Website laico árabe tem mais problemas que sites terroristas

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Uma das páginas da web mais proibidas no mundo árabe é um site espanhol que promove o laicismo, os princípios democráticos e o desenvolvimento da sociedade civil, segundo uma rede de ONGs árabes com sede no Cairo.

O domínio 3almani.org, que em árabe significa laico, nasceu em março de 2007 “com a intenção de mostrar que o laicismo não é sinônimo de ateísmo, idéia muito difundida no mundo islâmico, mas a base de uma democracia em que todos os cidadãos são iguais perante a lei, independentemente de sua religião.”

Foi o que disse um dos criadores da página, que pediu para ser identificado como Nayi Nasr.

A página, cuja insígnia é um farol que acende a curiosidade na obscuridade e cujo nome completo é “A rede dos árabes laicos”, oferece artigos escritos por árabes de todo o mundo sobre religião, política, filosofia, arte e literatura.

No entanto, como assegura o diretor executivo da Rede Árabe para a Informação sobre os Direitos Humanos (RAIDH), Yamal

Aid, “o estranho em tudo isso”, e diferentemente do que muitos podem pensar, é que “as páginas de internet laicas liberais ou que apóiam a democratização têm muitos mais problemas nos países árabes do que as páginas religiosas ou radicais.”

Isso acontece, segundo Aid y Nasr, porque esses países não suportam a crítica política e são alérgicos às reformas democráticas e à lei.

O diretor da RAIDH denuncia que as páginas religiosas, embora mantenham posturas radicais, não são proibidas, uma vez que não fica demonstrado claramente que defendem o recurso à violência.

Isso se deve a que, por um lado, eles tendem a ficar fora de questões políticas e, por outro, utilizam um discurso religioso apoiado em textos sagrados, contra os quais as autoridades preferem não intervir.

3almani, que segundo seus criadores recebe ao redor de duas mil visitas diárias, principalmente da Arábia Saudita, Egito, Kuwait, Líbano, Jordânia e Bahrein, denunciou ao RAIDH que sua página foi censurada em alguns países.

Nasr, que vive na Espanha, disse que eles também convivem diariamente com o ataque de hackers islâmicos chamados de mujarredins do islã na internet.

Fonte: Estadao

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