Afinal, qual é a população da Terra?

Eu sempre que posso ofereço aos meus leitores uma possibilidade de ler o artigo de duas formas: a rápida e a acurada. Se você é daqueles preguiçosos ocupados demais para ler artigos com mais de 3 linhas, eu respondo logo de início: Cerca de 8,7 milhões. Isso deve bastar para sanar alguma curiosidade momentânea (até que o ícone do MSN comece a piscar e você corra pra lá pra saber qual é nova modinha. Agora, se você estranhou o número e levantou a mão para comentar desesperadamente que só no Brasil tem cerca de 190 milhões de habitantes, pare e preste atenção, pois eu estou falando de espécies viventes, não de número de indivíduos.

Este número assombroso pode parecer muito, mas se você levar em consideração que a larguíssima maioria das espécies que viveram, desde as primeiras bactérias até o ser humano atual (não estou levando em conta o fator melhor ou pior), cerca de mais de 80% já não está mais aqui. Sendo assim, os mais de 8 mi. de espécies não significam muita coisa, o que evidencia que números podem ser enganosos.

Mesmo entre estes quase 9 milhões de espécies, somente cerca de 15% dessas espécies estão devidamente catalogadas. As outras? Ninguém sabe, ninguém viu.

Ei, seu salafrário! Pulha! Sacripanta! Bazófio atoleimado! Como assim não sabem das outras? Como podem os cientistas, mentirosos a ponto de dizerem que meter vírus no braço cura doenças, dizer quantos faltam catalogar? Por isso não acredito na Ciência. Vou destruir meus eletrodomésticos!

Tudo bem, até entendo a sua indignação (e rezando para todos os deuses de todas as religiões que você realmente cumpra a promessa de destruir seus utensílios domésticos, sem esquecer do computador). Até agora, foi catalogado cerca de 1,2 milhão de espécies. Suposições anteriores estimavam desde 3 milhões até centenas de milhões de espécies vivas. Mas, de acordo com pesquisadores do Censo da Vida Marinha, o número proposto de 8,7 milhões é baseado em uma inovadora técnica de análise.

A pesquisa liderada pelo dr. Camilo Mora — professor de Biologia da Universidade do Havaí e da Universidade Dalhousie, em Halifax, Canadá — se baseia na pergunta: “Será que estamos perto de descobrir todas as espécies viventes no planeta?” Bem, a resposta ficou simples: não, estamos muito longe ainda. Isso pode parecer algo de pouca importância, mas não é. Espécies vêm e vão a cada momento, e ter conhecimento pela maioria (já que a totalidade é praticamente impossível) de todas as espécies,poderemos saber como elas estão desaparecendo e, o que é mais interessante, quais os fatores atuantes nessa extinção. Chegamos a um ponto onde nos achamos, em toda a nossa arrogância, obrigados a prevenir a extinção de outras espécies de animais, mas é impossível fazê-lo sem conhecer o que devemos salvar (se é que devemos salvar algo além de nós mesmos de nós mesmos). A pesquisa foi publicada no periódico PLoS Biology.

Pela chamada Red List of Threatened Species (Lista Vermelha de Espécies ameaçadas), proposta pela International Union for the Conservation of Nature (União Internacional para a Conservação da Natureza), ao ser analisadas 59.508 espécies (não me perguntem o problema deles com números redondos), cerca de 19.625 estão classificadas como ameaçadas. Isso não parece ser nada legal, mas se formos pensar bem, de um jeito ou de outro, todas as espécies estão sob alguma forma de ameaça, inclusive a espécie humana. A diferença é as demais espécies não estão ávidas em se auto-aniquilarem.

De minha parte, conhecer o número de espécies existentes hoje, mesmo que não se conheça os detalhes de todas elas, é uma forma de conhecer todas as formas de vida, seu desenvolvimento, e intuir como evitar fazer mais besteiras, protegendo-as quando necessário, mas sem a paranoia que devemos salvar a tudo e a todos, quando não conseguimos nem erradicar focos de dengue ou o analfabetismo.


Fonte: National Geographic

3 comentários em “Afinal, qual é a população da Terra?

  1. Agora imagine algo entre 40 e 50 milhões de espécies que passaram e ainda passam pelo nosso planetinha que surgiram de minúsculos replicadores. Isso é impressionante. Tantas espécies que a Seleção Natural está deixando viver (por enquanto…).

  2. Beleza André! Eu vi esta reportagem na Tv e não entendi uma coisa: segundo os cientistas, a cada 3 minutos ( se não me falha a memória) uma espécie entra em extinção. Como eles sabem disso?

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