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Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Evolução vs Criacionismo Parte V

Parece, mas não é…

O Design Inteligente é algo que realmente se pode chamar de “inteligente”. Não que ele seja realmente algo que se deva levar em conta em termos de Ciência, mas porque seus defensores conseguiram usar de muitas falácias para esconder o que ele realmente é: Criacionismo disfarçado.

Aliás, falácias é o que não faltam no Criacionismo e no Design Inteligente. E é por causa disso que eles são chamados de criaBURRIcionismo e Design InteliJUMENTO, por pessoas que são familiarizadas com o conteúdo dessas falácias.

A principal base do DI remete no século XVIII, através do que se chama Falácia de Paley. William Paley nasceu em 14 de julho de 1743 e faleceu em 25 de maio de 1805. Era um teólogo e filósofo britânico, que nos brindou com uma das maiores besteiras, mas de uma forma um tanto… digamos, poética.

O argumento de Paley para demonstrar a existência de um Criador se baseava numa experiência mental. Nada de errado nisso, já que o próprio Einstein usava muito desse artifício antes de partir para as contas. Segundo seu experimento mental, Paley dizia que se nós encontrássemos um relógio no campo (sem sequer termos visto um relógio antes), concluiríamos, pela perfeição de suas funções e pelo intrincado de suas estruturas, que o relógio mencionado foi deliberadamente construído por um projetista. Afinal, algo tão belo e bem feito como um relógio, com suas rodas dentadas, seu mecanismo preciso, sua forma de mostrar o andamento do tempo, sua função útil (marcar as horas) seria definitivamente uma prova que “alguém” o construiu. Que o relógio veio de um relojoeiro, de um projetista inteligente.

Da mesma forma – afirmava Paley – quando olhamos para o intrincado e para a perfeição do mundo biológico, não nos resta mais nada a não ser concluir, como com o relógio, que ele também é o produto de um projetista, este projetista inteligente, fora do mundo natural.

Sou obrigado a dar um crédito a Paley. Não é culpa dele por ter falecido 50 anos antes da publicação da Origem das Espécies. Sua visão do mundo, lindo e belo, realmente seria fantástico, SE o mundo fosse belo e perfeito.

Mas, não é.

Um campo florido realmente é algo lindo de se ver. Mas, um vulcão em erupção é algo que só é “bonito” quando estamos a milhares de quilômetros de distância, assistindo confortavelmente numa poltrona macia, através de um documentário da National Geographic. Ir lá, ninguém quer. Ninguém poderia dizer que a explosão do Krakatoa em 27 de agosto de 1883 foi algo bonito, nem mesmo a alma pia de Paley afirmaria isso. Só uma mente doente, idiota, estúpida, ridícula e completamente imbecil afirmaria isso, ou que isso se deveu à alguma punição por um pecado qualquer.

O Universo é lindo também, através das lentes do Hubble e das imagens cedidas pela NASA. A explosão de uma supernova é algo realmente belo não é? Não, sinto em dizer, mas não é não.

Quando uma estrela muito massiva entra em colapso, as reações nucleares em seu núcleo não são mais contidas pela gravidade exercida por sua massa. A estrela explode violentamente. Qualquer coisa relativamente próxima (milhões de quilômetros) será brutalmente aniquilada pela energia liberada. Talvez alguma civilização inteligente seja riscada do mapa galáctico. Talvez, uma promessa de vida que esteja se iniciando é ceifada de forma voraz. Só achamos legal porque está bem longe de nós, mas daqui a uns 5 bilhões de anos, nossa estrela particular, o Sol, não terá força suficiente para equilibrar as forças internas e ele se tornará uma gigante vermelha. Ele devorará Mercúrio, Vênus, a Terra e Marte. Se não desenvolvermos um meio de cair fora daqui (supondo que ainda haverá seres humanos), seremos cozidos para o bel-prazer de outra civilização. Muito provavelmente, caso exista uma civilização inteligente, dotada de tecnologia adequada para tal observação, eles dirão: “Olhe que bonito! Como o universo é lindo”. E não restará nada de nós para contar sobre nossa história, nossas realizações e nossas falhas, nossa cultura, nossa música, poesia, literatura, arquitetura, nossos medos e anseios, nossa esperança no futuro. Nada disso restará. Desapareceremos como uma tênue nuvem que se desfaz no céu por um vento forte, durante o verão. Triste, mas é essa a verdade.

Mas, os criacionistas não vêem isso. Seu antropocentrismo acha que o mundo existe porque eles estão nele. Surge aqui a famosa falácia da “poça d’água”.

Um dia, durante uma obra na rua, fizeram um buraco. Choveu e nesse buraco surgiu uma poça. Como em toda fábula, essa poça cria consciência. Ela olha em volta e se sente tranqüila. Assim, a querida poça diz: “Oh, que legal! Como eu me adapto bem aqui, como este buraco foi feito adequadamente para me conter aqui. Com certeza, ele é obra de algum projetista inteligente para que eu ficasse confortável aqui. Esse projetista é esperto e caridoso para comigo e preciso rezar pra ele, agradecendo por esta dádiva.”

Bem, esta história continuaria, mas o serviço Tapa-Buraco da prefeitura veio, tirou a água e tampou o buraco. Shit happens.

Acham que as criancinhas são criaturinhas lindas e perfeitas. Aqueles desenhos de crianças brincando nos panfletinhos coloridos são belíssimos. Mas, quando mostramos crianças subnutridas na África, ou com deformidades, como a criança que nasceu com dois rostos ou a nasceu com quatro pernas, mas foi operada, ficam horrorizados e dizem que nós somos ruins e desejamos o mal. Fui eu que fiz aquilo? Alguns débeis mentais virão com besteiras que aquilo é alguma punição causada pelo pecado original, outros queé um evento cármico ou que é para servir de exemplo a outras pessoas.

E EU é que sou ruim, né? É fácil falar este monte de besteira quando se é perfeitinho e está com tudo nos conformes. Mas, se fosse algum membro de alguma igreja, falariam dos mistérios da fé e como é maravilhoso ver um mártir do Senhor. Bleargh!

É muito engraçado ver que as tentativas de mostrar que tudo teve um desenhista inteligente. As alegações são como a distância exata da Terra à Lua, afim de gerar marés adequadas, que a distância da Terra ao Sol nos coloca numa região de conforto, não muito quente, nem muito frio e por aí vai.

O que isso implica? Exatamente na Seleção Natural. 😀

Um desenhista perfeito faria coisas perfeitas; nada mais natural, não é? Vamos usar nossa imaginação e criar um Desenhista realmente inteligente. Ele possivelmente faria coisas assim:

1. Um Sistema Solar onde o Sol fica no centro. Nada de elipses, as órbitas dos planetas seriam círculos milimetricamente perfeitos.

2. Cada um dos 10 planetas existentes nesse sistema teria satélites que seguissem a seqüência de Fibonacci (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34 e 55 satélites), contados a partir do mais próximo até o mais distante), girando também em círculos perfeitos ao redor de seu planeta-mãe.

3. Cada um dos planetas seria uma esfera absolutamente perfeita, com precisão de centésimos de milímetro. Assim como seus satélites.

4. Cada um dos planetas teria um ecossistema próprio, dispondo de inúmeras formas de vida; todas elas coexistindo pacificamente.

5. As galáxias seriam esferas perfeitas, contendo bilhões de sistemas solares exatamente iguais ao supracitado, com planetas absolutamente iguais, e disposta milimetricamente equidistantes.

6. Seres vivos não teriam problemas de doenças, já que um planejador inteligente jamais faria algo que pudesse morrer com apenas uma espetada de um prego de ferro enferrujado.

7. Nenhum planeta seria bombardeado por eras e eras com meteoros gigantescos, aniquilando a quase totalidade das formas de vida.

8. Os seres de todos os planetas estariam se comunicando amistosamente.

9. Todos os seres vivos se respeitariam e não se matariam por diferenças.

10. Não haveriam religiões, posto que todos teriam certeza sobre quem os criou e porque, através de mensagens simples e claras e não por frases obscuras e de sentido ambíguo.

O que vemos no Universo é uma mixórdia! Planetas desabitados, com tempestades que duram séculos, atmosferas tóxicas, onde ácidos extremamente fortes estariam suspensos no ar, corroendo qualquer coisa que apareça por lá. Explosões violentas, choques de astros, galáxias em rotas de colisão e nenhuma evidência sequer que haja vida em outros planetas, que dirá vida inteligente.

O finado cientista Carl Sagan tinha uma resposta para estarmos sozinhos no Universo: “Talvez estamos realmente sozinhos, posto que alguma civilização tem que ser a primeira civilização tecnológica. Por que não a nossa?”

Alegar que todo o Universo foi feito para nós bajularmos um suposto desenhista inteligente é o cúmulo da arrogância. Nem sequer podemos ver o Universo a olho nu. No máximo, alguns milhares de estrelas, o que é muito, muito pouco perto dos bilhões de estrelas em nossa galáxia. Qual a resposta que os defensores do DI têm pra isso? Nenhuma.

Mas, diferente dos criacionistas, o pessoal que defende o DI tem alguma coisa em que se basear, a título de argumentos. Na próxima página veremos como o Dr. Behe tentou sustentar isso e foi, por isso, tido como incompetente perante o tribunal de Dover.

O Julgamento de Dover

Em 2004 no condado de Dover, na Pensilvânia, EUA, um Conselho Escolar teve a idéia de violar a própria Constituição do país, onde se prevê a separação da Igreja e Estado. Para isso, eles queriam impor que se lesse uma declaração de um minuto, dizendo que a Teoria da Evolução não passava disso: uma teoria, iniciando o festival de besteiras. Na seqüência, que havia uma nova teoria científica, à qual chamavam de Intelligent Design (Design Inteligente).

Como se podia esperar, os professores de Biologia recusaram-se terminantemente a isso. E entraram com um processo contra esta determinação.

Os defensores do DI alegaram que, ao contrário do criacionismo, o DI não segue a cronologia da Bíblia, afirmando que o suposto “desenhista” não era necessariamente o Deus bíblico. Alguns de seus teóricos dizem até que o poder superior pode ser um ser extraterrestre. Mas, como sempre, mentira tem perna curta. Vocês podem ver um documentário completo que a NOVA fez acessando AQUI.

Este documentário mostra como os advogados dos professores viram que o livro sugerido pelos defensores do DI “Sobre Pandas e Pessoas” era o mesmo que um documento anterior que fora sugerido e rejeitado, mas onde a palavra “Deus” aparecia, tinha sido substituído por Designer. E eu que pensei que a Bíblia proibisse mentirosos… Se bem que em um dos versículos diz-se que pode-se mentir desde que seja para pregar as besteiras do Evangelho. Assim é fácil, né?

Os defensores do DI chamaram como testemunha Michael Behe, autor do livro “Caixa Preta de Darwin”.

Neste livro, Behe traz o conceito de “Complexidade Irredutível”, onde afirma que algumas partes dos organismos vivos são tão complexos que não poderiam surgir de simples evolução por Seleção Natural e sim por obra de um “Projetista”. Como exemplo, ele citou o olho humano e o sistema imunológico.

No tocante ao sistema imunológico, Behe passou vergonha ao afirmar que não havia nenhuma pesquisa que explicasse o surgimento do nosso sistema imunológico. Para sua vergonha, os advogados colocaram vários livros, documentos, publicações, teses etc. sobre a mesa à sua frente, demonstrando que ele, ou não tinha conhecimento sobre nada em termos de ciência ou que ele não fora honesto quanto a isso. Ignorância e desonestidade são coisas comuns entre os defensores do DI.

Até mesmo a metáfora usada por Behe foi usada contra ele. Ele afirmou que, como uma ratoeira não funciona se qualquer de suas partes for removida (a velha falácia de Paley). Infelizmente para ele, este é mais um argumento furado e Richard Dawkins soube rebater muito bem e sem esforço. Ele simplesmente usou o conceito de uma ratoeira, uma máquina simples usada para mandar ratos para o Éden dos roedores.

Começamos com a “ratoeira” mais simples possível – um simples pedaço de isca deixado sobre o chão. Quando o rato se aproxima da isca, acertamos ele com um martelo. Bonk! Simples e funcional, certo? (é um experimento mental, nenhum animal foi ferido ao idealizar isso)

Agora, vamos fazer uma pequena modificação. Basta que coloquemos a isca em um pequeno buraco na parede. Isto tem a vantagem de momentaneamente confundir o rato quando o surpreendemos na isca, já que leva um tempo até que o rato encontre a saída do buraco, dando-nos mais tempo para acertá-lo com o martelo.

Outra modificação leve – colocamos uma pequena porta dobradiça de metal cobrindo a abertura do buraco, a qual balança livremente para trás e para frente. Isto confunde o rato um pouquinho mais e leva um pouco mais de tempo para encontrar a saída – dando-nos um tempinho a mais para acertá-lo com o martelo.

A seguir, adicionamos um mecanismo de mola que pode ser armado pelo rato assim que ele pega a isca, deste modo fazendo com que a porta se feche atrás dele. A vantagem é que não temos mais que esperar lá quando o camundongo entra – ao invés, o rato é agora confinado e pode ser acertado por nós através do martelo em qualquer momento conveniente mais tarde.

Outra modificação: viramos o aparato todo em 90 graus assim é apoiado horizontalmente ao invés de verticalmente. Em outras palavras, nosso buraco com isca está agora no chão ao invés da parede. Isto tem a vantagem de permitir que o rato aborde nossa armadilha de qualquer direção, ao invés de limitar o acesso em apenas um lado da parede.

Outra modificação: eliminamos o buraco e simplesmente colocamos a aparato de porta dobradiça no chão de modo que, quando armada, a porta da armadilha bate fortemente no chão onde o gatilho está localizado, esmagando o camundongo para nós quando ele tropeça no gatilho. A nova vantagem é que não temos mais que acertar o camundongo com o martelo – a armadilha nova na prática faz isto por nós.

Uma modificação final. Cortamos a parte do chão que cerca nossa armadilha e afixamos o mecanismo de armadilha diretamente a ela. Isto permite que levemos nossa armadilha para qualquer lugar que quisermos, ao invés de limitá-la a um local.

E assim desenvolvemos passo a passo algo que deveria ser “irredutivelmente complexo”. Cada passo é completamente funcional por si mesmo, e em cada passo, o resultado pretendido é conseguido — um rato morto. Cada passo sucessivo é construído sobre o precedente através de pequenas modificações, no entanto cada passo é mais eficiente de algum modo que seu predecessor.

Outra variação da falácia de Paley (imagino que qualquer criacionista tenha um pôster dele pendurado na parede) foi proposta por Fred Hoyle, onde comparou a probabilidade do processo evolutivo ocorrer com a possibilidade de um vendaval ocorrer sobre um ferro velho e de lá sair um 747.

Fred Hoyle nasceu em 24 de junho de 1915 em Bingley, Yorkshire (Inglaterra), e faleceu 20 de agosto de 2001. Ele foi uma figura polêmica, mas não menos respeitado no meio científico. Sua área era a cosmogonia e um feroz opositor ao Big Bang. Não, ele não tinha formação em Biologia e vocês podem imaginar aonde isso vai levar…

Segundo Hoyle, o Universo era eterno e essencialmente imutável, ainda que apresentando galáxias que se afastam umas das outras. A teoria do Universo Estacionário de Hoyle apoiava-se na formação de matéria entre as galáxias de tempos em tempos, de modo que mesmo que as galáxias se afastassem umas das outras, novas galáxias que se desenvolviam entre elas enchiam o espaço que elas deixavam vago.

Mas, Hoyle fez uma grande contribuição para a Teoria do Big Bang: ele a batizou 😀

Pois é, não foi Hubble que deu este nome, que os criacionistas muitas vezes nem conseguem escrever, confundindo com Big Ben, o relógio instalado na torre do Paralmento Inglês (na verdade, este nome é apenas do sino do relógio e não do relógio em si). Quem pouco estuda…

Hoyle não entendeu a diferença entre expansão e explosão e daí veio a confusão toda; e para mostrar que ele devia ficar escrevendo ficção científica, ele tornou-se um feroz crítico de teorias de evolução química para explicar a origem da vida de maneira natural (não, isso AINDA não tem nada a ver com o processo evolutivo das espécies). Com Chandra Wickramasinghe, Hoyle promoveu a teoria de que a vida surgiu no espaço, espalhando-se pelo universo via “panspermia”, e que a evolução na Terra é dirigida por um fluxo constante de vírus que chegam via cometas.

Ele só “esqueceu” de dizer COMO estas formas de vida surgiram. C’est l avie.

A partir da próxima página entraremos na reta final e veremos as atuais pseudorrefutações dos criacionistas e mostraremos como derrubar cada besteira alegada por eles.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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