Evolução vs Criacionismo Parte III

Aos poucos ou tudo de uma vez?

Com isso, vimos que através de mudanças graduais e ação do meio-ambiente, através da Seleção Natural, durante um longo espaço de tempo, as espécies modificam-se. Considerando espaços de tempo muito longos, estas diferenças irão tornar-se tão amplas que os seres vivos se separarão, formando novas ordens, classes, espécies etc. Isto é, quanto maiuor o tempo, maior a separação, onde certas classes darão lugar a outras classes; deixando óbvio que uma planta não gerará um primata da noite pro dia. Assim, todo o conceito de Darwin estaria explicado, só que os estudos da biologia evolutiva não pararam aí.

Através de muitas observações de fósseis, os paleontólogos Stephen Jay Gould e Niles Eldredge chegaram ao conceito de Equilíbrio Pontuado. Para eles, a evolução das espécies não se dá forma constante e gradual, mas alternando longos períodos de poucas mudanças com rápidos saltos transformativos; isso significa dizer que na história da vida na Terra, novas espécies freqüentemente aparecem de repente, segundo Gould, e então persistem com poucas mudanças até se extinguirem, para cujo autor havia um padrão real.

Mas, há alguma controvérsia nisso tudo, pois alguns cientistas afirmam que tal postulado não é tão real assim. Gould usava como exemplo os trilobitas, que viveram durante milhões de anos e de repente se extinguiram, dando espaço pra outro tipo de trilobita. Nós chamamos isso de espécie porque precisamos estudar e utilizamos a nomenclatura pra facilitar as coisas.

Entretanto, o registro fóssil, como sempre, tem que ser visto com cuidado, pois não se pode afirmar com certeza que ambos trilobitas são iguais ou diferentes; afinal, não é porque a carapaça de um bicho é igual à de outro que ambos serão a mesma espécie de animal. De início, até poderia se tratar de uma mesma espécie, mas uma simples carapaça não é fator identificador em termos absolutos. Mesmo que seja uma mesma espécie, ainda há as várias subdivisões dentro das espécies, como no caso de dobermanns e poodles (ambos pertencem à espécie canina, mas de raças diferentes).

Também, Gould e Eldredge não mencionam nenhuma evidência genética para o que propuseram, basicamente porque eles não são geneticistas (no caso, Gould não era, posto que já faleceu). Seria fundamental, ao propor uma idéia tão abrangente como essa, encontrar um respaldo genético, e esse respaldo não foi encontrado (pelo menos não ainda).

Como foi dito, o meio-ambiente influi muito drasticamente na direção evolutiva. As condições macroclimáticas na Terra se mantém razoavelmente constantes, com mudanças repentinas (ao menos, em termos geológicos) que levam a condições diferentes, que também se mantém por longos períodos. Durante um período constante, diversas espécies dominam a paisagem e outras espécies, incapazes de competir com as dominantes, sobrevivem em nichos marginais – populações pequenas, em locais muito específicos.

Após uma modificação grande (pode ser regional, não global, como no caso da junção de 2 continentes). As espécies dominantes até então já não estarão em sua condição ótima. Por outro lado, algumas das espécies marginais podem encontrar condições mais amigáveis para elas, então. Essas invadirão e substituirão as antigas dominantes, que se tornarão então marginais ou se extinguirão.

Dessa forma, teremos um grande período com fósseis abundantes da espécie dominante, e raros ou nenhum fóssil das marginais – uma mudança rápida – e fósseis abundantes de algumas das antigas marginais (agora dominantes) e raros ou nenhum fóssil das antigas dominantes (agora marginais ou extintas). No registro fóssil isso pode parecer um salto, mas não foi. As antigas espécies marginais passaram muito tempo sobrevivendo, à medida que suas adaptações ao meio em questao permitiam, mas só aparecem no registro quando essas condições deixam de ser marginais – aparentando ser repentinamente adaptadas às novas condições.

Voltando ao caso da famosa “explosão cambriana”, onde muitos filos parecem surgir abruptamente no registro fóssil, na realidade, teria-se essa impressão de “surgimento do nada” pelo fato de que a maioria dos filos da que aparece na explosão cambriana era de animais que teriam estruturas mais fáceis de fossilizar, como conchas e carapaças. O “vazio” anterior a isso poderia estar relacionado ao fato de que a maioria dos animais, então presentes, possuía de corpo mole, portanto com poucas chances de fossilização.

As demais “explosões” posteriores ao Cambriano poderiam ser explicadas por extinções em massa em curto prazo (“curto” em termos geológicos, é claro), deixando vários nichos abertos para os organismos sobreviventes ocuparem por irradiação adaptativa.

Algumas pessoas tendem a achar que a explosão cambriana foi uma espécie de evento “mágico”, onde ficaria provado a interferência sobrenatural para o aparecimento de tais seres, mas não há evidências que havia um “vácuo” da vida na Terra, mesmo porque existem outros fósseis de plantas, mais fáceis de se fossilizar e guardar registros da época.

Um crítico dessa teoria é o biólogo Richard Dawkins, que costuma ver o Pontuacionismo como uma mera “nota de rodapé” ao Neodarwinismo. O Neodarwinismo baseia-se na teoria proposta por Darwin e reconhece como principais fatores evolutivos a mutação, a recombinação gênica e a Seleção Natural. Na verdade, o Neodarwinismo é uma complementação da teoria de Darwin em relação às fontes de variabilidade das populações, possibilitando a partir de 1910 com o desenvolvimento da Genética e o conhecimento do material hereditário. O Neodarwinismo não é o que se pode chamar de um nome “científico”. O mais correto é chamá-lo de Teoria Sintética da Evolução.

De acordo com a moderna teoria sintética, os processos básicos da Evolução são quatro: Mutação, Recombinação Ggenética, Seleção Natural e Isolamento Reprodutivo. Os três primeiros constituem as fontes da variabilidade genética, sem a qual não pode ocorrer modificação. A Seleção Natural e o isolamento reprodutivo orientam as variações em canais adaptativos.

Clinton Richard Dawkins nasceu em 26 de março de 1941 na capital do Quênia, Nairóbi, e é um dos maiores defensores contemporâneos da Teoria da Evolução, tendo também contribuído para com a ciência, mediante a ênfase da Seleção Natural ao nível genético, sugerindo que a Evolução seria como se, de um certo modo, ocorresse uma luta dos próprios genes para se perpetuar, utilizando os organismos como veículos.

Foi durante os seus estudos em Oxford que Dawkins desenvolveu as principais linhas de trabalho que norteiam seu ponto de vista científico. Ele é freqüentemente citado pela expressão “máquina de sobrevivência”, uma combinação de outras duas expressões de Tinbergen, “máquina de comportamento” e “equipamento para sobrevivência”, que sempre lhe vinham à cabeça quando lecionava em Oxford.

Dawkins deparou-se com o conceito de genes como unidades de seleção, por influência de W. D. Hamilton. Como dissemos, a Seleção Natural é processo que seleciona os indivíduos mais adaptados (e não mais fortes); a visão centrada nos genes vai mais profundamente e entende isso como uma seleção indireta dos genes que determinam esse fenótipo mais adaptado nesses indivíduos. Dessa forma, a competição pelos recursos ambientais na Seleção Natural não se daria apenas entre indivíduos, entre diferentes genes possuídos por esses diferentes organismos. Esta idéia foi divulgada por Dawkins no seu livro de divulgação científica, “O Gene Egoísta”, que acabou trazendo para muitos a imagem de Dawkins como autor dessa visão que seria mais propriamente creditada a W. D. Hamilton.

O estudo sobre a Evolução não acaba aqui. Nós apenas esboçamos as bases da Teoria da Evolução e a Teoria Sintética da Evolução. Agora, passaremos a analisar, na próxima parte, aquilo que alegam ser a “opção” que explica como os seres vivos apareceram: o Criacionismo.

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Um Ping to "Evolução vs Criacionismo Parte III"

  1. A origem dos olhos compostos esta num predador do passado » Ceticismo.net disse:

    [...] de Camarão Chuck Norris. Com seu 1 metro de comprimento, ele mandava e desmandava na região. Eu já tinha dito na série Evolução x Criacionismo que não houve nenhuma "explosão cambriana". Foi apenas um simples erro de [...]


19 respostas para "Evolução vs Criacionismo Parte III"

  1. 1. roberto disse:

    Mais uma vez você escreve que toda a TEORIA EVOLUCIONISTA é baseado em evidências e provas,sendo assim um FATO e fim de papo.As provas são os fósseis que muitas vezes os evolucionistas foram flagrados forjando fósseis para que estes fossem considerados como prova incontestavel da EVOLUÇÃO.

    Administrador Abbadon respondeu:

    @roberto,

    Prove que a sua alegacao é verdadeira. Cite os nomes dos “evolucionistas” forjando fósseis, a area onde atuavam, local onde aconteceu, quais tipos de fosseis, em que ano ocorreu, onde foi publicado tal coisa (nao vale citar sites religiosos e criacionistas), fotos dos fosseis “forjados”, etc

    Afinal, o onus da prova é seu. Se vc nao puder provar esta alegacao imediatamente, vc sera o mentiroso aqui.

    Afinal, nao foi vc quem falou em evidencias e provas ?

    Fabio K respondeu:

    @roberto,
    “As provas são os fósseis(…)”
    Isso mesmo, os fósseis são provas, mas não são TODAS as provas, estude DNA.

    “(…) que muitas vezes os evolucionistas foram flagrados forjando fósseis para que estes fossem considerados como prova incontestavel da EVOLUÇÃO.”
    O método científico é excelente.
    Pesquisadores/cientistas são seres humanos e cometem falhas e desonestidades, mas a beleza do método científico é que ele se dota de meios para descobrir as fraudes, ao contrário de meios dogmáticos, tais como os religiosos em geral.

    Como disse o colega acima, você faz uma alegação capenga e deve provar.

    Que Belial te console.

    Fabiano respondeu:

    @roberto, existem muitos cientistas ou estudiosos que forjam dos dois lados, mas esses são desmacarados rapidamente. Você chegou a ler a Parte I sobre o metódo científico? Um fóssil falso jamais sobrevive ao escrutínio de toda a comunidade científica.

    Agora, que tal me mostrar as evidências falsas que os criacionistas também apregoam por aí? Lembro de um e-mail ridículo que dizia que encontraram “gigantes” num deserto do Iraque, com uma foto de uma pessoa escavando próximo a um esqueleto descomunal. Era apenas uma montagem feita para o site “Worth 1000″. Pior é que nesses sites criacionistas isso é usado como evidência para corroborar o texto bíblico e por conseguinte as outras baboseiras espalhadas por esse “livro”!

    XaparraL respondeu:

    @Fabiano,
    Agora, que tal me mostrar as evidências falsas que os criacionistas também apregoam por aí?

    O “Museu da Criação” (noticiado aqui no Blog) e o “santo” Sudário respondem a sua pergunta.

    Rodrigo respondeu:

    @roberto,

    Isso é o de menos…

    Só aplicar o método científico, que se obtém as respostas. Simples!

    E muitos crentes tem “juntado” dinheiro com a venda de terrenos no céu, ou exorcisando alguém. Mesmo assim estão ae.

    Prq os evolucionistas não estariam?

    Se o criacionismo realmente existe. Prq Deus faria com que uma mulher desenvolvesse um feto em 9 meses? Prq complexar uma coisa tão fácil?

    Simplesmente o casal diria:
    - Amor, vamos ter um filho?
    - Sim querida…
    “PUFF”

    O filho estaria alí. Prq complexar o desenvolvimento de um feto durante 9 meses no ventre feminino? :lol:

    Administrador Abbadon respondeu:

    @roberto,

    Ainda estamos esperando vc provar esta alegação, ou esta dificil pra vc ?

    Administrador André respondeu:

    Me prove que a besteira criaBURRIcionista e verdadeira.

    joao ribett respondeu:

    @André, André.
    Você quer se rir um pouquinho??
    Assista a esses vídeos que você vai se divertir bastante, com tantas besteiras juntas.http://opesquisadorcristao.blogspot.com/2010/06/verdadeira-idade-da-terra.html

    Administrador André respondeu:

    Nem perco meu tempo.

  2. 2. Spy disse:

    eu ainda axo q deus deveria ser o ponto de pergunta (tipo, what the fuck?) na foto do post

  3. 3. Fatima disse:

    Todos os dias aparecem mais e mais evidências que corroboram a Teoria Científica e fico completamente abismada com o fato de que muitas e muitas pessoas rejeitam totalmente algo com tanto respaldo em prol de algo NOTADAMENTE falso e sem fundamento, como é o caso do ‘criacionismo’.

    Isso me faz recordar um certo site onde se propalava a existência de ‘provas’ das coisas mais estapafúrdias, tais quais a ‘arca de noé’, e até mesmo o ‘monstro do lago ness’ (em dito site apregoavam que os dinos não haviam sido extintos….hilário, não)?

    Por fim, tenho chego à conclusão que nunca haverá nada que, para tais pessoas, seja suasório o suficiente para que eles abandonem a ‘cegueira’ intelectual.

    Triste!

    Dra1nyou respondeu:

    @Fatima, tem sim, a escola, essas besteiras (mitos da criação divina) são mais facéis de serem impregnadas na cabeça de pessoas tolas e sem conhecimento (os outros religiosos são desesperados financeiramente ou emocionalmente), muitos religiosos (99,99%) criticam a teoria da evolução sem ao menos saber do que se trata e como funciona o processo. é muito mais facil você persuadir uma pessoa de que magicas são verdades do que tentar convencê-la a abrir um livro de Biologia ou Física e estudar.
    Abraços!

  4. 4. Isael disse:

    Senhores, criacionista ou evolucionista, ao meu ver e’ apenas uma questao de crenca, e fe’, se para o criacinista crer e ter fer em Deus, que tudo fez, tem o merito de ser mais simples de aceitar.
    Enquanto para o evolucinista tem que crer, ter fe’, e mais provar, veja como e’ mais dificil.
    Entao creiam no que lhe e’ mais facil, se nos criacionista facil.
    ou nos evolucionista, e parem de se digladiarem
    ok
    tenho dito.

    Administrador André respondeu:

    Nem vou me preocupar com o que isso sigifica.

    Fabio K respondeu:

    @Isael,
    HAHAHAHA! Vai defender a preguiça mental assim na casa do chapéu!
    Acreditar no criacionismo porque é “mais fácil” (evolução é mais difícil pois tem que ter provas) é o máximo!
    Ah, evolução não é questão de fé, mas de evidências, coisas que você, como criaconista, aprendeu a não ver; além do que não é “mais fácil” ser criacionista, pelo contrário, é “mais fácil” observar e constatar a evolução, as provas facilitam; assim, nada de seguir o “mais fácil”, mas procurar o que é verdadeiro e verificável.
    Que tupã te ilumine.

  5. 5. Ludwig Helenus disse:

    Caro Isael, deixe a enorme venda que te cega.

    Acreditar naquilo que não pode ser contestado ou provado, é negligenciar a própria capacidade de um ser pensante e de direito a liberdade.

    Se alguém na sua igreja te disser pra entrar dentro de um forno que logo depois você sairá vivo porque deus te ama. Você faria isso?

    Se você ama uma pessoa (sendo ela homem ou mulher, branco ou não) e um padre ou pastor da sua igreja te dissesse que o que você faz é pecado e o que você poderia fazer de melhor era deixar de gostar dessa pessoa.
    Você simplesmente “abaixaria a cabeça” sem contestar o porque e obedeceria cegamente?

    Amigo, em que mundo você vive? Hein?

    A ciência não procura dificultar a vida das pessoas, mas sim mostrar a elas que elas também têm direito de se manifestarem livremente e de maneira coerente na vida. A ciência não te cobra dinheiro (ou dízimo) para ter acesso a ela. Ela não irá te punir por você ser (pensar ou fazer) diferente daqueles ao seu redor.

    Pense nisso amigo. Pense muito bem e com muita calma.
    Reavalie seus conceitos e antes de julgar aqueles que você não compreende, procure aprender a respeito deles.
    Um dia você pode parar na rua e pensar: “Puxa! Sempre fiquei evitando de fazer uma coisa que gosto ou ser de outro jeito porque os demais ao meu redor sempre me diziam que vou pro inferno ou ser condenado por causa disso. No final das contas não aproveitei em nada a minha vida”.

    E aí? Te pergunto. Abraços.

  6. 6. Maneco disse:

    E sobre aquela história dos halos de polonio? Tem alguma base científica?

    Administrador André respondeu:

    Leia todo o artigo e vc verá.

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