Uma introdução ao Ateísmo

Este artigo foi concebido como uma introdução geral ao ateísmo. Embora haja tentado ser o mais neutro possível, deve-se sempre ter em mente que este documento representa apenas um ponto de vista. Aconselho fortemente que cada um faça a leitura no intuito de tirar conclusões próprias sobre o assunto.

A fim de manter a coesão e um desenvolvimento linear, o artigo apresenta-se como uma conversa imaginária entre um ateísta e um teísta. Todas as perguntas feitas pelo teísta imaginário foram selecionadas por serem muito freqüentes nas discussões do tipo “teístas versus ateus”.

Importante salientar que este artigo é inclinado a abordar as questões do ponto de vista cristão. Isso se deve ao fato de as perguntas aqui apresentadas terem sido predominantemente feitas por cristãos.

Quando falo “religião” me refiro primariamente ao cristianismo, judaísmo e islamismo, as quais envolvem a crença em alguma espécie de ser divino supra-humano. Muitas das respostas abrangerão também outras religiões, mas algumas talvez não.

O que é Ateísmo?

O ateísmo é caracterizado pela ausência da crença na existência de quaisquer deuses. A descrença geralmente vem de uma decisão deliberada ou de uma dificuldade para acreditar nos ensinamentos religiosos que parecem literalmente inverossímeis. Não se trata simplesmente da descrença advinda do desconhecimento sobre as religiões.

Alguns ateus vão além da mera descrença: afirmam categoricamente que não existem deuses particulares ou quaisquer deuses. A simples descrença em deuses é comumente denominada “ateísmo passivo”; o “ateísmo ativo” seria literalmente acreditar que não há (ou é impossível existir) deuses.

Em relação às pessoas que nunca tiveram contato com a idéia de “Deus”: se são “atéias” ou não, isso é matéria para debate. Mas já que provavelmente não encontraremos qualquer indivíduo nessa situação, promover tal debate passa a ter pouca importância.

É importante salientar a diferença entre os ateísmos “ativo” e “passivo”. O “ateísmo passivo” trata-se simplesmente de ceticismo; descrença na existência de Deus. O “ateísmo ativo” afirma positivamente a inexistência de Deus. Não cometa o equívoco de classificar todos ateus como “ativos”. Há uma diferença qualitativa entre as posições “ativa” e “passiva”, não se trata tão-somente de uma variação no grau de “intensidade ateística”.

Alguns ateus acreditam na inexistência de todos deuses; outros se limitam a deuses específicos, como o Deus cristão, em vez de fazer negações generalizadas.

Não crer em Deus não significa a mesma coisa que acreditar em sua inexistência?

Definitivamente, não. Descrer significa não julgar ser verdade. Não crer que algo é verdade não equivale à crença em sua falsidade; certos indivíduos simplesmente dizem não saber se isso é verdade ou não, o que nos leva ao agnosticismo.

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8 comentários para “Uma introdução ao Ateísmo”

  1. Weldys Santos Disse:

    Ótimo artigo, vou postar algumas idéias que tenho no meu blog e irei referenciar este artigo, muito bom mesmo, como sempre!

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  2. Carlos Portela Disse:

    Artigo muito bem escrito, detalhado e com ótimas classificações. Antes tivéssemos todos esse grau de consciência, livre de preconceitos e superstições.
    Matéria exemplar.

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  3. Flavieira Disse:

    O cepticismo germina

    Por volta do século 18, o pensamento racional era comumente exaltado como panacéia para os problemas do mundo. O filósofo alemão Immanuel Kant afirmava que o progresso do homem estava sendo impedido por sua dependência da política e da religião para obter orientação. “Ouse saber!”, exortou ele. “Tenha a coragem de usar sua própria inteligência!”

    Essa atitude caracterizou o Iluminismo, também conhecido como a Idade da Razão. Esse período, que durou todo o século 18, foi marcado por uma obsessiva busca de conhecimento. “O cepticismo substituiu a fé cega”, diz o livro Milestones of History (Marcos da História). “Todas as velhas ortodoxias foram questionadas.”

    Uma ‘velha ortodoxia’ que veio a estar sob escrutínio foi a religião. “Os homens mudaram seu conceito sobre a religião”, diz o livro The Universal History of the World (A História Universal do Mundo). “Não mais estavam satisfeitos com a promessa de recompensas no céu; exigiam uma vida melhor na terra. Começaram a perder a fé no sobrenatural.” De fato, a maioria dos filósofos iluministas encaravam a religião com desprezo. Em especial, culpavam os líderes da Igreja Católica, ávidos de poder, de manter o povo na ignorância.

    Não perdôo os insensatos,
    Detesto os desprevenidos,
    Amaldiçôo os ingratos,
    Temo os destemidos,
    Ignoro os ignorantes,
    Odeio os fanático que pelo seu zelo e excesso de preciosismo religioso, torna-se cego.
    Abomino os intolerante, faccioso, sedicioso.
    Esculacho os sectários obcecados por uma facção,
    Condeno os irracionais que expungem e oblitera a razão.

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  4. Gilberto Baer Disse:

    Prezado amigo,
    Náo tenho religião e estudando o ateismo não consigo uma resposta plausível como essa filosofia explica a origem de tudo que há nesse espaço que chamamos de cosmos , inclusive suas leis , uma das quais muito se apoia o ateismo , que é o evolucionismo.
    Por favor ficaria muito grato se me desse uma luz no raciocínio ateu sobre essa questão.Aliás ao leigo do ateismo , a pergunta institiva que faz quando lhe dizem que deus não existe é, “E quem criou tudo isso?
    Obrigado pela atenção .

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    André reply on sábado, 28 de junho de 2008 13:37:

    Náo tenho religião e estudando o ateismo não consigo uma resposta plausível como essa filosofia explica a origem de tudo que há nesse espaço que chamamos de cosmos

    O ateísmo não se preocupa com isso. Cientistas sim. E muitos deles são religiosos. Einstein era deísta e Stephen Hawking é agnóstico.

    inclusive suas leis , uma das quais muito se apoia o ateismo , que é o evolucionismo.

    A Teoria da Evolução não é uma Lei Científica. É uma Teoria Científica. Apesar dela ter resistido a qualquer impecilho epistemológico que lhe tenha confrontado (leia Popper), não pode ser uma Lei (ainda?), pois não foi evidenciada em TODAS as partes do Universo. Na verdade, sequer foi evidenciada a vida em outros sistemas.

    Muitos cientistas evolutivos são religiosos. Não precisamos de um Deus Tapa-Buraco. Logo, sua proposição é um tanto falha.

    Por favor ficaria muito grato se me desse uma luz no raciocínio ateu sobre essa questão.

    Desculpe, não sou ateu. De minha parte, mesmo que haja uma divindade qualquer, não vejo porque o mundo tem que ter sido criado conforme as escrituras (qq uma delas) sugerem.

    Aliás ao leigo do ateismo , a pergunta institiva que faz quando lhe dizem que deus não existe é, “E quem criou tudo isso?

    Pq EFETIVAMENTE tem que haver um criador? Se houver, eu perguntaria “quem criou o criador?”

    Obrigado pela atenção .

    De nada e volte sempre. Pelo menos vc foi educado ao expor suas questões e isso conta muito para gente.

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  5. Gilberto Baer Disse:

    Prezado Amigo
    Agradeço sua atenção em me responder mas ,para ser franco as minhas dúvidas permanecem .Realmente se ao ateismo a origem não interessa , sendo coisa para a ciência esclarecer , tenho certeza que se um dia algo for encontrado que tenha dado orígem ao cosmo ,será somente pela ciência e jamais pela religião .O ateismo pode se apoiar no evolucionismo mas o círculo vicioso permanece , quem projetou e fez a evolução funcionar ?Se não é preocupação do ateismo , desculpe ,minha opínião continua :
    “Teistas e ateistas se degladiam como dois cegos , pois ambos nada sabem, nada provam do que afirmam ,aqueles com as fantasias bíblicas e estes com conclusões vazias de conhecimento.”De qualquer forma respeito o ponto de vista de todos , mas fico com a minha opinião a respeito .
    Concluo :ninguém sabe nada.
    Obrigado pela atenção , mais uma vez ,
    Gilberto Baer

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    André reply on segunda-feira, 30 de junho de 2008 14:44:

    Agradeço sua atenção em me responder mas ,para ser franco as minhas dúvidas permanecem

    E quem pode se dar ao luxo de ter todas as dúvidas respondidas? Só aqueles que perguntam pouco e se contentam com menos ainda. ;-)

    Realmente se ao ateismo a origem não interessa , sendo coisa para a ciência esclarecer , tenho certeza que se um dia algo for encontrado que tenha dado orígem ao cosmo ,será somente pela ciência e jamais pela religião

    Se assim o é, por que os religiosos insistem em impor sua visão, tomando por base livros escritos por pessoas que não sabiam o mínimo de matemática e ciência natural?

    O ateismo pode se apoiar no evolucionismo mas o círculo vicioso permanece , quem projetou e fez a evolução funcionar ?

    A pergunta nos remete a duas questões:

    1) Por que efetivamente alguém tenha que ter criado?

    2) Quem criou o criador?

    Nisso cairemos numa regressão infinita.

    “Teistas e ateistas se degladiam como dois cegos , pois ambos nada sabem, nada provam do que afirmam ,aqueles com as fantasias bíblicas e estes com conclusões vazias de conhecimento.”

    Por isso me fundamento apenas nas descobertas científicas, devidamente comprovadas.

    De qualquer forma respeito o ponto de vista de todos , mas fico com a minha opinião a respeito.

    Assim como respeitamos a sua. O que não gostamos é de impositores que bradam feito loucos o que devemos acreditar, ignorando as provas obtidas até hoje. Reconheço que existe fundamentalismo doentio em ambos os lados, mas eu não sou nem um nem outro.

    Abraços. :-D

    [Reply]

  6. Rodrigo Souza a.k.a. Sargento Disse:

    Teistas e ateistas se degladiam como dois cegos , pois ambos nada sabem, nada provam do que afirmam ,aqueles com as fantasias bíblicas e estes com conclusões vazias de conhecimento.

    Não sou cientista (meu negócio é publicidade) mas nutro um apreço especial por aqueles que pesquisam para saber mais do que sabiam ontem. A ciência é um processo de pesquisa bem moldado e com regras de auto-regulamentação bastante eficazes. E como todo processo não atingiu ainda seu estágio conclusivo derradeiro. Porém, há de concordar, que mesmo que o processo ainda não tenha terminado, certamente os resultados colhidos são melhores em termos de compreensão e entendimento do mundo que nos cerca do que no início dele.

    Um fuzil descalibrado em 2° é praticamente imprestável para fins de tiro de escol (sniper), mas ainda assim é muito melhor que uma arma que você desconhece o quanto está descalibrada.

    Mesmo com tudo que já se sabe nos campos da física, astronomia, química e biologia, os “chutes” dados para a origem do universo não passam de hipóteses que carecem de provas que as corroborem. Incompletas sim, mas muito mais acertadas e lúcidas do que heranças culturais de tribos bárbaras do deserto. Voltando ao exemplo do fuzil, é mais seguro conhecer o quanto se é falho para poder compensar mecanicamente e garantir a caça do que fazer barulho, assustar o alvo e gastar munição a toa.

    Desculpem eu me intrometer em debate alheio. Acabei me empolgando! :eek:

    [Reply]

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