Grandes Nomes da CIência

Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Porque sou agnóstico

IV

Todo o tempo estava alheio a quaisquer ciências, desconhecia totalmente o outro lado – não sabia nada sobre todas as objeções levantadas contra as Sagradas Escrituras ou contra o perfeito credo Congregacional. Obviamente tinha ouvido os ministros falarem sobre blasfemadores, infiéis infames e zombeteiros que riam das coisas sacras. Eles não refutaram seus argumentos, mas despedaçaram seu caráter e demonstraram através da fúria assertiva que estavam a serviço do Diabo. Mesmo assim, apesar de tudo que ouvi, apesar de tudo que li, não conseguia acreditar. Meu coração e minha mente diziam Não.

Por algum tempo abandonei os sonhos, as insanidades, as ilusões, as desilusões e os pesadelos da teologia. Estudei um pouco de astronomia; examinei os mapas dos céus; aprendi os nomes de algumas das constelações, de algumas estrelas; pesquisei algo sobre seus volumes e velocidades com que giravam em suas órbitas; obtive uma modesta noção dos espaços astronômicos; descobri que algumas das estrelas conhecidas estavam tão distantes nas profundezas do espaço, que sua luz, viajando a trezentos mil quilômetros por segundo, levava vários anos para atingir este pequeno planeta; descobri que, quando comparada às grandes estrelas, nossa Terra reduzia-se a um simples grão de areia, um átomo; descobri que a velha crença de que o exército dos céus [estrelas] havia sido criado em benefício do homem era infinitamente absurda.

Comparei o que realmente se conhecia sobre as estrelas com a narração conforme o Gênesis. Descobri que o autor do livro inspirado não tinha qualquer conhecimento de astronomia – que era tão ignorante quanto um selvagem. Alguém imagina que o autor do Gênesis realmente sabia algo sobre o Sol, sobre seu tamanho? Que estava familiarizado com Sirius, a estrela do Norte? Que conhecia algo sobre as constelações tão distantes que sua luz levou dois milhões de anos para chegar aos nossos olhos?

Se tivesse consciência desses fatos, teria dito que Jeová trabalhou por quase seis dias para fazer este mundo, mas apenas levou parte da tarde do quarto dia para fazer o Sol e Lua e todas as estrelas?

Todavia, milhões de pessoas insistem que o escritor do Gênesis estava inspirado pelo Criador.

Agora, os homens inteligentes que não estão amedrontados, cujos cérebros não foram paralisados pelo medo, sabem que a sagrada história da criação foi escrita por um selvagem ignorante. Sabem que a história é incompatível com os fatos conhecidos e que todas as estrelas que reluzem nos céus atestam que seu autor era um bárbaro isento de qualquer inspiração.

Admito que o desconhecido autor do Gênesis foi sincero, que escreveu o que acreditava ser a verdade, que fez o melhor que pôde. Ele não alegou estar inspirado, não fingiu que a história lhe havia sido contada por Jeová, mas simplesmente expôs os “fatos” assim como os compreendia.

Após aprender um pouco sobre as estrelas, conclui que este escritor – este escriba “inspirado” – havia sido iludido por mitos e lendas, e que não sabia mais sobre a criação que o teólogo médio de meu tempo. Em outras palavras, não sabia absolutamente coisa alguma.

Permitam-me, aqui, dizer aos ministros que estão me contestando para virarem suas armas noutra direção. Esses reverendos deveriam atacar os astrônomos. Deveriam anatematizar e envilecer Kepler, Copérnico, Newton, Herschel e Laplace, pois estes homens foram os verdadeiros destruidores da história sagrada. Então, após terem-se livrado deles, podem mover guerra contra as estrelas e contra o próprio Jeová, por ter fornecido evidências contra a veracidade de seu livro.

Depois estudei um pouco de geologia. Apenas o suficiente para conhecer algo sobre as principais descobertas e as conclusões a que se havia chegado. Aprendi algo sobre a ação do fogo e da água; sobre a formação das ilhas e dos continentes; sobre as rochas sedimentares e ígneas; sobre as medidas de carvão; sobre escarpas calcárias; algo sobre recifes de coral; sobre os depósitos criados por rios, sobre o efeito dos vulcões, das geleiras e de todo o mar circundante – apenas o suficiente para concluir que as rochas laurencianas(1) eram milhões de anos mais antigas que a grama sob meus pés; apenas o suficiente para sentir-me seguro de que este planeta tem feito sua rota ao redor do Sol, alternando entre dia e noite, por centenas de milhões de anos; apenas o suficiente para saber que o autor “inspirado” não sabia coisa alguma sobre a história da Terra; que não entendia qualquer coisa sobre as grandes forças da natureza – sobre o vento, as ondas e o fogo –, sobre as forças que vêm destruindo e construindo, que vêm arruinando e criando através de incontáveis anos.

E me permitam mais uma vez dizer aos ministros que não devem desperdiçar seu tempo me contestando. Devem contestar os geólogos. Devem negar os fatos descobertos. Devem arremessar suas maldições contra os oceanos blasfemos e investir suas cabeças contra as rochas infiéis.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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