Um Jesus Cristo não histórico

A vida de Jesus e de seus apóstolos desenrola-se apenas como uma peça teatral, na qual Jesus acumula os papéis de deus e de homem. Um dia o público há de convencer-se de que esteve diante de um ser bíblico, sem uma realidade histórica.

Segundo Arthur Weigal, o único testemunho escrito por quem teria convivido com Jesus teria sido a epístola atribuída a Pedro. Teria surgido quando começaram as pretensas perseguições aos cristãos, na qual ele os animava. Entretanto, como a existência de Pedro é igualmente lendária, a epístola em questão não merece fé, tendo sido composta por qualquer cristão, menos pelo mitológico Pedro. Os escritos de Tácito, dadas as adulterações sofridas, carecem de valor histórico. Dai não se poder admitir como verdade que Nero, entre os anos 54 e 68, tenha realmente perseguido aos seguidores de Jesus Cristo.

Tertuliano, entretanto, afirma que Pedro foi martirizado no governo de Nero. Contudo, vários pesquisadores, entre os quais Holmann e Weizsacker, demonstraram que essas perseguições somente começaram a partir do século II. Irineu, no ano 180, achava que a epístola de Pedro fora escrita em 83, mas não por Pedro. Nesta epístola, Pedro dizia que “Jesus sofreu por nós, deixando-nos um exemplo”. Acrescentara ter sido testemunha pessoal dos seus sofrimentos, após os quais subiu ao céu, de onde voltaria em breve. No entanto, sua volta não ocorreu até hoje, apesar de terem se passado dois mil anos.

A falta de cumprimento dessa promessa invalida todas as suas afirmações. Disse Pedro, ainda, que Jesus mandou que se amasse uns aos outros, pagando o mal com o bem, retribuindo a injúria com a bênção. Recomendou a caridade, a hospitalidade e a humildade; o dever de evitar o mal, fazer o bem e buscar a paz, assim como a abstinência da ambição da carne, evitar o rancor, a inveja e a maledicência; a submissão às autoridades, crer em Deus e honrar o rei. As epístolas de Paulo viriam em segundo lugar, como importância histórica. Pedro teria aprendido a doutrina cristã na convivência direta com Jesus. Suas epístolas seriam consideradas autênticas por terem sido escritas 20 ou 30 anos após a crucificação.

Pedro e Paulo afirmaram que Jesus voltaria em breve para julgar a humanidade. Contudo, ambos estavam enganados e enganaram aos outros. Paulo teria conhecido pessoalmente a Pedro e a Jaques, um dos irmãos de Jesus Cristo, assim como referia-se a outras pessoas que teriam convivido com Jesus. A crucificação e a ressurreição teriam sido fatos indiscutíveis para Pedro e Paulo, cujos escritos estariam muito próximos dos acontecimentos.

Paulo, em I Coríntios 11:1, diz: “Imitam-me como se fosse Jesus”. Teria pregado o amor, a paz, a temperança, a caridade, a alegria, a paciência, a doçura, a confiança e a boa vontade. A lei divina deveria ser interpretada segundo o espírito e não conforme a letra. “Amarás ao próximo como a ti mesmo”, seria um amor paciente, caridoso e humilde.

As epístolas procuraram estabelecer a historicidade de Jesus, assim como revelar muitos pontos do seu caráter. Jesus teria vivido apenas para redimir a humanidade, não teria pecado, sendo, sem dúvida alguma, o filho de Deus. Papias, em 140, escreveu que Mateus havia colecionado as máximas de Jesus, e Marcos recolhera muitas notas para o Evangelho. Assim, os Evangelhos seriam o espelho de Jesus, contado pelos apóstolos, espalhando entre os homens o ideal de perfeição moral e mental.

As curas, milagres e pregações de Jesus, em pouco tempo, haviam espalhado o seu nome, galvanizando as multidões, todos sentiam que havia surgido o Messias. Assumiu o papel de Messias e com isso entusiasmou a multidão, pelo que entrou em Jerusalém cercado da emoção e do respeito do povo. Ao anoitecer abandonou a cidade, e, no dia seguinte, ao regressar, encontra muita agitação.

As autoridades haviam tomado medidas contra ele. Dois dias antes da páscoa, tomou sua última refeição com os companheiros e ali permaneceu a espera dos acontecimentos, sabendo que o seu reino não era deste mundo. À noite foi preso e, no dia seguinte, julgado. O povo quis que o sacrificassem em lugar de Bar Abbas. Seria o sacrifício pascal, rito multimilenar que iria mais uma vez acontecer. Após a morte, sai do sepulcro, ressuscitado, e vai ao encontro dos apóstolos, pede comida, e depois de permanecer algum tempo com eles, ascende ao céu prometendo voltar em breve.

Foi este o retrato feito de Jesus Cristo pelo cristianismo, e que ainda hoje milhões de pessoas adoram. Entre nós, são bem poucos os que põem em dúvida a veracidade desse romance contado pelos judeus da diáspora e aproveitado por seus seguidores latinos. No entanto, a razão e o conhecimento estão se encarregando de destruir a pretensa veracidade desse conto. Muitas coisas consideradas como milagres são hoje conseguidas naturalmente através da ciência, da tecnologia moderna, da medicina, do conhecimento científico em todas as suas modalidades, e mesmo através de hipnose.

Diante das conquistas que o homem tem feito, é possível que ele abra os olhos para a verdade e perceba então que Deus jamais se preocupou com sua sorte e com o mundo. A História desmente peremptoriamente que Deus tenha comparecido ao mundo nos momentos de festa ou de dor. O homem foi abandonado à própria sorte e tem lutado muito para sobreviver através dos tempos, e tem obtido sucesso porque está sempre acumulando conhecimentos, os quais emprega em situações futuras.

Diante de tudo o que foi exposto, só nos resta dizer que a História, em dois mil anos, não encontrou uma única prova ou documento que mereça crédito no que diz respeito à vida de Jesus. Sua existência é fictícia e só encontra agasalho no seio da mitologia. Seu nascimento, sua vida, sua morte, sua família, seus discípulos, tudo, enfim, que lhe diz respeito, tem analogia com as crenças, ritos e lendas dos deuses solares, adorados sob diversos nomes e modalidades e por povos diversos, também. Dele, a História nada sabe.

Próximo capítulo: Jesus e o tempo

Veja os outros capítulos da série A maior farsa de todos os tempos clicando aqui.

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Um Ping to "Um Jesus Cristo não histórico"

  1. Crença no “Arrebatamento” é colagem de textos bíblicos » Ceticismo.net disse:

    [...] “arrebatamento” jamais vai acontecer, e o Jesus também nunca retornará, pois o mesmo nunca existiu na História como personagem real. São mitos. Não aparecerá nenhum disco voador para levar os santíssimos [...]


9 respostas para "Um Jesus Cristo não histórico"

  1. 1. Tharcio disse:

    Oi pessoal

    Estou sentindo falta de referências bibliográficas que possam ser conferidas. Isso daria mais força as afirmações e possibilitaria o prosseguimento da pesquisa para fontes mais primarias. Se poderem me mandar agradeço.

    Um abraço
    Tharcio

    Administrador André respondeu:

    Sugiro a leitura dos livros de Bart Ehrman, Karen Armstrong, Harold Bloom e John Dominic Crossan

  2. 2. webcodigo disse:

    “Foi este o retrato feito de Jesus Cristo pelo cristianismo, e que ainda hoje milhões de pessoas adoram. Entre nós, são bem poucos os que põem em dúvida a veracidade desse romance contado pelos judeus da diáspora e aproveitado por seus seguidores latinos. No entanto, a razão e o conhecimento estão se encarregando de destruir a pretensa veracidade desse conto. Muitas coisas consideradas como milagres são hoje conseguidas naturalmente através da ciência, da tecnologia moderna, da medicina, do conhecimento científico em todas as suas modalidades, e mesmo através de hipnose.”

    Se possivel,poderia ser criado um artigo explciando o que a ciencia explcia sobre esses fatos,acima?

    Administrador André respondeu:

    Quais fatos? Os milagres? Eu nunca vi nenhum. Os que aparecem na TV são puro sensacionalismo.

  3. 3. webcodigo disse:

    Concordo…

    Mas disse isto no tópico:
    “Muitas coisas consideradas como milagres são hoje conseguidas naturalmente através da ciência, da tecnologia moderna, da medicina, do conhecimento científico em todas as suas modalidades, e mesmo através de hipnose”

    Eu gostaria de saber o que a ciência diz destas coisas que foram declaradas milagres.Como ditas acima

    Administrador André respondeu:

    Por favor, cite o referido milagre primeiro.

  4. 4. webcodigo disse:

    Dos que você mesmo disse no tópico.Por trás das frases…

    “Muitas coisas consideradas como milagres”

    E sobre estas que qeuro saber…

    Administrador André respondeu:

    1) O texto não é meu.
    .
    2) Vc nunca ouviu falar em generalização não?

    Joseph K respondeu:

    @webcodigo,
    Se possivel,poderia ser criado um artigo explciando o que a ciencia explcia sobre esses fatos,acima?
    Acho que está ficando meio confusa, a discussão, mas pelo que entendi, você tem interesse nos “milagres” e como eles podem ser explicados (desmascaradas as fraudes) e gostaria de um artigos específico sobre isso.
    Na minha opinião, isso seria um esforço inútil, uma vez que “milagres” teimam em aparecer a toda hora, em todo lugar (um exemplo).
    De qualquer modo, há uma lista razoável de milagres e outras cascatas, aqui mesmo, é só dar uma pesquisada.

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