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Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Analogia Falsa

Analogia falsa é uma inferência injustificada, obtida com base nas semelhanças entre dois itens ou tipos de itens. Uma inferência baseada em raciocínio por analogia justifica-se em função do número e da força das semelhanças e dissemelhanças conhecidas entre os itens comparados. Se houver muito poucas semelhanças ou se houver algumas poucas dissemelhanças muito grandes conhecidas, é injustificado obter-se inferências baseadas na comparação. O resultado é uma analogia falsa.

Dean Radin (1997, p. 33), por exemplo, compara um participante de uma experiência em psi a Mickey Mantle, jogador de beisebol, e defende que, como obter-se um acerto a cada três tentativas é considerado muito bom para um batedor, deveria ser considerado muito bom para um paranormal. Gary Schwartz (2002, p. 53) cria um argumento (embora o chame de “metáfora”) semelhante, ao comparar Michael Jordan, jogador de basquete, a um paranormal. Entre bater numa bola de beisebol ou fazer uma cesta e obter um “acerto” paranormal numa experência de telepatia, ou um teste de mediunidade, há diferenças significativas demasiado numerosas para que se justifique essa conclusão. Assim, o argumento é uma analogia falsa, que é também bastante enganosa, já que não há nenhuma prova de que adivinhar cartas ou figuras — a tarefa típica em experimentos de PES — ou ter as palavras de alguém validadas por um participante em um teste de mediunidade sejam habilidades. Sabemos que acertar uma bola de beisebol ou fazer uma cesta são habilidades, e que é isso que nos permite medir o desempenho de um jogador em comparação com o de outros. Os parapsicólogos medem o desempenho paranormal em comparação com uma probabilidade estatísica de chances, que não tem nada em comum com as médias estatísticas de jogadores de beisebol ou basquete a não ser pelo fato de ambas serem estatísticas. E Schwartz mede o desempenho paranormal em comparação com uma “probabilidade condicional” comparada, ou mesmo com padrão nenhum. Mais uma vez, isto nada tem em comum com o desempenho de atletas.

É verdade que a leitura a frio é uma habilidade, mas trata-se de uma habilidade que depende de que um participante valide as palavras de quem faz a leitura. Parece mesmo que Schwartz está medindo a leitura a frio quando testa os médiuns — a despeito de que alegue o contrário — mas, para que os “acertos” de uma leitura sejam análogos aos de um jogador de basquete fazendo cestas, teríamos que permitir que os fãs mais ardorosos do jogador determinassem o que contaria ou não como cesta. Acertar o aro ou a tabela, ou mesmo arremessar a bola por sobre a tabela para o telhado poderia ser contado como acerto por alguns dos fãs.

Se Radin ou Schwartz tivessem comparado as taxas de acerto dos paranormais com as médias de fielding da liga principal de beisebol, em vez de com as médias de batting ou porcentagens de lances no basquete, o resultado não pareceria tão favorável, já que mesmo os piores fielders são bem sucedidos em 95% a 98% das vezes. A pior equipe da história tinha sucesso no fielding em 94% do tempo. *

Mais analogias falsas

A fim de dar respaldo à crença na lei homeopática da similitude (semelhante cura semelhante), Dana Ullman, membro do corpo consultivo do instituto de medicina alternativa das escolas de medicina de Harvard e Colúmbia, argumenta que o corpo humano reage a remédios da mesma forma que uma corda de piano reage a uma corda vibrante de outro piano:

Se um dos pianos está na extremidade de uma sala e toca a tecla Dó, as notas Dó no outro piano na mesma sala irão reverberar. Este experimento funciona porque cada tecla é hipersensível a vibrações em seu próprio tom. Isto chama-se ‘ressonância’.

Isto também chama-se analogia falsa. O corpo humano não tem quase nada em comum com uma corda de piano, e a reverberação não se parece com nada no sistema natural de cura do organismo. A analogia pode fazer sentido para Ullman devido à aceitação da idéia de que a homeopatia seja um tipo de “medicina energética”. A doença seria causada por um bloqueio da energia e a saúde seria restaurada quando a energia fluísse livremente.

Ullman oferece outra analogia falsa ao comparar as quantidades infinitesimais — às vezes iguais a zero — das substâncias homeopáticas a diminutos átomos que contêm vastas quantidades de energia.

Há muitos fenômenos na natureza em que doses reduzidíssimas de alguma coisa podem criar efeitos poderosos, ou mesmo poderosíssimos… Certamente não se pode dizer que a bomba atômica seja um placebo só porque alguns átomos extremamente pequenos chocam-se uns com os outros.

Com base nisso, conclui que não devemos desmerecer os sucessos da homeopatia como resultados do efeito placebo. Não é relevante comparar a energia de ausência de moléculas (que muitas vezes é o que resta da substância “ativa” num remédio homeopático) com a energia dos átomos. Se restar qualquer molécula da substância “ativa” após a diluição, ela terá tanta energia quanto seus átomos possuirem, não mais, nem menos.

Eis uma analogia falsa de Jerry Falwell:

Assim como ninguém pode gritar “Fogo!” num cinema lotado quando não há nenhum incêndio e defender-se com a Primeira Emenda, de forma semelhante nenhum comerciante ordinário como Larry Flynt [editor da revista Hustler, que havia sido processado por Falwell] deveria poder usar a Primeira Emenda como desculpa para atacar maliciosa e desonestamente figuras públicas, como ele tem feito tão freqüentemente.

Há tão poucas semelhanças entre gritar Fogo! num cinema lotado e escrever “material malicioso” numa revista pornográfica que é inútil avaliar esse tipo de comparação em detalhes. (Esse tipo de raciocínio também é petição de princípio. Assume-se que os “textos maliciosos” são de “uma natureza destinada a criar um claro e presente perigo de que causem os males substanciais que o Congresso tem o direito de evitar”).

Mesmo boas analogias às vezes falham

É geralmente aceito entre os cientistas que os roedores, coelhos, macacos e outros mamíferos têm caracterísiticas biológicas em comum suficientes para justificar, por exemplo, que testem-se drogas em animais antes de testá-las em seres humanos. (Falamos de justificativa lógica, não ética, que é um assunto totalmente diferente). Por exemplo, Frederick Banting e Charles Best descobriram a insulina trabalhando com cães. * Milhões de vidas humanas foram salvas por seus trabalhos com cães. No entanto, nem todos os trabalhos com animais tiveram um final feliz como esse. A droga experimental TGN1412 — projetada para tratar a artrite reumatóide, leucemia e esclerose múltipla — havia sido dada a 20 macacos em testes antes de ser dada a seis seres humanos num teste clínico, fazendo com que todos os pacientes entrassem quase imediatamente em falência de órgãos, coisa que nenhum dos macacos sofreu. A droga aparentemente sobre-estimulava o sistema imunológico humano “enviando células sangüíneas brancas, chamadas de células T, de forma violenta através do organismo, destruindo seus próprios tecidos”. * Por que houve uma reação tão diferente em seres humanos? Obviamente, há alguma diferença significativa entre seres humanos e macacos relacionada ao sistema imunológico.

Acredita-se que diferenças entre uma proteína de sinalização de células de seres humanos e animais possa explicar a reação inesperadamente grave nos jovens, que eram anteriormente saudáveis… *

A TGN1412 é projetada para ligar-se a uma proteína específica do sistema imunológico chamada CD28. O Dr. David Glover, especialista em tratamentos com anti-corpos, sugere que a proteína que é alvo da droga possa não ser a mesma em todas as espécies. Este fato, se é que é um fato, somente poderá ser descoberto empiricamente, e ilustra uma das principais limitações do raciocínio por analogia, que obtém conclusões sobre uma espécie baseando-se em suas similaridades com outra espécie.

(O episódio da TGN1412 também ilustra outra questão importante, como observado por Abel PharmBoy (21/03/06): muitas das poções vendidas pelos charlatães da medicina complementar e integrativa são recomendadas porque irão “estimular seu sistema imunológico”. Se elas fizessem realmente isso, o resultado poderia ser doloroso ou catastrófico).

O raciocínio por analogias é um tipo de raciocínio indutivo e suas conclusões se seguem com algum grau de probabilidade, não necessidade. Falando de modo geral, quanto mais semelhanças se sabe que as coisas têm em comum, maior a probabilidade de que tenham em comum mais alguma característica. Se você comprou dez Hondas novos nos últimos dez anos e todos foram ótimos carros, justifica-se que você tenha confiança de que o novo Honda que está comprando seja provavelmente um ótimo carro. Mas, claro, pode ser que você pegue um abacaxi.

Leitura adicional

Carroll, Robert Todd. Becoming a Critical Thinker – A Guide for the New Millennium. 2nd edition (Boston: Pearson Custom Publishing, 2005)

Radin, Dean. (1997). The Conscious Universe – The Scientific Truth of Psychic Phenomena. HarperCollins.

Schwartz, Gary E. Ph.D. com William L. Simon (2002). The Afterlife Experiments: Breakthrough Scientific Evidence of Life After Death. Atria Books.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

  • Biielzinho Soares

    Falsa Analogia Seria Assim:
    “Deus É Igual O Ar,Voçê Não Ver Mais Sente”.
    1:Sabemos Que O Ar Exite Por Milhares de Motivos,Um Deles São Aparelhos Que Podem Medir Sua Velocidade eTemperatura ,Pesar,Verificar Sua Umidade,Sua Qualidade,Elementos E Substâncias Presentes Neles,Ver Sua Composição Etc. Já Deus Não.

  • Gui

    Já que tocou no tema do aborto, um aspecto interessante é ver como essas pessoas se revoltam com o aborto dizendo ser o assassinato de uma vida inocente mas aceitarem tranquilamente que Yahweh tenha dado ordens expressas aos israelitas de não pouparem nem mesmo as crianças de colo durante a conquista de Canaã.