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O ornitorrinco

Responda rápido: O que tem bico que nem ave, rabo de castor, olhos de toupeira, pé de pato, veneno nas esporas, anda que nem réptil, é peludo, coloca ovos semelhantes aos do lagarto e é mamífero? A resposta é a foto do rapazinho aí do lado e é uma grande dor de cabeça para os criaburricionistas e defensores do DI (Design Intelijumento). Se bem que há quem ache que caracóis são ótimos exemplos de uma obra de arte de um projetista tão inteligente que cria um animal que defeca na própria cabeça, mas isso é secundário.

O nosso amiguinho da foto é um ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus) e é uma das maravilhas da Evolução. Queira a crentalhada ou não, o ornitorrinco demonstra claramente que ele possui parentesco com diversos animais. O estudo sobre nosso amigo bicudo tem revelado muitas descobertas interessantes. Aqui aprenderemos um pouco mais sobre ele.

Tudo bem, temos que confessar: ele é um bicho muito estranho! Tão estranho que foi tido como uma fraude quando foi enviado no século XIX por cientistas da Austrália, onde era originalmente encontrado, para a Europa.

Os ornitorrincos descendem de uma linhagem de mamíferos que se desvinculou das demais e permaneceu com algumas das características dos répteis ancestrais dos primeiros mamíferos, ou seja, ele é um mix genético de diversas espécies e como ele se apresentou adaptado ao ambiente que o cercava, a Seleção Natural fez o seu serviço. Em outras palavras, podemos dizer que essa mistureba de genes permitiu que ele sobrevivesse ao meio em que se encontrava.

Seu habitat atual fica na Austrália (famosa por outro bicho muito esquisito: o canguru), Nova Zelândia e na Tasmânia (não, não é o Taz), vivendo em rios e riachos e em suas proximidades. Cientistas supõem que se originou há cerca de 150 milhões de anos, perto da extinção dos dinossauros.

A teoria mais aceita para a extinção dos dinossauros defende a queda de um grande meteoro em Yucatán, México, de cerca de 50 km de diâmetro. A imensa onda de choque equivaleu à explosão de centenas de bombas nucleares e dizimou grande parte da vida sobre a Terra. O impacto fez com que toneladas de rochas, poeira e cinzas fossem atiradas para o alto, bloqueando a luz solar por muitos meses.

A maioria dos dinos eram herbívoros e, com o bloqueio da luz do Sol, as plantas não puderam mais fazer fotossíntese e morreram. Todos os animais herbívoros morreram de fome e os carnívoros, aos poucos, também ficaram sem ter o que comer. Foram tempos muito difíceis; somente animais de pequeno porte sobreviveram, já que necessitavam de menor quantidade de comida. E assim começou o reinado dos mamíferos…

A Seleção Natural não faz milagres, pelo contrário: é ruim e implacável!

Qualquer ser vivo que não esteja adaptado ao ambiente em que vive acaba perecendo. Os que já estão adaptados, conseguem sobreviver, acasalar, gerar descendentes. Estes descendentes terão as mesmas características genéticas dos pais e continuarão adaptados ao meio. E assim, sucessivamente.

Entretanto, se o ambiente muda bruscamente, e os seres que estão lá não estavam adaptados ao ambiente resultante da transformação, tais seres morrerão sem dó nem piedade. Caso ocorra alguma mutação doida em seu código genético a Seleção Natural atua mais uma vez. Ela é eterna e inexorável.

Se a mutação ofereceu alguma vantagem ao animal (ou planta), este continuará sua vidinha, acasalando e transferindo seus genes aos filhotes. No entanto, se a mutação deixar o ser vivo mais frágil ou incapaz de sobreviver em seu habitat, já era, perdeu! O melhor exemplo disso são os vírus. Alguns resfriados mostram-se mais resistentes ao sistema imunológico do que outros. Um gene fora o lugar e babau! A gripe espanhola surgiu de uma mutação surgida ao acaso e ceifou milhares de vidas. Um sistema sabiamente planejado teria previsto tal coisa e criado defesas adequadas, mas não foi isso que aconteceu.

Mutações podem ser aleatórias. Basta inverter um trecho do código genético e poderemos ter algo totalmente novo. Mas a Seleção Natural não é aleatória. Não importa que uma mutação lhe capacitou escalar montanhas se você mora numa ilha deserta. Não fará a menor diferença ser capaz de comer folhas de árvores se você estiver morando num deserto. Não importa que você se julgue o mais inteligente dos animais, se você estiver na savana africana com um leão olhando pra você enquanto lambe os beiços.

Os onitorrincos demonstraram ser mais um dos atuais vencedores na corrida pela vida. Se eles continuarão assim, é outra história. Ninguém sabe quando e onde o clima irá mudar drasticamente nem qual a mutação ocorrerá nos animais. Mas, continuemos nosso estudo sobre o bicudão.

Apesar deles apresentarem um bico em forma de palheta, similar ao dos patos, a semelhança acaba aí. Em diferença das aves, o bico do Ornitorrinco está coberto por uma membrana dotada de eletro-receptores tão sensíveis que servem para locomoção e percepção do alimento. As aves também têm um número bastante reduzido de sensores desse tipo e, conseqüentemente, pouca habilidade para detectar odores. Além disso, o bico do ornitorrinco possui um filtro que permite separar a água das substâncias comestíveis e ir acumulando-as em suas bolsas maxilares que se estendem ao lado da cabeça, quando mergulha mantêm os olhos, orelhas e fossas nasais fechados, sendo então o bico seu principal órgão sensor. As imagens abaixo mostram um crânio de um ornitorrinco jovem e o de um adulto. Clique nelas para ampliar.

Assim, na verdade ele não possui um bico análogo ao das aves, só na aparência.

Apesar de se alimentarem de leite, os filhotes não mamam pois as fêmeas do ornitorrinco não possuem tetas e mamar com aquele bicão seria de uma dificuldade só. Seleção Natural, lembram-se? Desse modo, o leite escorre das glândulas mamárias que ficam no peito da fêmea, e os filhotes o lambem ao se acumular nos pêlos do peito da mãe.

É um animal semi-aquático e noturno que habita rios e cursos de água. Alimenta-se de girinos, crustáceos, vermes e peixes. Mas, embora seja um mamífero, o ornitorrinco, em vez de dar à luz, põe ovos que são parcialmente chocados no interior do corpo. O ornitorrinco e a équidna – um pequeno mamífero espinhoso, cuja foto está à direita – são as únicas espécies conhecidas de monotremados – isto é, mamíferos que põe ovos – no mundo. Todos os outros mamíferos dão à luz as suas crias diretamente.

Tudo começa após a fecundação. Os filhotes passam pouco mais de 20 dias no útero da mãe e depois são chocados por mais dez dias fora do corpo dela antes do nascimento. Isso significa que os bichinhos precisam completar a maior parte de seu desenvolvimento fora do organismo materno; e acabam nascendo sem sistema imunológico inteiramente formado.

A fêmea põe de 2 a 3 ovos de cada vez e o período de incubação é de 10 dias. Os ornitorrincos chegam à maturidade em 1 ano e ele pode viver até cerca de 15 anos.

A pata do ornitorrinco é constituída de cinco unhas, sendo que nas detrás há uma sexta, uma espécie de garra venenosa (ou esporão) que serve de auto defesa podendo ferir algum animal que o ataque, enfiando o esporão no opositor. Este veneno contido no esporão tem sido alvo de recentes estudos.

Os ornitorrincos possuem genes associados a proteínas que compõem o veneno encontrado em esporas situadas nas patas dos machos. Cientistas acreditam se tratar de herança de alguma linhagem de répteis que se perpetuou nesses mamíferos.

Uma equipe de pesquisadores mapeou a seqüência genética do bicudão e os resultados mostraram que a semelhança deles com os répteis e com as aves não é apenas aparente. Ela também está inscrita em sua seqüência genética e determina diversos padrões comportamentais. Ainda que o genoma desses animais tenha o mesmo número de genes codificadores de proteínas dos demais mamíferos – aproximadamente 18.500 –, certos aspectos do seu DNA são diretamente relacionados a répteis e aves.

Isso fica claro em processos como reprodução dos ornitorrincos, que envolve a atuação conjunta de genes de répteis e de mamíferos, conforme descobriram os cientistas. A fêmea da espécie coloca ovos, mas possui igualmente genes que coordenam a produção de leite para a amamentação de seus filhotes, conforme dito acima.

Com o tempo, deveremos ter remédios baseados na bioquímica do animal, como antibióticos e até analgésicos baseados no DNA da criatura.

Como explicado acima, os embriões de ornitorrincos formam-se sem um sistema imunológico completamente formado, mas antes que a Seleção Natural desse cabo dele de vez, a espécie desenvolveu um meio de contornar esta dificuldade: um antibiótico natural secretado, produzido por ordem dos genes que codificam “peptídios antimicrobianos”. É muito provável que eles protejam os pequenos ornitorrincos de micróbios que existem em seu ambiente. Cerca de 20 desses genes já foram identificados e com o tempo eles podem levar ao desenvolvimento de antibióticos inovadores e potentes. Talvez eles possam até combater as bactérias resistentes a múltiplas drogas que andam surgindo por aí, afinal a Seleção Natural é para todos os seres vivos.

Há vários estudos em andamento sobre o veneno contido no “esporão” dos machos. Mesmo porque, muitos remédios contra problemas cardíacos, por exemplo, já foram criados a partir do veneno de cobras, e o do ornitorrinco pode seguir essa trilha.

Pessoas picadas pelo bicho apresentam uma série curiosa de sintomas, como inchaços enormes e uma dor que os analgésicos normais não resolve. Aprendendo mais sobre o estranho animal de bico grande, pé de pato, mangalô 3 vezes, os cientistas poderão desenvolver novos medicamentos, especialmente novos tipos de analgésico. É esperar pra ver.

Sobre André Carvalho

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    C’mon, show me the paper!