Encontrados defuntos romanos sem cabeça no lugar certo. Algo como brasileiros de hoje

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A vida do pessoal antigamente não era nada fácil. Além de não ter iFood, ter que sair para pagar as contas em banco e não terem ainda disponíveis a roda, sepultamentos também eram um tanto quanto… estranhos. Que o diga o assentamento romano encontrado em Suffolk, Inglaterra. O que tem de estranho lá? Bem, não tanto o fato de terem encontrado um cemitério com 52 esqueletos muito bem preservados. A parte estranha é que 17 deles estavam enterrados direitinho, sendo que os demais estavam decapitados.

Quem foi o maluco que enterrou aqueles 17 sujeitos intactos? Preguiça do estagiário de completar o serviço?

O dr. Andrew Peachey é arqueólogo. Ele mexe com coisa velha, muito velha. Ele não pode ver uma velhinha na rua que já manda um assobio maroto com aquela cara “pode ser ou tá difícil?”. Peachey trabalha para a Archaeological Solutions, uma empresa que conduz levantamentos arqueológicos em locais onde serão feitas construções.

Por exemplo, suponha que vão construir um shopping numa área. Sabendo que pela Inglaterra tem muitos locais que podem ser sítios arqueológicos, já que os romanos já perambulavam ali há mais de 2 mil anos, contratam a Archaeological Solutions para dar uma olhada no local. Motivo? Não é amor à Ciência, e sim porque se durante o preparo das fundações encontrarem algum cemitério indígena que servia de cemitério de animais também as obras serão suspensas pelos órgãos governamentais. Então, melhor verificar tudo antes e evitar tomar na cabeça em uma bela quantidade de libras esterlinas.

Uma construtora chamou a Archaeological Solutions para fazer o levantamento de uma região de Great Whelnetham, cujo irônico nome remete a um vilarejo que não tem nem 1000 habitantes. Deve ser muito legal morar lá, com vizinhos bem longe de você. Que tal comprar uma casa lá?

A escavação trouxe à tona um cemitério romano do século IV. Nele, havia uma preciosidade: 52 esqueletos muito bem preservados, o que é muito digno de nota, dado ao terreno no qual se encontravam. O inusitado é que 35 deles estavam decapitados, com as cabeças enterradas juntas aos seus respectivos corpos, mas bem separadas

Também é importante notar que não passaram o cerol nos defuntos. Nenhum deles foi executado. O que Peachey e seu pessoal acham é que era uma prática normal na sociedade que vivia ali naquele tempo, podendo terem pertencido a um culto romano conhecido que venerava a cabeça como parte da alma e removia a cabeça como parte de seus ritos funerários religiosos. Ou pode ser que não. A verdade é que ninguém sabe por que fizeram aquilo.

O que se sabe é que a maioria dos corpos são de pessoas que viveram até a meia-idade ou mais. Pelos esqueletos estima-se que eram pessoas bem saudáveis, com boa alimentação e bem fortes, provavelmente, trabalhando com agricultura, se alimentando com dieta rica em açúcares e carboidratos em geral, o que acarretou bela quantidade de dentes estragados.

Claro, nem tudo é perfeito e dentre estes 52 túmulos havia o corpo de uma criança pequena e de duas crianças de aproximadamente 9-10 anos. Quem eram? Como levavam a vida? Ainda se sabe muito pouco, mas aos poucos suas biografias serão levantadas. Ainda bem que Suffolk não fica no Brasil, ou teriam metido concretão de qualquer jeito. Deve ser legal morar num país que não odeia Ciência.

Não, ainda não tem paper.


Fonte: BBC

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Sobre André Carvalho

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