Fingir sorriso faz com que trabalhadores saiam e metam a cara na cachaça, segundo pesquisa que não disse isso

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Se tem um site que eu gosto muito é o Spurious Correlations. A melhor tradução para isso é “Regressão Espúria”, que se trata de uma relação estatística existente entre duas variáveis, sendo que uma não tem nada a ver com outra. O Spurious (para encurtar) pega dados estatísticos de duas ocorrências que nem em sonho estariam relacionadas, mas acabam tendo uma curva praticamente igual, como o gasto anual do Estados Unidos com Ciência, Espaço e Tecnologia e o número e mortes por enforcamento, estrangulamento e sufocação.

Por mais que a vida de cientistas seja difícil, creio que mais dinheiro em forma de verba não seja motivo pro pessoal se enforcar.

De qualquer forma, foi disso que me lembrei quando li que uma pesquisa descobrira que empregados que se forçam a sorrir e serem felizes na frente dos clientes podem estar em risco de meter o pé na jaca depois do trabalho.

A drª Alicia Grandey é professora de Psicologia da Universidade Estadual da Pensilvânia. Ela e seu pessoal resolveram estudar o comportamento de profissionais que atendem o público (não essas). Segundo a boa doutora, os resultados sugerem funcionários apresentam maior tendência de meter a fuça na manguaça depois do trabalho são aqueles que ficaram o dia todo atendendo público e metendo aquele sorriso forçado. Tipo quando você fica quando chega a família da sua cara-metade.

Para Alicia, pessoas que têm que aturar público, como atendentes de restaurantes, enfermeiras e professores são mais propensos sair de noite e encher a cara. Não, o professor não faz isso porque tomou esporro o dia inteiro, tem que catar um modo de aprovar os alunos de qualquer jeito e não pode tratar o diretor como o padeiro que mandou áudio pro Seu Armando. Enfermeiras tendo que aturar pacientes chatos, familiares chatos, médicos chatos, todo mundo chato, inclusive outras enfermeiras tão chatas quanto ela acbam bebendo muito porque têm que ficar sorrindo. Até parece que encontramos enfermeiras sorrindo 24/7 (e eu nem as estou culpando!)

A pesquisa em si mostra exatamente isso, mas a forma que divulgaram é que foi errada. Segundo a pesquisa publicada no Journal of Occupational Health Psychology, o ponto crucial é que a pessoa reprime os sentimentos até estourar de vez. A maneira como alguns acharam para extravasar as frustrações, raiva e depressão foi virar pudim de cachaça. Não é APENAS forçar um sorriso, como os press releases deram a entender, não é APENAS fingir sorriso. É a absorção de grande carga emocional, sem ter como colocar pra fora, extravasar. Daí, acontece quando o cara sai, tem que fazer algo para esquecer aquele inferno que aturou o dia inteiro, e mesmo assim a correlação é forçada.

Talvez, com essa pesquisa publicada, ambientes profissionais não sejam tão absurdamente exigentes com metas que não se pode alcançar, e assédio moral comece a desaparecer. Afinal, é fácil, não é mesmo? Mas você sabe muito bem que não vai acontecer.

Garçom? Mais uma!

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας