De frascos com 50 anos, novos indícios da origem da vida

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Uma experiência clássica explorando a origem da vida produziu novos resultados, mais de meio século depois.

Em 1953, Stanley L. Miller, na época um estudante de doutorado de Harold C. Urey na Universidade de Chicago, colocou amônia, metano e hidrogênio – os gases que supostamente estavam presente na atmosfera primordial da Terra- juntamente com água em um frasco selado e aplicou fagulhas elétricas para simular os efeitos de um raio. Uma semana depois, aminoácidos, os blocos de construção das proteínas, foram gerados a partir de moléculas simples.

Presente nos livros escolares, o experimento de Miller-Urey aumentou as expectativas de que os cientistas poderiam solucionar a origem da vida com experiências químicas simples. Mas a empolgação há muito passou. Os aminoácidos nunca se desenvolveram em proteínas mais complexas. Os cientistas agora acham que a composição do ar nos primórdios da Terra era diferente da usada por Miller, levando alguns a questionarem se o experimento de Miller-Urey tinha alguma relevância para a questão ainda não resolvida da origem da vida.

Após a morte de Miller em maio de 2007, o dr. Jeffrey L. Bada, da Instituição Scripps de Oceanografia, em San Diego, que foi um dos estudantes de doutorado de Miller, encontrou caixas contendo centenas de frascos com resíduos secos coletados das experiências realizadas em 1953 e 1954.

Consultando as anotações de Miller, Bada descobriu que Miller construiu duas variações do aparato original. Uma usou apenas um gerador de fagulhas diferente. O segundo injetava vapor nas fagulhas.

Isso chamou a atenção de Bada, porque a adição de vapor parecia reproduzir aquilo que poderia existir em lagoas e piscinas de maré ao redor de vulcões.

Neste ano, Adam P. Johnson, um estudante de doutorado da Universidade de Indiana e que visitava o laboratório de Bada como estagiário, aproveitou a oportunidade para trabalhar nos frascos, apesar do material não parecer notável. “Eram apenas resíduos marrons no fundo de fracos velhos”, disse Johnson.

Em seu trabalho de 1953, Miller relatou que detectou cinco aminoácidos produzidos pelo aparato original. O trabalho de Johnson, usando técnicas modernas, revelou pequenas quantidades de nove aminoácidos adicionais naquelas amostras. Nos resíduos do aparato com o injetor de vapor, os cientistas detectaram 22 aminoácidos, incluindo 10 que nunca foram identificados no experimento de Miller-Urey.

“Isso abre nossos olhos”, disse Bada. “Ele ainda está revelando novas coisas. O que mais existe que não encontramos neste experimento?”

Os resultados de Johnson, Bada e outros colaboradores aparecem na edição de sexta-feira da revista “Science”.

Apesar dos cientistas não mais acharem que a atmosfera primordial parecia com os gases usados por Miller, os gases liberados por erupções vulcânicas possuem propriedades semelhantes. A hipótese dos cientistas é de que as fagulhas dividiam as moléculas de água no vapor, permitindo que a ocorrência de uma grande quantidade de reações químicas.

Nos últimos anos, o experimento de Miller-Urey perdeu importância. A descoberta de aminoácidos em meteoritos sugere que os blocos de construção da vida vieram do espaço, eliminando a necessidade de encontrar processos químicos que possam tê-los produzido na Terra. Alguns cientistas passaram a sugerir que lugares como o fundo do oceano são mais prováveis como local onde os blocos de construção se uniram na forma de um organismo vivo.

Mas, disse Bada, a quantidade de aminoácidos que pode ter chovido dos céus ainda é incerta, e as piscinas de maré seriam um lugar onde os aminoácidos poderiam se acumular de forma concentrada, permitindo a ocorrência de reações mais complexas.

“Minha posição a respeito é de que é preciso considerar tudo”, disse Bada. “Se é possível a ocorrência de uma síntese aqui mesmo, talvez pelo mecanismo que descrevemos aqui, complementado por coisas que caíram do espaço, bem, nós realmente dispomos de um estoque realmente rico de compostos com os quais trabalhar e preparar o palco para a origem da vida.”

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