O que levou nossos antepassados a se aventurarem pelo Pacífico?

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Nossos tatatatataravós, diferente de você, seu sedentário preguiçoso, eram aventureiros. Ou, como diria meu avô: “a barriga comanda as pernas”. eles saíram da África em busca de uma vida melhor e para escapar da fome. Infelizmente, eles não tinham bolsa-família, então tinham que ralar peito do local onde estavam o mais rápido possível, porque os bacuris estavam com fome. nessa empreitada, eles cruzaram  o Mar Vermelho, foram parar na Ásia, e de lá rumaram para o mar, indo parar na Polinésia, enfrentando o Pacífico e seus temporais e tufões de vez em quando.

A colonização pré-histórica do Pacífico sempre foi alvo de discussões. A bem da verdade, ninguém sabe com certeza o que aconteceu nem como se deu. Temos, no máximo, explicações. Algumas muito boas, algumas na base de “are you fucking kidding me?”. Mas como a ciência não pára, pesquisadores resolveram abordar por outro ângulo: como teria sido as migrações pelo Pacifico levando em conta as condições climáticas da região?

O dr. Álvaro Montenegro não é químico, mas ninguém é perfeito (principalmente se você não for químico). Ele é brasileiro e não desiste nunca, mas tudo tem limite e ele resolveu ralar peito daqui, preferindo ser professor-assistente de Climatologia e diretor do Programa de Ciências Atmosféricas da Universidade de Ohio.

Tomando por base os mais precisos dados climáticos e oceanográficos da região do Oceano Pacífico, o dr. Oswaldo, digo, Álvaro Montenegro estabeleceu em sua pesquisa que as mudanças climáticas sazonais e semestrais foram influentes na decisão de viajar pelo Pacífico afora.

Lembrando que o pessoal ia de catamarã, jangada ou qualquer porcaria que flutuasse minimamente.

Montenegro e seus colaboradores utilizaram um modelo computadorizado do Seascape, o qual selecionou aleatoriamente dados mensais ponderados de frequência e de vento coletados pelo Atlas Climático Marinho da Marinha dos EUA do Mundo. Combinou estes padrões probabilísticos do tempo com as velocidades para embarcações pequenas usadas pelos nossos bravos aventureiros (ou pelo menos a ideia que se tem do que eles por ventura possam ter usado. Uma coisa é certa: eles não tinham caravelas).

Depois de plotar os dados climáticos, geografia e topografia dos locais, restou traçar a provável trajetória que os Antigos fizeram. As trajetórias mais prováveis começaram no leste das Filipinas e nas Ilhas Salomão. Claro, levou-se em conta os ventos, principalmente os que vêm do leste, mas sem esquecer dos ventos que vêm do oeste.

El Niño? Sim, também levaram em conta. As simulações mostraram que El Niño produziu condições secas sobre as Filipinas que podem ter motivado os viajantes a continuarem se movendo para o leste. Viajar das Filipinas para as Ilhas Maluku provavelmente incluiu paradas na ilha da Micronésia, mas também poderia ter

De um modo geral, os limites de vento e a distância proporcionados por estas simulações mostraram que a variabilidade sazonal e climática influenciou fortemente os padrões de migração através da Oceania nesse período muito, muito antigo. As mudanças na precipitação podem ter motivado padrões de migração, enquanto o conhecimento de como os ventos mudaram com as estações aumentaria a probabilidade de viagens bem-sucedidas para novas ilhas.

Esses novos modelos oferecem a oportunidade de examinar como o pessoal do Pacífico pode ter planejado viagens oceânicas há milênios, além de dar uma pista sobre a motivação: flutuações climáticas sazonais e interanuais provavelmente levou à migração, já que a barriga comanda as pernas, e assim acabaram tendo que criar novas técnicas de viagem e navegação.

A pesquisa foi publicada no periódico PNAS.

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Sobre André Carvalho

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