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A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

A improbabilidade de Deus

god.jpgPor Richard Dawkins

Muito do que as pessoas fazem é em nome de Deus. Os irlandeses mandam-se uns aos outros pelo ar em nome de Deus. Os árabes mandam-se a si próprios pelo ar em nome de Deus. Os imãs e os aiatolás oprimem as mulheres em nome de Deus. Os papas e os padres celibatários destroçam a vida sexual das pessoas em nome de Deus. Os shohets judeus cortam a garganta de animais vivos em nome de Deus.

As proezas da religião no passado ? cruzadas sangrentas, inquisições que praticavam a tortura, conquistadores que assassinavam em massa, missionários que destruíam culturas, resistência reforçada legalmente e até ao último momento possível a cada nova verdade científica ? são ainda mais impressionantes. E tudo isto para quê? Creio que se torna cada vez mais claro que a resposta é absolutamente para nada. Não há nenhuma razão para que acreditemos que existam quaisquer espécies de deuses e há muito boas razões para que acreditemos que não existem e nunca existiram. Foi tudo um gigantesco desperdício de tempo e de vida. Seria uma anedota de proporções cósmicas se não fosse tão trágico.

Por que é que as pessoas acreditam em Deus? Para a maior parte das pessoas a resposta é ainda uma qualquer versão do antigo Argumento do Desígnio. Olhamos em volta para a beleza e complexidade do mundo ? para o movimento aerodinâmico de uma asa de andorinha, para a delicadeza das flores e das borboletas que as fertilizam; por intermédio de um microscópio para a vida luxuriante existente em cada gota de água de um tanque; por intermédio de um telescópio para a copa de uma sequóia gigante. Refletimos na complexidade eletrônica e na perfeição óptica dos nossos olhos que vêem tudo isto. Se temos alguma imaginação, estas coisas conduzem-nos a um sentimento de temor e reverência. Além disso, não podemos deixar de nos impressionar com a semelhança óbvia dos órgãos vivos com os projetos cuidadosamente planeados dos engenheiros humanos. A expressão mais famosa deste argumento é a analogia do relojoeiro de William Paley, padre do século dezoito. Mesmo que não soubéssemos o que é um relógio, o caráter obviamente concebido dos seus dentes e molas e de como engrenam uns nos outros para um propósito, forçar-nos-ia a concluir “que o relógio teve de ter um autor: que teve de ter existido, nalguma altura, num lugar ou noutro, um artífice ou artífices, que o concebeu com o propósito a que o vemos agora responder; que compreendeu a sua construção e concebeu o seu uso.” Se isto é verdade de um relógio relativamente simples, não é muito mais verdade do olho, do ouvido, do rim, da articulação do cotovelo e do cérebro? Estas belas, complexas e intrincadas estruturas, que foram evidentemente construídas com um propósito, tiveram de ter o seu próprio autor, o seu próprio relojoeiro ? Deus.

Tal é o argumento de Paley, e é um argumento que praticamente todas as pessoas que refletem e têm sensibilidade descobrem por elas próprias em certa altura da sua infância. Durante a maior parte da história deve ter parecido absolutamente convincente e de uma verdade auto-evidente. E contudo, como resultado de uma das mais espantosas revoluções intelectuais da história, sabemos agora que é errado ou pelo menos supérfluo. Sabemos agora que a ordem e a aparente intencionalidade do mundo vivo aconteceu por intermédio de um processo completamente diferente, um processo que funciona sem a necessidade de qualquer autor e que é uma conseqüência de leis físicas basicamente muito simples. Este é o processo de evolução por seleção natural, descoberto por Charles Darwin e, independentemente, por Alfred Russel Wallace.

O que têm em comum todos os objectos que parecem ter de ter tido um autor? A resposta é improbabilidade estatística. Se encontramos um seixo transparente a que o mar deu a forma de uma lente imperfeita, não concluímos que teve de ser concebido por um oculista: as leis da física por si sós são capazes de alcançar este resultado; não é muito improvável que tenha meramente “acontecido”. Mas se encontramos uma lente composta trabalhada, cuidadosamente corrigida contra a aberração esférica e cromática, revestida contra o brilho e com “Carl Zeiss” gravado no rebordo, sabemos que não poderia ter acontecido meramente por acaso. Se pegarmos em todos os átomos de uma tal lente composta e os lançarmos juntos ao acaso sob a impulsionante influência das leis vulgares da física na natureza é teoricamente possível que, por puro acaso, os átomos se agrupem segundo o padrão da lente composta da Zeiss e até que os átomos em redor da orla se agrupem de modo a que o nome Carl Zeiss seja gravado. Mas o número de outras formas segundo as quais os átomos poderiam, com idêntica probabilidade, ter-se agrupado é tão extremamente, imensamente, incomensuravelmente elevado, que podemos pôr completamente de lado a hipótese do acaso. Como explicação o acaso está fora de questão.

A propósito, este argumento não é circular. Pode parecer circular porque, depois da ocorrência, podemos dizer que qualquer organização particular de átomos é muito improvável. Como já alguém disse, quando uma bola cai num determinado pedaço de relva no campo de golfo, seria loucura exclamar: “De todos os bilhões de pedaços de relva em que a bola poderia ter caído, caiu efetivamente neste. Quão admiravelmente e miraculosamente improvável!” Claro que a falácia aqui é que a bola tinha de cair nalgum lado. Só podemos ficar admirados com a improbabilidade do acontecimento real se o determinarmos a priori: por exemplo, se uma pessoa de olhos vendados girasse sobre si no tee, acertasse na bola ao acaso e conseguisse um hole in one. Isso seria verdadeiramente espantoso, porque o destino alvo da bola tinha sido estabelecido previamente.

De todas as trilhões de formas diferentes de juntar os átomos de um telescópio, apenas uma minoria poderia na realidade funcionar de forma útil. Apenas uma pequena minoria teria Carl Zeiss gravado ou, na verdade, quaisquer palavras reconhecíveis de qualquer linguagem humana. O mesmo é verdade para as partes de um relógio: de todos os bilhões de modos possíveis de os juntar, apenas uma pequena minoria dirão as horas ou farão qualquer coisa útil. E, claro, o mesmo é verdade, a fortiori, para as partes dos corpos vivos. De todos os trilhões de trilhões de modos de juntar as partes de um corpo, apenas uma minoria infinitesimal viverão, procurarão comida, comerão e se reproduzirão. É verdade que há muitas formas diferentes de estar vivo ? pelo menos dez milhões de formas diferentes, se contarmos o número de espécies diferentes que estão atualmente vivas ? mas, por mais formas que possam existir de estar vivo, de certeza que há muito mais de estar morto!

Podemos com segurança concluir que os corpos vivos são bilhões de vezes demasiado complicados ? demasiado estatisticamente improváveis ? para terem surgido por puro acaso. Como é que surgiram, então? A resposta é que o acaso entra na história, mas não um único e monolítico ato de acaso. Em vez disso, toda uma série de pequenos passos ocasionais, cada um suficientemente pequeno para ser um resultado credível do seu predecessor, ocorreram uns atrás dos outros em seqüência. Estes pequenos passos do acaso são causados por mutações genéticas, mudanças fortuitas ? erros de fato ? no material genético. Originam mudanças na estrutura corporal existente. A maior parte dessas mudanças são perniciosas e levam à morte. Uma minoria revelam-se pequenas melhorias, que conduzem a um aumento da sobrevivência e da reprodução. Por este processo de seleção natural, as mudanças ao acaso que se revelam no fim de contas benéficas espalham-se pela espécie e tornam-se a norma. O cenário está agora montado para a próxima pequena mudança no processo evolutivo. Depois de, digamos, um milhar destas pequenas mudanças em série, cada mudança fornecendo a base para a próxima, o resultado final tornou-se, por um processo de acumulação, demasiado complexo para ter surgido num único ato de acaso.

Por exemplo, é teoricamente possível que um olho se forme do nada, num único passo de acaso: digamos que a partir apenas da pele. É teoricamente possível no sentido em que poderíamos escrever uma receita com a forma de um grande número de mutações. Se todas estas mutações acontecessem simultaneamente, poderia mesmo surgir do nada um olho completo. Mas embora seja teoricamente possível, é na prática inconcebível. A quantidade de acaso que envolve é demasiada. A receita “correta” envolve mudanças num enorme número de genes simultaneamente. A receita correta é uma combinação particular de mudanças em trilhões de combinações de acasos igualmente prováveis. Podemos certamente excluir uma tal miraculosa coincidência. Mas é perfeitamente plausível que o olho moderno se tenha formado a partir de algo que fosse quase igual ao olho moderno mas não exatamente igual: um olho ligeiramente menos elaborado. Pelo mesmo argumento, este olho ligeiramente menos elaborado formou-se a partir de um ainda menos elaborado, etc. Se assumirmos um número suficientemente grande de pequenas diferenças entre cada estádio evolutivo e o seu predecessor, somos capazes de derivar um olho completo, complexo, a funcionar, a partir apenas da pele. Quantos estádios intermédios podemos postular? Isso depende do tempo de que dispusermos. Houve tempo suficiente para os olhos evoluírem por pequenos passos a partir do nada?

Os fósseis dizem-nos que a vida evolui na Terra há mais de 3000 milhões de anos. Para a mente humana é quase impossível apreender uma tal imensidão de tempo. Nós, naturalmente e felizmente, tendemos a ver a nossa própria expectativa de vida como razoavelmente longa, mas não podemos esperar viver nem sequer um século. Passaram 2000 anos desde que Jesus viveu, tempo suficiente para esbater a distinção entre história e mito. Podemos imaginar um milhão de períodos desses colocados lado a lado? Suponhamos que queremos escrever toda a história num longo e único rolo. Se amontoássemos toda a história da Era Comum num metro de rolo, que tamanho teria a parte do rolo da Era pré-Comum até ao começo da evolução? A resposta é que a parte do rolo da Era pré-Comum estender-se-ia de Milão a Moscou. Pensemos nas implicações disto para a quantidade de mudanças evolutivas que podem ser incluídas. Todos as raças de cães domésticos ? pequineses, poodles, spaniels, São Bernardos e chihuahuas ? provieram de lobos num espaço de tempo medido em centenas ou no máximo milhares de anos: não mais que dois metros ao longo da estrada de Milão para Moscou. Pensemos na quantidade de mudança envolvida na passagem de lobo a pequinês; agora multipliquemos essa quantidade de mudança por um milhão. Quando olhamos para isto dessa maneira, torna-se fácil acreditar que um olho pode ter evoluído por pequenos passos a partir do nada.

É preciso ainda convencermo-nos de que cada um dos mediadores na rota da evolução, digamos da mera pele para um olho moderno, teria sido favorecido pela seleção natural; teria sido um progresso em relação ao seu predecessor na seqüência ou pelo menos teria sobrevivido. Não serviria de nada provarmos a nós próprios que existe teoricamente uma cadeia de mediadores quase perceptivelmente diferentes levando a um olho se muitos desses mediadores tivessem morrido. Afirma-se às vezes que as partes de um olho têm de estar todas reunidas ou o olho não funcionará. Metade de um olho, diz o argumento, não é melhor que nenhum olho. Não podemos voar com metade de uma asa; não podemos ouvir com metade de um ouvido. Portanto, não pode ter existido uma série de passos intermédios conduzindo ao olho, asa ou ouvido modernos.

Este tipo de argumento é tão ingênuo que podemos apenas perguntar-nos quais os motivos subconscientes para acreditar nele. É obviamente falso que meio olho seja inútil. As pessoas que sofrem de cataratas a quem removeram cirurgicamente os cristalinos não podem ver muito bem sem óculos, mas ainda assim estão muito melhor do que as pessoas que não têm quaisquer olhos. Sem o cristalino não é possível focar uma imagem detalhada, mas é possível evitar chocar com obstáculos e seria possível detectar a sombra vaga de um predador.

Quanto ao argumento segundo o qual não podemos voar com apenas metade de uma asa, é refutado por um grande número de animais planantes bem sucedidos, incluindo mamíferos de gêneros muito diferentes, lagartos, rãs, cobras e chocos. Muitos gêneros diferentes de animais que vivem nas árvores têm abas de pele entre as suas articulações que são de fato asas fracionadas. Se cairmos de uma árvore, qualquer aba de pele ou alisamento do corpo que aumente a nossa área de superfície pode salvar-nos a vida. E, por muito pequenas ou grandes que as nossas abas possam ser, haverá sempre uma altura crítica tal que, se cairmos de uma árvore dessa altura, a nossa vida poderia ter sido salva por precisamente um pouco mais de área de superfície. Portanto, quando os nossos descendentes desenvolverem essa área de superfície extra, as suas vidas serão salvas precisamente por um pouco mais, mesmo que caiam de árvores de uma altura ligeiramente maior. E assim sucessivamente, por passos imperceptivelmente graduados até que, centenas de gerações depois, chegamos a asas completas.

Os olhos e as asas não podem surgir num passo único. Isso seria como ter a sorte quase infinita de acertar na combinação que abre a caixa-forte de um grande banco. Mas se girarmos os discos da fechadura ao acaso e, de cada vez que nos aproximarmos um pouco mais do número da sorte, a porta da caixa-forte rangendo abrir outra ranhura, em breve teremos a porta aberta! Na essência, é esse o segredo de como a evolução por seleção natural realiza o que pareceu impossível. Coisas que não podem plausivelmente ser derivadas de predecessores muito diferentes podem plausivelmente ser derivados de predecessores apenas ligeiramente diferentes. Contanto que haja uma série suficientemente longa de predecessores ligeiramente diferentes, podemos derivar qualquer coisa de qualquer outra coisa.

Portanto, a evolução é teoricamente capaz de fazer o trabalho que antigamente parecia ser uma prerrogativa de Deus. Mas há alguma prova de que a evolução tenha de fato acontecido? A resposta é sim; a prova é esmagadora. Milhões de fósseis encontram-se exatamente nos lugares e exatamente à profundidade a que devemos esperar que estejam se a evolução aconteceu. Nem um único fóssil foi alguma vez encontrado num local em que a teoria da evolução não previsse que estivesse, embora isto pudesse ter acontecido com muita facilidade: um fóssil de um mamífero tão antigo que os peixes ainda não existissem, por exemplo, seria suficiente para refutar a teoria da evolução.

Os padrões de distribuição dos animais e das plantas pelos continentes e ilhas do mundo são exatamente os que seria de esperar que fossem se eles tivessem evoluído de antepassados comuns por graus lentos e graduais. Os padrões de semelhança entre animais e plantas são exatamente o que esperaríamos se alguns fossem entre si primos chegados, e outros mais distantes. O fato do código genético ser o mesmo em todas as criaturas vivas sugere esmagadoramente que todas descendem de um único antepassado. As provas a favor da evolução são tão conclusivas que a única forma de salvar a teoria da criação é assumir que Deus deliberadamente colocou enormes quantidades de provas para fazer com que parecesse que a evolução ocorreu. Por outras palavras, os fósseis, a distribuição geográfica dos animais e tudo isso, são todos um gigantesco conto do vigário. Alguém quer adorar um Deus capaz de tal embuste? É certamente muito mais respeitoso, assim como mais sensato do ponto de vista científico, tomar as provas pelo seu valor facial. Todas as criaturas vivas são primas umas das outras, descendem de um antepassado remoto que viveu há mais do que 3000 milhões de anos.

Por conseguinte, o Argumento do Desígnio foi destruído como razão para acreditar em Deus. Existem outros argumentos? Algumas pessoas acreditam em Deus por causa do que sentem ser uma revelação interior. Tais revelações nem sempre são edificantes mas para a pessoa em questão são sem dúvida sentidas como reais. Muitos habitantes de hospícios têm uma fé inabalável em que são Napoleão ou, na verdade, o próprio Deus. Não há dúvida do poder de tais convicções para quem acredita nelas, mas isto não é razão para que o resto de nós acredite. Na verdade, uma vez que essas crenças são mutuamente contraditórias, não podemos acreditar nelas.

É preciso dizer um pouco mais. A evolução por seleção natural explica muitas coisas, mas não poderia ter começado do nada. Não poderia ter começado sem que houvesse algum gênero de reprodução e de hereditariedade. A hereditariedade moderna baseia-se no código de DNA, que é ele mesmo demasiado complicado para ter surgido espontaneamente por um único ato de acaso. Isto parece significar que teve de existir algum sistema hereditário anterior, agora desaparecido, que era suficientemente simples para ter surgido por acaso e pelas leis da química e que forneceu o meio no qual uma forma primitiva de seleção natural cumulativa pôde começar. O DNA foi um produto posterior desta seleção primitiva e cumulativa. Antes deste gênero original de seleção natural, houve um período em que foram construídos compostos químicos complexos a partir de compostos químicos mais simples e antes desse um período em que os elementos químicos foram feitos a partir de elementos mais simples, seguindo leis físicas bem compreendidas. Antes disso, em última instância foi tudo construído de hidrogênio puro no imediato seguimento do big bang que iniciou o universo.

Há a tentação de defender que, embora Deus possa não ser necessário para explicar a evolução da ordem complexa uma vez que o universo, com as suas leis fundamentais da física, tenha começado, precisamos de um Deus para explicar a origem de todas as coisas. Esta idéia não deixa Deus com muito que fazer: somente iniciar o big bang, e em seguida sentar-se e esperar que tudo aconteça. O físico-químico Peter Atkins, no seu livro maravilhosamente escrito The Creation, postula um Deus preguiçoso que se esforçou por fazer tão pouco quanto possível para iniciar tudo. Atkins explica como cada passo na história do universo seguiu, por simples lei física, o seu predecessor. Reduziu assim a quantidade de trabalho que o criador preguiçoso precisaria de fazer e no fim de contas concluiu que de fato não precisaria de fazer nada!

Os detalhes da fase inicial do universo pertencem ao reino da física e eu sou biólogo, mais interessado nas últimas fases da evolução em complexidade. Para mim, o ponto importante é que, mesmo se o físico precisa de postular um mínimo irredutível que teve de estar presente no começo, para que o universo começasse, esse mínimo irredutível é certamente extremamente simples. Por definição, as explicações construídas sobre premissas simples são mais plausíveis e mais satisfatórias do que as explicações que têm de postular começos complexos e estatisticamente improváveis. E dificilmente poderemos encontrar algo mais complexo do que um Deus Todo-Poderoso!

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

  • Dra1nyou

    Esse Dawkins é ridículo! Parece uma criança escrevendo! Vá lá, o imbecil sabe alguma coisa da sua seara, mas quando se mete a falar de religião é idêntico a uma mula soltando coices. Nem dá para comentar o artigo inteiro pois o próprio autor ignora ou esconde, na melhor das hipóteses, um monte de fatos. Mas basta analisar o primeiro parágrafo e ver o erro de raciocínio do demiurgo do neo-ateísmo. O “humanista” Dawkins na ânsia de “apedrejar” os deuses, afirma que muitos por aí saem explodindo, uns aos outros, em nome de alguma divindade. Fica parecendo que toda a morte que acontece no mundo tem uma prece antes!. Acontece que a ação parte do homem. Nada pode afirmar que os “deuses” interferiram na própria escolha humana. Os deuses não mandam matar em seu nome. Pode-se, além do mais, matar em nome de qualquer coisa: da ciência, do socialismo, do ateísmo, da televisão, basta um pretexto qualquer. Agora culpar a religião por todas a atrocidades da humanidade é de uma falta de escrúpulos ímpar! Equivale ao idiota que vive à macaquear a velha frase batida : “Idade média é a idade das trevas”, sendo que o século XX foi de longe o século do morticínio em massa. É muita burrice para uma pessoa só!

    Administrador André respondeu:

    Concordo em parte. O problema está quando usam a religião como se fosse o berço da ética e moral, quando não é. O que não me parece claro para muitos é a diferença entre religiosidade e religião. E quando os livros das principais religiões defendem morticínio, estupro, saques e violência exacerbada, o caminho para críticas extremamente virulentas como as do Dawkins (não que eu concorde com elas sempre) fica aberto que nem uma autobahn.

    Afinal, o mesmo cara que disse para amar o próximo como a ti mesmo também falou que não ia revogar a ei dos profetas, que mandam matar homossexuais, apedrejar mulheres que foram estupradas mas não gritaram alto e exterminar cidades inteiras.

  • Lindomar JL. de Souza

    Quando plantamos uma árvore, introduzimos sua semente no solo, e a partir desse momento, não interferimos mais. A semente vai brotar por sim mesma. Não vamos fazer com que suas células se reproduzam. Acredito no mesmo, em relação com Deus e o Universo. O Big Bang foi a semente, a evolução o crescimento da árvore, e a humanidade, os frutos. Todavia sempre acredito na interferência de forças benéficas, quando as invocamos. Se Deus existe, é uma questão de fé mesmo, não temos como verificar sua existência por métodos científicos, como diz o Agnosticismo.

    Administrador André respondeu:

    Então, alguém “plantou uma sementinha” e PUMBA!, seu deus brotou.

    Lindomar JL. de Souza respondeu:

    @André, Não! Deus é que plantou. Fiz uma analogia entre o Big Bang, e a semente. Não disse nada sobre a origem de Deus.

    Administrador André respondeu:

    Mas esse seu deus-das-lacunas deve ter vindo de algum lugar. Pois se ele não precisou ser “semeado”, então as demais coisa também não.

    DalilaMartins respondeu:

    @André, E se esse Deus das lacunas for infinito, assim como o universo for?
    São penas teorias minhas, não deve aceitar isso, mas é uma sugestão que fiz a mim mesma, mas não tenho certeza disso.
    Do mesmo jeito que vocês dizem a inexistência como sugestão, baseado em teorias e evidências que não foram provadas, assim como a existência.
    Não seria mais fácil dizer “EU NÃO SEI”? Do que afirmar existência e inexistência sem provas?
    Vocês pedem tanto a Ônus da Prova, mas não provam a inexistência também. Qual é a de vocês afinal? 😕
    Não acreditar é uma coisa, mas leio esses comentários e só vejo afirmações, como se tivessem certeza absoluta da existência ou da inexistência!
    Se vocês tem certeza, por que não provam, já que pedem tanto a prova da existência?
    Só vejo teorias…Claro que a lógica deve ser considerada, mas sem provas a lógica vira mito. :mrgreen:
    Eu particularmente não tenho opinião sobre existência, nem provas para dar, mas acredito nela, assim como tal acreditam na inexistência. Só que quando alguém me pergunta se Deus existe, eu simplesmente digo, EU NÃO SEI.
    Não é mais fácil? 😉

    DalilaMartins respondeu:

    @DalilaMartins, * Consertando o penas rsrsrs.
    *Apenas.

    Administrador André respondeu:

    E se esse Deus das lacunas for infinito, assim como o universo for?
    São penas teorias minhas, não deve aceitar isso, mas é uma sugestão que fiz a mim mesma, mas não tenho certeza disso.
    Do mesmo jeito que vocês dizem a inexistência como sugestão, baseado em teorias e evidências que não foram provadas, assim como a existência.
    Não seria mais fácil dizer “EU NÃO SEI”? Do que afirmar existência e inexistência sem provas?

    E se esse Saci for infinito, assim como o universo for?

    Vocês pedem tanto a Ônus da Prova, mas não provam a inexistência também. Qual é a de vocês afinal?

    1) Leia o Título.

    2) Eu posso usar este argumento para provar a existência de Gandalf, Papai Noel, Rumpelstiltskin etc.

    Se vocês tem certeza, por que não provam, já que pedem tanto a prova da existência?

    Porque o único deus que existe é André. Se eu existo, seu deus não pode existir.

    Refute. 😉

    Eu particularmente não tenho opinião sobre existência, nem provas para dar, mas acredito nela,

    Crente não é crente se não se contradizer.

    JCFerranti respondeu:

    @DalilaMartins, Não há como provar a inexistência de algo, a não ser pela falta de evidências de existência desse algo.
    Você pode provar a inexistência do Saci? Da mula-sem-cabeça? Do Bicho-papão? Sim, mas somente pela falta de evidências da sua existência!
    A partir do momento que você aceita qq coisa como prova da existência de algo e outros não aceitam, seu argumento perde força. Você deve apresentar algo palpável e não aberto a discussões.

    voix69 respondeu:

    @DalilaMartins,

    “…baseado em teorias e evidências que não foram provadas,…”
    – Só para refrescar minha memória. Quais teorias e evidências não foram provadas?

    “Vocês pedem tanto a Ônus da Prova, mas não provam a inexistência também. Qual é a de vocês afinal?”
    – Inversão do ônus da prova é uma falácia que consiste em isentar-se de provar uma afirmação feita, exigindo que o outro prove a que essa não é válida.
    – Ou seja, quem afirma deve provar. Simples assim.
    – Vou te dar um exemplo: Eu afirmo que existe uma chaleira orbitando o Sol. Prove que não existe!

    “Só vejo teorias…Claro que a lógica deve ser considerada, mas sem provas a lógica vira mito.”
    -Hum…interessante. Você pode aplicar esse raciocínio à religião. Certo? 😉

    “Só que quando alguém me pergunta se Deus existe, eu simplesmente digo, EU NÃO SEI. Não é mais fácil?”
    – Pode até ser mais fácil. Mas aqui (falo por mim e creio pela maioria que frequenta o blog) o “mais fácil” pode ser preguiça de pensar ou simplesmente acreditar que determinada questão seja verdade. E “crer” não funciona muito por aqui.

    Almeida respondeu:

    @DalilaMartins,
    Só que quando alguém me pergunta se Deus existe, eu simplesmente digo, EU NÃO SEI.
    Não é mais fácil?

    Pra você sim, mas pra seres pensantes não. Pessoas com esse tipo de pensamento costuma cair com muita facilidade em falácias.
    Se um crente tentar te convencer usando falácia de Pascal por exemplo, você rapidinho passa a crer em Deus, o 3 em 1.

  • Zappa

    Olá gente,

    Primeiramente, parabéns pelo blog. Ótima fonte de informação sobre temas muitas vezes polêmicos.

    Sei que o tópico é antigo, mas esse debate foi um dos mais legais que li aqui no site (em alguns momentos, hilário) e gostaria de postar algumas considerações.

    O embate entre ciência x religião, por si só, é uma coisa sem sentido, pois são visões completamente antagônicas do universo. A religião, tem como premissa o “Crer”. A ciência o “Duvidar”.

    Nos primórdios da humanidade, praticamente todos os fenômenos naturais se apresentavam sem nenhuma explicação, mas é inerente da condição humana, a busca por respostas. Na ausência de algo melhor, porque não uma divindade??? Era perfeito, pois ao mesmo tempo que respondia todas as questões, quem “entendesse” essa divindade obtinha poder perante os demais. Não por acaso, na maioria das civilizações primitivas, o Rei, ou Governante, também era Deus, ou um enviado dele. Mesmo naquelas onde tal fato não ocorreu, o “Oráculo”, ou Sacerdote, tinha grande poder e importância.

    Mas o ser humano se revelou surpreendentemente hábil em investigar as coisas de forma mais profunda, e respostas começaram a surgir. Respostas estas que invariavelmente contradiziam os dogmas religiosos, por isso, a ciência e seus expoentes tiveram que lutar duramente contra a classe sacerdotal, pois era uma ameaça a interesses políticos (leia-se, dinheiro e poder). Ainda sim, notadamente apoiada em resultados práticos, a ciência venceu… mudou o mundo e hoje todos vivemos intrinsecamente ligados à ela. Graças a Deus (ironia!!!) no mundo “civilizado” temos o Estado Laico e a religião foi devidamente posta em seu lugar de direito. Nos cultos de domingo.

    Eu pessoalmente não tenho nada contra a religião e a ideia de Deus… no fundo (talvez pela criação católica, talvez por medo da morte) ainda acredito Nele. É patético às vezes… mas fazer o quê. Talvez psicanálise.

    Mas o que eu acho ainda mais patético, são crentes embasando a sua crença no confronto ao conhecimento cientifico, ou falaciosamente tentando se apoiar nele. Fica mais bonito dizer “Creio, não posso prová-lo, não posso medi-lo, sei que Dawkins está certo… mas ainda sim creio!!!”

    Isso chama-se Fé!!! É uma coisa muito engraçada, talvez um instinto remanescente de nossos ancestrais.

    A Fé dentro das pessoas pode ser muito boa, pois incentiva a caridade, a generosidade, o altruísmo e outras qualidades positivas da humanidade, e é importante para recuperar socialmente “almas” perdidas, ignorantes, doentes, sem esperança, etc… Entretanto foi, e ainda é, uma arma poderosa e imensamente destrutiva, principalmente quando utilizada com objetivos geo-políticos. Mas pode ser ruim também na esquina de casa quando ultrapassa os limites do bom senso e se torna fanatismo.

    Enfim, confrontar a fé com a ciência é uma inutilidade, e aqueles que criticam o argumento de Dawkins no afã de dar “embasamento lógico-científico” sua fé, fé não possui. Besteiras como criacionismo, design inteligente e outras pseudo-ciências são sintomas de Dissonância Cognitiva. É o indivíduo manipulando dados, informações, conceitos, de forma a atingir um resultado onde sua crença possa se adequar. São pessoas em eterno conflito interior.

    Por fim, em última instância, apesar de concordar com Dawkins, posso afirmar que ele está errado. Deus existe sim… na cabeça das pessoas.