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Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Design da evolução

Cientistas estão retraçando os passos por meio dos quais a evolução obteve seus sucessos. Estão descobrindo que o mesmo kit de ferramentas genéticas pode construir estruturas tanto simples quanto complexas.

Olhos, asas – a natureza está repleta de estruturas complexas. Os cientistas vêm descobrindo como elas surgiram. Das minúsculas criaturas marinhas aos seres humanos, genes iguais são responsáveis pela estruturação do corpo, revelando a trajetória evolutiva dos primórdios elementares às formas mais intricadas.

O pai da evolução era um pai ansioso. Poucas coisas causavam mais preocupação a Charles Darwin do que ter de explicar de que modo surgiram algumas das estruturas mais complexas da natureza – o olho, por exemplo. “O olho me deixa arrepiado”, disse a um amigo em 1860.

Só agora os biólogos estão começando a entender as origens da complexidade da vida – o refinado mecanismo óptico do olho, a magistral engenharia do braço, a arquitetura de uma pena, a coreografia que torna possível a cooperação de trilhões de células em um único organismo.

A resposta básica é óbvia: de uma maneira ou de outra, todas essas maravilhas evoluíram. “O conceito fundamental da evolução é elegante, belo e simples”, diz Howard Berg, um pesquisador da Universidade Harvard que dedicou grande parte dos últimos 40 anos a estudar um dos exemplos mais humildes de complexidade na natureza, a cauda giratória de bactérias ordinárias. “A idéia é simplesmente experimentar, fazer uma alteração e em seguida perguntar: ‘Com isto, a probabilidade de sobrevivência melhora ou piora?’ Em caso negativo, aqueles indivíduos alterados morrem e a idéia desaparece. Em caso positivo, os indivíduos sobrevivem e continua o processo de experimentação e aperfeiçoamento. É um método extremamente poderoso.”

No entanto, quase 150 anos depois de Darwin ter apresentado essa idéia elegante para o mundo, ao publicar seu livro A Origem das Espécies, a evolução de estruturas complexas pode ainda ser difícil de aceitar. Quase todos nós conseguimos vislumbrar a seleção natural enquanto esta promove mutações em alguma característica simples – tornando mais peludo um animal, por exemplo, ou encompridando seu pescoço. Mas é bem mais difícil imaginar a evolução produzindo novo órgão complexo, com todas as suas partes precisamente interconectadas. Os adeptos do criacionismo alegam que a vida possui tal complexidade que jamais poderia ser o resultado de uma evolução – é o resultado direto de um “projeto inteligente” concebido por um ser superior.

O estudo do modo como surgem as estruturas complexas é uma das fronteiras mais instigantes da biologia evolutiva, e nela as pistas estão proliferando de maneira extraordinária. Algumas foram descobertas em fósseis raros, que revelam os precursores de órgãos complexos, como os membros ou as penas. Outras vieram dos laboratórios, onde os cientistas pesquisam os genes que transformam embriões sem características em organismos adultos. Ao comparar os genes que formam o corpo de diferentes espécies, eles recolheram indícios de que estruturas tão diferentes, como os olhos da mosca e os do homem, na verdade partilham uma herança comum.

Os cientistas ainda têm um longo caminho a percorrer para entender a evolução das estruturas complexas, o que não é de admirar: afinal, muitos dos equipamentos dos seres vivos evoluíram há centenas de milhões de anos. Apesar disso, as novas descobertas estão revelando as etapas do desenvolvimento das estruturas complexas desde que surgiram. E nesse processo os cientistas constantemente redescobrem regras cruciais. Uma delas é que uma estrutura complexa pode evoluir por meio de uma série de formas intermediárias mais simples. Outra é que a natureza não gosta nada do desperdício, aproveitando genes velhos para novos usos e até mesmo reaproveitando os mesmos genes de maneiras inovadoras, a fim de construir algo mais complexo.

O biólogo Sean Carroll equipara os genes que formam os organismos a trabalhadores da construção civil. “Quem passa por uma construção todos os dias às 6 da manhã, bem que poderia dizer ‘Uau!, é um milagre – o prédio está crescendo sozinho’. Mas, se a pessoa ficar ali o dia todo, observando os operários, acabaria por entender como são feitas as coisas. E aqueles mesmos trabalhadores, usando as mesmas máquinas, são capazes de construir qualquer tipo de prédio.”

Embora uma perna, uma pena ou uma flor sejam de fato estruturas maravilhosas, certamente não surgiram por milagre.

DE UMA CÉLULA A TRILHÕES DELAS

Em cada corpo humano, cerca de 10 trilhões de células – unidades de vida desprovidas de cérebro – interagem umas com as outras de modo a formar um todo unificado. Para a bióloga Nicole King, trata-se de “uma dança complexa”, que requer organização e comunicação ininterruptas. E isso começou há mais de 600 milhões de anos, quando organismos constituídos de uma única célula deram origem aos primeiros animais multicelulares, um grupo que hoje inclui criaturas tão diversas quanto as esponjas-do-mar, os besouros e os seres humanos.

Nicole estuda os coanoflagelados, que são alguns dos organismos unicelulares vivos mais próximos de nós. Não é difícil achar os coanoflagelados. Basta colher um pouco de água em um riacho ou mangue e colocar algumas gotas em um microscópio para ver essas criaturas com forma de girino movendo-se para lá e para cá. Entre os demais protozoários, eles são reconhecíveis por um anel característico na base da cauda.

Quando Nicole e seus colegas examinaram as proteínas produzidas pelos coanoflagelados, identificaram algumas que antes eram consideradas típicas apenas de animais – moléculas essenciais para a manutenção de corpos multicelulares. “Foi uma surpresa”, diz Nicole. “Qual a utilidade dessas proteínas para esses organismos unicelulares?”

Algumas das proteínas criam normalmente o que Nicole chama de “um abraço entre as células”, impedindo as células animais de se juntarem de maneira aleatória. Nicole e seus colegas estão realizando experimentos para descobrir como os coanoflagelados usam essas proteínas adesivas – uma possibilidade é que estas sejam úteis para agarrar bactérias que lhes servem de alimento. Outras proteínas desempenham papel na comunicação entre as células. Os coanoflagelados, que supostamente não têm motivo para conversar com outras células, talvez usem essas proteínas para detectar alterações no ambiente.

As descobertas sugerem que muitas das ferramentas necessárias para a construção de um corpo multicelular já estavam presentes em nossos ancestrais unicelulares. A evolução tomou emprestadas tais ferramentas para fazer algo diferente: construir corpos cada vez mais elaborados.

PROJETOS DE CORPO

Uma larva de mosca em desenvolvimento parece tão desprovida de características quanto um grão de arroz. Mas ela já contém um mapa da complexa criatura em que vai se transformar. No interior da larva, encontram-se diversas combinações de genes, os quais a dividem em compartimentos invisíveis. Esses genes ativam outros genes que atribuem a cada compartimento uma forma e uma função: alguns viram pernas, outros se transformam em asas e outros ainda em antenas. A anatomia invisível torna-se visível.

As moscas não são os únicos animais cujo corpo se forma desse modo. Os cientistas descobriram que os genes responsáveis por definir o projeto do corpo da mosca possuem equivalentes quase idênticos em muitos outros bichos, desde caranguejos, passando por minhocas e lampreias, até os próprios seres humanos. Essa descoberta foi inesperada, pois esses animais possuem corpo muito diferente. Mas agora os cientistas em geral concordam que o ancestral comum de todos esses seres – uma criatura parecida com um verme que viveu há estimados 570 milhões de anos – já possuía um conjunto básico de genes associados ao projeto do corpo. Em seguida, seus descendentes usaram tais genes para desenvolver novos tipos de corpo.

Para ter uma idéia de como essa caixa de ferramentas básica pode gerar tantas estruturas complexas, vale a pena considerar o caso do onicóforo. Esses vermes se arrastam pelo piso das florestas tropicais sobre pernas quase idênticas em forma de almofadas. Na verdade, trata-se de uma criaturinha não muito interessante. No entanto, também é o parente vivo mais próximo do mais diversificado grupo isolado de animais, os artrópodes. Entre estes, encontramos uma imensa variedade de corpos complexos, desde borboletas até tarântulas, límulos, carrapatos e lagostas.

Segundo os cientistas que estudam os genes responsáveis pelo projeto do corpo, no início os artrópodes eram bem parecidos com os onicóforos. Mas o mapa invisível do corpo dos artrópodes tornou-se mais complexo, com mais compartimentos, dos quais surgiram novos elementos corporais. Alguns compartimentos, por exemplo, desenvolveram órgãos para a respiração; mais tarde, nos insetos, esses órgãos respiratórios transformaram-se em asas. Os mais antigos fósseis de insetos preservam asas que se originam de muitos segmentos. Mais tarde, os insetos desativaram os genes construtores de asas em quase todos os segmentos – ou então reaproveitaram os mesmos genes para a elaboração de novas estruturas. As moscas, por exemplo, têm um único par de asas; um outro par transformou-se em estruturas em forma de clave denominadas balancins, que ajudam na manutenção do equilíbrio durante o vôo. “Os segmentos todos se tornaram diferentes, os apêndices todos se diferenciaram, mas o processo pelo qual os apêndices são produzidos é o mesmo”, comenta Sean Carroll. “A evolução atua por meio de reformas que improvisa com os recursos disponíveis.”

COMO GANHAMOS UMA CABEÇA

A cabeça humana é, milímetro por milímetro, a parte mais complexa de nosso corpo. Não apenas contém o nosso cérebro mas quase todos os órgãos dos sentidos: os olhos, os ouvidos, o nariz e a língua. Existem milhares de variações em torno desse mesmo tema – basta pensar nos tubarões-martelo, nos tamanduás e nos tucanos.
Todas essas cabeças se mostram ainda mais assombrosas quando examinamos duas criaturas marinhas simples que são os parentes vivos mais próximos dos vertebrados (ou seja, dos animais com coluna vertebral). Esses organismos simplesmente não têm cabeça.

Mas em seus genes já existem os elementos precursores de uma.
Os larváceos, minúsculos animais gelatinosos, vivem em uma casa flutuante que constroem com o próprio muco. Seu sistema nervoso, se é que ele pode ser chamado assim, está organizado em torno de um primitivo cordão nervoso dorsal. Ainda mais estranhas são as suas primas, as ascídias. Estas nascem como uma larva nadadora, com um bastão rígido na cauda. Quando se tornam adultas, fincam o bastão no fundo do mar, devoram grande parte de seu sistema nervoso e transformam seu corpo em um cesto adaptado à filtragem de partículas nutritivas.

À primeira vista, parece improvável que tais criaturas possam fornecer alguma pista sobre a origem da cabeça dos vertebrados. No entanto, um exame mais detalhado da ponta dianteira mais rígida dos larváceos e das ascídias revela um pequeno órgão similar ao cérebro bem onde um vertebrado teria a cabeça. “Há cerca de 360 células neurais ali. Em comparação com o cérebro de um vertebrado, isso não é nada”, diz o biólogo William Jeffery. Todavia, os cientistas constataram um padrão familiar no modo como se desenvolve esse minúsculo grupo de células. Há mais de meio bilhão de anos, nossos próprios antepassados sem cabeça podem ter sido parecidos com essas modestas criaturas, já dotadas dos genes e das células que mais tarde formariam o rosto e o cérebro que nos fazem seres humanos.

CAPTANDO A LUZ

Charles Darwin estava bem familiarizado com a refinada estrutura do olho – o modo como a lente está posicionada para focalizar a luz sobre a retina, a maneira como a íris controla a quantidade de luz que entra no olho. Na época parecia que um olho de nada serviria caso sua estrutura apresentasse alguma imperfeição. Em A Origem das Espécies, Darwin escreveu que a idéia de a seleção natural ter produzido o olho “parece, não temo confessar, absurda no mais alto grau”.

No entanto, o fato é que o olho está longe de ser perfeito. Nos seres humanos, a retina está presa de forma tão precária no fundo do olho que basta um golpe mais forte na cabeça para que se descole. Suas células de captação da luz estão voltadas para dentro, para o cérebro, e não para o orifício de entrada da luz. E o nervo óptico começa diante da retina e em seguida passa através dela a fim de alcançar o cérebro. O local em que o nervo óptico atravessa a retina é o ponto cego na visão. A evolução, com todos os tropeços, foi a responsável pelo desenvolvimento do olho. Como isso ocorreu?

Uma resposta satisfatória tem de dar conta disso não só em nosso próprio olho mas em todos os olhos do reino animal. Pouco tempo atrás, havia indícios de que os olhos de diferentes tipos de animal – insetos, gatos e polvos, por exemplo – deviam ter evoluído de forma independente, tal como ocorrera com as asas das aves em contraste com as dos morcegos. Afinal, são enormes as distinções entre, por exemplo, um olho humano e um olho de mosca. Diferentemente do humano, com sua lente única e sua retina, o olho das moscas é formado de milhares de minúsculas colunas, cada qual abrangendo uma fração ínfima do campo de visão do inseto. E enquanto nós, os vertebrados, captamos a luz através de células fotorreceptoras ciliares (por causa de suas projeções parecidas com pêlos ou cílios), os insetos e outros invertebrados usam fotorreceptores rabdóides, ou seja, células multifacetadas.

Recentemente, contudo, essas diferenças foram se atenuando à medida que os cientistas passaram a estudar os genes que formam os fotorreceptores. Os insetos e os seres humanos recorrem aos mesmos genes para controlar no embrião a transformação das células em fotorreceptores. E ambos os tipos de fotorreceptor captam a luz graças a moléculas conhecidas como opsinas.

Esses vínculos sugerem que os fotorreceptores – nas moscas, nos seres humanos e na maioria dos animais – evoluíram todos de um único tipo de célula que por fim se dividiu em dois tipos novos de célula. Se isso se comprovar, alguns animais poderiam contar com ambos os tipos de células fotorreceptoras. E, em 2004, os cientistas constataram que o poliqueto Platynereis dumerilii, um parente aquático das minhocas, possui fotorreceptores rabdóides em seus olhos e fotorreceptores ciliares ocultos em seu minúsculo cérebro, onde detectam variações de luminosidade de modo a regular o relógio interno do verme.

Com essas descobertas, está surgindo novo quadro da evolução do olho. Os olhos primitivos eram provavelmente muito semelhantes aos que hoje achamos em criaturas marinhas gelatinosas, como os tunicados: pequenas cavidades revestidas de células fotorreceptoras, suficientes para detectar a luz e informar de onde ela vem. Porém, esses olhos simplificados são obra dos mesmos genes que formaram os nossos olhos, e dependem das mesmas opsinas para a captação da luz.

Em seguida, a evolução recorreu aos mesmos genes para modelar olhos mais sofisticados, que em algum momento acabaram adquirindo uma lente capaz de transformar os raios luminosos em imagem. A lente, o cristalino, é feita de proteína translúcida que desvia os raios de luz como se fosse “vidro protéico”, nas palavras de um cientista. E já se comprovou que as proteínas do cristalino existiam bem antes de a evolução aproveitá-las para aperfeiçoar o olho. Elas estavam apenas encarregadas de outras tarefas.

Os cientistas detectaram uma dessas proteínas translúcidas, por exemplo, no sistema nervoso central das ascídias. Porém, neste caso, em vez de formar uma lente, elas são parte de um órgão de detecção da gravidade. É possível que uma mutação tenha feito com que células no primitivo olho dos vertebrados também formassem o cristalino. Ali elas acabaram fazendo algo novo e extraordinariamente útil: pôr o mundo em foco.

NADADEIRAS, BRAÇOS E PERNAS

Repare em seus braços enquanto segura esta revista. Eles são de uma complexidade extraordinária, dezenas de ossos esculpidos com precisão, ligados entre si por tendões e músculos, alimentados com sangue por uma malha de artérias, controlados por uma intricada rede de neurônios e revestidos de pele. Até cerca de 380 milhões de anos atrás, membros assim não existiam.

Os fósseis e os embriões já proporcionaram inúmeras pistas para entendermos a evolução dos membros. E todas elas contam a mesma história. “Os membros se formaram pouco a pouco ao longo do processo evolutivo”, diz o paleontólogo Neil Shubin. “Não surgiram da noite para o dia.”

Há cerca de 400 milhões de anos, apareceu nova linhagem de peixes com nadadeiras lobuladas, denominados crossopterígios, que apresentava os primeiros vislumbres de membros. Vistos de fora, tais peixes eram parecidos com os outros e também usavam nadadeiras para se locomover, mas os ossos delas eram maiores e musculosos.

No decorrer de dezenas de milhares de anos, desenvolveram-se novas famílias de crossopterígios, nas quais começaram a adquirir forma membros verdadeiros. O Eusthenopteron, um peixe que vivia há 385 milhões de anos e cujo fóssil foi achado no Canadá, tinha nadadeiras dotadas de um grande osso com feitio de haste ligado a um par de ossos menores – o mesmo padrão de ossos compridos hoje presentes em nossos braços e pernas. O Tiktaalik roseae, um crossopterígio de 375 milhões de anos, descoberto recentemente no norte do Canadá por Shubin e seus colegas, também possuía ossos similares aos do tornozelo e do pulso. Os cientistas acham que o Tiktaalik usava as nadadeiras não só para nadar mas também para rastejar em manguezais.

Por volta de 365 milhões de anos atrás, os crossopterígios haviam evoluído e se transformado em vertebrados com membros genuínos, conhecidos como tetrápodes, o que significa quatro pés. Esses tetrápodes tinham até mesmo dedos na extremidade dos membros, embora ainda estivessem bem adaptados à água, preservando de seus antepassados as brânquias e a cauda natatória. Mais tarde apareceriam os animais 100% terrestres. E, depois, tetrápodes tomaram o projeto básico dos membros e o adaptaram a novas funções – escavar, remar e voar.

Nos laboratórios estão sendo identificados os genes responsáveis pela formação dos membros. Nos peixes primitivos, a evolução deve ter emprestado esses genes, redirecionando-os para a formação de nadadeiras. Mais adiante, sutis mutações nos padrões estabelecidos pelos mesmos genes fizeram com que tais apêndices se transformassem em pernas, braços, asas. Cada mutação foi profunda. No entanto, como diz Shubin, “toda a maquinaria já estava instalada”.

A PROSA DE UMA PENA

Em termos de engenharia, é difícil superar a pena de vôo das aves. A partir de um eixo central, o raque, nascem centenas de filamentos, denominados barbas. Estas, por sua vez, produzem filamentos menores, as bárbulas, das quais algumas possuem sulcos e outras ganchos, que unem as barbas com o mesmo sistema do velcro. Com isso criam uma superfície plana e leve que torna possível o vôo. Quando as aves afastam as penas umas das outras para limpá-las, as barbas grudam de novo sozinhas quando voltam a se encostar.

As penas também cumprem outras funções. O manaquim-de-asa-torta, um pássaro do tamanho do pardal encontrado nas selvas do Equador, consegue sacudir as penas das asas com tanta força que elas produzem um som melodioso. As penas da coruja favorecem o vôo furtivo, atenuando o som de modo que a ave possa surpreender suas presas. As penas de lanugem felpuda mantêm aquecidas as aves, ao passo que os penachos com curvas extravagantes servem para atrair parceiros. Todas essas estruturas têm a mesma origem nas prosaicas escamas dos répteis – uma travessia evolutiva que vem sendo estudada pelo ornitólogo Richard Prum, da Universidade Yale.

O vínculo entre penas e escamas é evidente no desenvolvimento dos embriões de aves. Discos de células denominados placódios estão distribuídos pela superfície do embrião. Alguns se transformam em escamas, como aquelas que recobrem as pernas da galinha. Outras viram penas.

Nos embriões de répteis, genes específicos demarcam a frente e o verso de cada escama à medida que esta cresce a partir de um placódio. Nos embriões das aves, cada pena começa como um eixo tubular que cresce de um placódio, e nesse eixo estão igualmente presentes aqueles genes que determinam a frente e o verso das escamas. Há cerca de 150 milhões de anos, segundo Prum, esses mesmos genes devem ter desempenhado novas funções nos dinossauros, fazendo com que alguns deles adquirissem penas e estruturas similares a penas como aquelas reveladas em fósseis recém-descobertos.

O surgimento de barbas ramiformes foi a etapa seguinte na evolução da pena, argumenta Prum, e o desenvolvimento de penugens nos filhotes de aves nos proporciona pistas sobre o modo como isso ocorreu. À medida que cresce novo eixo de pena, ele se divide em faixas, que acabam se descolando e formando as barbas.

Mais tarde, as aves adquiriram a capacidade de transformar essas penas penugentas em penas com barbas e, em seguida, de fazer com que grudassem umas nas outras, formando as penas de vôo, tudo isso por meio das ínfimas alterações genéticas que constituem o objeto da pesquisa de Prum. E introduzindo alterações no desenvolvimento de cada parte da pena as aves desenvolveram plumagens específicas para a caça, a natação, o acasalamento e outras atividades, comenta Prum. “Tudo o que a ave necessita ao longo de sua vida ela é capaz de produzir com a mesma informação genética básica.”

FLORESCIMENTO PRECOCE

Como tantos outros cavalheiros vitorianos, Charles Darwin tinha especial predileção pelo cultivo de plantas. Ele lotou sua estufa com dróseras, prímulas e apanha-moscas. Também tinha orquídeas, enviadas dos trópicos. E, no entanto, como escreveu a um amigo em 1879, para ele as flores continuavam sendo “um mistério abominável”.

Darwin estava se referindo ao súbito e inesperado surgimento das flores nos registros fósseis. E o que tornava ainda mais abominável o mistério era a requintada complexidade das flores. Tipicamente, estas possuem verticilos de pétalas e sépalas em torno dos órgãos sexuais masculinos e femininos das plantas. Muitas também produzem pigmentos brilhantes e néctar adocicado para atrair os insetos, responsáveis pelo transporte do pólen entre uma flor e outra.

Atualmente o mistério das flores já não é tão abominável, mas ainda restam dúvidas. É possível que as primeiras flores tenham se desenvolvido depois que as plantas florescentes se separaram de seus parentes vivos mais próximos, as gimnospermas – um grupo que inclui os pinheiros e outras coníferas, as cicadáceas e os gincos –, que produzem sementes, mas não florescem.

Algumas das pistas mais importantes dessa transição estão nos genes que atuam toda vez que há florescimento em uma planta. Sabe-se agora que, antes de uma flor adquirir sua forma, conjuntos de genes demarcam um mapa invisível na extremidade do estame – o mesmo tipo de mapa existente nos embriões de animais.

Como muitas vezes ocorre no caso de estruturas complexas, os genes que formam as flores são mais antigos que as próprias flores. As gimnospermas possuem genes de florescimento mesmo que não produzam flores. Os cientistas ainda precisam determinar a função de tais genes nas gimnospermas, mas a presença deles indica que provavelmente já existiam no ancestral comum das gimnospermas e das plantas florescentes.

Na linhagem destas últimas, esses genes foram mobilizados para demarcar a estrutura da flor. As primeiras flores eram simples. Mas, ao longo do tempo, os genes se duplicaram acidentalmente, permitindo que uma das cópias assumisse novo papel no desenvolvimento das flores. Estas tornaram-se cada vez mais complexas, e algumas de suas partes adquiriram novas funções, como atrair insetos com cores vivas e aromas distintos.

Essa flexibilidade talvez ajude a explicar o êxito das plantas florescentes. Hoje são conhecidas cerca de 250 mil espécies de angiospermas. As gimnospermas, suas parentes sem flores, ficaram limitadas a pouco mais de 800 espécies.

COMPLEXIDADE EM PEQUENA ESCALA

Algumas das estruturas mais extraordinárias da vida também são as de menor dimensão: a ínfima relojoaria das moléculas que asseguram o funcionamento das células. A E. coli, uma bactéria presente no intestino, movimenta-se graças a uma minúscula cauda giratória, constituída de várias dezenas de proteínas distintas que atuam de maneira coordenada. Comparando as proteínas do flagelo com as existentes em outras estruturas da bactéria, Mark Pallen e seus colegas da universidade inglesa de Birmingham descobriram indícios do modo como esse intricado mecanismo foi montado com base em elementos mais simples. Por exemplo, a E. coli constrói o seu flagelo com uma espécie de bomba que ejeta proteínas. A bomba é quase igual, em termos de suas proteínas, a outra bomba encontrada em muitas bactérias causadoras de doenças, que a usam não para produzir uma cauda, mas para formar uma espécie de seringa molecular que injeta toxinas em células hospedeiras. Tal similaridade é, nas palavras de Pallen, “um eco da história, pois elas possuem um ancestral comum”.

Os biólogos já identificaram dezenas de tipos diferentes de flagelos em várias cepas de bactérias. Algumas caudas são espessas, outras são finas; algumas estão acopladas à extremidade da célula, outras emergem de suas laterais; algumas são movidas por íons de sódio, outras por íons de hidrogênio. É exatamente esse o tipo de variação que se espera seja produzido pela seleção natural quando esta molda uma estrutura às necessidades específicas de diferentes organismos.

Darwin também argumentou que as características complexas podem degenerar ao longo do tempo. Os avestruzes descendem de aves voadoras, por exemplo, mas suas asas se tornaram inúteis ao vôo à medida que se transformaram em corredores em tempo integral. E sabe-se agora que as caudas microbianas também podem virar apenas um vestígio. Embora se considere que a E. coli produza apenas um tipo de cauda, ela também possui resquícios de genes capazes de formar um segundo modelo. “É de se esperar tal tipo de bagagem histórica”, comenta Pallen.

A evolução, implacável e pragmática, pode gerar as estruturas mais extraordinárias e, depois, descartá-las assim que deixam de ser úteis.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

  • hades

    Um sujeito que resolveu me evangelizar pelo Orkut veio com um papo de que a idéia de matéria inorgânica poder formar matéria orgânica,ainda mais um sistema complexo ,é um absurdo (se bem que barro pode daí né, 😯 fazer o que?)..
    Bem acho que o experimento de Stanley Miller ja deveria ser o suficiente. Mas quero algo mais.
    vc poderia me indicar algum site não ateu que explique melhor como isso funciona?(quero mandar uns links pro sujeito) e dar uma aprofundada no assunto ,e se caso tenha algo aqui no cet.net me ajuda acha por que não consegui,sei também que no seriado cosmos aparece uma experiência nesse sentido mas não consegui achar ainda,a aparte ,e quero responder o recado profano, o quanto antes…se não for muito incômodo, da uma forcinha aí. 😀

    Administrador André respondeu:

    Existe uma coisa chamada “livros de biologia”.

    E não, Urey e Miller não usaram substâncias inorgânicas. Recomende um livro de química de ensino médio tb.

  • maurelio

    Usufruindo novamente da bondade do André em permitir que escreva neste blog, quero comentar algo sobre o processo evolutivo (em um leve overkill).

    Em primeiro lugar gostaria de comentar sobre o exemplo da ratoeira de Dawkins.
    Exemplo bem simples de como pequenas mudanças acabam criando um mecanismo complexo. Porém todas as mudanças citadas só trouxeram melhorias. Foram mudanças planejadas passo a passo. Não é o que ocorre na natureza. Sendo mudanças aleatórias poderíamos imaginar algumas delas desconstruindo a ratoeira de tal forma que ficasse inútil.

    Transferindo a linha de raciocínio para as alterações em organismos biológicos. O problema é como encarar a chance de evolução sem memória que não seja apenas na informação genética.

    Cada sistema complexo num ser vivo (e os sistemas biológicos são absurdamente complexos) tem que ter um processo de mutação/adaptação em um indivíduo, através do processo de seleção natural ser filtrado e conseguir pela reprodução ser propagado à frente. Processo este extremamente lento visto que é serial e não poderia usufruir do paralelismo de toda uma população, pois as mudanças tem que ser cumulativas.
    A constituição dos sistemas complexos tem que ser feitas por mudanças gradativas e cumulaticas (seriais) que , após devida filtragem, vão se estabelecendo. Ótimo, se essas mudanças mantiverem sua direção
    de desenvolvimento (pelo menos em média). Tudo vai funcionar como divulgado.

    Mas como será garantido que as mudanças em média vão convergir para a formação do sistema completo, sendo estas APENAS aleatórias? Vão aparecer alterações que irão anular ou tornar inúteis ganhos anteriores. Ou até mesmo inviabilizar outros sistemas. Por exemplo, a substância que forma o cristalino do olho poderia se tornar menos transparente, dificultando a visão, porém sem inviabilizar a continuidade do ser. Ao mesmo tempo neste novo indivíduo o estômago poderia ter tido uma alteração qualquer que o tornasse diferente dos outros. Agora temos 2 indivíduos possíveis disputando o mesmo ambiente. 2 mutantes misturando a genética de tal forma que não houve soma na cadeia evolutiva mas sim um anulamento parcial de ganhos. Esse processo de divisão geraria uma variância incontável de possibilidades viáveis.
    Um ser biológico possui um número incontável de sistemas e refinamentos evolutivos. Como pode-se garantir que cada sistema foi sendo aperfeiçoado mantendo os outros sistemas operacionais de tal forma que a espécie evoluiu adequadamente , ou mesmo outras variantes ficaram viáveis em média?

    Como é possível ter o desenvolvimento de olhos E ouvidos E membros E sistema digestivo E sistema circulatório E sistema reprodutor E instintos E comportamentos E tecidos especializados E organogênese sendo todas as células genéticamente idênticas E etc? Um desenvolvimento serial onde um ganho não pode anular outros ganhos. Olha a quantidade de etapas que um cérebro teve que ter para ficar na complexidade atual e nesse caminho outros órgãos ainda permaneceram viáveis ou até mesmo melhoraram ainda mais. Imagine se num aperfeiçoamento do cérebro o ser teve uma falha grave de locomoção que inviabilizou a propagação do ganho cerebral.

    Tem que haver algo que determine a convergência, criando uma média viável. Tem que existir uma memória não genética que permita o reaproveitamento de ganhos anteriores. Qual a condição para a natureza reaproveitar genes em alguns seres vivos e não em outros (sendo os dois presentes nos 2 indivíduos)? Porque só atuam quando são convenientes? A base química está presente, porém só converge para manifestação quando é adequada àquele caso.

    Administrador André respondeu:

    Exemplo bem simples de como pequenas mudanças acabam criando um mecanismo complexo. Porém todas as mudanças citadas só trouxeram melhorias. Foram mudanças planejadas passo a passo. Não é o que ocorre na natureza. Sendo mudanças aleatórias poderíamos imaginar algumas delas desconstruindo a ratoeira de tal forma que ficasse inútil.

    A ratoeira deixa de ser ratoeira, não segue seu propósito e deixa de existir. Logo…

    Cada sistema complexo num ser vivo (e os sistemas biológicos são absurdamente complexos) tem que ter um processo de mutação/adaptação em um indivíduo, através do processo de seleção natural ser filtrado e conseguir pela reprodução ser propagado à frente.

    Evolução não acontece em indivíduos e sim em populações. Não importa que UM leão crie escamas se outros não tiverem esta mutação.

    Processo este extremamente lento visto que é serial e não poderia usufruir do paralelismo de toda uma população, pois as mudanças tem que ser cumulativas.

    A não ser que a mutação aconteça em mais de um indivíduo ou quehaja alteração no ambiente.

    A constituição dos sistemas complexos tem que ser feitas por mudanças gradativas e cumulaticas (seriais) que , após devida filtragem, vão se estabelecendo. Ótimo, se essas mudanças mantiverem sua direção de desenvolvimento (pelo menos em média). Tudo vai funcionar como divulgado.

    Não existe direção. Evolução é cega. Se qq extremófilo sofrer algum tipo de mutação, ele não conseguirá sobreviver em seu habitat.

    Mas como será garantido que as mudanças em média vão convergir para a formação do sistema completo, sendo estas APENAS aleatórias? Vão aparecer alterações que irão anular ou tornar inúteis ganhos anteriores.

    Deve ser por isso que as espécies que caminharam, voaram ou nadaram neste planeta e hoje estão extintas é muito, muito maior que as que estão vivas hoje. 😉

    Ou até mesmo inviabilizar outros sistemas. Por exemplo, a substância que forma o cristalino do olho poderia se tornar menos transparente, dificultando a visão, porém sem inviabilizar a continuidade do ser.

    Como muitos peixes abissais?

    Ao mesmo tempo neste novo indivíduo o estômago poderia ter tido uma alteração qualquer que o tornasse diferente dos outros.

    Exemplo?

    Agora temos 2 indivíduos possíveis disputando o mesmo ambiente. 2 mutantes misturando a genética de tal forma que não houve soma na cadeia evolutiva mas sim um anulamento parcial de ganhos. Esse processo de divisão geraria uma variância incontável de possibilidades viáveis.

    E selecionados pelo ambiente. coloque uma zebra cega numa savana africana e me diga o resultado.

    Um ser biológico possui um número incontável de sistemas e refinamentos evolutivos.

    Como o apêndice e um ponto cego nos olhos.

    Como pode-se garantir que cada sistema foi sendo aperfeiçoado mantendo os outros sistemas operacionais de tal forma que a espécie evoluiu adequadamente , ou mesmo outras variantes ficaram viáveis em média?

    Não foi aperfeiçoado. Ele é o que é. Se isso o ajuda a se manter vivo por mais tempo, a ponto de gerar descendentes, é outra história.

    Como é possível ter o desenvolvimento de olhos E ouvidos E membros E sistema digestivo E sistema circulatório E sistema reprodutor E instintos E comportamentos E tecidos especializados E organogênese sendo todas as células genéticamente idênticas E etc?

    Pode sim. Pergunte a qualquer escritor de história em quadrinhos. Cada uma que aparece…

    Um desenvolvimento serial onde um ganho não pode anular outros ganhos.

    Ah, entendi. Vc acha que só porque o tubarão conseguiu uma hidrodinâmica excelente ele ficou incapacitado de criar asas. Uma melhoria não implica em uma disfunção. Mas, como falei no artigo sobre Evolução, ela é aleatória no concernente a quando ocorrerá uma mutação? Que tal se negros africanos tivesse uma mutação onde eles seriam imunes à malária mas não tivessem deformação nas suas hemácias? Tal não é possível, pois a imunidade à malária veio exatamente dessa deformação, característica da anemia falciforme. Não existe almoço grátis.

    Olha a quantidade de etapas que um cérebro teve que ter para ficar na complexidade atual e nesse caminho outros órgãos ainda permaneceram viáveis ou até mesmo melhoraram ainda mais. Imagine se num aperfeiçoamento do cérebro o ser teve uma falha grave de locomoção que inviabilizou a propagação do ganho cerebral.

    POis é. Ninguém disse que o mundotinha que ser bonzinho.

    Tem que haver algo que determine a convergência, criando uma média viável.

    Tal não existe.

    Tem que existir uma memória não genética que permita o reaproveitamento de ganhos anteriores.

    O mundo não é como gostaríamos que fosse. Não adiantas choramingar.

    Qual a condição para a natureza reaproveitar genes em alguns seres vivos e não em outros (sendo os dois presentes nos 2 indivíduos)? Porque só atuam quando são convenientes? A base química está presente, porém só converge para manifestação quando é adequada àquele caso.

    Afinal, DO QUE vc tá falando?

    maurelio respondeu:

    @André,
    “Evolução não acontece em indivíduos e sim em populações. Não importa que UM leão crie escamas se outros não tiverem esta mutação.”

    Isso é mais improvável ainda. Mutação em vários indivíduos num ambiente natural, em que possam cruzar, e o resultado ter ganho que permita levar vantagem a ponto de manter a linhagem.
    O processo de espécies em anel é mais provável. Pequenas modificações onde ainda o cruzamento é possível, acumuladas de tal forma que após muitos ciclos deixa de ser a espécie original.
    As criações domésticas seguem de certa forma uma linha de seleção de características similares às espécies em anel: variações pequenas e constantes em seres cruzáveis ao longo de muitos ciclos. Com a diferença
    que neste caso desfrutam da garantia de sobrevivência e reprodução.

    “Afinal, DO QUE vc tá falando?”
    Que sou cético em relação à hipótese (ou como queiram designar) de mudanças aleatórias convergindo para resultados tão complexos apenas com memória genética. Mudanças aleatórias vão gerar resultados positivos mas também resultados negativos. Um ganho evolutivo positivo num sistema poderá ser completamente anulado por um ganho negativo em outro de tal forma que um sistema inteiro (conquistado em um tempo enorme), deixe de existir. Aí a linhagem simplesmente morre fazendo com que se retorne à estaca zero. É necessário uma memória e também uma direção média para garantir os resultados, ensaios e conquistas obtidas pelas mutações e seleção natural.

    Administrador André respondeu:

    Isso é mais improvável ainda. Mutação em vários indivíduos num ambiente natural, em que possam cruzar, e o resultado ter ganho que permita levar vantagem a ponto de manter a linhagem.

    Se é improvável, porque vemos ocorrer isso a todo momento?

    O processo de espécies em anel é mais provável. Pequenas modificações onde ainda o cruzamento é possível, acumuladas de tal forma que após muitos ciclos deixa de ser a espécie original.

    AAHhhhhhhhhhhhhh, vc está pensando que Evolução é uma espécie DE REPENTE se transformar em outra? É isso?

    As criações domésticas seguem de certa forma uma linha de seleção de características similares às espécies em anel: variações pequenas e constantes em seres cruzáveis ao longo de muitos ciclos. Com a diferença que neste caso desfrutam da garantia de sobrevivência e reprodução.

    Vc esqueceu do fator TEMPO. Criações domésticas estão aí há pouquíssimo tempo, em termos de história evolutiva.

    Que sou cético em relação à hipótese (ou como queiram designar) de mudanças aleatórias convergindo para resultados tão complexos apenas com memória genética.

    Vc pode até ser cético, mas está completamente errado ao chamar isso de “hipótese”. Tais eventos foram demonstrado em mundo natural, em laboratório e em modelos computacionais. Sinto ter que lkhe dizer: Evolução é FATO! Agora, vc tem todo o direito de não acreditar. Tem gente que duvida que existam bombas atômicas e que a Terra é (ar)redonda(da) gira ao redor do Sol…

    Mudanças aleatórias vão gerar resultados positivos mas também resultados negativos.

    É mesmo? GÊNIO! Vou lhe inscrever para um prêmio que lhe será entregue em Estocolmo. Me manda seus dados, sim?

    Um ganho evolutivo positivo num sistema poderá ser completamente anulado por um ganho negativo em outro de tal forma que um sistema inteiro (conquistado em um tempo enorme), deixe de existir.

    Pois, é. Um dia vc é um lindo dinossaurinho, mandando no pedaço. daí, vem um badass motherfucking asteroide e faz da sua vida um inferno.

    Aí a linhagem simplesmente morre fazendo com que se retorne à estaca zero. É necessário uma memória e também uma direção média para garantir os resultados, ensaios e conquistas obtidas pelas mutações e seleção natural.

    Isso tá parecendo papo de Quem Somos Nós. Moléculas não têm memória, filho. Elas não fazem nada por vontade própria. HCl não se junta com NaOH com a intenção de formar NaCl como filhotinho.

    Conselho de hoje: pare de passar vergonha Estude sobre o assunto.

  • maurelio

    Para facilitar vou numerar.

    1)”Se é improvável, porque vemos ocorrer isso a todo momento?”

    Só disse que : não é garantido que o proceso evolutivo exista devido à mutação simultânea em vários indivíduos da mesma população. Esse método evolutivo é improvável. São muitas condições “Es” encadeadas. (considere essas mutações somente vistas sob aspecto material num sistema SEM memória não química).

    2)”AAHhhhhhhhhhhhhh, vc está pensando que Evolução é uma espécie DE REPENTE se transformar em outra? É isso?”

    Não é DE REPENTE. Mas também é uma espécie podendo se transformar em outra. Pode ser a mesma se transformando e assumindo outras características mas ainda sendo a mesma espécie.

    3) “Vc pode até ser cético, mas está completamente errado ao chamar isso de “hipótese”. Tais eventos foram demonstrado em mundo natural, em laboratório e em modelos computacionais.”

    Em nenhum momento afirmei o PROCESSO EVOLUTIVO como hipótese. Acredito plenamente no processo evolutivo sim. Considero-o como fato concreto. A diferença é em relação ao considerar (o que chamei hipótese) a aleatoriedade como ÚNICA forma do mecanismo evolutivo.
    É possível se considerar que exista a determinação da direção média de uma linha evolutiva, através de algum “planejamento” ou memória, e que permita
    manter a conquista de desenvolvimentos anteriores. Essa forma de pensar não é contrária aos fatos documentados.
    Acredito que possa ser mais abrangente, podendo explicar por exemplo a morfogênese dos organismos, instintos e comportamentos. As idéias do Rupert Sheldrake são bem interessantes nessa linha. Daí a minha sugestão em relação a comentários sobre o livro dele.

    4) “Pois, é. Um dia vc é um lindo dinossaurinho, mandando no pedaço. daí, vem um badass motherfucking asteroide e faz da sua vida um inferno”

    Na linha de pensamento da existência de uma memória (não genética), pelo fato do desaparecimento do dino não voltaríamos à estaca zero. A simples existência dele teria alimentado a “memória” e a sua mera existência afetaria o que vem à seguir.

    5) “Conselho de hoje: pare de passar vergonha Estude sobre o assunto.”

    Mas é o que tenho feito quase todos os dias. Tanto lendo o livro de Darwin, quanto outros livros e textos diversos (maravilha de internet!). Este site tem sido muito útil também. Estas discussões no blog são produtivas para exercitar o processo de raciocíonio pela redação. Pelo menos para mim é bom também para documentar melhor o meu histórico de forma de pensar. Não considero “apanhar” aqui como algo vergonhoso. Considero como um estímulo ao estudo e a desenvolvimento do raciocínio e exposição de idéias.
    Considere também que é bom para manter a atenção nas conversas. Já pensou que chatice seria se ninguém manifestasse alguma idéia para levar pau?

    Administrador André respondeu:

    não é garantido que o proceso evolutivo exista devido à mutação simultânea em vários indivíduos da mesma população. Esse método evolutivo é improvável.

    Relação dos periódicos indexados que sustentam a sua afirmação, please.

    São muitas condições “Es” encadeadas. (considere essas mutações somente vistas sob aspecto material num sistema SEM memória não química).

    Esse negóicio de memória não-química é coisa de Quem Somos Nós. Eu não lido com pseudociência.

    Não é DE REPENTE. Mas também é uma espécie podendo se transformar em outra. Pode ser a mesma se transformando e assumindo outras características mas ainda sendo a mesma espécie.

    Vc REALMENTE não faz ideia do que está falando.

    Em nenhum momento afirmei o PROCESSO EVOLUTIVO como hipótese. Acredito plenamente no processo evolutivo sim. Considero-o como fato concreto. A diferença é em relação ao considerar (o que chamei hipótese) a aleatoriedade como ÚNICA forma do mecanismo evolutivo.

    Argumentação sem embasamento é falácia. Aliás, de qual evento aleatorio vc está falando? Da formação genética? Do estabelecimento de ligações químicas?

    É possível se considerar que exista a determinação da direção média de uma linha evolutiva, através de algum “planejamento” ou memória, e que permita manter a conquista de desenvolvimentos anteriores.

    Relação de periódicos indexados, please.

    Acredito que possa ser mais abrangente

    Sua crença é irrelevante.

    Na linha de pensamento da existência de uma memória (não genética)

    Quem Somos Nós…

    Não considero “apanhar” aqui como algo vergonhoso.

    Vergonha é ainda defender besteiras quemsomosnosianas

    Já pensou que chatice seria se ninguém manifestasse alguma idéia para levar pau?

    Não vejo nada de legal ter que falar com gente sem o menor preparo para debater sobre algoque não entende e ver esta pessoa ainda defender besteiras que ela mesma não faz ideia do que signifique.

  • Jorge Tavares

    Acho engraçado vcs só falarem do lado bonitinho da obra de Darwin e deixar de lado uma face não muito conhecida dela.

    A obra de Darwin é eugenista, e sem dúvidas, ele foi o autor intelectual do holocausto perpetuado por Hitler.

    Abaixo, irei expor uma parte dessa obra de Darwin para vcs o conhecerem melhor e ver as belas contribuições que ele trouxe para humanidade

    Nas páginas 161/162 do livro A ORIGEM DO HOMEM E A SELEÇÃO SEXUAL… edição de 1974 (a primeira em português) CITAMOS:

    “[…] Este tema tem sido discutido com habilidade por W. R. Greg e anteriormete porWallace e por Galton. Muitas das minhas observações são extraídas estes três autores.[…] Devemos, portanto, suportar o efeito indubitavelmente mau, do fato de que os fracos sobrevivem e propagam o próprio gênero, mas pelo menos se deveria deter a sua ação constante, impedindo os membros mais débeis e inferiores de se casarem livremente com os sadios. Este impedimento poderia ser infinitamente incrementado pela possibilidade de os doentes do corpo e do cérebro evitarem o matrimônio, embora isso seja mais uma esperança do que uma certeza”.

    E Darwin não está falando de cavalos, de cães ou do gado, porque cavalos, cães e o gado não se casam, não contraem núpcias, nem comungam em matrimônio, ora bolas! E atenção para o fato de Darwin ter citado nominalmente seu primo Francis Galton!
    No final do livro, Darwin torna a abordar a problemática do casamento, defendendo que os cuidados com a reprodução dos animais também deveriam ser empregados aos humanos. Pois, se os casamentos levassem em consideração a “seleção natural” poderiam melhorar não somente as características físicas dos descendentes, mas ainda suas qualidades intelectuais e morais. Desta forma, Darwin, nas páginas 710-711 escreve:

    “O homem analisa escrupulosamente o caráter e a ascendência dos seus cavalos, do seu gado, e dos seus cães antes de acasalá-los; mas quando chega a época das núpcias, raramente ou nunca toma semelhante cuidado. Ele é levado por motivos quase análogos àqueles dos animais inferiores, quando são entregues à sua livre escolha, embora seja tão superior a eles que pode avaliar altamente as qualidades mentais e as virtudes. Por outro lado, sente forte atração pela simples riqueza ou pela posição. Todavia, mercê da seleção, ele poderia de algum modo agir não só sobre a estrutura física e a conformação óssea da sua prole, mas sobre as suas qualidades intelectuais e morais. Ambos os sexos deveriam abster-se do matrimônio se acentuadamente fracos no corpo e na mente; mas estas esperanças são utópicas e nunca serão concretizadas nem mesmo parcialmente enquanto as leis da hereditariedade não forem amplamente conhecidas. Todo aquele que prestar alguma ajuda para colimar este fim estará fazendo boa obra [incluindo-se, logicamente, Hitler]. Quando os princípios da procriação e da hereditariedade forem melhor conhecidos, não ouviremos mais os membros ignorantes da nossa legislação rejeitar com desprezo um plano que tente verificar se o matrimônio entre consangüíneos é ou não prejudicial para o homem”.

    O Fascínora, contrariando as suas próprias ideologias, ainda teve o descaramento do casar-se com a sua prima Emma, uma completa idiota, simplesmente por ser ela extremamente rica!
    Darwin cita novamente Galton (p. 711) para dizer algo que ele iria confessar a uns amigos mais tarde, antes de ir
    definitivamente para o inferno, ou seja, que estava “decepcionado com o futuro da humanidade, pois “as classes inferiores se reproduzem com muito mais freqüência que as classes superiores”. Nesta passagem final de A Origem do Homem, (p. 711) Darwin vai atacar não somente os débeis ou fracos como havia dito antes, mas também a “pobreza” (incautos) “que deveriam poupar a humanidade de seus descendentes” evitando ter filhos:

    “O progresso do bem estar do gênero humano é um problema mais complexo: todos aqueles que não podem evitar a pobreza para os próprios filhos, deveriam evitar o matrimônio; na verdade, a pobreza não só representa um grande mau, mas tende ao próprio incremento, levando à desconsideração do matrimônio. Por outro lado, Galton observou que, se o prudente evita o matrimônio enquanto que o incouto se casa, os membros inferiores tendem a suplantar os membros melhores da sociedade”.

    Uma coisa é imprescindível que seja dita: não foi só Charles Darwin e seu famigerado primo Francis Galton, que eram eugenistas de carteirinha. Os “genes” da segregação racial de Darwin passaram direitinho para o seu filho Leonard Darwin, pois ele, durante anos, foi presidente da Sociedade de Educação Eugenista, encerrando o seu mandato em 1930!

    Concluíndo:
    Considerando que, em termos de aplicabilidade prática, que resultasse em alguma forma de benefício efetivo para a humanidade, o evolucionismo é um zero à esquerda! Ao contrário, além de implantar e disseminar uma cosmovisão extremamente materialista, intolerante, consumista e desumanizante, esta teoria nefasta forneceu as bases da aplicabilidade prática para a concretização dos ideais inumanos e satânicos de “segregação racial” e de “pureza da raça” que, na Alemanha de Hitler, resultaram no holocausto, com o objetivo de exterminar os judeus, os negros, os pobres e todos os demais “inferiores”, varrendo-os da face da Terra. Esta foi a verdadeira contribuição de Darwin, de seus seguidores e admiradores

    Administrador André respondeu:

    A crentalhada desonesta, burra, estúpida, ignorante, imbecil, tosca e absolutamente BURRA não para com as tolas tentativas e mentiras, né? Vamos ver o que o texto ORIGINAL diz:

    Seleção Natural como afetando nações civilizadas

    Eu até então tenho considerado apenas o avanço do homem a partir de uma condição semi-humano para o selvagem moderno. Mas algumas observações sobre a ação da seleção natural em nações civilizadas pode valer a pena acrescentar. Este assunto tem sido discutido habilmente pelo sr. W. R. Greg, e anteriormente pelo sr. Wallace e o sr. Galton. A maioria das minhas observações são tomadas a partir desses três autores. Entre os selvagens, os fracos de corpo e mente são logo eliminados; e aqueles que sobrevivem geralmente possuem um estado de saúde melhor. Nós, civilizados, fazemos o possível para evitar essa eliminação; construímos asilos para os imbecis, os aleijados, os doentes; instituímos leis para proteger os pobres; e o nosso corpo médico exerce toda a sua habilidade para cada vida até o último momento. Há razões para crer que a vacinação preservou milhares de pessoas cuja constituição mais fraca teriam sucumbido a varíola. Então os membros fracos das sociedades civilizadas propagam seus descendentes. Ninguém que já tenha presenciado a criação de animais domésticos teria dúvida de que Isso é altamente prejudicial à raça humana. É surpreendente o quanto um apego para cuidar de um animal, ou um cuidado inadequado, pode degenerar uma raça inteira. Porém exceto no caso do ser humano, ninguém seria tão ignorante a permitir a procriação dos piores animais.

    A ajuda na qual somos impelidos a dar aos necessitados é principalmente um resultado incidental dos instintos de simpatia, que foi originado como parte dos instintos sociais, mas que foi subseqüentemente aprimorado, como visto antes, a ser mais amigável e mais amplo. Jamais poderíamos abandonar a simpatia, mesmo aos maiores apelos da razão, sem deteriorar a parte mais nobre da nossa natureza. Um cirurgião pode hesitar enquanto perfaz uma operação, porque ele sabe que esta agindo para o bem do seu paciente; mas se intencionalmente negligenciamos os fracos e necessitados, seria apenas por um beneficio contingente, junto com um enorme mal em troca.

    Tem vergonha de mentir não, crente retardado? Ah, claro. Nas epístolas paulinas diz que é válido mentir para reafirmar a fé, não é mesmo? E de onde eu tirei isso? Que tal da obvra ORIOGINAL de Darwin, disponível online, crentinho mequetrefe: http://darwin-online.org.uk/content/frameset?viewtype=side&itemID=F944&pageseq=156

    Taí, e com scan da página. Agora, cre(n)tin(h)o, mostra O SEU scan, mostra. Só que você não vai. Sabe por quê, cre(n)tin(h)o? Porque você copiou papo de Orkut: http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=355538&tid=5725361211674493165&na=1&npn=1&nid= , de uma frase tirada do pseudodocumentário Expelled, de Ben Stein, para dar a impressão de que Darwin dava apoio racional para o holocausto nazista.

    Nice try, retardado. Mas é muito pouco ainda. Quantas citações DIRETAS você quer que eu coloque da sua bibliazinha mandando matar qualquer um, hein? E ainda coloco de sites religiosos. escolha o numero que eu coloco citação, livro, versículo e no idioma original com estudo das expressões (strongs)

    Eu tava sentindo falta dessa ralé desonesta.)

  • saguhh00

    De certo modo, há um projeto nos seres vivos, mas esse projeto não é inteligente, e o Projetista não é externo, mas interno. O Projetista do corpo de um ser vivo é o gene. Todas as moléculas que compõem um ser vivo são sintetizadas com pedaços de moléculas que o ser vivo absorveu e quebrou, usando os genes do ser vivo como molde. Os genes controlam como os corpos dos seres vivos são construídos.
    Mudanças na sequência dos nucleotídeos que formam os genes, mudam as moléculas sintetizadas a partir deles, o que por sua vez muda a estrutura do ser vivo composto dessas moléculas.
    Isso significa que os únicos limites das mutações são o número de combinações possíveis entre os nucleotídeos que resultam em um ser vivo capaz de sobreviver e se reproduzir.

    O gene sofre mutações, e as mutações que fazem um organismo capaz de sobreviver e se reproduzir com mais frequência, são passadas adiante com mais frequência e se tornam comuns, enquanto que as mutações que tornam um organismo mal adaptado e incapaz de se reproduzir, são passadas adiante com menos frequência e se tornam mais raras.
    Assim, conforme o gene é passado através de gerações, há um acúmulo de mutações que “ajudam” o gene a construir um ser vivo capaz de se reproduzir e sobreviver, o que resulta em um organismo construído para se reproduzir e sobreviver em um dado ambiente, mas esse projeto é cego, resultado do acúmulo de mutações nos genes.

  • jorio eduardo

    A menor unidade de seleção natural não é um gene, mas uma célula. Um gene fora de uma célula não é nada, não funciona.
    Portanto temos que considerar a célula como unidade mínima da evolução e uma célula envolve vários tipos de moléculas e não só genes.

    A evolução é a história das células. Com ou sem design não deixa de ser a “história da informação complexa”, pois uma célula, por mais primitiva que seja representa um conjunto de informações complexas.

    Acredito na evolução. Com ou sem design ela ocorreu e as espécies de hoje são descendentes das antepassadas. Tá escrito no DNA