Eu preciso dizer DE NOVO que jornalista escrevendo sobre ciência é o mesmo que tartaruga tentando costurar? Pois, é. Em mais um cópia/cola do Terra, com uma tradução tosca e mal feita, nós “aprendemos” muitas coisas (erradas). Ficamos “sabendo” que orcas são baleias e são homossexuais. E isso é dito por uma revista. Uau!
Em tempos de web 2.0, informação a um clique de mouse, em cima do olho, de lança lance certeiro, na velocidade da Internet, além de outros chavões ridÃculos, para passar propaganda de “mudernu”, esperamos uma notÃcia, no mÃnimo, atual.
Obviamente, jornalistas costumam ser um caso perdido. Alguma distrofia neurológica ou replicação de cromossomos a mais ou, de repente, algum alelo defeituoso (embora eu vote em imbecilidade crônica mesmo) faz com que essas criaturinhas – que se consideram mais bem informadas que outras, já que estão em cima da lança, com o olho em riste etc – escrevam um monte de bobagens.
O Brasil tem um problema sério com seu jornalismo. Eles deveriam ser um veÃculo de informação, mas agem no sentido inverso. Quando o STF derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalista, muitos chiaram. Não sei porque. Por que precisamos de jornalistas? Para darem uma informação, uma notÃcia? Qualquer um pode fazer isso. Um belo exemplo do “qualquer um pode fazer isso” é a costumeira publicação de besteiras que as revistas Veja e Isto É proporcionam. É lamentável que tais veÃculos tidos como “de informação” consigam transmitir, não só pouco conhecimento, como divulgar bobagens e incorreções, como foi o caso onde a Isto É divulgou um avanço da ciência onde pesquisadores “criaram” uma proteÃna humana em uma simulação das condições climáticas de Titã, a maior dos satélites naturais de Saturno. Peguem refrigerante e pipoca, pois vamos mostrar um verdadeiro festival de idiotices.
Tudo começa com uma manchete. O que seria dos jornais sem as manchetes? Principalmente, sem os exageros inerentes? Acho que ninguém leria (se bem que a maioria só lê o tÃtulo mesmo). Assim, a pseudo-reportagem da Isto É começa de modo bombástico: Os domadores de Titã. Algo que parece ter saÃdo direto da mitologia grega, como os nomes dos corpos celestes envolvidos. Examinando a “notÃcia”, eu me peguei brincando de Jogo dos Vários Erros. Leiam e vamos ver quantos de vocês são capazes de encontrar.
Que diferença faz um canudo na vida da gente? Algumas pessoas choram de emoção ao colocarem a mão em um. Outros não sossegam se não forem dois. Ficam eufóricos, beijam, abraçam, se atracam com o canudo. Uma realização e tanto. Mas, ter um diploma faz de você um bom profissional? Te fará cometer menos erros? Você será mais competente?
O Supremo tribunal Federal acha que não, que a carreira de jornalismo não precisa, necessariamente, requisitar diploma universitário. Ele derrubou nesta quarta-feira (17/06) a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercÃcio da profissão. O relator da matéria, Gilmar Mendes, e os ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluzo, Ellen Gracie e Celso de Mello votaram pelo fim da exigência do certificado. Apenas Marco Aurélio Melo votou pela obrigatoriedade. Por falta de alguma loucura religiosa, eu, do alto da minha sapiência, vaticino: Temos aÃ, mais uma SEXTA INSANA!



