Grandes Nomes da CIência

Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Porque sou agnóstico

II

Desde minha infância tenho ouvido leituras e lido eu próprio a Bíblia. Nas manhãs e noites a Sagrada Escritura era aberta e orações eram proferidas. A Bíblia foi minha primeira história, os judeus eram o primeiro povo; os eventos narrados por Moisés, por outros escritores inspirados e aqueles previstos pelos profetas eram as coisas de suma importância. Em outros livros havia pensamentos e sonhos dos homens, mas a Bíblia continha as sagradas verdades de Deus.

Contudo, apesar do ambiente, apesar de minha educação, não tinha amor por Deus. Ele era tão comedido em compaixão, mas tão extravagante em violência, são sequioso para matar, tão diligente no assassinar, que na realidade o odiava com todo o meu coração. A seu comando bebês foram mortos, mulheres violadas e trêmulos cabelos brancos manchados de sangue.

Este Deus visitou o povo com pestilência – encheu casas e cobriu ruas com mortos e moribundos –, viu bebês morrerem de fome nos seios secos de mães pálidas, ouviu os choros, viu as lágrimas, as faces cadavéricas, os olhos sem percepção, as recém-construídas sepulturas, e ainda assim permaneceu tão impassível quanto a pestilência.
Este Deus obstruiu chuvas, causou fome – viu toda a ferocidade contida nos olhos da fome –, viu a disformidade, os lábios pálidos, as mães devorando seus bebês, e permaneceu tão impetuoso quanto a fome.

Para mim parece impossível a um homem civilizado amar, adorar ou respeitar o Deus do Velho Testamento. Um indivíduo realmente civilizado deve tratar tal Deus com repugnância e desprezo.

Mas nos velhos tempos as pessoas boas justificavam as atitudes de Jeová quanto aos pagãos. Os infelizes que foram assassinados eram idólatras e, assim, não deviam viver.

De acordo com a Bíblia, Deus nunca se revelou a esses povos, e sabia que sem uma revelação era impossível que soubessem ser ele o verdadeiro Deus. Então de quem era a culpa por serem pagãos?

Os cristãos diziam que Deus tinha o direito de destruí-los porque os criou. Mas então os criou para que, se quando o fez, sabia que se tornariam alimento do aço de espadas e que teria prazer em vê-los sendo assassinados?

Como último argumento, como desculpa final, os adoradores de Jeová disseram que todas essas coisas terríveis se sucederam sob o “velho código” de leis ríspidas, da justiça absoluta, mas que agora, sob um “novo código”, tudo havia mudado: a espada da justiça foi embainhada e o amor entronado. No Velho Testamento, diziam, Deus é o juiz, mas, no Novo Testamento, o juiz é Cristo, o misericordioso. Em verdade, o Novo Testamento é incalculavelmente pior que o Velho. No Velho não há a punição eterna. Jeová não tinha prisões nem chamas perpétuas. Seu ódio cessava com a morte. Sua sede de vingança saciava-se com a morte do inimigo.

No Novo Testamento a morte não é o fim, mas o começo de uma punição interminável. No Novo Testamento a maldade de Deus é infinita e sua ânsia por vingança é eterna.
O Deus ortodoxo, quando em forma humana, disse a seus discípulos que não resistissem ao mal, que amassem seus inimigos e que, se atingidos numa face, que oferecessem também a outra (Cf. Mateus 5). Ainda assim, dizem que este mesmo Deus, com os mesmos lábios amorosos, proferiu estas palavras monstruosamente diabólicas: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos” (Cf. Mateus 25:41).

Essas são as palavras do “amor eterno”.
Nenhum ser humano tem imaginação suficiente para conceber este horror infinito.

Tudo que a humanidade sofreu com as guerras, com a pobreza, com a pestilência, com a fome, com o fogo e com o dilúvio, todo o pavor e toda a dor de todas as doenças e de todas as mortes – tudo isso se reduz a nada quando posto lado a lado com as agonias que se destinam às almas perdidas.

Este é o consolo da religião cristã. Esta é a justiça de Deus – a misericórdia de Cristo.

Este dogma aterrorizante, esta mentira infinita: foi isto que me tornou um implacável inimigo do cristianismo. A verdade é que a crença na danação eterna tem sido o verdadeiro perseguidor. Fundou a Inquisição, forjou as correntes e construiu instrumentos de tortura. Obscureceu a vida de muitos milhões. Tornou o berço tão terrível quanto o caixão. Escravizou nações e derramou o sangue de incontáveis milhares. Sacrificou os melhores, os mais sábios, os mais bravos. Subverteu a noção de justiça, derriscou a compaixão dos corações, transformou homens em demônios e baniu a razão dos cérebros.

Como uma serpente peçonhenta, rasteja, sussurra e se insinua em toda crença ortodoxa.

Transforma o homem numa eterna vítima e Deus num eterno demônio. É o horror infinito. Cada igreja em que se ensina esta idéia é uma maldição pública. Todo pregador que a difunde é um inimigo da humanidade. Em vão se procuraria uma selvageria mais ignóbil que este dogma cristão. Representa a maldade, o ódio e a vingança sem fim.

Nada poderia tornar o inferno pior, exceto a presença de seu criador, Deus.

Enquanto estiver vivo, enquanto estiver respirando, negarei esta mentira infinita com toda minha força, a odiarei com cada gota de meu sangue.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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