Transplante de fezes ajuda a combater o câncer

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Eu gosto da paranoia estúpida de gente que berra aos quatro ventos que não existe a cura do câncer pois a Big Pharma impede, de forma que viva lucrando às custas das pessoas doentes. O fato de não haver “O” câncer, mas quase 200 tipos de doenças que recebem esta classificação, e 80% delas serem curáveis, nunca entra na conta. Agora, temos mais um tratamento promissor contra o câncer: transplante autólogo de microbiota fecal. Gostou do nome? Pois é. Basicamente, é transplante de cocô.

Eu espero você parar de fazer cara de nojinho.

Transplantes de microbiota fecal não são novidade. O famoso transplante de cocô ajuda em muitos casos em que o recebedor do cocô alheio, por algum motivo, acabou tendo sua flora intestinal mandada pra vala. O problema é que você precisa daquele monte de bactérias.

O dr. Ying Taur é pesquisador do Memorial Sloan Kettering Cancer Center. Como especialista em doenças infecciosas, o dr. Taur estuda a epidemiologia de infecções que ocorrem em pacientes com condições complexas, como os que possuem câncer. Os pacientes que têm várias condições pré-existentes são difíceis de tratar e a equipe do dr. Taur está envolvida em pesquisas clínicas… (vocês notaram que eu peguei isso do site pessoal dele, né?) para estudar essas condições complexas e encontrar uma maneira melhor de tratá-las.

Taur e seu pessoal estudaram se era possível usar o transplante autólogo de microbiota fecal para ajudar no tratamento de pacientes com câncer, com um mínimo de efeitos colaterais, já que o que estão fazendo é transplantar bactéria do cocô nosso de cada dia. Eles estudaram mas a Big Pharma impediu, certo?

Errado! A pesquisa vai muito bem, obrigado. Os pacientes que se submeteram ao procedimento foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um grupo recebeu tratamento padrão e o outro recebeu o transplante autólogo do cocô.

Autó-o quê?

Autólogo. O doador e o recebedor das bactérias foram os próprios pacientes, os quais forneceram sua própria amostra fecal, que foi congelada e armazenada antes do procedimento de transplante de células. Semanas depois, quando os médicos confirmaram que as células transplantadas estavam crescendo, avaliaram o estado das bactérias intestinais benéficas dos pacientes.

Os primeiros 25 pacientes que não tinham bactérias benéficas conhecidas foram incluídos no estudo e distribuídos aleatoriamente nos diferentes grupos de tratamento: 14 receberam o transplante autólogo por enema e 11 receberam tratamento padrão.

O transplante acarretou na recuperação de bactérias benéficas do intestino para perto dos níveis basais em poucos dias, restaurando assim as funções digestivas, imunológicas e outras funções essenciais dos pacientes. Eles recuperaram a diversidade bacteriana, composição e função tranquilamente. Já a recuperação de bactérias benéficas nos 11 pacientes de controle foi atrasada. Isso comprova a ação do tratamento. Show, né?

E o melhor! Foi feito seguindo método científico, em um ambiente controlado, e bem longe de um laboratório imundo que parece servir para refino de metanfetamina em favela bem decadente (mesmo para os padrões de favela). Taur não foi berrar no Congresso dos Estados Unidos para financiarem seu tratamento porque sim, sem apresentar nenhum trabalho com resultados bem detalhados. Sabem o motivo? Porque o doutor Ying Taur não é um imbecil, é um cientista de verdade!

Os pacientes submetidos ao tratamento padrão possuem um problema sério, já que as bactérias benéficas normalmente levam muitas semanas para se recuperarem do tratamento com antibióticos deixam os pacientes em risco de outras doenças infecciosas. Câncer e AIDS acabam detonando o sistema imunológico. O segundo porque é isso que a doença faz. O primeiro por causa da sessão de quimioterapia e radioterapia. Assim, o tratamento convencional é acompanhado do tratamento por meio do transplante de auto-cocô e isso ajuda na recuperação dos pacientes.

Mas isso, gente, é pra quem pesquisa de forma séria, fazendo ciência de verdade, e não distribuindo merda de pilulinha mágica sem NENHUMA comprovação científica. Afinal, dr. Taur não perde tempo com bosta de depoimentinho de YouTube. Ele e sua equipe ficam nos laboratórios trabalhando e gerando conhecimento que poderá ser publicado e examinado por outros pesquisadores sérios.

Aliás, falando de publicações, a pesquisa foi publicada no periódico Science Translational Medicine, e não, ela não terminou. A pesquisa prossegue e vai ser melhorada cada vez mais. Pois é isso o que ciência faz. Peguem suas paranóias e teorias de conspiração e enfiem no rabo. Ciência venceu a ignorância e desvarios de gente fazendo showzinho pra político oportunista se aproveitar

Saiu Nobel de Química. O trabalho envolve Evolução. Chorem, criacionistas
Brasil prestes a perder título de erradicação do sarampo. Valeu, pessoal!

Sobre André Carvalho

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