Pesquisa esclarece como bandagem elétrica ajuda a cicatrizar e mandar bactérias pro além

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Bandagens são uma tecnologia de uso médico conhecida desde os antigos egípcios, que aplicavam tiras de algodão, algumas vezes embebida em betume para imobilização. Elas ajudam a cicatrização ao não expor feridas abertas ao ar, cheio de “humores capazes de fazer espíritos malignos entrarem”, se por “espírito maligno” você entender como bactérias.

Milênios depois, surgiram as bandagens elétricas, isto é, bandagens pelas quais circulam corrente elétrica. A primeira patente data de 1940. O problema é que essas bandagens elétricas até funcionam, mas não se sabia direito o motivo, só que uma pesquisa pretende explicar o que acontece quando a gente eletrocuta o local, mesmo com correntes pequenas. Afinal, isso é cadeira elétrica para bactéria?

Bem… é quase isso. O dr. Shaurya Prakash é pesquisador do Departamento de Engenharia Mecânica e Aeroespacial da Universidade de Ó, Raios, digo, Ohio. Ele pesquisa micro e nanofluidos e nanossistemas bioinspirados. Ou seja, ele gosta de mexer com coisa pequenas (mas não tão pequenas a ponto de ser seu urologista) e como elas afetam e são afetadas por organismos vivos.

A pesquisa do dr. Prakash procura dar a primeira explicação efetiva de como e por que as bandagens eletrocêuticas funcionam. Sistemas eletrocêuticos são aqueles que fazem uso de impulsos elétricos para tratamento de enfermidades, entre outros problemas médicos, permitindo que as feridas se curem mais rapidamente. Sistemas eletrocêuticos têm sido usados para tratar feridas já não é de agora, mas sem nenhuma explicação efetiva.

A técnica é de uma simplicidade enganosa. Curar feridas crônicas é difícil se houver infecção; para tanto, basta remover a infecção. Isso, qualquer criança pode dizer. O problema é como mandar a infecção pra vala. Antibiótico? É uma. Mas isso acarreta em certas infecções que, se não tratadas corretamente, a única coisa que fará será selecionar as bactérias mais fortes. Daí, é preciso escalonar a potência do antibiótico e o processo recomeça. Pode dar muito certo ou muito errado.

Os tratamentos eletrocêuticos funcionam? Sim, claro. O ponto-chave é que não se sabia até agora como ele funcionava. Se conhecermos todos os processos envolvidos, fica mais fácil aplicar o tratamento de maneira perfeita de forma a mandar as lindas bacteriazinhas pro colo de Nosso Senhor Jesus.

Tudo começa com os biofilmes, pequenas comunidades de pequenos serezinhos safados como bactérias. Na superfície da pele ou de uma ferida já há a formação de biofilmes. Bandagens sempre foram usadas (sabendo ou não disso) para, se não impedir, dificultar a formação deste biofilme. Por isso os curativos são necessários: esterilizar o local, mandando tudo o que for vivo ali sem ser inerente ao corpo da pessoa pra vala.

Como a função dos seres vivos é lutar para se manterem vivos, seja uma baleia azul ou a menor das bactérias, nesses biofilmes forma-se uma camada de gorduras e proteínas que agem como uma barreira protetora das bactérias. Por isso, a limpeza constante é uma obrigatoriedade. Se tiver bactérias presentes, o tecido da pessoa demora a cicatrizar. Mesmo porque, permanecendo aberto faz com que as lindinhas das bactérias consigam viver muito mais, essas desgraçadas!

Bandagens eletrocêuticas destróem esses biofilmes ao passar corrente elétrica por eles, acabando com o ecossistema das bactérias que moram lá e, por conseguinte, permitindo que as feridas se curem mais rapidamente. Prakash e seu pessoal fizeram uso de seda habotai para fazer a bandagem, entremeada com fios de prata, e ligaram a um pequeno dispositivo para fornecer eletricidade. Quando aplicaram a bandagem eletrificada ao biofilme carregado de bactérias no laboratório, as bactérias foram destruídas.

A equipe de Prakash usou microscopia eletrônica para monitorar as bactérias e perceberam o momento em que a corrente elétrica rompeu o biofilme o suficiente para começar a destruir as bactérias, em que as desgracentas ainda continuaram a morrer dois dias após a corrente elétrica ter sido desligada. A explicação seria que ocorre eletrólise no local, e produção de ácido hipocloroso, um derivado ácido do sal hipoclorito. Ou seja, seria como se estivesse produzindo água sanitária em pequena escala, com concentração suficiente para matar as bactérias, mas fraco o bastante para não afetar as pessoas.

O experimento foi conduzido em bactérias e biofilmes in vitro, isto é, numa placa de Petri, em vez de um ser humano ou um animal. Mas em breve os testes começam a ser feitos em cortes infectados em seres vivos para ver qual será a reação que ocorre lá.

A pesquisa foi publicada no periódico Scientific Reports

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Sobre André Carvalho

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