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A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

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Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Alquimia

alquimista_01a.jpgTodos nós já ouvimos falar sobre “alquimia”. Muitos vêem como algo hermético, cheio de “saberes ocultos”, com conceitos mágicos apenas ao alcance de iniciados. Mas não é bem assim. Sua história mostra que nada tinha de “mágico” ou “hermético” na antigüidade. Na verdade, era uma ciência como todas as de hoje. Uma ciência que evoluiu e acabou recebendo outro nome. Mas, como começou a alquimia mesmo? Qual o seu nome atual?

A palavra Alquimia deriva do árabe AL-KIMA, pedra filosofal. KIMIA deriva do vocábulo egípcio KEME, terra negra – a matéria primordial. Podemos considerar o período egípcio e bizantino como tendo compreendido os primeiros seis séculos da era cristã. Alguns dos mais antigos escritores, tais como Zózimo (250-300 d. C.), Maria, a judia (a quem se atribui a invenção do chamado “banho-maria”) entre outros foram pessoas extremamente práticas com experiência em laboratório; mas os autores posteriores (bem como alguns charlatães) se dedicaram a escrever sobre a alquimia sem praticá-la, já que de química (como hoje esta maravilhosa ciência é conhecida) não entendiam nada; e considerando que “Em terra de cego, quem tem olho é rei”… Foi a festa para os embusteiros e seus “poderes milagrosos”.

Afinal, imaginem o seguinte: A amônia , devido à sua alta solubilidade em água, pode ser usada para fazer um pequeno “chafariz”, dentro de um balão volumétrico. Pois bem, se na água utilizada adicionarmos pequena quantidade de um reagente chamado fenolftaleína (que ficará com coloração avermelhada ao contato com a amônia ou outra base), nós poderemos observar que começará a jorrar um líquido bem vermelho no interior do balão. Se eu tiver um péssimo caráter, poderei dizer que estarei transformando água em sangue, e todos os espectadores que não tenham nenhum conhecimento de química ficarão impressionados (para não dizer apavorados) e, voilà, receberei o título de mago, bruxo, David Copperfield, Padre Quevedo etc.

Bom, o Egito foi conquistado pelos árabes no ano 640 d. C., e, com isso, os escritos sobre a alquimia passaram à Arábia sendo logo traduzidos para o árabe e para o sírio. O conhecimento adquirido pelos árabes foi muito desenvolvido por eles e, gradualmente, a alquimia se elevou ao “status” de profissão. No século XIII, a idéia dos quatro elementos principais (água, fogo, terra e ar) foram substituídos por três: mercúrio, enxofre e sal. O alquimista árabe Abu Musa Jabir ibn Hayyan al Sufi (também conhecido como Geber) havia ensinado que os metais se compunham de mercúrio e enxofre, gerados no interior da Terra. Supunha-se que o ouro e a prata eram feitos de mercúrio e enxofre “limpo”; enquanto que os outros metais eram formados com enxofre “sujo”. Ora, com um raciocínio desses, é óbvio que chegaram a conclusão de que, se limpassem adequadamente o enxofre constituinte dos metais vulgares, facilmente poderia transformá-los em ouro, através da famosa “pedra filosofal”.

Segundo os esotéricos, a arte alquímica consiste em manejar uma poderosa “força de atração” que emana do centro alquímico – a origem de tudo. O dito alquimista maneja um determinado instrumento que irradia as mesmas forças do chamado “centro arcano”. A alquimia seria, portanto, a arte do domínio do centro arcano e, assim, manipular a pedra filosofal habilmente.

Aproximadamente em 1525, surgiu uma nova escola e químicos (se é que podemos chamá-los assim), conhecidos como “Iatroquímicos”, ou químicos-médicos. O objetivo desse pessoal era um pouco, digamos assim, mais nobre. Era encontrar um meio das pessoas se tornarem totalmente imunes às doenças, ou seja, conseguirem a imortalidade com o uso do “elixir da vida eterna”. O fundador da Iatroquímica foi o médico Philip Aurelus Bombast von Hohenheim, também conhecido como Paracelso, cujo principal mérito foi o de demonstrar o valor medicinal de muitas substâncias.

Apesar disso, Paracelso ainda ficou preso a certos preceitos “mágicos”, e estipulou o termo “preparado espargírico”, o qual buscava a quintessência, que valorizava o elemento divino da natureza e a preservação das vibrações cujo surgimento era a própria essência da alquimia.

De qualquer forma, é errando que a gente aprende. Apesar de tanta confusão e idéias tolas, os antigos cientistas, depois de tantos fracassos, conseguiram desenvolver esta nobre ciência. Não devemos, contudo, recriminá-los; pois o que é verdadeiro hoje, pode parecer uma enorme idiotice daqui a alguns anos. O que devemos fazer é ter uma visão mais crítica e evitar que mergulhemos nos mesmos erros dos antigos, devido à ganância e/ou egocentrismo, de querer acreditar que sabemos tudo. Uma ciência sem meta concreta é ciência morta, ou nem mesmo isso. Uma teoria da qual não nos questionamos centenas de vezes, nem tentarmos comprová-la sempre, nunca merecerá inteira confiança.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

  • Matheus Marques

    Me desculpe se eu for ignorante.
    a alquimia tem algo em comum com a gnosis? ou vice-versa

    Administrador André respondeu:

    Não.

    drumyoshiki respondeu:

    @Matheus Marques, Se houvesse alguma relação entre gnosis e alquimia seria um paradoxo bem curioso, pois a última deu origem a química moderna, e o dono desse blog é químico E A-gnóstico (eu acho). O que faria dele um gnóstico agnóstico!! 😆

    Administrador André respondeu:

    drumyoshiki respondeu:

    @André, 😆

    “Distrações”
    http://www.doobybrain.com/wp-content/uploads/2008/10/research-paper-vs-internet-comic.jpg

    Indícios da difusão digital: Quando um pai de família, professor doutorado em química, mostra possuir conhecimento de ‘icanhascheezburger’ e assume ficar ‘9gageando’ de vez em qndo!

    Novos tempos indeed… Quem me dera meu círculo social ser tão incluído digitalmente o_o’

    Matheus Marques respondeu:

    @drumyoshiki, é que um tempo atrás eu fui à uma palestra de gnosis, e eles mencionaram a alquimia no processo de procura do ”eu” interior, não entendi muito bem o que eles queriam dizer.

    Administrador André respondeu:

    Num falo nada. Num falo nada…