Aviso: não vou rezar, mas à minha maneira manifesto meu total pesar pela tragédia do Haiti e minha intenção de ajudar como puder em termos de solidariedade humanitária. Não preciso de religião para demonstrar meus pêsames e solidariedade.
Depois do terrível terremoto que devastou o Haiti esta semana, os meios de comunicação e os clérigos cristãos estão pedindo para que rezemos pelo Haiti. Que rezemos para que “Deus” acuda e ajude os sobreviventes e receba com carinho os mortos, estimados entre 45 mil e 100 mil. Mas, por motivos óbvios – embora não óbvios para cristãos, embora eu sinta muito pela tragédia e, se puder, vá ser solidário à minha maneira com a população haitiana, não vou rezar nada.

Ao longo da vida, somos submetidos às mais diferentes, opostas e contraditórias noções de como o deus cristão age para com os súditos humanos e as “criaturas” não-humanas, ou mesmo como ele é. A impressão, digo, conclusão que se tem quando consultamos as pessoas para saber a concepção delas sobre a divindade que crêem é que não existe um consenso sobre como ele é ou se comporta, o cristianismo não dá respostas unificadoras sobre “Ele”.
Sim, ela inspira medo. Apesar de ter aparecido como a pessoa que faltava para quem não gosta de Dilma nem de Serra nem de Aécio e ser tão louvada atualmente por sua história de vida e luta ambientalista, ela assusta quanto a propostas suas relativas à educação, ao progresso científico e à própria política e pelos riscos que a liberdade religiosa no Brasil sofreria num governo seu. Evangélica e criacionista convicta, apoiou a ascensão do evangelho cristão na política em 2006 e desejou em 2008 uma “invasão” da Gênese cristã na pesquisa científica e na educação, por isso sua possível vitória em 2010 soa de fato ameaçadora.



