Grandes Nomes da CIência

Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Evolução vs Criacionismo Parte II

A Revolução dos Nomes

Carl von Linné foi (e ainda é) um marco na Biologia. Foi botânico, zoólogo e médico, cuja contribuição para a Ciência é algo insuperável; grande entre grandes! Quem pouco estuda, não sabe nada. Linné fez algo mais do que necessário, embora ninguém tinha se tocado disso antes. Usando uma gíria podemos afirmar peremptoriamente: Linné deu nome aos bois!

Obviamente, eu não estou maluco e nem falando de pecuária. Linné, cujo nome latinizado é Carolvs Linnaevs ou, aportuguesadamente, Carlos Lineu, criou a Divisão Taxonômica.

Vamos explicar rapidamente: Qualquer animal (no sentido biológico, não se ofendam) sabe que os demais animais são diferentes. Mas, citar nomes como gato, cachorro, periquito, papagaio e o demônio da tasmânia não diz nada. Begônias, samambaias (a planta, e não a modelo), acácia, sequóia, pinheiro, macieira, alfaces e berinjelas também são plantas. Mas, são todas iguais?

Bem, sabemos que tanto animais e plantas são diferentes entre si; e daí? Daí que temos que dizer o quanto eles são diferentes. Que um gato é diferente de um crocodilo é óbvio. Mas, e um gato angorá e um gato siamês? Ambos não são gatos? Não arranham? E os cães? Um pinscher é um cão da mesma forma que um dobermann também é. Se bem que um pinscher pareça com um dobermann em miniatura e pense que é um dobermann em tamanho normal. Como determinar essa diferença?

Aí entra a taxonomia de Lineu, que classifica as coisas vivas em uma hierarquia, começando com os Reinos. Reinos são divididos em Filos (no caso de animais) ou Divisões (para o caso das plantas). Os dois últimos são divididos em Classes, então em Ordens, Famílias, Gêneros e Espécies e, dentro de cada um em subdivisões. Grupos de organismos em qualquer uma destas classificações são chamados taxa (singular, taxon), ou phyla, ou grupos taxonômicos.

Bem, para falar a verdade, Lineu não pensou nisso tudo exatamente, mas deu o ponta-pé inicial, definindo como sendo espécie, a última coisa a diferir os seres vivos. Mas, ele estava enganado, aliás, ele seria melhorado!

Foi Lineu quem criou a regra da nomeação das espécies com os nomes em latim, com dois nomes (ou três, se for o caso), onde o 1° nome é escrito em maiúscula, e o 2º e 3° são escritos em minúsculas. Um exemplo é o nosso amigo gato doméstico, que inicialmente foi classificado como Felis silvestris, mas uma taxonomia bem completa seria:

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Felidae
Gênero: Felis
Espécie: Felis silvestris
Subespécie: F. silvestris catus

Mas, isso é uma classificação bem geral, pois cada táxon tem diversas subdivisões. Zoologia não é algo tão simples e os organismos vivos devem ser muito bem distintos um dos outros, pois isso é muito importante.

Lineu era fixista. Ele acreditava que as espécies eram imutáveis e permaneceram assim, desde que foram criadas no início dos tempos. Como a Teoria da Evolução de Darwin só apareceria quase um século depois da morte de Lineu (este morrera em 1778 e a Origem das Espécies foi publicado em 1859), é natural que ele ainda pensasse que fora tudo obra de um ser lá em cima qualquer (ou lá embaixo, vai saber…).

Entretanto, de acordo com Darwin, as espécies nunca foram fixas, pelo contrário. Elas mudam sob certas condições. Mas, eu ainda falarei disso. Continuemos.

Darwin não sabia definir perfeitamente o que era uma espécie, da mesma forma que Isaac Newton não sabia descrever o que especificamente era a força da gravidade; mesmo porque, a tecnologia da época de Darwin dispunha apenas de microscópios ópticos (e não tão sensíveis quanto os de hoje). Ele tinha apenas a observação morfológica dos seres vivos. Os segredos do DNA só seriam descobertos cerca de 100 anos depois de Darwin. Por isso, também é natural que ele achasse que as espécies não podiam ser definidas perfeitamente, conforme um escrito seu de 1856:

É engraçado ver como diferentes idéias se manifestam nas diferentes mentes dos naturalistas, quando eles falam “espécies”. Tudo isso resulta de definir o indefinível

Darwin descobriu que as espécies nunca foram fixas e, portanto, o relato da Criação não poderia ser verdadeiro. Ainda segundo Darwin:

Eu vejo o termo “espécie” como um conceito arbitrário, cunhado apenas por mera conveniência, para designar um grupo de indivíduos muito semelhantes entre si.

No tempo de Darwin, não havia mais subdivisões depois de “Espécie”. Isso só apareceu depois, dada a variedade cada vez maior de espécies encontradas, com variações mínimas entre si; mas, ainda assim, são variações.

Enquanto Darwin estava terminando sua obra máxima, um certo monge agostiniano fazia experimentos nos jardins de seu mosteiro, examinando as características de ervilhas e árvores. Este monge seria mais tarde chamado de o Pai da Genética, apesar dos seus trabalhos só terem sido publicados muitos anos depois de sua morte obscura e ignorada, então. Seu nome era Gregor Mendel.

Se você estudou um Ensino Médio decente, sabe que Mendel fazia experiências com ervilhas, verificando as cores e texturas de suas cascas. Com isso, ele determinou que algumas características são passadas dos pais para os filhos. Mas, será que isso tem a ver com o conceito de espécie?

Claro que não! Eu coloquei isso apenas pra encher lingüiça e fazer vocês de bobos. Duh! É óbvio que tem. Porque, com a transmissão de caracteres hereditários, haverá grande chance de gerarmos um indivíduo igual aos pais, certo?

Hummmmmm…. Não, não é tão certo não. Mas, vamos parar por enquanto e definir de uma vez por todas, que diabos é uma espécie; e para isso, contaremos com a ajuda das mais famosas letrinhas da Ciência.

O advento da descoberta do DNA (ou ADN, se o sinhoire fala português lusitano) fez muita diferença na Biologia. Com ele, explica-se muita coisa, prevê-se muita coisa e resolve-se muitos problemas. E um deles foi o conceito de espécie. Animais não podem cruzar com plantas. A despeito da tara que cada um possa ter, não se conseguirá nada ao tentar estabelecer o cruzamento entre eles, pois fazem parte de dois reinos diferentes. Da mesma forma, não se consegue cruzar uma foca com uma aranha, pois fazem parte de filos diferentes. E isso prossegue até chegar ao nível de espécie.

Ernst Mayr, ornitólogo alemão, rejeitou a tese de Darwin sobre o fato do termo “espécie” ser apenas uma convenção (mas, não com relação ao processo evolutivo). Para Mayr, o conceito de espécie era sim, uma entidade biológica que poderia ser bem definida. Bem, ele estava certo em parte.

Em 1942, em plena Segunda Grande Guerra, Mayr definiu que espécies formam um pool gênico, ou um reservatório gênico, cuja expressão seria mais tarde utilizada por Theodosius Dobzhansky, em 1950. Dessa forma, o conceito de Espécie, estabelecido por Mayr e Dobzhansky, segue a seguinte definição:

“Espécies são grupos de populações naturais que estão ou têm o potencial de estar se intercruzando, e que estão reprodutivamente isolados de outros grupos”

Ou seja, um bando de bichos só poderão cruzar (transar, acasalar, fazer fuc-fuc… use a expressão que quiser) com outros bichos, se eles forem da mesma espécie. Caso contrário, seja por serem de espécies diferentes ou porque estão isolados de demais animais, não poderão cruzar com mais ninguém.

Simples, não? Errado! Nada na Ciência é simples. A Ciência não se baseia em simplicidades, baseia-se em estudos, em avanços, em ampliação de conhecimentos… A Ciência não se baseia em “A é igual a B e pronto, acabou-se!”. A Ciência está sempre em constante desenvolvimento e ampliação de si mesma. A Ciência nunca está errada; ela se baseia nos conhecimentos que são adquiridos a cada momento. Se as futuras descobertas contradirão ou modificarão os conceitos de hoje, não importa. A Ciência corrige a si própria e não depende de vontades ou de crenças. Tudo na Ciência deve ser estudado e comprovado.

Assim, surgiu um problema, pois atualmente sabe-se que espécies migram e se acasalam com outras espécies. Isso pode não dar em nada, mas pode dar em muita coisa: o surgimento de uma nova espécie!

Qualquer morador em zona rural sabe que se cruzar um jumento com uma égua, nascerão burros. O jumento é uma espécie, a égua é outra espécie, mas os burros são algo novo; serão uma nova espécie? O detalhe é que o burro (ou, se for fêmea, a mula) é estéril, isto é, não procria. Assim, uma espécie é aquela que cruza entre si, gerando indivíduos férteis. Divisões abaixo disso são subespécies. Logo, o burro não é uma espécie e sim uma subespécie.

No caso de chiuauas e rotweillers, ambos são cães. Ok. Ambos são da mesma espécie. Ok. Mas, daí em diante existem várias outras subdivisões, como raças etc. Porque, caso não tenham notado, um chiuaua NÃO É um rotweiller.

Bem, com esta confusão absurda na determinação sobre como classificar um ser vivo, a Ciência teve que desenvolver melhor suas definições, pois o conceito de espécie de Mayr e Dobzhansky só pode ser levado em conta quando se tem cruzamentos, ou seja, quando há procriação sexuada. Só que existem animais que não se reproduzem assim, como é o caso dos rotíferos bdelóideos, que abandonaram este sistema de reprodução há uns 100 milhões de anos. Todos os rotíferos dessa ordem são fêmeas (sem exceção) e geram seus embriões sem a necessidade de esperma, ou seja, nada de macho na hora do “vâmu vê”.

Bem, para suprir esta, digamos, “falha” na conceituação de Mayr e Dobzhansky, surgiu o conceito de filogenia.

Filogenia é a representação da história das relações de parentesco entre as espécies. Quando nós estudamos as relações de parentesco entre duas espécies, teoricamente, houve uma espécie ancestral comum a elas, a que as originou. E com isso, levando em conta as espécies ancestrais, construímos a chamada Árvore Filogenética ou Cladograma. Um exemplo de cladograma você vê abaixo. Clique na imagem para ampliar.

Como pode ver, os animais acima vem de um enorme “galho” evolutivo. Mas, eles se separam em diversos galhos subjacebntes. Assim, um não veio do outro, ou seja, a sequência não é linear. Eles vieram de um “tronco” e se repartiram em vários galhos diferentes, evoluindo simultaneamente, ainda que de forma difenrete uns dos outros.

As análises de DNA atestam que temos similaridades com outros animais. Fato! Essas análises apontam o quanto somos parecidos geneticamente com outros animais. Fato! Quando mais próxima é essa similaridade, mais provável que tenhamos um mesmo ancestral comum recente. Fato incontestável! As análises de DNA não mentem, pois sua taxa de erro é de cerca 0,1%. E como essas análises são feitas mais de uma vez, o resultado é conclusivo.

Querendo os especistas ou não, os seres humanos são seres vivos eucariotas, animais, cordados, vertebrados, tetrápodes, mamíferos, placentários, primatas, simiiformes, pertencentes à família Hominidae, ao gênero Homo e à espécie Homo Sapiens.

Sim, meu filho, você é um primata. Não veio de macaco nenhum. Sendo você um primata, pode-se até dizer que você É um macaco! Lamento muito, mas alguém tinha que lhe dizer isso. Você não é melhor que nenhum outro animal. Mas, veja pelo lado bom: você não é um punhado de barro largado pelo chão de qualquer jeito. Pelo menos, ninguém até agora mostrou como um composto majoritariamente constituído de dióxido de silício (sílica, pára os íntimos) se transforma em um corpo formado por uma miríade de compostos baseados em carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio (entre outras coisas). O fato de você, meu caro primata, ter um polegar opositor, e conseguir usar um controle remoto, não o fará correr mais rápido que um guepardo ou ser capaz de fugir de um tubarão a nado e… Ei! Afinal, como se deu essa diversidade, hein? Senhoras e senhores, preparem-se! Pois, aprenderemos na próxima página o que é Evolução, como acontece e o mais importante: porque acontece.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • lillith

    Parabéns!
    Você passou à frente de Raul Seixas!
    Achei que essa adoradora de zumbi tinha sido banida.

  • Camila Macedo

    Bom trabalho, adorei a iniciativa. E não se importe com a opinião de pessoas ignorantes que acreditam que só o ponto de vista delas e verdadeiro, e acreditam em teorias que foram desenvolvida por pessoas com pouco conhecimento. E continua engessada até hoje.

    Terráqueo respondeu:

    Apenas um adendo, as ideias criacionistas não são “teorias”, pelo menos não teorias científicas.
    “Uma teoria científica é o grau máximo de comprovação de uma hipótese”. Uma hipótese para explicar um fenômeno, e que foi posta a prova várias vezes, mas que se manteve firme e forte.
    Já as leis servem para “descrever” o fenômeno, como a 1ª Lei de Newton, na qual “corpos tendem a manter seu estado de movimento, seja em repouso, ou em movimento”.

    Aqui no Ceticismo.net tem a sessão Típicos Erros Criacionistas, que trata desse e de outros temas que às vezes constam no arsenal de argumentos criacionistas.

    Cah Macedo respondeu:

    Sim concordo, quando falo teoria não estou me referindo à
    teoria cientifica. Falo de teorias religiosas, ponto de vista do cristianismo,
    no qual a ciência evolui constantemente, enquanto o cristianismo continua ao
    longo dos anos sem nada de novo a acrescentar. Mais muito obrigada pela dica!