a Teoria da Evolução realmente diz é que o homem e os primatas possuem um ancestral comum, que não seria nem macaco nem homem. Os macacos seriam nossos primos, e não nossos avôs. Esse ancestral primata se dividiu em ramos, um para o gênero Macaca e outros, de onde saíram os chimpanzés, gorilas, macacos-prego, etc, e outro para o Homo, de onde se originaram nós, homens.

Alguns evolucionistas brincam com o fato de que somos todos macacos, sim, e de fato parecemos muito com os primatas, mas é ingenuidade e falta de conhecimento pensar que os homens de hoje evoluíram dos macacos de hoje.


EVO-02: Por que ainda existem macacos?

Alegação:

Se o homem é descendente do macaco,então os macacos não deveriam existir.ora,eles não evoluíram e viraram homens?

Resposta:

A idéia (errada) de que o homem veio do macaco na verdade nunca aparece sozinha. Geralmente ela vem acompanhada de algum outro conceito errado sobre evolução, como essa de que os macacos deveriam obrigatoriamente deixar de existir para que existissem homens.

Isso não precisava acontecer. Os macacos não viraram homens porque eles se deram muito bem como macacos mesmo.

O que aconteceu é que o nosso ancestral comum se dividiu e cada espécie seguiu seu caminho independentemente um do outro. Não significa que uma espécie vai sobrepujar a outra (o que até pode acontecer, mas não necessariamente).


EVO-03: Por que os macacos não evoluíram?

Alegação:

Se o ser humano evoluiu do macaco me parece que o macaco “travou” no processo da evolução, o que vcs acham?

Resposta:

Outro erro para lá de comum.

Afinal de contas, quem disse que os macacos não evoluíram? Ou, quem disse que eles são obrigados a evoluir da mesma forma e da mesma velocidade que nós humanos, ou de qualquer outro ser vivo?

Os macacos, e aliás todas as espécies de seres vivos, evoluíram sim. Ninguém discute que chimpanzés são muito mais evoluídos que nós na arte de escalar árvores e pular de galho em galho. Nisso eles superam, e muito, nós seres humanos.

As espécies não sabem para onde tem que evoluir, ou que é melhor evoluir para isso ou aquilo. E mesmo se soubessem, ainda não conseguiriam, porque a evolução é cega, ela não tem um rumo, ela não segue um caminho. Ninguém diz: “Oh, as coisas estão difíceis por aqui, vamos dar uma evoluída para ver se melhora…”

Não. A evolução só ocorre por imposição do meio. É a mudança do meio em que vivem que pode fazer as espécies evoluírem.

Ambientes diferentes, alimentação diferente, predadores diferentes, etc, fazem espécies evoluírem de formas diferentes. Os que forem mais aptos sobrevivem, e os menos aptos desaparecem.


EVO-04: Por que o homem parou de evoluir?

Alegação:

Afinal, porque os humanos não evoluem? A evolução parou nos humanos? Porque a evolução chegou até nós e parou? Ou vamos evoluir para outro tipo de ser?

Resposta:

Nem o homem nem nenhum outro ser vivo “parou de evoluir”. Apenas a evolução acontece muito mais lentamente do que muita gente gostaria. A escala de tempo dos humanos é em dias, semanas, meses, anos. Até décadas e séculos podemos entender.

Mas a evolução trabalha em milhares de anos, centenas de milhares de anos, milhões de anos, bilhões de anos. Nossa mente sequer consegue imaginar tanto tempo.

É como olhar para um coqueiro por cinco minutos e perguntar por que ele parou de crescer. É claro que ele cresceu, mas de maneira imperceptível para nós.

Mas mesmo assim, podemos ver a evolução acontecendo, se olharmos atentamente as evidências. Principalmente em seres unicelulares, e em moscas de frutas, onde a evolução ocorre mais rapidamente que em humanos.

E mesmo em humanos, podemos ver evidências:

·    Análises no genoma humano mostram que os genes associados com o tamanho do cérebro evoluíram há cerca de 37.000 anos atrás (Evans et al. 2005; Mekel-Bobrov et al. 2005);

·    Há poucos milhares de anos, uma mutação genética permitiu o consumo de leite entre pessoas adultas, que antes não tinham tolerância à lactose (Durham 1992) ( http://veja.abril.com.br/201206/p_112.html );

·    Algumas pessoas recentemente adquiriram mutações que aumentam a resistência ao vírus da AIDS (Dean et al. 1996; Sullivan et al. 2001) e a doenças cardíacas (Long 1994; Weisgraber et al. 1983).

Referências:

Dean, M. et al. 1996. Genetic restriction of HIV-1 infection and progression to AIDS by a deletion allele of the CKR5 structural gene. Science 273: 1856-1862.

Durham, William H. 1992. Coevolution: Genes, Culture, and Human Diversity. Stanford, CA: Stanford University Press.

Evans, Patrick D. et al. 2005. Microcephalin, a gene regulating brain size, continues to evolve adaptively in humans. Science 309: 1717-1720.

Long, Patricia. 1994. A town with a golden gene. Health 8(1) (Jan/Feb.): 60-66.

Mekel-Bobrov, Nitzan et al. 2005. Ongoing adaptive evolution of ASPM, a brain size determinant in Homo sapiens. Science 309: 1720-1722.

Sullivan, Amy D., Janis Wigginton and Denise Kirschner. 2001. The coreceptor mutation CCR5-delta-32 influences the dynamics of HIV epidemics and is selected for by HIV. Proceedings of the National Academy of Science USA 98: 10214-10219.

Weisgraber K. H., S. C. Rall Jr., T. P. Bersot, R. W. Mahley, G. Franceschini, and C. R. Sirtori. 1983. Apolipoprotein A-I Milano. Detection of normal A-I in affected subjects and evidence for a cysteine for arginine substitution in the variant A-I. Journal of Biological Chemistry 258: 2508-2513.

http://veja.abril.com.br/201206/p_112.html


EVO-05: Animais “involuíram”, diminuíram, perderam

Alegação:

Os organismos que estão preservados no âmbar são virtualmente parecidos com os de hoje! Porém maiores! Não teria ocorrido uma involução em vez do evolução?

Resposta:

Esse erro vem de uma concepção errada do que seja a Evolução.

É assumido que evolução necessariamente implica em aumento de tamanho, ou acréscimo de membros ou características, ou aumento de complexidade. Mas evolução não é só isso.

Evolução também é perda, diminuição, órgãos e membros que atrofiam e desaparecem, etc.

Por exemplo, um tamanho menor pode ser um problema se você quer sobrepujar um predador, mas pode ser uma vantagem se você está tentando se esconder; olhos são uma coisa boa se você vive na floresta, mas não inúteis e desperdiçam energia em cavernas e fossas abissais.

Outro exemplo, vírus são mais recentes que bactérias, porém muito mais simples. Eles perderam praticamente tudo o que podiam perder, a ponto de sequer serem considerados seres totalmente vivos.

Se perder uma característica é vantajoso, e permite que a espécie sobreviva melhor, aquela espécie vai gradualmente perdendo aquela característica. Isso pode ocorrer quando a população se muda para outro ambiente (ou o próprio ambiente muda de repente).

Isso é perfeitamente compatível com evolução, pois ela não “sabe” o que é bom e o que não é. Logo, uma habilidade que a princípio é “boa”, pode ser perdida se ela atrapalha na sobrevivência.


EVO-06: Macroevolução nunca foi vista

Alegação:

Macro evolução não é especiação!!!

Extrapolar um processo existente não é prová-lo, portanto não é porque existe especiação que surgirão novos gêneros, famílias, etc. Isso não é científico, pois Ciência trata de teorização e  observação. Mesmo com uma ótima teorização, sem observação a idéia só pode ser extrapolada e não provada.

Resposta:

Infelizmente existem pessoas que, enquanto não verem ”uma ameba virar um elefante”, como dizem, nunca irão aceitar a evolução como fato.

Isso é no mínimo incoerente, pois eles também jamais viram um elétron, mas não tem problema nenhum em usar eletricidade. Tampouco viram a luz percorrendo 300.000 km/s, mas não vêem problema nenhum nisso. E ninguém pegou uma trena e mediu a distância da Terra ao Sol para saber que é cerca de 150 milhões de quilômetros, mas tudo bem. O problema surge quando a ciência bate de encontro a crenças pré-estabelecidas, aí ela é ruim, errada, etc.

Acontece que existem milhares de coisas que nós humanos não podemos ver a olho nu, por causa das nossas óbvias limitações, mas mesmo assim sabemos que existem e como funcionam, pois sabemos estudar as evidências. No caso da evolução não podemos ver grandes mudanças diretamente porque elas demoram muito tempo para ocorrer.

Criacionistas insistem nessa tecla apenas por causa da parte da evolução que eles não podem evitar: a microevolução. Porém eles não sabem que a macroevolução já foi provada, quando foi provada a especiação (EVO 07).

Microevolução é a diferenciação evolucionária que ocorre dentro de uma espécie. Macroevolução, a definição oficial, é a evolução que ocorre de espécie para cima (espécie, gênero, família, etc). Quando novas espécies surgiram, ficou comprovada a macroevolução.

Infelizmente os criacionistas não querem admitir isso, e deturpam o significado de macroevolução para algo que seja mais confortável para eles.

Porém a evolução não depende de observar um peixe virar anfíbio diretamente, pois:

·    Temos boas evidências a favor da evolução (CIE 02);

·    Temos um excelente registro fóssil, com vários transicionais que mostram que a macroevolução já ocorreu.

Macroevoluções são apenas milhares de microevoluções acumuladas ao longo de muito tempo. Ora, se eles admitem que microevoluções existem, o que impede que elas se acumulem tanto que, depois de muito tempo, uma espécie seja tão diferente da original, que pode ser considerada uma espécie nova? Nada, é claro. Microevolução então implica em macroevolução. Ainda mais quando pequenas mudanças nos genes do desenvolvimento podem provocar grandes mudanças no organismo adulto (Shapiro et al. 2004).

Se tal mecanismo que impedisse o acúmulo de mutações fosse encontrado, a evolução seria provada falsa (CIE 04)

Macroevolução então não é apenas extrapolação das microevoluções, mas também interpolação com o registro fóssil, registro genético e bioquímico, e também de padrões observados entre semelhanças e diferenças entre as espécies.

Referências:

Shapiro M. D., M. E. Marks, C. L. Peichel, B. K. Blackman, K. S. Nereng, B. Jónsson, D. Schluter and D. M. Kingsley, 2004. Genetic and developmental basis of evolutionary pelvic reduction in threespine sticklebacks.

Nature 428: 717-723. See also: Shubin, N. H. and R. D. Dahn, 2004. Evolutionary biology: Lost and found. Nature 428: 703.

Theobald, Douglas, 2004. 29+ Evidences for macroevolution: The scientific case for common descent. http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/


EVO-07: Jamais surgiram novas espécies

Alegação:

Jamais surgiram novas espécies.

Fontes:

http://www.icr.org/index.php?module=articles&action=view&ID=260
http://pos-darwinista.blogspot.com/2006/06/darwin-falou-e-disse-eu-s-tenho-dois.html

Resposta:

Os criacionistas parecem estar confusos entre si mesmos sobre esse assunto.

a) Alguns alegam que nunca surgiram novas espécies (exemplo dado acima);

b) Outros dizem que novas espécies surgiram sim, mas que isso é apenas microevolução;

c) Outros ainda dizem que não só novas espécies surgiram, mas também gêneros e até famílias. Estranhamente, eles ainda não aceitam a evolução.

O grupo do primeiro caso é na verdade o mais desinformado (ou o mais desonesto) de todos. Novas espécies já surgiram sim, tanto em campo quanto em laboratório, e foram documentadas e catalogadas. Vejamos alguns exemplos:

1) Novas espécies surgindo na história:

·    Uma nova espécie de mosquito, a forma molestus isolada nos subterrâneos de Londres, sofreu especiação da Culex pipiens (Byrne and Nichols 1999; Nuttall 1998).

·    Helacyton gartleri, uma cultura que apareceu a partir de células cancerosas humanas em 1951 (Van Valen and Maiorana 1991). Devido à grande capacidade de replicação e diferenciação, essas células se tornaram totalmente incompatíveis com os seres humanos, a ponto de Van Valen propor a elas um novo gênero e uma nova família;

·    Várias novas espécies de plantas surgiram via poliploidia (quando há mais de dois cromossomos em cada par dentro das células) (de Wet 1971). Um exemplo é a Primula kewensis (Newton and Pellew 1929).

2) Espécies incipientes (quando sub-espécies cruzam raramente ou com pouco sucesso) são comuns. Aqui apenas alguns exemplos:

·    Rhagoletis pomonella, uma mosca que ataca maçãs, está passando por especiação. Ela infectava inicialmente a árvore americana Hawthorn (conhecida no Brasil como pilriteiro, da espécie crataegus), mas nos anos de 1800 uma nova espécie se formou e foi introduzida nas maçãs domésticas (Malus pumila). As duas raças são mantidas parcialmente isoladas por seleção natural (Filchak et al. 2000);

·    O mosquito Anopheles gambiae está mostrando especiação incipiente entre suas populações no noroeste e sudeste da África (Fanello et al. 2003; Lehmann et al. 2003);

·    Uma espécie de peixe-rei (Odontesthes argentinensis) está mostrando especiação incipiente entre suas populações marítimas e as de estuário (Beheregaray and Sunnucks 2001).

3) Espécies em anel (Ring species) mostram a especiação ocorrendo em tempo real. São várias espécies distribuídas mais ou menos em linha, por exemplo, em torno de uma montanha. Cada população pode cruzar com a espécie vizinha, mas populações distantes não conseguem cruzar. Elas podem formar um anel verdadeiro quando as populações das extremidades são adjacentes uma da outra, fechando o cerco. Alguns exemplos:

·    A salamandra Ensatina, com sete sub-espécies diferentes na costa oeste dos EUA. Elas formam um anel em torno do vale central da Califórnia. Ao sul, as duas sub-espécies adjacentes klauberi e eschscholtzi não cruzam entre si (Brown n.d.; Wake 1997);

·    O pássaro conhecido como Felosa troquilóide (Phylloscopus trochiloides), em torno do Himalaia. O seu comportamento e características genéticas variam gradualmente, começando no centro da Sibéria, se estendendo em torno do Himalaia, e de volta, de modo que as duas espécies das extremidades coexistem, mas não cruzam entre si (Irwin et al. 2001; Whitehouse 2001; Irwin et al. 2005);

·    O rato veadeiro (Peromyces maniculatus), com mais de cinqüenta sub-espécies nos Estados Unidos.

Muitas espécies de pássaros, incluindo o Parus major e P. minor, Halcyon chloris, Zosterops, Lalage, Pernis, o grupo Larus argentatus, e o Phylloscopus trochiloides (Mayr 1942, 182-183).

·    A abelha americana Hoplitis (Alcidamea) producta (Mayr 1963, 510);

·    O rato toupeira (Spalax ehrenbergi) (Nevo 1999).

4) Evidência de especiação também é encontrada em formas de vida em ambientes que não existiam há centenas ou milhares de anos atrás:

·    Em vários lagos do Canadá, que só existiram nos últimos 10.000 anos, após a última era do gelo, peixes se diversificaram em diferentes espécies para águas rasas e águas profundas (Schilthuizen 2001, 146-151);

·    Outros peixes que vivem nos lago Malawi se diversificaram em centenas de espécies. Algumas partes desse lago se formaram no século dezenove, com espécies novas (Schilthuizen 2001, 166-176);

·    Plantas da espécie Mimulus adaptadas a solos ricos em cobre não existiam antes de surgirem as minas que extraiam esse material, em 1859 (Macnair 1989).

Referências:

Beheregaray, L. B. and P. Sunnucks, 2001. Fine-scale genetic structure, estuarine colonization and incipient speciation in the marine silverside fish Odontesthes argentinensis. Molecular Ecology 10(12): 2849-2866.

Bordenstein, Seth R. and John H. Werren. 1997. Effection of An and B Wolbachia and host genotype on interspecies cytoplasmic incompatibility in Nasonia. Genetics 148: 1833-1844.

Brown, Charles W., n.d. Ensatina eschscholtzi Speciation in progress: A classic example of Darwinian evolution. http://www.santarosa.edu/lifesciences2/ensatina2.htm

Byrne, K. and R. A. Nichols, 1999. Culex pipiens in London Underground tunnels: differentiation between surface and subterranean populations. Heredity 82: 7-15.

de Wet, J. M. J., 1971. Polyploidy and evolution in plants. Taxon 20: 29-35.

Fanello, C. et al., 2003. The pyrethroid knock-down resistance gene in the Anopheles gambiae complex in Mali and further indication of incipient speciation within An. gambiae s.s. Insect Molecular Biology 12(3): 241-245.

Filchak, Kenneth E., Joseph B. Roethele and Jeffrey L. Feder, 2000. Natural selection and sympatric divergence in the apple maggot Rhagoletis pomonella. Nature 407: 739-742.

Irwin, Darren E., Staffan Bensch and Trevor D. Price, 2001. Speciation in a ring. Nature 409: 333-337.

Irwin, Darren E., Staffan Bensch, Jessica H. Irwin and Trevor D. Price. 2005. Speciation by distance in a ring species. Science 307: 414-416.

Lehmann, T., M. Licht, N. Elissa, et al., 2003. Population structure of Anopheles gambiae in Africa. Journal of Heredity 94(2): 133-147.

Macnair, M. R., 1989. A new species of Mimulus endemic to copper mines in California. Botanical Journal of the Linnean Society 100: 1-14.

Mayr, E., 1942. Systematics and the Origin of Species. New York: Columbia University Press.

Mayr, E., 1963. Animal Species and Evolution. Cambridge, MA: Belknap.

Murgia, Claudio et al. 2006. Clonal origin and evolution of a transmissible cancer. Cell 126: 477-487.

Nevo, Eviatar, 1999. Mosaic Evolution of Subterranean Mammals: Regression, Progression and Global Convergence. Oxford University Press.

Newton, W. C. F. and Caroline Pellew, 1929. Primula kewensis and its derivatives. Journal of Genetics 20(3): 405-467.

Nuttall, Nick, 1998. Stand clear of the Tube’s 100-year-old super-bug. Times (London), 26 Aug. 1998, 1. http://www.gene.ch/gentech/1998/Jul-Sep/msg00188.html

Van Valen, Leigh M. and Virginia C. Maiorana, 1991. HeLa, a new microbial species. Evolutionary Theory 10: 71-74.

Wake, David B., 1997. Incipient species formation in salamanders of the Ensatina complex. Proceedings of the National Academy of Science USA 94: 7761-7767.

Whitehouse, David, 2001. Songbird shows how evolution works. BBC News Online, 18 Jan. 2001, http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/1123973.stm

Woodmorappe, John, 1996. Noah’s Ark: A Feasability Study, El Cajon, CA: ICR.

Zimmer, Carl. 2006. A dead dog lives on (inside new dogs). http://scienceblogs.com/loom/2006/08/09/an_old_dog_lives_on_inside_new.php


EVO-08: Especiação é só microevolução

Alegação:

Especiação é apenas um exemplo de microevolução. Criacionistas reconhecem que pequenas mudanças podem ocorrer, mas pequenas mudanças não implicam em grandes mudanças. Novas espécies podem surgir, mas cachorros continuam cachorros e moscas continuam moscas.

Resposta:

Os criacionistas parecem estar confusos entre si mesmos sobre esse assunto.

a) Alguns alegam que nunca surgiram novas espécies ( EVO 09 );

b) Outros dizem que novas espécies surgiram sim, mas que isso é apenas microevolução (exemplo dado acima);

c) Outros ainda dizem que não só novas espécies surgiram, mas também gêneros e até famílias. Estranhamente, eles ainda não aceitam a evolução.

Microevolução e macroevolução são duas coisas diferentes, mas envolvem basicamente o mesmo processo.

Microevolução é definida pela mudança nos alelos em uma população, via mutações, seleção natural, deriva continental ou até migração. Muitos criacionistas não vêem problema nenhum com isso (mas há exceções).

Macroevolução são mudanças evolucionárias que ocorrem ao nível de espécies para cima, ou seja, a formação de uma nova espécie, gênero, etc. Como a especiação já foi comprovada, a macroevolução por tabela também já foi.

Porém, como isso é inconveniente para os criacionistas, eles inventaram um novo significado para macroevolução. Não há definição técnica para esse novo termo, mas eles costumam dizer que querem ver um cachorro sentar à mesa para tomar chá, ou uma ameba virar elefante, etc. Vamos chamar isso de “supermacroevolução”, para não confundir com macroevolução de verdade, que já foi provada.

Especiação é diferente de microevolução porque especiação requer um fator de isolamento para manter a nova espécie distinta da outra. Esse fator de isolamento não precisa ser biológico, pode ser geográfico, como uma montanha ou o curso de um rio. Mas fora isso, nada além de microevolução é necessário.

Já a “supermacroevolução” é difícil de se observar diretamente, pois demora muito tempo para ocorrer. Porém não há a menor evidência de que necessite algo além de microevolução e tempo para acontecer.

Há toneladas de evidências que mostram que pequenas mudanças ao longo do tempo ocasionam grandes mudanças (como registro fóssil e análise genética), e nenhuma e evidência contra. Criacionistas insistem que isso é impossível baseado apenas em passagens bíblicas (“segundo sua espécie”), mas nenhum trabalho científico foi feito provando isso até hoje.


EVO-09: Superevolução em 4.000 anos

Alegação:

Por exemplo, cavalos, zebras e burros são provavelmente descendentes de um tipo equino (tipo-cavalo), já que eles podem cruzar, apesar de sua prole ser estéril. Cães, lobos, coiotes e chacais são provavelmente de um tipo canino (tipo-cão). Todos os diferentes tipos de gado doméstico (que são animais limpos), são descendentes do Aurochs, então haviam provavelmente 7 (ou 14) gados domésticos a bordo. O próprio Aurochs seja descendente de um tipo gado que inclui bisões e búfalos d’água. Nós sabemos que tigres e leões podem produzir híbridos chamados ligres e tigons, então é possível que eles sejam descendentes de um mesmo tipo original.

Fonte em: http://www.answersingenesis.org/creation/v19/i2/animals.asp

Resposta:

O grupo mais bizarro de todos são os criacionistas que acreditam em uma fictícia “superevolução” em apenas 4.000 anos. Isso porque eles estão cientes que todas as espécies animais do mundo jamais caberiam dentro da arca de Noé. Por isso são obrigados a inventar idéias totalmente infundadas como essas.

Para eles, Noé colocou dentro da arca “proto-espécies”, e a partir delas surgiram todas as espécies animais que vemos hoje.

Ou seja, um tipo canino gerou todos os cães, lobos, raposas, etc, que vemos hoje. Um tipo felino gerou todos os tigres, leões, panteras, jaguatiricas, jaguares, gatos selvagens e domésticos, etc. Tudo isso em apenas poucos milhares de anos. Ou seja, um absurdo descabido.

No caso dos felinos, por exemplo, eles aceleram um processo que durou cerca de 10 milhões de anos em 2.500 vezes! Superevolução.

Entender como é que para eles evolução é impossível, mas superevolução não é, é um enigma além da compreensão.

Isso tudo apenas porque eles querem tomar como literais certas passagens bíblicas.

É engraçado tal atitude, pois a bíblia também diz que o céu é sólido, que a Terra não se move, e que é sustentada por colunas, mas nada disso segundo eles é literal, e sim metafórico. Então quem decide o que é metafórico ou literal? E como essa decisão é feita?

Criacionistas desse tipo precisam urgentemente rever seus conceitos, suas idéias são um atraso para a humanidade, e vão de encontro a qualquer pensamento racional e construtivo para a sociedade.


EVO-10: O primeiro indivíduo não achou parceiro

Alegação:

Seria muito difícil para o primeiro indivíduo de uma nova espécie encontrar um parceiro. Híbridos são inférteis, então o recém evoluído espécime não seria capaz de procriar com sucesso, a não ser que um outro indivíduo do sexo oposto sofresse a mesma mutação.

Fonte em: http://www.geocities.com/deke1942/tccop/evolution.htm

Resposta:

O erro dessa alegação está no desconhecimento de que a unidade da evolução não é o indivíduo, e sim a população. Ou seja, não e o indivíduo que evolui, e sim vários deles, ao mesmo tempo, gradualmente. É um erro extremamente imaturo achar que uma mãe vai de repente dar a luz a uma outra espécie. Conhecimento básico da teoria da evolução seria suficiente para sanar essa dúvida.

Na verdade, uma forma comum de especiação (surgimento de novas espécies) é por isolamento geográfico. Isso ocorre quando uma população é dividida em duas, e ambas vão se tornando mais e mais diferentes uma da outra, a ponto de se eventualmente se encontrarem, não poderão mais cruzar entre si (Otte and Endler 1989).

Outra forma de ver a especiação é com espécies em anel, quando vários membros de uma população está dispersa ao redor de uma montanha, por exemplo. Cada indivíduo é capaz de cruzar com o outro próximo a ele, mas os da ponta não são capazes de cruzar entre si. O anel pode se fechar se as duas pontas se encontrarem.

É claro, a especiação pode ocorrer sem a separação geográfica (sympatric speciation; see Diekmann and Doebeli 1999; Kondrashov and Kondrashov 1999; Otte and Endler 1989), mas ainda assim o processo é gradual.

A única forma que uma nova espécie possa ser formada é com seres assexuados ou hermafroditas, ou seja, aqueles que não precisam encontrar parceiros.

Referências:

Dieckmann, Ulf and Michael Doebeli. 1999. On the origin of species by sympatric speciation. Nature 400: 354-357.

Kondrashov, Alexey S. and Fyodor A. Kondrashov. 1999. Interactions among quantitative traits in the course of sympatric speciation. Nature 400: 351-354.

Otte, D. and J. A. Endler, eds. 1989. Speciation and Its Consequences. Sunderland, MA: Sinauer Assoc.

Schilthuizen, Menno. 2001. Frogs, Flies, and Dandelions: the making of species, Oxford Univ. Press.


EVO-11: O Celacanto prova que a TE é falsa

Alegação:

Os cientistas pensavam que o celacanto estava extinto por 70 milhões de anos, e era usado como exemplo de transicional peixe-anfíbio. Mas em 1938 um celacanto vivo foi encontrado, sem mudanças, provando que a evolução é falsa.

Resposta:

Não é verdade que os dois peixes são iguais. Eles não são da mesma espécie, nem do mesmo gênero, e nem da mesma família.

O celacanto pescado em 1938 é o Latimeria chalumnae, da família Latimeriidae. Ele não possui registro fóssil, portanto não pode ser considerado um “fóssil vivo”.

Os celacantos fossilizados são de outra família, em sua maioria Coelacanthidae, foram extintos há 100 milhões de anos, e são significantemente diferentes do que foi encontrado vivo.

São diferentes no tamanho, cabeças, espinhas dorsais, barbatanas, órgãos internos, entre outros. As diferenças são estudadas a fundo por Peter Forey em seu livro “A História dos Celacantos”. Uma figura extraída de seu livro mostra isso:

http://www.scienceinafrica.co.za/2002/february/coela2.htm

E mesmo que eles fossem iguais, isso não seria nenhum problema para a evolução.

A Teoria da Evolução não diz que os organismos são obrigados a evoluir. Em um ambiente que não muda, a seleção natural tende a manter as coisas morfologicamente iguais.

Referências:

Lindsay, Don, 2000, Living fossils like the coelacanth. http://www.don-lindsay-archive.org/creation/coelacanth.html

Forey, Peter L., 1998. History of the Coelacanth Fishes. London: Chapman & Hall.


EVO-12: Como viviam as formas intermediarias?

Alegação:

As espécies intermediárias não conseguiriam ter sobrevivido. Para que serve meio olho? Para que serve meia asa? Um peixe como meia barbatana/meia pata não conseguiria nem nadar nem andar direito, seria presa fácil dos predadores, e seria eliminado.

Resposta:

As formas intermediárias do passado viviam exatamente como vivem as formas intermediárias dos dias de hoje: as mais aptas sobrevivem e as menos adaptadas desaparecem.

Isso porque todas as formas de vida na Terra, extintas e existentes, são intermediárias. As espécies de hoje, até mesmo as altamente evoluídas, não são um “produto final”, acabado.

A evolução continua, até hoje, em todos os seres vivos.

Casos de espécies com deficiências em algo devem ser compensadas por outras características para conseguirem sobreviver.

Dizer que “meio olho” não serve para nada é como dizer que é melhor ser cego do que ter algum problema de visão! Pergunte se alguém com graves problemas de vista se eles prefeririam ser cegos.

Segundo a evolução, um ancestral de algum animal que possua 50% da visão de hoje está bem melhor que outro com apenas 20%. Já um que tenha 20% está melhor que um com 5%, e o de 5% está melhor que um animal cego. Havendo competição, os mais aptos sobreviverão e passarão seus genes adiante.

E vemos na natureza justamente essa gradação, desde animais cegos, animais que podem apenas diferenciar o claro do escuro, animais com olhos rudimentares, até animais com visão excelente. Os animais de hoje conseguem sobreviver com deficiências da mesma forma que os animais do passado.

“Meia asa” pode não permitir voar como as andorinhas ou os gaviões, mas muitas outras aves possuem asas que não servem para voar. Asas podem ajudar a escapar com “pulos desajeitados” com as galinhas e as perdizes, pode servir de isolamento térmico, podem servir para atrair fêmeas para o acasalamento, podem servir como nadadeiras como nos pingüins, etc, etc, etc.

Se os criacionistas acham que “meia barbatana/meia pata” não servem para nada, não conhecem os caprichos e pormenores da natureza. Animais como lontras, leões marinhos, focas, etc, possuem patas intermediárias que utilizam para nadar e para andar. E o que dizer do Mudskipper de Bornéu?

Que tipo de animal é esse? É um peixe ou um anfíbio?

De fato, essa criatura é um peixe, e mesmo assim está se dando muito bem fora d’água, a ponto de lutar com outro que invadiu seu território.

A vida é extremamente adaptável, mutável, dinâmica. Pensar o contrário, que ela é fixa, imutável, constante, contraria todas as evidências que vemos no dia a dia.

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