Um material bioinspirado para uma nova geração de lentes

A busca por exoplanetas escondidos
A importância das nuvens

Imagine que você precise de lentes de contato, já que é cegueta, pois seus incríveis e maravilhosos olhos, oriundos de um projeto inteligentemente planejado, são uma bosta e você não enxerga bosta nenhuma na sua frente. Alguns, como eu, detestam usar lente de contato. Não é todo mundo que se adapta. Talvez, se ao menos tivéssemos lentes de origem orgânica, vindo de seres vivos, seria legal, né?

Então, digam HOSANAS! E virão aqueles para nos salvar.

A drª Zhang Lina é química (com ela a oração e a paz). Ela é pesquisadora com especialidade em Físico-Química, com ênfase em polímeros. Além disso é professora da Faculdade de Química e Ciências Moleculares da Universidade de Wuhan, na China (na verdade, a foto de abertura não é dela. Foi uma cortesia do Nicko,

Lina pesquisa como fazer lentes mais eficientes com materiais fáceis de se obter. Isso melhora a eficiência e barateia o custo. Sendo assim, ela e seus colaboradores chegaram num hidrogel biocompatível com base na estrutura bicamada dos órgãos das plantas , o qual pode inchar e se contrair mediante mudanças de pH e, com isso, alterar seu índice de refração, servindo como lentes. Para isso, ela empregou quitosana e carboximetil-celulose para obter este efeito. Simples, não?

Não, André. Essa merda não está nada simples, caraio!

Quitosana é um polissacarídeo, como a celulose. Aliás, um derivado da celulose é justamente o carboximetil-celulose. Sendo polímeros naturais, eles podem ser moldados como qualquer plástico, com a vantagem que sendo de origem natural seu custo acaba sendo menor e com melhor resultado para as pessoas que terão menor tendência a alergias e rejeição.

A equipe da drª Lina Menina usou duas camadas de cada substância de forma que elas fiquem unidas por causa das forças intermoleculares e interações eletrostáticas que você aprendeu no primeiro ano do Ensino Médio e ignorou solenemente, já que isso não serve para nada.

Mediante a mudança da acidez e basicidade no processo de feitura, as substâncias incham e se deformam, formando uma curvatura, de forma a simular lentes de diversos graus, pois é isso que acarreta mudar o índice de refração, isto é, como a luz muda de direção quando passa por um meio.

A estrutura de bicamada do hidrogel assemelha-se à dos órgãos das plantas, e inspirados pela estratégia de focagem dos olhos, que mudam de forma a focar objetos próximos e distantes, os pesquisadores usaram seu material inteligente para fazer uma lente biomimética transparente cujo foco pode ser ajustado pelo inchaço e contração do hidrogel.

Simples, claro e cristalino, como a mais perfeita das lentes.

A pesquisa foi publicada no periódico Soft Matter, because Science matters. Everything’s matters (except energy, of course)

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Sobre André Carvalho

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