Grandes Nomes da CIência

Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Porque sou agnóstico

Nada me da mais prazer que a consciência de que a crença na punição eterna está se desvanecendo a cada dia, que milhares de ministros se envergonham dela. Alegra-me saber que os cristãos estão se tornando compassivos, tão compassivos que as chamas do inferno estão extenuando-se – enfraquecidas, abafadas pelas cinzas, destinadas a morrer definitivamente em poucos anos.

Por séculos a cristandade era um manicômio. Papas, cardeais, bispos, padres, monges e hereges eram todos malucos.

Apenas alguns poucos – quatro um cinco em um século – tinham o coração e a mente íntegros. Apenas alguns poucos – apesar do rugido, do estrondo, dos gritos selvagens – ouviram a voz da razão. Apenas alguns poucos – em meio à selvagem fúria da ignorância, do medo e do fervor – preservaram a perfeita calma que a sabedoria proporciona.

Nós temos avançado. Esperamos que, dentro de alguns anos, os cristãos tornem-se humanos e sensíveis o suficiente para negarem o dogma que preenche infindáveis anos com sofrimento. Deveriam saber que este dogma é profundamente incompatível com a sabedoria, com a justiça e com a bondade de seu Deus. Deveriam saber que a crença no inferno dá ao Espírito Santo – a Pomba – um bico de abutre e coloca presas de víbora na boca do Filho de Deus.

III

Em minha juventude li livros religiosos – livros sobre Deus, sobre a expiação, sobre a salvação através da fé e sobre os outros mundos. Familiarizei-me com os comentaristas – com Adam Clarck, que pensava que a serpente havia seduzido nossa mãe Eva, que era de fato o pai de Caim. Ele também acreditava que os animais, enquanto estavam na arca, tiveram suas naturezas transformadas a ponto de comerem palha juntos e desfrutarem da companhia uns dos outros – com isso prefigurando o milênio abençoado. Li Scott, um teólogo nato, que realmente pensava que a história de Phaetom – sobre os cavalos selvagens cruzando os céus – corroborava a história de Josué sobre o Sol e a Lua terem parado.

Então li Henry e Macknight, e descobri que Deus amava tanto o mundo que decidiu amaldiçoar a grande maioria da humanidade. Li Cruden, que fez a grande Concordância, tornando os milagres tão modestos e prováveis quando pôde.

Lembro-me de que ele explicou o milagre da alimentação dos judeus errantes com codornas dizendo que mesmo atualmente um imenso número de codornas cruza o Mar Vermelho, e que, quando se ocasionalmente se cansavam, pousavam em navios que afundavam com seu peso. O fato de que a explicação era tão improvável quanto o milagre não fez diferença ao devoto Cruden.

Há algum tempo li os Institutos de Calvino, um livro que visa produzir, em qualquer mente natural, um considerável respeito pelo Demônio.

Li as Evidências de Paley e concluí que a evidência da ingenuidade na produção do mal, na criação da dor, era no mínimo tão boa quando a evidência que tende a demonstrar a presença de inteligência na criação do que denominamos bem.

O argumento do relógio foi o maior esforço de Paley. Um homem encontra um relógio e, por este por ser tão maravilhoso, ele conclui que teve necessariamente um criador. Encontrando o criador do relógio, vê que este é muito mais maravilhoso que o relógio, concluindo então que este também deveria ter sido criado. Então encontra Deus, o criador do homem, o qual é tão mais maravilhoso que o homem que não poderia ter tido um criador. Isso é o que os advogados chamam de desvio de petição.

De acordo com Paley, não pode haver um projeto sem um projetista, mas pode haver um projetista sem um projeto. A maravilha do relógio sugere um relojoeiro, a maravilha do relojoeiro sugere um criador, mas a maravilha deste criador demonstrava que não havia sido criado – que era incausado e eterno.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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