O mundo da TV sem TV e a modernidade voltando a antigamente

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No artigo que eu falei sobre como o Google age fazendo do YouTube uma terrinha em que ele dita as regras, faz você concordar, muda quando você não sabe, muda de novo e todas as desventuras que isso causa. Mencionei meio de passagem como as pessoas começaram a ver o YouTube de uma forma um tanto anárquica e, hoje, transformaram o YT num canal de TV a mais, mas não me aprofundei nisso.

O YouTube nos ensinou a ter paciência, que simplesmente poderíamos sentar e relaxar e ver nossos vídeos favoritos no momento que quiséssemos, tantas vezes quiséssemos. Era algo fantástico, não? Porque esperar a Tela Quente? Eu posso ter zilhões de vídeos à minha espera, basta eu sentar, conectar e… assistir. Só que a geração do século XXI não quer isso. Esta geração mimada e imediatista quer tudo pra hoje, para agora, PRA JÁ!

Assim, o que acontece. As pessoas passaram a esperar dias específicos para saírem os vídeos de seus canais favoritos. O próprio YouTube recomenda que você solte seus vídeos em dias e horários fixos, de preferência toda semana, mais preferencialmente todos os dias e no mesmo horário. As pessoas transformaram o YT no Cartoon Network ou algo que o valha. E não aconteceu só com o YouTube. As pessoas ficam contando os segundos quando a HBO GO vai lançar o Game of Thrones e no caso da Netflix, que lança as temporadas completas de uma vez, pessoal corre desesperado para “maratonar”, vendo tudo de uma vez só, quando pode assistir no momento que quiser, mas o imediatismo grosseiro os impedem, pois precisam ser os primeiros a resenhar nas suyas redes sociais, ou falar mal mesmo de uma série que odeiam, mas que acompanham vividamente para poder falar mal. Vai entender!

Ironicamente, quem sempre teve um horário anárquico foi o SBT, que na sua proverbial idiotice de ficar na cola da Globo, mudava drasticamente sua programação de um dia pro outro, quando a Globo às vezes sacaneava e colocava dois capítulos da novela num dia só, e o SBT ficava enrolando para começar sua programação depois da novela, não tendo nenhuma confiança no seu taco. Isso aconteceu no dia que o SBT programou a estreia do Rambo 1 (é, estou velho…). bovinamente, o SBT colocou uma splashscreen e ficou tocando o tema do Rambo sem parar por duas fucking horas, quando podia ter soltado o filme ou colocado outra coisa. (sim, eu estava esperando esse tempo todo)

Esse comportamento anárquico com sua grade de horário fez o SBT, de segunda colocada (às vezes primeira, mesmo durante a semana), despencar e perder feio pra Record, que caga e anda para a Globo, fazendo sua própria programação e quem quiser ver, que veja. Tá certa ela e eu não vou comentar sobre a qualidade dela. A pessoa paga muito caro por uma TV (não necessariamente um plano de TV por assinatura) para os outros darem palpites no que ela tem que assistir.

Disseram que o YouTube ia acabar com a TV, assim como disseram que a TV ia acabar com o cinema e o rádio (aliás, é por isso que a TV ficou com proporção 4:3 por muito tempo, mas também por imitar fotografias, que era quase a mesma resolução do cinema antigão). O que aconteceu foi hilário, pois quem começou no YouTube, como Justin Bieber (sim, ele começou cantando em vídeos no Tubo), Porta dos Fundos, Felipe Netto e muitos outros. Vários começaram a fazer peças de teatro, outros foram para a TV, outros foram convidados a estrear programas como o Iberê Thenório do Manual do Mundo que foi trabalhar no programa Experimentos Extraordinários da Cartoon Network.

Youtubeiros começaram com bravatas, mas a TV venceu mais uma vez. Ela não está aí há décadas para ser deixada de lado por uns moleques tomando banho de Nutella. E terão que rebolar mais ainda para produzir mais vídeos, pois a geração imediatista logo se cansará deles e teremos mais youtubeiros disputando atenção. Me lembrou muito a época dos blogs, para, por fim, termos menos, mas melhores blogs.

Como o deste que vos escreve.

Dizem todo ano que com os podcasts será a mesma coisa, que ano que vem será o ano dos podcasts. Paulo Lopes está com quase 70 anos e ainda trabalha na rádio Tupi do Rio de Janeiro (por sinal, a rádio Tupi está em atividade desde 1966). Seu programa tem dia e hora de ir ao ar, enquanto que podcasts soltavam seus episódios no dia que queriam, até se darem conta que ter dia e hora para soltar novos episódios garantia maior audiência.

Somos criaturas de hábitos. Isso garante regularidade. Quando algo diferente acontecia, podia significar fome de uma tribo. Por isso a agricultura foi inventada, para garantir a regularidade do alimento, ao invés de perambular para encontrar algo que parecia uma amora (mas que poderia ser uma planta venenosa. R.I.P.). por mais que tentemos nos afastar dos nossos mais básicos instintos, sempre voltamos a eles, pois garantem segurança e tranquilidade, mesmo num mundo de fartura, em que você pode ir na geladeira pegar a sua janta ou pedir pelo telefone ou encomendar no iFood. Ainda assim, vamos no supermercado e se bobearmos, levamos quase todo o estoque, principalmente se estivermos com fome. Se somos assim vendo uma geladeira cheia, e mesmo assim compramos mais coisas, que dirá algo simplesmente tolo como ver um vídeo do seu canal youtuberístico favorito.

Agora, com licença. Tenho que programar para meu vídeo ser publicado o sábado, às 9 da manhã.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • O Datilógrafo da AEB

    Ótima análise.