Grandes Nomes da CIência

Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Porque sou agnóstico

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Se este Deus existe, deve ser uma pessoa, um ser consciente. Quem é capaz de imaginar uma personalidade infinita? Este Deus deve possuir força, e não somos capazes de conceber força separadamente da matéria. Este Deus deve ser material. Deve possuir meios através dos quais transforma força no que denominamos pensamento. Quando pensa, usa força, e esta força precisa ser restituída. Ainda assim, nos dizem que ele é infinitamente sábio. Se for, então ele não pensa. O pensamento é uma escada, um processo pelo qual chegamos a uma conclusão. Aquele que já conhece tudo não pensa. Não pode ter esperanças ou temores. O conhecimento perfeito exclui a paixão, a emoção. Se Deus é infinito, não tem desejos, pois já possui tudo, e quem não deseja, não age. O infinito jaz na serenidade eterna.

Conceber tal ser é tão impraticável quando imaginar um triângulo quadrado ou um círculo sem diâmetro. Ainda assim nos dizem que temos o dever de amar a Deus. Podemos amar o desconhecido, o inconcebível? É possível que o amor surja por obrigação? É nosso dever agir com justeza, com honestidade, mas amar não pode ser imposto como dever. É impossível obrigar alguém a admirar um quadro, a encantar-se com um poema ou a emocionar-se com uma música. A admiração não pode ser controlada. O amor e o gosto não estão sujeitos à vontade. O amor é necessariamente livre, surge do coração como o perfume de uma flor.

Há incontáveis anos os homens e as mulheres vêm tentando amar os deuses, tentando abrandar seus corações e conseguir sua ajuda.

Vejo-os todos, o panorama desfila ante meus olhos. Vejo-os com as mãos estendidas e os olhos reverentemente fechados em adoração ao Sol. Vejo-os curvando-se diante de meteoritos por medo; suplicando a serpentes, bestas e árvores sagradas; rezando para ídolos esculpidos em madeira e pedra. Vejo-os erigindo altares para poderes invisíveis e manchando-os com o sangue de crianças e animais. Vejo incontáveis padres e ouço seus cantos solenes. Vejo as vítimas moribundas, os altares fumegantes, os incensários pendulantes e as nuvens elevando-se. Vejo homens semideuses – os desafortunados Cristos de muitas terras. Vejo acontecimentos triviais do dia-a-dia se transformando em milagres ao serem passados de boca a boca. Vejo os profetas insanos lendo o livro secreto do destino através de sinais e sonhos. Vejo-os todos. Os assírios cantando as preces de Assur e Ishtar; os hindus adorando Brahma, Vishnu e Draupadi; os caldeus fazendo sacrifícios a Bel e Rea; os egípcios curvando-se a Ptah, Osíris e Ísis; os medos aplacando a tempestade e adorando o fogo; os babilônios suplicando a Bel e Merodach. Vejo-os todos ao redor do Eufrates, do Tigre, do Ganges e do Nilo. Vejo os gregos construindo templos para Zeus, Netuno e Vênus. Vejo os romanos ajoelhando-se a uma centena de deuses. Vejo outros rejeitando ídolos e devotando suas expectativas e seus medos a uma vaga imagem mental. Vejo as multidões boquiabertas aceitando mitos e fábulas de anos remotos como sendo verdades.

Vejo-os dar seu trabalho, sua riqueza, para vestir padres, para construir igrejas com tetos ornamentados, corredores espaçosos e abóbadas reluzentes. Vejo-os trajando farrapos, amontoados em tocas e barracas, devorando cascas e migalhas, para que assim possam fazer mais doações a fantasmas e deuses. Vejo-os criar doutrinas cruéis e disseminar o ódio, a guerra e a morte pelo mundo. Vejo-os com as faces empoeiradas nos negros dias de peste e morte, quando as faces estão pálidas e os lábios lívidos pela falta de pão. Ouço suas orações, seus gemidos, seus suspiros. Vejo-os beijar lábios frios enquanto suas lágrimas cálidas caem sobre as faces dos falecidos. Vejo nações malograrem e desvanecerem; vejo-as sendo capturadas e escravizadas. Vejo altares abandonados ruírem; vejo templos lentamente se desfazerem em pó. Vejo seus deuses envelhecendo, adoecendo, morrendo e sendo esquecidos. Vejo-os caindo de seus tronos imaginários, desamparados e inertes; seus adoradores não recebem amparo. Vejo a injustiça triunfar; trabalhadores remunerados com chibatadas; bebês comercializados; inocentes executados em patíbulos; heróis reduzidos a cinzas. Vejo terremotos destruidores, vulcões abrasadores, ciclones famintos, inundações arrasadoras e relâmpagos letais.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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