Grandes Nomes da Ciência: René Laennec

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Os pais entram pelo Pronto Socorro desesperados. Eles trazem um grande embrulho nos braços. A primeira figura de branco é Deus para quem precisa., mas é apenas um homem. O ruído sibilante dá o alarme e séculos de conhecimento acumulado entram em ação. A mãe leva a ão na boca, o pai explica simplesmente que ele não está respirando, doutor. Ouvidos escutam, mas os olhos não acompanham, pis estao fitando outra coisa. Mãos treinadas mão até o aparelho, e uma extremidade bipartida são levadas aos ouvidos enquanto o peito já desnudo por uma rapidez mal observada recebe o frio toque do aparelho.

O estetoscópio é instrumento diário, simples e imprescindível nas mãos de um médico. Apesar de meio que óbvia a sua utilização, o estetoscópio é de invenção relativamente recente, e isso se deve a Renné Laennec.

René-Théophile-Hyacinthe Laennec nasceu em 17 de fevereiro de 1781, na prefeitura de Quimper, na região da Bretanha (não, tem nada a ver co a “Gran”), a noroeste da França. Ele era filho de uma tradicional família de advogados, tendo seu avô sido prefeito de Quimper. Como ninguém na Revolução Francesa deu muita bola para eles, eles meio que ficaram em paz. A mãe de René morreu da doença que era uma verdadeira ceifadora de vidas na época: tuberculose. Papai Laennec era tenente do Ministério da Marinha em Quimper, cujo soldo não era lá grandes coisas e, por causa disso, Laennec foi criado pelo tio. Depois de ser confiada a um tio: Guillaume François Laennec. Este tio era um Zé Ruela (só que não), pois era médico em Nantes, professor e diretor da Escola de Medicina, que era reitor da Universidade de Nantes. Claro, chegou a Revolução Francesa e aí é querer demais manter todos os cargos. Pelo menos, titio Laennec nãoperdeu a cabeça, mas creio que deve ter sido por muito pouco.

Em 1800, René Laennec estudava em Paris, sendo aluno do dr. Jean-Nicolas Corvisart no Hospital Charitè, além de outros grandes mestres do local, como Guillaume Dupuytren. Laennec se formou em 1804, passando a se dedicar ao estudo de doenças das lesões encontradas em autópsias, como a cirrose, por exemplo.

Em 1816, René Laennec foi nomeado para o Hospital Necker (nome dado para homenagear o economista Jacques Necker). Laennec mostra-se interessado em estudar doenças pulmonares e examina seus pacientes utilizando a técnica de percussão descrito pela primeira vez pelo médico austríaco Leopold Auenbrugger, em 1761. Esta técnica foi descrita no livro Inventum Novum, traduzido pelo professor de Laennec Jean-Nicolas Corvisart. A técnica baseava-se em auscultar a área das costas, enquanto se dava pancadinhas com o dedo, uma prática que não foi abolida, apenas melhorada, e Laennec teve participação nisso.

Não se sabe ao certo como Laennec teve a ideia. Alguns especulam que como ele era flautista, para ele era bem natural usar um tupo para amplificar sons. Outras histórias dizem que ele viu crianças brincando com tubos, colocando a orelha numa extremidade com a outra arranhando a extremidade oposta. De qualquer forma, ele usou um tubo de papel para auxiliá-lo em escutar o que anda rolando por dentro do paciente. Um dos motivos alegados para essa invenção é que isso resguardava o paciente  do médico no quesito de pudor, mas a técnica era bem promissora, e logo evoluiu para tubos de madeira, bem trabalhados, por sinal. Oprimeiro instrumento tinha 25 cm de comprimento por 2,5 cm de diâmetro, formando cilindro oco, que mais tarde foi melhorado para compreender três partes destacáveis; e como curiosidade que reforça a teoria das habilidades como flautista de Laennec, o tubo se parecia com uma clarineta. Pelo sim, pelo não, esse aparato ajudou muito no diagnóstico de doenças respiratórias, incluindo a tuberculose. Em fevereiro de 1818, Laennec apresentou suas descobertas para a Academia de Medicina, e em 1819 ele publicou o livro De l’Auscultation Médiate ou Trait du Diagnostic des Maladies des Poumon et du Coeur, um tratado que classifica os sons emitidos no peito. Em 1822, quando D. Pedro estava dando o grito do Ipiranga, com sotaque português, claro, René Lennec assumiu a cadeira de Medicina Prática  da Universidade da França.

Laennec foi o primeiro a classificar e discutir os termos estertores, roncos, peritônio e egofonia. Termos que os médicos agora usam em uma base diária durante os exames físicos e diagnósticos. Em fevereiro de 1818, ele as apresentou suas descobertas em uma palestra na Academie de Medecin, depois de publicar suas descobertas em 1819, cunhando a expressão mediato ausculta (ouvir indireta), em oposição à prática popular no momento de colocar diretamente a orelha no peito (ausculta imediata). Batizou seu instrumento do estetoscópio, do stethos (peito), e skopos (exame), ou “examinador de peito”.

Mas, curiosamente, os demais médicos se recusaram a usar o invento. Alguns com uma justificativa bem inteligente e profundamente científica: “Deus que nos deu ouvidos para ouvir, usem suas orelhas e não um estetoscópio.” O fundador da American Heart Association, LA Connor, pousava um charmosinho um lenço de seda sobre o tórax para não ter que usar o aparelho, mas não importa. Hoje, em volta de médicos e enfermeiros, o estetoscópio vem ajudando a diagnosticar o que acontece com o paciente. Ele evoluiu e adquiriu a forma que nós conhecemos hoje.

Ao escrever este texto, eu vi que o estetoscópio, como vários aparelhos, está sendo modernizado. É o HeartBuds, um pequeno dispositivo de escuta que, ao invés de ir para sua orelha, é ligado a um smartphone.

O dr. David Bello é chefe do Departamento de Cardiologia do Orlando Health, uma rede de hospitais sem fins lucrativos que fica em Orlando, Flórida. O aplicativo criado pelo dr. Bello (ma che!) “ouve” o paciente  traduz os sons em imagens que aparecem na tela, com direito a bips, pois filmes me ensinaram que se não fizer bip, não é aparelho médico. E sim, tem videozinho:


Ok, realmente está parecendo um informecial.

O dispositivo que será conectado ao seu iTReco custa 49,95 dólares na Amazon. O aplicativo você pode baixar digrátis.

O HeartBuds foi apresentado durante as Sessões Científicas da American Heart Association, e de acordo com o press release da Orlando Health, foi testado em 50 pacientes, e o desempenho foi excelente.

Claro, não sou tolo de achar que o estetoscópio vai pra lixeira. Ele está acompanhando profissionais de saúde há séculos, é confiável e uma grande ferramenta. Um ponto de louvor a Leannec, que não parou só nisso. Ele cunhou o termo “melanoma” e descreveu metástase e fez muitas contribuições importantes sobre a tuberculose. Antes mesmos da descoberta sobre o coração ele, com o auxílio do estetoscópio, já descrevia os processos de sístole e diástole.

Certa feita, ele deu o seu estetoscópio para um sobrinho auscutá-lo. O som descrito er bem semelhante a de um homem que morreu com problemas cardíacos, e poucas semanas depois, em 13 de agosto de 1826, René-Théophile-Hyacinthe Laennec, um dos Grandes Nomes da Ciência, deixou este mundo com um severo ataque cardíaco, falecendo aos 45 anos de uma vida que mudou a história da Medicina. Lembrem-se disso quando você for correndo no médico com sérias dores e o médico usar um aparelho de séculos de idade para lhe dizer que você apenas comeu feito um desesperado.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Criajumentismo

    Muito bom! O artigo ficou bem completo. É incrível ver como a ciência revolucionou e ainda revoluciona. Parece que os nomes pra colocar nessa série não acabam.

  • Colecistite

    Excelente artigo!