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Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Evolução vs Criacionismo Parte III

Era uma vez um mundo malvado…

A história da vida na Terra começou há muito, muito tempo. Estima-se que há cerca de 3,5 bilhões de anos surgiram as primeiras moléculas capazes de fazerem réplicas de si mesmas, ainda que bem toscas. Como surgiram essas moléculas não é concernente à Teoria da Evolução. A Teoria da Evolução não se importa como surgiu a vida. Disso trata outra teoria científica (pesquisem sobre Oparin e Haldane). Evolução só se interessa por seres que já estão vivos e como eles se transformam ao longo do tempo.

Sabemos mais ou menos como os espécimes vivos do passado aparentavam por causa de seu registro fóssil. Se você não sabe, fósseis são quaisquer pistas que um determinado ser vivo deixa no ambiente que possa ser analisado. Um tecido celular, folha, uma pegada, ossos, pinturas rupestres etc. Tudo isso são registros que animais e plantas possam ter deixado para trás. Obviamente, quando falamos de pinturas rupestres, estamos sendo específicos para hominídeos, posto que uma samambaia dificilmente teria dotes artísticos (e não, não estou falando da Mulher Samambaia).

Um fóssil não se forma de uma hora pra outra. É um processo difícil e demorado; por isso, tal registro é escasso, se levarmos em conta a miríade de espécies que já caminharam, rastejaram, nadaram, voaram ou simplesmente ficaram paradonas no planeta. Nem todos os seres acabam fossilizados, o que significa que estamos ainda muito longe de conhecermos todas as espécies antigas da Terra. Isto é praticamente impossível, porque a fossilização depende muito do acaso.

A condição que favorece o processo de fossilização é o impedimento da decomposição, quando o ser vivo é enterrado, congelado ou fica sob a lama, entre outros casos. Se isto ocorre, pode ser que daí surja um fóssil para nos contar uma história – porém ainda existem outros fatores que impedirão o fóssil de chegar até nós de forma satisfatória. É que, mesmo fossilizado, ele pode se dissolver, através da erosão, ou ser quimicamente alterado ou distorcido, através de mudanças bruscas de temperatura e pressão. Alguma catástrofe pode destruir um registro fóssil, como um vulcão ou um bando de operários fazendo um buraco com uma escavadeira.

Mas, quando se encontra fósseis em bom estado de conservação, paleontólogos ficam muito felizes, pois mais um capítulo na história da Ciência será escrito. A parte da paleontologia que cuida do estudo dos processos de transmissão dos restos biológicos (ou melhor, da informação biológica) da Biosfera do passado para a Litosfera do presente chama-se “Tafonomia“, termo introduzido pelo paleontólogo soviético russo Ivan Antonovitch Efremov em 1940.

É interessante notar que alguns fósseis estão tão bem preservados que os cientistas são capazes de analisar os fragmentos de DNA do ser fossilizado. Pode-se examinar a morfologia em muitos dos casos, isto é, analisa-se a aparência externa (e interna também, caso o cientista seja sortudo) e, por fim, faz-se a datação, normalmente pelo método mais confiável existente: o de radioisótopos.

Seres vivos são formados basicamente por átomos de carbono (e não de silício e muito menos vindos de compostos de sílica, como barro, por exemplo). O carbono é tão importante, mas tão importante, que ele é a base de uma das divisões da Química: a Química Orgânica.

Praticamente, todos os elementos possuem mais de um isótopo (ver. Constituição da Matéria), e alguns desses isótopos sofrem decaimento radioativo (ver Radioatividade). E o carbono não é exceção. Seu primo mais conhecido é o carbono-14 (um átomo de carbono com massa atômica A = 14).

Isótopos radioativos sofrem decaimento a uma taxa absolutamente constante. Isso se chama “meia-vida”. No caso do carbono-14 (14C), sua meia-vida é igual a 5730 anos. Para simplificar, vamos dizer que eu disponho de 10 kg de carbono-14. Depois de 5730 anos, eu terei 5 kg de 14C. Depois de outros 5730 anos, eu terei 2,5 kg. Mais 5730 anos e terei 1,25 kg de 14C e assim sucessivamente.

Assim que um organismo morre, ele para de absorver novos isótopos de carbono-14. A relação de carbono 12 por carbono 14 no momento da morte é a mesma que nos outros organismos vivos, mas o carbono 14 continua a decair (sua quantidade sempre se reduz à metade depois de 5730 anos) e não é mais reposto, enquanto que o carbono-12 mantém sua quantidade constante. Ao olhar a relação entre carbono-12 e carbono-14 na amostra e compará-la com a relação em um ser vivo, é possível determinar a idade de algo que viveu em tempos passados de forma bastante precisa.

As limitações do teste de 14C residem na incapacidade de datar com precisão amostras muito “jovens” (200 anos em termos de radioatividade é algo muito recente), pois não dará para se perceber uma diferença significativa. Em amostras muito velhas (em termos de milhões de anos), as amostras de 14C serão muito, mas muito pequenas; assim, não se pode usá-lo para determinar a idade e dinossauros, por exemplo. Ela só é confiável para datar amostras de até 60 mil anos.

Por exemplo, há criacionistas que utilizam o método do carbono 14 para datação de fósseis de dinossauros, e obtém idades muito menores do que os estimados por cientistas da área de paleontologia, e depois utilizam estes “novos dados” de má-fé para “refutar” a Evolução, esquecendo-se de forma conveniente ou por pura ignorância (um exemplo pode ser visto, clicando-se aqui e aqui), de que este método não é válido para estas amostras, e sim outros métodos, como o Urânio por exemplo (ver Tempo Geológico). Fico pensando até onde vai a Lâmina de Hanlon nesse caso…

Para amostras antigas, usa-se o mesmo processo radioisotópico, mas empregando-se outros isótopos e análise das camadas estratificadas (camadas ou “estratos” de qualquer formação natural ou artificial que se encontrava em forma homogênea), isto é, analisando as rochas ao redor, pode-se presumir a datação do fóssil ali localizado. Quanto mais fundo, mais antigo será o fóssil.

Aliás, foi por causa disso que dois brasileiros ganharam o IgNobel de 2008, pois em sua pesquisa eles determinaram que a presença de tatus (que têm o hábito de cavar tocas fundas) poderia alterar a datação de alguns artefatos arqueológicos.

Para maiores informações sobre datações geológicas, recomendo este texto da UFRGS.

Bem, foi com base no registro fóssil que Darwin complementou muito de suas pesquisas.

Muito falamos de Seleção Natural aqui, mas talvez ainda não deve estar claro o que é isso. Os seres vivos estão constantemente competindo. Não por salários ou cargos eletivos, mas pela vida. Assim, quem tiver um pouquinho a mais de vantagens, consegue sair vitorioso. E se esse animal, ou planta, conseguir viver o suficiente pra cruzar e gerar descendentes, essas habilidades poderão (ou não) ser passadas adiante.

Essa competição não é consciente. Os animais e plantas simplesmente procuram sobreviver da melhor maneira e acasalar. Um leão não mata uma zebra por prazer, mata porque está com fome. Claro que isso dá o que pensar sobre a necessidade dos seres humanos consumirem carne, pois não estamos limitados aos nossos instintos. Mas, isso é tema para outros debates e não cabe discutir isso aqui.

Usando este exemplo do leão, se ele não estivesse adaptado pra correr atrás do seu almoço (sim, eu sei que quem caça é a fêmea, mas me refiro à espécie de uma maneira geral), ele morreria de fome. Mortos não se reproduzem e muito menos geram descendentes. Assim, o leão que apareceu mais saudável, com maiores condições de caça, tem maior probabilidade de se alimentar. Os que não tiveram condições de caçar, não necessariamente fracos, mas com alguma deformidade nas patas, por exemplo, não conseguiria tal feito.

Enfim, para sermos sucintos, podemos afirmar com certeza de que a vida devora a vida, para se manter viva. Não tem como alguém chegar e dizer “olhe a natureza, veja como é perfeita” e fingir que não viu o que realmente acontece à sua frente. Só acho que pessoas assim deveriam ser mais cuidadosas. Sempre pode ter um animal faminto à espreita. 😉

Da mesma maneira que os animais competem por comida, eles também competem sexualmente, a fim de se tornarem mais “vistosos” e ganhar namoradinhas. Assim, eles podem arrumar parceiras, saírem pra ir num cineminha, tomar um chopp e partir pra sacanagem depois. Não, você não leu errado e eu não cometi enganos, as fêmeas é que escolhem.

Um exemplo perfeito é o pavão. O senso comum (eu já falei que o senso comum não serve pra nada?) diz que ele seria uma presa perfeita, logo não poderia viver o suficiente pra gerar descendentes, certo? Sim, tão certo que pavões não existem, né?

O que acontece é que pavões e seus rabos coloridos (que só os machos possuem) só se mostram quando há fêmeas por perto. E por que isso? Pelo fato que para erguer e abrir um rabão daqueles demanda certa força física. É um modo dele dizer “Aí, gata pavoa, olha só como sou saudável e sem doenças. Sou forte e serei um pai e tanto, gerando filhotes fortes como eu”. As fêmeas examinam qual deles é o mais saudável e… bem, o resto você sabe.

O mesmo acontece com certos peixes africanos chamados Pundamilia, onde alguns deles sofreram especiação e as fêmeas de profundidades maios preferem machos de cores vermelhas, pois esta banda do espectro consegue penetrar melhjor na água. Já as fêmeas que vivem próximo à superfície preferem machos de colorações azuladas. Sobre isso, vocês poderão ler melhor AQUI.

As mudanças não se restringem apenas a quem será o mais sexy do ambiente. As mutações ocorrem nos genes e quando algum deles muda, como foi dito acima, pode-se ter coisas que farão muita diferença no final das contas. Um exemplo é a anemia falciforme; e ela acontece mais em pessoas de etnia negra. O interessante nela é que esta doença tem um efeito colateral: ela serve de prevenção contra a malária. Eu não estou bem certo se isso é algo inteligente. Eu teria dado imunização às duas doenças, mas isso sou eu…

Se o ambiente muda drasticamente, como a quando o ocorreu devido à queda de um meteoro há 65 milhões de anos, pode haver sérias conseqüências. No referido caso, um imenso meteoro caiu na península de Yucatán, México, abrindo a cratera chamada Chicxulub (clique AQUI para ver os maiores impactos de meteoros na Terra).

O impacto foi extremamente violento! A uma velocidade de 25 km/s (eu disse “quilômetros por segundo”) atingiu a Terra com uma força estimada em cerca de cinco bilhões de bombas atômicas, semelhantes às que caíram em Hiroshima. Catástrofe é pouco para definir este acontecimento! O impacto gerou uma onda de choque que varreu o planeta de lado a lado, matando a maior parte dos grandes animais e incendiando florestas por causa da imensa energia cinética liberada. Foram lançados na atmosfera milhares de toneladas de pedras, terra e pó. Toda essa “sujeira” ficou pairando no ar, refletindo os raios do Sol. O artigo original que desvendou o enigma da extinção dos dinossauros, publicado por Alvarez, pode ser visto AQUI.

O planeta ficou imerso na escuridão e, com isso, das poucas plantas que restaram, a maioria não pôde fazer fotossíntese para se alimentar. Sem alimento, essas plantas começaram a morrer e, com elas, os herbívoros. Sem os raios do Sol, a temperatura no planeta começou a cair, gerando um terrível inverno nuclear. Somente animais de pequeno porte, que possuíssem sangue quente, necessitassem de pouca comida e capazes de digerir proteínas animais (isto é, carnívoros) poderiam sobreviver.

Se bem que há uma hipótese que não foram as partículas de poeira que impediram a fotossíntese e sim nuvens sulfurosas acarretadas pelo impacto, conforme informou a Ciência Hoje.

Foi a ascensão dos mamíferos! Eles eram os que mais estavam adaptados ao novo ambiente e, assim, começou o seu domínio, dividindo-se em novas ordens, classes etc. Alguns se tornaram primatas e parte desses primatas tomou uma outra direção evolutiva, tornando-se seres humanos. Tudo isso é baseado em evidências e provas, atestando que a Evolução é um fato que continua a ocorrer a cada dia, cada hora, cada minuto e cada segundo.

Na próxima página, veremos outras versões de como se deu a diversidade biológica mediante a Evolução.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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