Missionário foi importunar índios e acabou encontrando Jesus da forma que não queria

Igreja salva família com serviço religioso ininterrupto. Autoridades irritadas. Eu rindo
Pediatras colocam cabeça na boca e esperam ela sair (cabeça de Lego!)

Existe burrice, existe estupidez, existe boçalidade, existe gente que vai pro Maraca ver final de Brasileirão com Vasco e Flamengo e aparece no lado da torcida do Flamengo com a camisa do time cruzmaltino. Tem gente que resolve ser terrorista. Tem gente que acha que ser professor é uma boa ideia e tem gente que acha maneiríssimo ir filmar traficantes numa festa de rua achando que não vai pegar nada. Agora, ninguém chegou ao nível hard de burrice do nível de um camarada chamado John Allen Chau. Ele era (notem o tempo verbal) um missionário cristão, o que já mostra que ele tem (na verdade, tinha) probleminhas. Ele achou que era uma EXCELENTE ideia ir catequizar uns índios no meio do mato numa ilha esquecida por Deus e nem o Diabo queria chegar perto.

North Sentinel Island é uma das ilhas do arquipélago das Andamão, na Baía de Bengala (sabe o tigre de Bengala? Pois é, não é um felino com problemas para andar). A Baía (ou Golfo) de Bengala é o maior golfo do mundo, localizado na parte nordeste do oceano Índico. Nesse lugar esquecido por todos os deuses, heróis e monstros vive o povo Onge. Eles são um grupo de indígenas com população de cerca de 500 indivíduos, e são extremamente hostis, rejeitando qualquer contato com outras pessoas. Aquele lugar é o último bastião de seres humanos completamente intocados pela civilização moderna.

Em 1956 foi publicado o Regulamento de Andaman e Nicobar nomeado para Proteção das Tribos Aborígenes, o qual determina que os sentineleses (a tal tribo isolada) e outras tribos nativas da região devem permanecer intocadas, sem ninguém ir lá encher o saco dos caras. A Administração de Andaman e Nicobar declarou em 2005 que eles não têm intenção de interferir com o estilo de vida ou habitat dos sentineleses e não estão interessados em prosseguir qualquer contato com eles ou governar a ilha, no melhor estilo: “eles lá, nós aqui. Eles que se danem. Lá não tem nada que nos interessa”, fazendo de North Sentinel Island e das outras ilhas próximas lugares efetivamente autônomos e independentes, deixando todo mundo lá na santa paz de <sei lá qual é a religião deles, se é que têm alguma, o que não me interessa>.

Aqui um breve documentário sobre o lugar:

Vocês entenderam que IR até aquela ilha é proibido por lei, né? E que fazer contato com a tribo TAMBÉM é crime, certo? Eu preciso relembrar que a tribo é extremamente hostil? Quem seria imbecil de ir nesta bosta de lugar? Claro, só há um ser insuportável o suficiente para isso: missionários cristãos. Exceto Testemunhas de Jeová. Não tem porta nem campainha lá pros caras ficarem chamando às 7 da manhã num domingo.

Agora, vamos à parte que vamos esfregar a verdade na cara de todo mundo.

John Allen Chau era um fanático religioso nascido no estado de Washington, EUA. Em 2014, Chau entrou na Roberts University, uma instituição cristã fundamentalista de Oklahoma, que lhe deu a ideia de virar missionário para ir encher o saco dos outros, na tentativa de produzir outros fanáticos cristãos como ele. Missionários assim são como vírus: eles infectam o hospedeiro e o obrigam a produzir cópias de mais vírus como eles. Missionários cristãos são a mesma coisa: eles PRECISAM replicar outros cristãos, ou suas vidas perdem o sentido (aquele sentido que já não tinha). Tudo porque num trecho do Evangelho Jesus fala ir espalhar a Boa Nova aos 4 cantos do mundo (frase que acadêmicos dizem não ter sido proferida, pois nada embasa isso). Daí veio o conceito de mártires, que é um babaca que vai tocar balbúrdia em outra cidade que vive em paz e daí acabam expulsos.

Em Evangelhos Perdidos (Lost Christianities, no título original), Bart Ehrman conta como Saulo de Tarso e outros cristãos fanáticos chegavam em cidades com diversidade cultural e religiosa vivendo em paz e tolerância. Daí, começavam a criar tumulto dizendo que todos eles estavam errados, propagando ódio, pois o certo mesmo era seguir o Príncipe da Paz enquanto condena todo mundo ao Inferno. Isso fazia as pessoas ficarem irritadas e partirem pra porrada. As autoridades, tentando manter a ordem, dispersava todo mundo, prendia os cristãos, dava um corretivo no modo romano de ser e expulsava os caras. Alguns iam pras arenas, mas não porque eram cristãos, mas sim tumultuadores, e faziam isso para mostrar que não era para tocar zaralho ali.

Chau afirmava que queria pregar o cristianismo aos habitantes da comunidade tradicional. Para não chamar a atenção das autoridades, ele embarcou à noite, subornando pescadores para que eles o levassem para a ilha, mesmo sendo proibido por lei. Mas seguindo Nosso Senhor Jesus, que diferença faz esse negócio de leis? Chau foi levado a um local próximo da ilha e percorreu o trecho final com um caiaque, remando feito um retardado (os pescadores eram espertos demais para irem também, e por vários motivos). Chau, entretanto, não era tão burro assim (do seu ponto de vista, claro). Ele foi munido com presentes para os aborígenes: tesouras, alfinetes e peixe. O que poderia dar errado?

Bem, ele foi lá e os índios boladões começaram a atirar flechas nele. Uma delas acertou a Bíblia em cheio e Chau botou 20 no cavalo marinho, ralando peito pro barco. Em seu diário, ele escreveu 13 páginas de puro terror.

Trechos diziam “Estou com medo. (…) Assistindo o pôr do sol e é lindo” – chorando um pouco… pergunto-me se será o último pôr do sol que vejo”. Já deu pra perceber que a criatura realmente tinha problemas. Mas fanáticos religiosos não descansam. Ele arremata no diário “Senhor, esta ilha é a última fortaleza de Satanás onde ninguém ouviu ou sequer teve a chance de ouvir o seu nome?”. Não, filho. Ninguém ouviu a palavra do seu deus. DEIXE OS CARAS EM PAZ, PÔ! Mas cadê que fanático religioso pensa?

Bem, no dia seguinte, Chau vai lá tentar mais uma vez. O resultado? Bem, é difícil você conseguir resultados diferentes fazendo a mesma coisa. Ele foi atacado, morto e enterrado na praia. Os pescadores viram que ia dar caca e imagino que eles decidiram picar a baleia de lá antes que aqueles selvagens tivessem um brilhantismo momentâneo, construíssem barcos e fossem atrás deles. O medo nos faz ter pensamentos estranhos e 3 bilhões de anos de Evolução Biológica nos deu capacidade de ver perigo iminente e sair da zona de risco o mais rápido possível. Exceto se for um imbecil que acha que uns trecos como alfinetes vai fazer uma tribo hostil adorar você de uma hora pra outra.

A polícia da cidade de Port Blair, a capital das Ilhas de Andaman e Nicobar, na Índia, enviou nesta semana um helicóptero e uma equipe de oficiais de barco para avaliar se é possível recuperar o corpo, mas ninguém tem muita esperança de resgatar os restos mortais do sujeito. Primeiro, tem que haver uma permissão especial para irem até lá, sem falar no pesadelo logístico e, claro, ter que lidar com a tribo boladona. Caso o judiciário de lá permita a operação, as autoridades contarão com o apoio de antropólogos, pesquisadores e especialistas em comunidades tradicionais isoladas. Ou seja, um barata-voa dos infernos por causa de um maluco que quis impor a sua droga de religião e acaba colocando várias pessoas em risco.

Diplomatas americanos também estão em Port Blair para prestar assistência, mas a verdade é que isso não foi uma tragédia. Foi o fruto de um maníaco fundamentalista com sérios problemas. Um fanático com um único intuito: fazer todos se curvarem ao único deus verdadeiro: o dele e de mais ninguém, e ninguém pode ter paz e ser deixado cuidando da própria vida se não se tornar outro fanático que nem ele. Eu falei: um vírus.

Qualquer um que não responde a leis estabelecidas, violando-as com o propósito de atentar aos seus próprios desejos é um criminoso. John Allen Chau não deve ser visto como uma vítima, e sim um criminoso que se deu mal. Essa é a verdade. Ele sabia muito bem que sua missão era ilegal, chegando a descrever as manobras para evitar as autoridades indianas que patrulham as águas perto de North Sentinel Island, em que escreveu no seu diário: “O próprio Deus estava nos escondendo da Guarda Costeira e muitas patrulhas”. Seu deus zueiro, Chau, estava era querendo ver você se ferrar. Ou não. Um deus justo, bom e misericordioso não permitiria isso, certo? A resposta seria que esse deus não existe? Vai saber. Ele pode existir e ser um psicopata. Fica aí o mistério.

As autoridades da Índia estão… eu ia dizer “muito irritadas”, mas estão é putas da vida, mesmo. Eles não toleram essa mania cristã de evangelizar todo mundo à força. A verdade é cristãos que são criaturas abusadas e querem que todo mundo siga a sua religião. Segundo Dependra Pathak, diretor-geral da polícia das Ilhas Andaman e Nicobar, as autoridades locais se recusam chamar Chau de turista. Apesar de ele ter chegado lá com um visto de turista, foi pra lá apenas com um propósito específico: evangelizar uma ilha proibida.

Critica-se os islâmicos, mas cristãos sempre fizeram isso desde antes do Islã aparecer. Nisso, na caça de catar algum bode expiatório, a polícia e too mundo caíram de pau em quem eu acho que menos tem a ver com isso e mandaram sete pregos pra cadeia por ajudar Chau. Isso inclui cinco pescadores, um amigo de Chau e um guia turístico local.

Ah, sim! O melhor vem agora: A International Christian Concern, uma organização formada por cristãos fundamentalistas tão toscos quanto o Chau, quer que os índios da tribo de North Sentinel sejam processados por assassinato. Claro, serão absolutamente ignorados já que:

  1. Chau era um invasor e violou uma série de leis
  2. Aqueles aborígenes são inimputáveis, ou seja, não podem ser arrolados como réus de nada. Os idiotas da International Christian Concern podem tentar processá-los até Jesus voltar à Terra vestido de drag queen, sentado num sapato gigante no alto de um ônibus. Não vai dar em nada!

Então, que fique a lição: leis existem por um motivo. Aprenda a respeitar a merda das leis. E aprenda o conceito de deixar os outros em paz e de respeitar a crença ou não-crença dos outros. Porque, no final, os únicos que não terão trabalho com essa história de Chau é o pessoal do Darwin Awards que não tem dúvida nenhuma sobre quem será o próximo laureado.


Fontes:

Igreja salva família com serviço religioso ininterrupto. Autoridades irritadas. Eu rindo
Pediatras colocam cabeça na boca e esperam ela sair (cabeça de Lego!)

Sobre André Carvalho

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