Pesquisa procura diferenciar expressões de dor e orgasmo

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Todo dia eu vejo pesquisas que são candidatas ao IgNobel. Algumas mais outras menos. Gosto de ler sobre todas elas por saber que são pesquisas reais e até mesmo importantes, mas ainda assim são inusitadas. Imagine que alguns pesquisadores resolveram estudar a feição das pessoas durante um orgasmo; mas não é apenas isso. Traçaram um paralelo com as feições de quando sentem dores, e compararam diversas etnias para saber como cada uma responde.

Na versão TL;DR, ocidentais arregalam os olhos e abrem a boca, enquanto que orientais terminam com um sorrisinho maroto. Mas você não vai ficar só no resumo TL;DR, né?

A drª Chaona Chen é pesquisadora da Faculdade de Psicologia da Universidade de Glasgow. Ela pesquisa expressões faciais dinâmicas, agentes de conversação, sistemas virtuais, robôs sociais assistivos, comunicação entre culturas e banca a voyeur em nome da Ciência.

Muitos pesquisadores acham que expressões faciais de dor e sob orgasmo são praticamente iguais, só que a drª Chen e seu pessoal discordam. Segundo sua pesquisa, não só há uma diferença entre os dois, como essa diferença serve como sistema de comunicação social e interação humana.

Chen contou com o auxilio de 40 voluntários ocidentais e 40 asiáticos (asiático no sentido “japa”, e não asiático tipo qualquer um nativo da Ásia, como israelenses, russos, afegãos, árabes etc. MAS ESPERE! Antes que você pense que tia Chen estava vestida de Tiazinha e infligiu dor e prazer nos voluntários, não, ela não fez nada disso (infelizmente). Chen e seu pessoal fez uso de modelagem matemática para recriar representações precisas de expressões faciais orgásticas e dolorosas. Os 80 gaiatos, achando que iam parar num lupanar de devassidão, se viram olhando para um monte de carinhas renderizadas por computador (sem ter a qualidade dos filmes da Disney), para então responderem se a referida expressão era de dor, orgasmo ou “outra qualquer”. Eles então classificaram a intensidade da animação de “muito fraca” para “muito forte”.

Pois é. O pessoal foi lá pensando em se divertir e acabaram tendo que ver:

O que Chen e sua galerinha safadeenha descobriu foi que os participantes ocidentais esperavam olhos arregalados e bocas escancaradas, enquanto as ideias dos participantes do Leste Asiático culminavam em um leve sorriso de lábios apertados. Entretanto, ambos os participantes de ambas as culturas reconheceram o ápice da angústia por expressões faciais que apresentavam sobrancelhas abaixadas, narizes enrugados e bochechas levantadas, por exemplo.

Mas calma. Não parou aí. Os pesquisadores misturaram os resultados dentro dos dois grupos culturais e soltaram modelos faciais montados com orgasmo e feições de dor. Eles tinham 104 outros participantes (26 pessoas de ambos os sexos de cada uma das duas culturas). Para este grupo, os modelos foram exibidos em faces fotorrealistas da mesma raça que o participante, mas o sexo oposto. Os observadores tinham que discriminar se eles achavam que o rosto representava dor ou orgasmo e quão bem isso era em ambos. As representações modeladas foram eficazes, os pesquisadores descobriram: os participantes estavam em concordância consistente sobre o que parecia ser dor e o que parecia ser prazer.

A pesquisa foi publicada na PNAS e mais do que ver caras feias renderizadas na tela do computador, a pesquisa visa entender a ontologia das expressões faciais, ou seja, a forma dos padrões de movimento da face, de forma a entender a complexidade do mundo social e as múltiplas variáveis que poderiam influenciar a comunicação. Dá uma passadinha para ler o paper. Tá integral e abertinho pra você.

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Sobre André Carvalho

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