Ministério Público baiano diz a prefeito que Jesus é o cacete! (ok, quase isso)

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Jairo Magalhães e o prefeitosco do município de Guanambi, que você só sabe que fica na Bahia porque eu estou dizendo, mas se eu lhe der um mapa do referido estado, você jamais será capaz de encontrar este lugar (se bobear, não encontra nem a Bahia). Ao assumir a prefeitura, Jairo, como bom fanático religioso que é, entregou o comando a Jesus, que além de bicho-grilo carpinteiro, ainda tem que tomar conta de uma cidade. Tadinho do Nazareno!

Tudo muito bem, mas o Ministério Público chegou para ele e disse “Ei, psiu! Pára com essa frescura aê, ô!”

Começando 2017 já com loucura crental, esta é a primeira SEXTA INSANA do ano!

Tudo começou com Jairo editando este documento:

Eu gostei de várias partes dele, como por exemplo

Eu, Jairo Silveira Magalhães, prefeito de Guanambi, designado por Deus, eleito pelo voto popular para gestão de 2017/2020, decreto a entrega da chave deste município de Guanambi a Deus.

Ele foi designado por deus. Está numa missão santa. Ok, ok. Aliás, qual deus? Javé? Rá? Kcheranopsitkaka? André? Sim, eu sou Deus. Provem o contrário, e enquanto não conseguem, passem pra cá esta bosta de chave da cidade!

Ele ainda declara:

que esta cidade pertence a Deus e que todos os setores da Prefeitura Municipal estarão sobre (sic) a cobertura do Altíssimo

Sobre, Jairo? Mas será possível que nem escrever você sabe, seu analfabeto? Bem, já temos uma ideia dos eleitores que elegem qualquer coisa para governar um município. Assim, ainda temos que…

cancelo em nome de Jesus, todos os pactos realizados com qualquer outro deus ou entidades espirituais

E MINHA PALAVRA É IRREVOGÁVEL!

Ah, a doce humildade cristã. Sim, prefeitão, sua palavra é irrevogável, mas isso se os vereadores não quiserem, ou violar princípios como laicidade do Estado, seu idiota! Aliás, é exatamente questionando este último que o Ministério Público está batendo em cima, instando que o prefeitão revogue imediatamente o decreto “irrevogável”, sugerindo ainda que ele não faça referências a opções ou orientações religiosas na edição de atos normativos de qualquer espécie ou, em outras palavras, faça de sua religião que nem o seu pênis: Tenha uma, sinta orgulho dela, mas não fique enfiando em todo mundo de qualquer jeito, pois isso é muito feio.

O procurador Rômulo Moreira fez uma representação solicitando à procuradora geral, Edine Lousado, que entre com uma ação contra o prefeito Jairo Magalhães. Caso a representação seja aceita, haverá uma ação direta de inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça da Bahia para anular esta mostra de imbecilidade governamental, o que em linguagem popular seria algo como “enfie seu decreto na bunda”.

Ainda existem juízes Berlim; na Bahia eu não sei, mas com certeza tem político retardado, eleito por uma população idiota que elege qualquer coisa em nome de Jesus, que sequer entende o que significa Mateus 22:21.

E sim, eu falaria mal se entregasse a chave da cidade a Oxalá, também. Oxalá isso não vire uma modinha entre prefeitos.


Fonte: G1

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Julio Cesar Ferranti

    Quer apostar que o Prefeitosco (by André) vai se recusar e alegar perseguição religiosa?

  • Claudio Roberto Cussuol

    No fundo, a grande questão é: Que diferença que isso faz?
    O decreto é inútil e cancelá-lo, por mais correto que seja, continuará sendo inútil.
    No máximo o cara ganhou um monte de publicidade gratuita. E se bobear ainda vai convocar todos os cristãos da cidade para fazer um protesto “em defesa de Jesus”.
    Tem hora que é melhor ignorar.

  • Lismar Cardoso

    Não sei o que é mais bizarro, esse caso, ou o do infeliz que quer proibir punheta.

  • Mário Secco

    Eu acho que NÃO deveriam cancelar o decreto!

    Explico: se der alguma merda na cidade (o que não é difícil acontecer) , qual seria a desculpa da crentaiada já que a cidade estaria nas mãos de Deus?

    Gui respondeu:

    Das duas uma:

    – A culpa seria de alguma maquinação do Diabo contra os fiéis e de quebra seguidores de outras religiões poderiam ser incluídos dentro do bode-expiatório ( principalmente se esses forem candomblecistas, umbandistas ou espíritas).

    – O fato de alguma coisa ter dado errado é na verdade evidência de julgamento divino sobre os habitantes da cidade.