Grandes Nomes da CIência

Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Evolução vs Criacionismo Parte I

O Mecanismo da Ciência

A Teoria da Evolução, vulgar e erroneamente chamada de “Evolucionismo” ou, pior ainda, “Darwinismo”, é a teoria científica que explica como surgiu a imensa diversidade das espécies. Mas, o que é uma Teoria Científica e o que é uma espécie?

As pessoas leigas confundem Teoria Científica com a palavra “teoria” que, no senso comum, significa “algo que não foi provado como verdadeiro a priori”. Entretanto, há muita diferença entre elas.

O senso comum nunca serviu para muita coisa no mundo científico. Ele é baseado em impressões, em histórias passadas de boca-em-boca, de visões particulares de como as pessoas sem conhecimento específico observam o mundo. Não que isso seja completamente errado; ninguém exige que você seja um expert em tudo. Mas, no mundo acadêmico, “impressões”, “palpites” e “achismos” não têm muita validade. Eu digo que não tem muita validade, pois até mesmo cientistas seguem palpites, mas isso veremos já, já.

O senso comum serve para as pessoas no dia-a-dia. Falamos que o Sol se põe às 18 horas, por exemplo. E, realmente, se acompanharmos o Sol em sua trajetória, veremos que ele “nasce” no leste, caminha pelo céu e se põe no oeste. Nada de errado nisso.

Mas, qualquer um que estude fundamentos de ciência, sabe que o Sol está praticamente parado em relação ao Sistema Solar, que na verdade os planetas é que se movem. Um caso similar podemos ver todos os dias. Se sentarmos dentro um ônibus, quando ele começar a se mover, a nossa impressão, o nosso senso comum, diz que as pessoas nas calçadas, assim como postes, carros, casas etc. é que estão se movendo, enquanto nós, passageiros, é que estamos parados. Isso nós podemos evidenciar fácil, já que eu posso ver o motorista lá na frente paradinho, sentado em sua cadeira.

Um estudante de Física sabe que os passageiros desse ônibus não estão parados em relação às pessoas nas calçadas, mas sim parados em relação ao motorista. Tanto as pessoas quanto o motorista são meros referenciais, sob os quais eu comparo meu estado (em movimento ou parado).

Para as pessoas na rua, eu e o motorista estamos em movimento. Para um carro que venha em sentido oposto ao nosso, as pessoas na calçada se movem em sentido oposto ao nosso também, e nós (eu e o motorista) estamos nos movimentando mais rápido ainda, já que são somadas as velocidades do ônibus e do carro.

Nossas sensações são, portanto, imprecisas. Nosso senso comum é, com isso, algo totalmente inútil.

A Ciência precisa de dados precisos, precisa de parâmetros exatos, precisa de algo em que se apoiar que seja universal e único, ou seja, que não dependa de parâmetros que variem de uma hora para outra em diferentes lugares (em breve, um artigo sobre Medições e Dimensões. Aguardem).

Para tanto, ela estipula conceitos e métodos. E um método seguido universalmente pela Ciência é chamado de… Método Científico!

Segundo o Método Científico, no decorrer de uma pesquisa nós devemos cumprir algumas etapas, por assim dizer. Bem, o primeiro passo é uma… idéia! Sim, uma idéia.

Claro que nem sempre se começa com uma idéia. Muitas descobertas científicas foram feitas ao acaso; mesmo porque, Fleming nunca deixaria mofo crescer em suas placas de Petri assim, sem mais nem menos ou por pura diversão, do mesmo modo como Horace Wells prestou atenção num show de mágica e viu que algumas pessoas não sentiam dor sob o efeito de gás hilariante (a saber, óxido nitroso, N2O).

Um cientista precisa começar de algum ponto, então ele pode partir do princípio com um palpite. Esse palpite baseia-se num pensamento “e se…?”. A essa idéia chamamos “hipótese”, mas apesar do nome chique, ainda é uma idéia.

O cientista em questão fará várias observações e foi isso o que Darwin fez, quando esteve nas Galápagos. Ele demorou 30 anos para esboçar sua teoria, mas já veremos isso.

Ao observar um evento, um cientista criará alguma idéia que o leve a explicar este evento. Para isso, ele terá que fazer mais pesquisas para saber se aquele evento aconteceu por acaso ou é algo comum. Tendo a sua idéia – a sua hipótese – ele vai fazer experimentações (se possível, mas isso não é obrigatório). Em prosseguimento, o cientista vai fazer algo que pode parecer absurdo para as demais pessoas. Ele vai tentar destruir sua própria hipótese!

É, é isso mesmo! Para que esta teoria seja válida, ela terá que ser falseável, isto é, ela terá que apresentar alguma possibilidade de estar errada. Para que a referida proposição seja refutável ou falseável, o cientista lançará mão de observações e experimentos que tente mostrar que essa proposição seja falsa. Ele vai tentar imaginar qualquer coisa que impossibilite que sua hipótese seja verdadeira. Se ele não conseguir nada que faça a hipótese dele cair por terra, o cientista senta-se calmamente e dá à sua pesquisa o status de Teoria.

Suponha que você veja um corvo preto. Então, há a probabilidade de haver um corvo branco? Sim, há. Se você não experimentar nem quiser sequer observar se existem corvos brancos, você não poderá afirmar “Todos os corvos são pretos”. Você pode até afirmar que alguns corvos são pretos, mas não poderá atestar que TODOS os corvos sejam pretos. Se você não pode observar, se você não pode experimentar, se você sequer pode estudar um objeto, ele não é falseável e, para a Ciência, ele não poderá ser levado em conta. Achismos não levam a lugar nenhum.

Tendo visto que sua proposição é falseável e que resistiu a todos os exames e testes para determinar se a sua teoria é válida e sem erros (pelo menos, aparentes), o cientista publicará o seu trabalho para que outros cientistas o examinem, para saber se há algum furo. Diferente das demais categorias, não há (muito) corporativismo. Os responsáveis pelos veículos de divulgação científica farão um exame minucioso para saber se aquela hipótese é algo digno de ser de conhecimento no mundo. O trabalho passará pelo terror chamado refereeing, onde vários examinadores buscarão, não comprovar, mas DERRUBAR as alegações, através de mínimas inconsistências. Se tiver, eles rejeitam. Mesmo que seja para deixar o texto o mais claro possível. Eu não conheço um único trabalho que foi aprovado logo de início. Isso vale para um artigo na Nature, uma defesa de monografia até um exame para determinação de um prêmio Nobel.

Uma Teoria Científica resistiu a todo esse processo. As pessoas tendem a achar que as Leis Científicas são o topo da hierarquia na Ciência; mas estão enganadas. O senso comum (ha-ha!) está acostumado a pensar (?) que Leis são o supra-sumo de tudo; mas, como sempre, o senso comum perde feio pro Método Científico. As Leis Científicas são proposições muito generalizadas. Elas explicam uma idéia geral de como uma coisa funciona em TODAS as partes do Universo.

Para citar um exemplo, vejamos a Lei da Gravitação Universal.

Newton disse que corpos atraem-se mutuamente de acordo com uma força diretamente proporcional às massas desses corpos e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separam. Ou seja, se você, meu caro estiver a uma distância igual entre a Ellen Roche e o Rei Momo, eu posso afirmar com certeza que você será atraído gravitacionalmente para o Rei Momo. Desculpe, mas a verdade é essa. Sua sorte (ou azar, vai saber) é que a Gravidade é uma força muito, muito fraca. Se a Gravidade fosse uma força forte, um ímã não tiraria uma moeda que está sobre o chão. Agora, leve em conta o tamanho da Terra e o tamanho do ímã e da moeda.

Essa atração entre os corpos acontece aqui na Terra (que por sinal você a está atraindo e a Terra o atrai igualmente), em Plutão (mesmo deixando de ser planeta), em Alfa de Centauro, na Galáxia M-81, nos confins do último planeta que gira ao redor da última estrela, na última galáxia do Universo (supondo que realmente exista algo de último no Universo).

Interessante, não? Mas, o que a explicou? (Me refiro à Gravidade e não a Ellen Roche) Nem mesmo Newton sabia o que causava a Gravidade! Ele apenas apontou o efeito e as fórmulas matemáticas que dimensionam este efeito. Mas, não o por que deste efeito acontecer.

Einstein, com sua Teoria da Relatividade, explicou a causa disso acontecer (corpos massivos distorcem o espaço-tempo e isso provoca ao deslocamento dos corpos em direção uns aos outros).

A Gravidade existe? Pule no alto do 50º andar e volte aqui pra me dizer. Eu fiz isso hoje e pude comprovar que sim, eu fui atraído pro chão de novo (me refiro ao chão do respectivo andar, eu sei muito bem que a Gravidade funciona para eu evitar um pulo do 50º andar, ao invés de pular no 50º andar).

Creio que deu pra entender a BURRICE de alegar que uma Teoria Científica é apenas uma teoria.

O que isso tem a ver com Evolução? Muita coisa!

Darwin, em seus estudos, percebeu que as espécies são diferentes. Algumas pessoas podem achar que isso é um imenso lampejo do óbvio, mas lembrem-se que ainda existem pessoas que acham que formigas são todas iguais, que peixes são todos iguais etc. E até teriam razão, se não fosse o fato que existe uma coisa chamada Divisão Taxonômica.

Agora, a coisa começa a esquentar 😀

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας