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Grandes Mentiras Religiosas

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Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Evolução vs Criacionismo Parte IV

Criacionismo e Design Inteligente

O Criacionismo é a crença de religiosos fundamentalistas que o planeta Terra, o céu (sem nenhuma estrela), as plantas, as estrelas (para separar o dia da noite), o Sol, a Lua, os animais (os primeiros seres vivos!) – para depois aparecer o homem (os planetas não entram nisso) – surgiram conforme descrito no Gênesis, o primeiro livro da Bíblia. E isso tudo obrigatoriamente nessa mesma ordem! Seus defensores, os criacionistas, alegam que o criacionismo “compete de igual pra igual” com a Teoria da Evolução, e muitos querem que seja ensinada nas escolas como uma teoria científica válida.

A “verdade” do Criacionismo está na infabilidade e inerrância da Bíblia, posto que a Bíblia diz que ela é a Palavra de Deus e se ela diz que é a Palavra de Deus, que está sempre certa, então a Bíblia está sempre certa, posto que ela diz que está sempre certa. Como ela está sempre certa, ela está certa ao afirmar que está certa. Raciocínio circular, lembram?

Bem, toda essa “criação” até seria possível, mas esbarra em certos problemas. O principal deles é o que regulamenta, controla e define a Ciência, que é o Método Científico.

Senão, vejamos: Para que o Criacionismo possa ser considerado Ciência, ele tem que:

1) Basear-se em observações.

Ninguém viu uma espécie surgir do nada – PUF! – conforme relata o Gênesis. Ninguém sequer viu o causador dela, ou seja, ninguém viu Deus. E dizer que o “sente” como se sente uma rajada de vento é algo falacioso. Eu poderia relacionar isso com qualquer coisa. Até mesmo com flatulências.

2) Levantamento de Hipóteses.

Como vimos, uma hipótese é uma idéia que um cientista tem para explicar determinado fenômeno. A idéia que os criacionistas têm sobre as causas de tudo é Deus e ponto final. Aliás, nem é uma idéia, pra eles é verdade inquestionável. Afinal, Deus disse. A Bíblia traz isso escrito. A Bíblia é inerrante, porque Deus disse. E Deus diz isso na Bíblia e… Bem, continuemos.

3) Previsões.

Isso não existe no Criacionismo. Deus fez, tá feito e ponto final! Os criacionistas são fixistas. O que aconteceu no passado é imutável. Nada acontecerá de diferente de novo.

4) Experimentações.

Nem pensem nisso! Deus não é pra ser testado (seguido de um monte de versículos bíblicos inócuos).

5) Falseabilidade.

Como vimos logo no início, toda hipótese tem que ser falseável ou refutável. Isso não quer dizer que o experimento seja falso; mas sim que ele pode ser verificado, contestado. Ou seja, se ele realmente for falso, deve ser possível prová-lo. Isso é absolutamente impossível no Criacionismo. Como testar pra saber se Deus não existe? Bem, Deus pode existir, mas isso não significa que ele tenha feito algo. Deus pode ter criado as coisas, mas não significa que foi do jeito que a Bíblia descreve. Deus pode existir e pode ter criado, mas não significa que fora o deus bíblico. E sabemos que existem muitas religiões por aí. Qual deus foi?

Os fundamentalistas islâmicos são criacionistas também, mas em nenhum momento eles concordariam que foi tudo como relatado na Torah. Os hindus acham que o todo o Universo está contido no sonho de Brahma (o deus, não a cerveja). Bumba, o deus congolês, teria criado tudo através de seu vômito. Para os egípcios, Atun, criou a si próprio a partir do Num (o Nilo, a água primordial), por ter pronunciado o seu próprio nome, depois teve 2 gêmeos, um filho Chu (que representava o ar seco) e uma filha Tefnut (ar úmido).

Nenhum desses seres pode ser testado pra sabermos qual é o verdadeiro e qual é falso. A Falseabilidade não pode ser aplicada, e todo o conceito de “Ciência” é demolido. Sem o teste da falseabilidade, eu posso criar qualquer ser fantástico, como deuses, fadas, duendes, elfos, ainur etc.

O Criacionismo não está preocupado em provar suas hipóteses. Não podem, portanto, estabelecer teorias científicas, ficando apenas no conceito de “teoria” do senso comum. E lá no início nós vimos o que adianta o senso comum.

Não, não é essa a preocupação dos criacionistas. A preocupação deles, ou melhor, o medo deles reside na Teoria da Evolução. Eles fazem de tudo para desacreditá-la; alegam que é uma filosofia ateísta, que foi a causa de assassinatos pelo mundo, pela eugenia propalada pelos nazistas entre muitos outros absurdos. Tudo isso por MEDO de que seu castelo de cartas chamado “crença” desabe.

Pra início de conversa, ninguém disse que a Teoria da Evolução é uma filosofia ateísta, exceto os crentes. Porque, simplesmente, não é uma filosofia, é uma Teoria Científica (releia os primeiros parágrafos), devidamente embasada, evidenciada e PROVADA. Há ateus que aceitam-na como verdade, assim como algumas vertentes religiosas a aceitam integralmente, sem com isso perderem sua fé, como foi o caso da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR, para os íntimos). Não que eles aceitem de maneira imposta e dogmática e sim porque as atuais evidências provam que a Evolução é um fato mais do que demonstrado.

A Evolução nunca afirmou que um deus (seja ele qual for) não existe. Evolução trata unicamente de como os seres vivos sofrem mudanças adaptativas e como essas mudanças propiciam sua sobrevivência com o passar do tempo. Em nenhum documento oficial, tese de doutorado, dissertação, monografia, publicação indexada etc. vem escrito que a Teoria da Evolução prova que deuses não existem. A Ciência não tem a menor preocupação quanto a isso! Para a Ciência, rezar pra Javé, Ganesh, Qetzalcoatl, Ormuz Mazda, Zeus, Alá, Ísis, Odin, Oxalá, Tupã, Indra, Júpiter, Astarte, Ruad Rofessa entre outros milhões e milhões de deuses, venerados pela humanidade ao longo de todos esses milênios, é a mesma coisa que rezar pro Unicórnio Rosa Invisível, Monstro Espaguete Voador, Saci, Papai Noel ou qualquer outra figura arquetípica criada pela psique humana.

Levando para o lado dos mitos, Joseph Campbell diz: “Mito é como chamamos a religião dos outros”.

Mas, os fundamentalistas vêem a Teoria da Evolução como uma ameaça à sua fé frágil, posto que eles precisam… eles são obrigados a aceitar apenas a Criação, já que ela é baseada num dogma religioso. Dogmas não requerem provas, evidências, testes, comprovações, análises, comparações e coisas do tipo. Dogmas são impostos, nem que seja pela força.

Para esse grupo de fanáticos religiosos, é muito difícil… digo, é impossível separar qualquer coisa de sua religião. Assim, quando se deparam com algo estritamente independente de sua religião (seja ele qual for), eles se opõem diametralmente, sem sequer terem lido uma linha sequer sobre o assunto. Isso chama-se “alienação” (se bem que eu prefira usar o termo de “estupidez galopante”, mas é apenas um conceito meu).

E assim, começam os ataques infundados.

Alegam que os nazistas usaram o conceito de Seleção Natural para o holocausto. Alegam também que eles se basearam nos escritos de Friedrich Nietzsche. Isso é duplamente errado.

Primeiramente, Nietzsche nunca foi biólogo. Seu conceito de “super-homem” (que não tem nada a ver com Kal-El), deriva de sua idéia para um futuro adiante à sua (dele) vida, onde haveria a chegada de um super-homem, uma espécie de “messias” que restabelecesse a associação de “bom” e “justo” com “nobre” e “digno”, substituindo assim os tortos valores do cristianismo. Isso já explica o imenso motivo dos cristãos odiarem Nietzsche.

Filosofias à parte, o que isso tem a ver com a Seleção Natural? Nada! O conceito aqui é estritamente filosófico. Algo que aconteceria em termos de sociologia e antropologia.

Claro que os nazis aproveitaram este conceito em proveito próprio, mas discorrer sobre isso tomará muito tempo e não estamos num artigo sociológico, e sim uma análise de conceitos de evolução biológica.. Isso significa que uma discussão nessa linha é totalmente inútil no que concerne à Evolução e Godwin que se dane.

Criacionistas alegam que Hitler era grande admirador de Darwin. Particularmente, não vi nenhum livro ou um reles texto (salvo dos criacionistas) que ateste isso. E mesmo que seja verdade, fica a pergunta: E daí? Lembremos que aquele austríaco maluco era músico e amava Wagner e Mozart. Vamos dizer que a música clássica influenciou o Holocausto também? Que tal condenarmos Zubin Mehta ao Tribunal de Haia? Vamos encarcerar qualquer um que diga que é admirador de música clássica? Quanto absurdo, gente!

Mas, quando dizemos que Hitler era cristão, os criacionistas dizem que não era um cristão de verdade. Se ele tivesse seguido a Bíblia, ele seria um cara legal. Não haveria a eugenia, que é a busca do ser perfeito, vindo de uma “raça pura”.

Pena que a Teoria da Evolução nunca disse isso. Ela fala em um ser que já esteja adaptado ao ambiente, tendo condições de viver para reproduzir-se e gerar descendentes, seguindo uma tendência ad infinitum, salvo alguma catástrofe natural ocorra.

A contra-argumentação poderia levar ao conceito que Hitler nunca se baseou em escritos bíblicos para suas insanidades. Mas, não foi a Seleção Natural que disse:

Oséias 13:16 – Samária levará sobre si a sua culpa; cairá à espada; seus filhinhos serão despedaçados, e as suas mulheres grávidas serão fendidas.

Algumas versões bíblicas adicionam a fórmula “porque se rebelou contra seu deus”, mostrando que era uma limpeza étnica, matando quem não rezava para o mesmo deus. Mas, isso não era novidade, posto que já estava escrito em Número cap. 31, onde é relatada uma campanha genocida, invadindo uma terra que, supostamente, o deus Javé teria dado de presente, ao invés de entrar em paz e feito amizade com o povo.

Mas, Jesus veio e lavou tudo isso. Exceto pelo fato que ele tinha dito que nenhum til ou um jota será mudado da Lei, e que aquele que violasse um dos mandamentos (leia-se “Torah”), seria declarado o menor no Reino dos céus. (Mateus, cap. 5).

Muitas ordens estão na Bíblia e no Alcorão que ilustram com perfeição a xenofobia, a misoginia e a homofobia. E sob pena de morte inclusive para quem se recusar a cumpri-las! E os defensores mais fanáticos alegam que aquilo é a suprema vontade e ilustra a benevolência de um ser divino que criou tudo.

Mas, fora os pseudoargumentos sociológicos, existe algo que se possa usar em ciência biológica para comprovar que a Evolução não passa de mito? Veremos isso na próxima página.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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