Algas oferecem oxigênio para uma em cada cinco aspirações

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Em 1953, quando Sylvia Earle começou a estudar as algas, as plantas marinhas e os micróbios a elas relacionados, eles eram considerados como ervas daninhas marítimas ou pior. Os proprietários de barcos as ridicularizavam como uma forma de lixo que transformava certas porções do mar em um caldo espesso como uma sopa de ervilhas.

Atualmente, Earle aponta que uma das espécies de algas que ela vem estudando ¿ a Prochlorococcus, pequena a ponto de caber dentro de uma gota de água – ganhou fama como talvez o mais abundante dos organismos fotossintéticos da Terra, responsável pela liberação diária de incontáveis toneladas de carbono na atmosfera.

O minúsculo organismo, ao que se estima, fornece o oxigênio para uma em cada cinco de nossas aspirações, disse Earle em entrevista. E ele é apenas um dos milhares de tipos de algas marinhas e de micróbios fotossintéticos que abarcam toda espécie de organismo, de células invisíveis a formações semelhantes a vegetais e florestas de kelp.

Estudiosa das algas nas suas maiores e nas suas menores variedades, Earle é co-autora do Atlas Ilustrado do Oceano publicado recentemente pela National Geographic. Os mapas e gráficos, textos e fotos detalham a maneira pela qual descobertas como a da surpreendente onipresença da Prochlorococcus esclarecem os processos que transcorrem no mar, seu imenso impacto sobre o planeta e sobre a habitabilidade da Terra.

Earle, oceanógrafa e antiga diretora científica da Administração Nacional da Atmosfera e Oceano (NOAA) dos Estados Unidos, participou em mais de meio século de projetos de exploração e proteção ao oceano. Ela conduziu pesquisas pioneiras sobre as algas, estudou de perto a ecologia dos recifes de coral, estabeleceu recordes de profundidade de mergulho, acompanhou mamíferos marinhos em suas vidas e deslocamentos e pressionou as autoridades pela criação de santuários para a preservação da vida marinha.

Ela influenciou a designação pelo presidente Bush, na semana passada, de vastas porções do Oceano Pacífico controladas pelos Estados Unidos como monumentos nacionais. As novas reservas protegidas, que incluem o ponto mais profundo do oceano da Terra, com mais de 11 quilômetros de fundura, têm área superior à da Califórnia.

A paixão de Earle pelo seu trabalho e pelo mar se estende bem além do horizonte. No atlas, ela reporta que cerca de 90% das criaturas que vivem nas profundezas do mar utilizam a bioluminescência como parte de sua estratégia de vida, e que o brilho fantasmagórico que elas apresentam pode terminar por constituir a mais comum das formas de comunicação em nosso planeta.

“Tantas coisas foram descobertas”, ela afirma. “Mas parece que um grande avanço surge a cada minuto. É provável que tenhamos de lançar uma versão completamente atualizada do atlas dentro de cinco anos”.

O conhecimento de Earle a qualifica especialmente para refletir sobre aquilo que ainda é desconhecido, como ela faz em repetidas passagens do livro. Por exemplo, ela descreve a maneira pela qual a luz solar é filtrada pela água marinha e atinge profundidades surpreendentes (o componente azul da luz penetra a até 250 metros de profundidade), mas afirma que os cientistas ainda não conseguiram determinar em que profundidade máxima a vida marinha pode conduzir processos de fotossíntese.

Um tipo de alga, ela aponta, prospera a profundidades superiores a 200 metros ¿bem mais fundo do que os mergulhares podem atingir utilizando sistemas comuns de mergulho.

“O que mais me surpreende é a velocidade com que as novas percepções são obtidas”, ela declarou em entrevista. “Trata-se da maior era para o trabalho de exploração planetária em toda a história humana. E nós tentamos encaixar o máximo possível de informação sobre isso no espaço fornecido pelo livro”.

Tanto Earle quanto seu atlas não sofrem por falta de fãs. “Não existe ninguém como Sylvia”, diz Marcia McNutt, diretora do Instituto de Pesquisa e Aquário da Baía de Monterey, na Califórnia. “Ela oferece uma daquelas raras combinações de energia, paixão e eloquência”.

Robert Gagosian, presidente do Consórcio de Liderança Oceânica, uma organização privada de Washington que representa as principais instituições de pesquisa oceânica dos Estados Unidos, define Earle como uma espécie de apólice mundial de seguros. “Não conheço outro cientista tão apaixonado e tão dedicado”, ele diz. “Ela quer fazer com que número muito maior de pessoas compreenda a importância do oceano para o futuro da humanidade”.

Sylvia Alice Earle, 73, cresceu em uma pequena propriedade rural no sul do Estado de Nova Jersey e passava os verões na costa. Ela fez faculdade na Flórida, e se apaixonou completamente pela pesquisa oceânica, sob a orientação de um cientista cuja especialidade eram as algas. Earle obteve seu doutorado na Universidade Duke, em 1966.

O amor dela pela vida vegetal do oceano é refletido pelas ilustrações de algas que o atlas oferece, bem como por um belo mapa que revela as concentrações altamente variáveis de clorofila – o pigmento verde que aciona a maior parte dos organismos fotossintéticos – nas diferentes regiões oceânicas. O mapa produzido com imagens via satélite revela informações notáveis, como a presença de pontos de clorofila nas águas gélidas em torno do pólo norte e do pólo sul.

Fonte: NY Times

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