Grandes Nomes da CIência

Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Porque sou agnóstico

Tivemos Edwards em A Vontade, no qual o reverendo autor demonstra que a necessidade não influi na responsabilidade – e que quando Deus cria um ser humano, e ao mesmo tempo determina e decreta exatamente o que este fará e será, o ser humano é responsável, e Deus, em sua justiça e misericórdia, tem o direito de torturar a alma deste humano eternamente. Mesmo assim Edwards dizia que amava a Deus.

O fato é que, se você acredita num Deus infinito e também na punição eterna, então precisa admitir que Edwards e Calvino estavam absolutamente certos. Admitindo-se as suas premissas, não há como escapar às suas conclusões. Eles eram infinitamente cruéis, suas premissas infinitamente absurdas, seu Deus infinitamente mau e sua lógica perfeita.

Ainda assim, tenho bondade e integridade suficientes para dizer que Calvino e Edwards eram ambos insanos. Tivemos muita literatura teológica. Havia Jenkyn sobre a Expiação, que demonstrou a sabedoria de um Deus que inventou um modo através do qual o sofrimento inocente poderia justificar os culpados. Tentou demonstrar que as crianças poderiam ser justamente punidas pelos pecados de seus ancestrais e que homens poderiam, se tivessem fé, ser justamente creditados com as virtudes dos outros.

Nada poderia ser mais devoto, ortodoxo e idiota. Mas nem toda a nossa teologia era em prosa. Tivemos Milton, com sua milícia celestial, com seu grande e desajeitado Deus, seu orgulhoso e astuto Demônio – suas guerras entre imortais e todas as sublimes absurdidades que a religião imprimiu na mente de homens cegos.

A teologia ensinada por Milton era estimada pelo coração dos puritanos. Foi aceita pela Nova Inglaterra, envenenando as almas e arruinando as vidas de milhares. Nem o gênio de Shakespeare seria capaz de tornar a teologia de Milton poética. Na literatura mundial não há qualquer coisa mais completamente absurda – salvo os “livros sagrados”.

Tivemos Pensamentos Noturnos de Young, e eu supunha que o autor era um indivíduo excepcionalmente e apaixonadamente devoto ao Senhor. Young desejava muito ser um bispo, e para tal fim fez campanha eleitoral junto à esposa do rei. Em outras palavras, ele era um bom e velho hipócrita. Em Pensamentos Noturnos são raras as linhas genuinamente honestas, naturais. É pretensão do início ao fim – não queria escrever o que sentia, mas o que pensava que deveria sentir.

Tivemos Curso do Tempo de Pollock, com seu verme que nunca morre, suas chamas inexauríveis, suas aflições sem fim, seus demônios maliciosos e seu Deus perversamente exultante. Este aterrorizante poema deveria ter sido escrito num manicômio. Nele se encontram todos os gritos, gemidos e guinchos dos maníacos quando rasgam e despedaçam a carne um dos outros. É tão cruel, horrendo e infernal quanto o 32o capítulo de Deuteronômio.

Todos conhecemos o belo hino que se inicia com esta alegre linha: “Ouve-se das tumbas um som tormentoso”. Para poderia ser mais apropriado às crianças. Não há problema em colocar um caixão onde pode ser avistado do berço. Enquanto uma mãe amamenta seu filho, uma sepultura aberta deve estar aos seus pés. Isto tende a tornar o bebê sério, reflexivo, religioso e miserável.

Deus odeia o riso e despreza a alegria. Sentir-se livre, desatado, irresponsável, alegre; esquecer-se do rigor e da morte; inundar-se com a luz do Sol sem medo da noite; esquecer-se o passado, não criar expectativas quanto ao futuro, nenhum sonho de Deus, céu ou inferno; embriagar-se do presente; ter consciência somente do abraço e beijo do ser amado – tudo isto é pecado contra o Espírito Santo.

Tivemos também os poemas de Cowper. Cowper era sincero, o oposto de Young. Tinha um olho observador, um coração sensível e um senso artístico. Simpatizava com todos os sofredores – os encarcerados, os escravizados e os desterrados. Amava o belo. Não surpreende que a crença na punição eterna tenha enlouquecido esta amável alma. Não surpreende que as “boas novas” tenham apagado a grande estrela da Esperança, deixando seu coração despedaçado na escuridão do desespero.

Tivemos muitos volumes de sermões ortodoxos repletos da ira e do terror do julgamento final – sermões concebidos por santos selvagens.

Tivemos o livro de Mártires, demonstrando que os cristãos por muitos séculos imitaram o Deus ao qual adoravam. Tivemos a história de Waldenses – da reforma da Igreja. Tivemos o Progresso de Pilgrim, a Chamada de Baxter e a Analogia de Butler.

Para falar no palavreado ocidental, acho que o Bispo Butler encontrou mais cobras do que matou – sugeriu mais dificuldades que explicações, mais dúvidas que respostas.
Minha juventude passou-se em meio a estes livros. Todas as sementes do cristianismo – da superstição – foram semeadas e cultivadas em minha mente com grande diligência e esmero.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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